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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

SALVATERRA: FEZ-SE HISTÓRIA

28.07.18 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Praça de Toiros de Salvaterra de Magos – 27/07/18 – Corrida de Toiros

Director: Lourenço Lúzio – Veterinário: Hugo Rosa – Lotação: ESGOTADO

Cavaleiros: Ana Batista, Diego Ventura, João Ribeiro Telles

Forcados: Amadores de Montemor e de Alcochete

Ganadaria: Canas Vigoroux

SALVATERRA: FEZ-SE HISTÓRIA

Salvaterra: ontem fez-se história. Triunfo importante de Diego Ventura e 2 grandes actuações de Ana Batista. João Telles deu a volta ao pior lote. Boas pegas de Montemor e Alcochete na emotiva homenagem póstuma a Manuel Vinagre. Lotação esgotada de véspera.

 

Factos são factos e contra factos não há argumentos. O interesse do cartel, dos mais bem rematados da temporada, e a homenagem póstuma a um jovem por todos admirado e respeitado, fizeram com que a corrida esgotasse de véspera, algo que há muitos anos não sucedia em Portugal. Talvez do tempo das últimas corridas da rádio no Campo Pequeno…

 

Ana Batista esteve em grande plano nas duas lides aos Canas Vigoroux que lhe tocaram por sorteio e com sorte pois foram os melhores do curro que veio de Castanheira do Ribatejo. Toiros que revelaram mobilidade e codícia, casta da boa e investiram com franqueza. Ana soube dar-lhes as justas lides, bregando bem, rematando como mandam as regras e deixando bons ferros compridos e curtos. E se na sua primeira lide houve dois ferros que caíram, não lhe faltou mérito pelos terrenos que pisou. Acarinhada e apoiada pelo seu público viu-se com muito agrado no seu conceito clássico.

 

Quem rebentou com o quadro e até fez esquecer o eclipse da lua tal o brilhantismo das suas actuações foi Diego Ventura. Um sentido genial de lide, obrigando os toiros a investir – e o seu primeiro era tardo e com pouca vontade -, a pisar terrenos de enorme compromisso, com as montadas a metros do toiro ou a tentar que estes viessem um pouco mais de largo, ferros em todo o alto, reuniões ajustadas e remates vibrantes fizeram com que o público se levantasse várias vezes da bancada e se fizessem ouvir os gritos de “Torero, torero, torero”. E o remate em grande destas suas duas brilhantes lides foram os pares de bandarilhas montando o Dólar sem cabeçada. Público ao rubro e Diego a terminar em grande!!!

 

João Ribeiro Telles bailou com a mais feia, o terceiro da ordem, e o sexto também não ajudou nada. O seu primeiro saiu á arena e parecia completamente adormecido, não ligando á montada e tendo algumas investidas descompostas para o capote. A muito custo João Telles lhe cravou os compridos e, na série de curtos teve de comprometer a montada para deixar ferragem que teve mérito. No que encerrou praça voltou a estar bem por cima das qualidades do toiro quer na brega, cravando com mérito e terminando com um bom violino.

 

A noite nem sempre foi fácil para os forcados: Montemor e Alcochete tiveram de se aplicar a fundo para levar de vencida os Canas. Pelos Amadores de Montemor pegaram Vasco Ponce, tecnicamente perfeito à primeira, seguido por Bernardo Dentinho à 1ª e António Calça e Pina à segunda tentativa com o grupo a ajudar bem. Pelos Amadores de Alcochete foram caras Pedoro Gil, rija À 2ª, João Machacaz a emendar bem à primeira o seu colega Diogo Timóteo que se lesionou na única tentativa que efectuou e João Guerreio apenas à 4ª e a sesgo conseguiu consumar a pega ao último da corrida.

 

Dos toiros lidados e pertencentes à ganadaria de Canas Vigoroux foram bons os lidados em 1º e 4º lugares, serviram 2º e 5º e mansos e pouco colaboradores os restantes.

 

Na direcção de corrida esteve Lourenço Lúzio assessorado pelo veterinário Hugo Rosa.

 

Nota: não me recordo de alguma vez ter assistido a uma homenagem póstuma a alguém numa corrida de toiros em que o público estivesse todo de pé durante a leitura do texto de homenagem e completamente em silêncio e que as ovações soassem com tanto sentimento. Foi bonito de se ver e de sentir. Realmente as gentes da festa brava são diferentes!

Texto: António Lúcio