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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

OS CABOS DOS 3 GRUPOS DA NOVILHADA DO CAMPO PEQUENO FALARAM DO EVENTO E DA TEMPORADA

24.04.18 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Cabos dos grupos de forcados Amadores da Moita., Tertúlia Tauromáquica do Montijo e Arruda dos Vinhos antecipam a respectiva participação na novilhada de sábado, no Campo Pequeno

 

Que significa para o Grupo a inclusão no cartel da novilhada de Abono no Campo Pequeno?

- Pedro Raposo /Amadores da Moita (PR) - É com um sabor muito especial e com o enorme sentido de responsabilidade que o Grupo Forcados Amadores da Moita, vê a sua inclusão no cartel da Novilhada do Campo Pequeno, visto que já há alguns anos o grupo não pegava em Lisboa.

- Márcio Chapa /Amadores da Tertúlia Tauromáquica do Montijo (MC)- Para o nosso grupo tem um significado muito especial. É um sonho realizado estar no cartel da novilhada de Abono do Campo Pequeno, porque há mais de 30 anos que o nosso grupo não pegava na praça de toiros mais importante do nosso país que é o Campo Pequeno! Por isso aqui fica a nossa gratidão por estarmos presentes no Abono do Campo Pequeno 2018!

- Rodolfo Costa /Amadores de Arruda dos Vinhos (RC) – É uma grande responsabilidade pegar no Campo Pequeno, mas, ao mesmo tempo, um prazer enorme em representar a nossa terra e dignificar a tradição de pegar toiros, no ano em que comemoramos 10 anos de existência.

 

  • Quais os objectivos do grupo para esta temporada?

PR -  0s objectivos para a temporada são de nos apresentar sempre em bom nível, dignificando assim o nome do Grupo Forcados Amadores da Moita e a figura do forcado.

MC - Os nossos objectivos para esta temporada são sempre grandes: Tentar estar presentes no maior número de corridas que nos for possível; honrar sempre a nossa jaqueta e o bom nome da nossa terra! Mas o nosso grande objectivo para este ano era voltar estarmos presentes numa corrida de toiros no Campo Pequeno!

RC - Queremos fazer uma boa temporada, chegar aos 10 espectáculos e fazer boas pegas.  

 

  • Como define o momento actual do Grupo?

PR - O actual momento do Grupo Forcados Amadores da Moita é bastante interessante. É um grupo com bastantes jovens o que vem reforçar a sua coesão e a sua continuidade num futuro.

MC - No actual momento, defino o grupo com muita qualidade, jovem e com muito vontade de vencer. Uma família muito unida!

RC - -Temos um misto de juventude e de alguns veteranos que dão garantias para uma temporada em que não tememos os desafios e onde nos comprometemos a honrar e dignificar as jaquetas que envergamos.

PRÉMIOS DE SEVILLA FEIRA DE ABRIL 2018 – EL JULI MÁXIMO TRIUNFADOR

24.04.18 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Vários são os prémios que se atribuem no final da cada Feira de Abril em Sevilha. Estes são os mais representativos:

 

XXXIX Trofeo Equipo Médico de la Maestranza "Dres. Vila"

Quite mais artístico para Andrés Roca Rey, 19de abril, nos segundo e sexto toiros de Jandilla

Quite ao perigo para José Maria Manzanares e Sebastián Castella pelo quite a Valentin Lujan da quadrilha de Alejandro Talavante no sexto toiro de Nuñez del Cuvillo lidado a 17 de abril.

 

Prémio Taurino do Colégio Oficial de Veterinários de Sevilla

“Orgullito”, de Garcigrande, negro listão, de 528 kg. de peso e marcado com o número 35, 5º da tarde, lidado e indultado por El Juli.

 

XXIX edición del trofeo "Mejor lección torera"

Pepe Moral, dia 22 de abril, na corrida de Miura

 

Troféus da Real Maestranza de Caballeria de Sevilla

Triunfador da Feira: El Juli.

Melhor faena: El Juli.

Melhor estocada: José María Manzanares.

Melhor rejoneador: Andrés Romero.

Melhor toureio de capote: Manuel Escribano.

Melhor banderilheiro de capote: José Chacón.

Melhor par de bandarilhas: Curro Javier.

Melhor picador: Paco de María.

Melhor Ganadaria: Garcigrande

Melhor Touro: Orgullito, da ganadaria Garcigrande.

NOVILHADA DE 28 ABRIL NO CAMPO PEQUENO - CÂMARA MUNICIPAL DE ARRUDA DISPONIBILIZA AUTOCARRO

24.04.18 | António Lúcio / Barreira de Sombra

A Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos, através dos seus Serviços Culturais, disponibiliza um autocarro para aqueles que queiram ir á novilhada de 28 de Abril no Campo Pequeno apoiar o Grupo de Forcados Amadores de Arruda dos Vinhos que comemoram 10 anos de existência que pega esta novilhada ao lado dos Amadores da Moita e da Tertúlia Tauromáquica do Montijo. Os bilhetes para a novilhada custam 10 euros e o transporte é gratuito saindo ás 19h do Terminal Rodoviário de Arruda.

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NUNO CASQUINHA – UM GUERREIRO PORTUGUÊS NO PERÚ (3/3)

24.04.18 | António Lúcio / Barreira de Sombra

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 BS – Hoje, através das redes sociais e da comunicação toda a gente vai tendo acesso ás noticias do que vais fazendo lá no Perú e são essas fontes de notícias que também nos enchem de agrado por saber que há toureiros portugueses que triunfam lá fora e cresce a expectativa de os ver fazer cá algo. Acho que as pessoas no ano passado já olharam para ti de uma forma diferente. O Perú continua a ser uma aventura enorme…

 

NC – São muitos os inconvenientes e as dificuldades que temos de superar á parte do toiro que é o que aqui temos. Por exemplo, eu creio que o maior, á parte de viver sozinho, são centenas de horas por ano de solidão e de manter a mente forte e são vários anos a passar lá o Natal, o Ano Novo, os meus anos. Á parte disso, penso que o mais duro é sem dúvida as viagens. Cheguei a fazer viagens de 15 horas, de 18 horas e muitas vezes ter de tourear os meus 2 toiros e sair para chegar no dia seguinte quase á hora da corrida, tirando o traje pelo caminho e tudo. Ou seja, isso alegra porque é de toureiro, foi o que sempre quis, tourear tanto ter tanto reconhecimento, mas é duro! Curiosamente dou-me conta dessas dificuldades quando estou cá, na minha zona de conforto. Digo, realmente passo coisas que não sei como é que as aguento, mas é a paixão enorme que tenho pelo toureio e a ambição que graças a Deus tenho. Continuo a sonhar com as praças grandes. Isso é o que me faz em qualquer sítio, em qualquer toiro, não utilizo o Perú só para ir toureando mas para me superar, independentemente que isso me traga mais ou menos orelhas, mas isso tem-me feito superar, cada vez mais, e realmente chego aqui e já me é mais fácil, porque é tudo mais cómodo.

 

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 BS-Já reparei que tu, por todos os lados por onde tens passado, fazes amizades com relativa facilidade, e tens lá no Perú muita gente pendente de ti, que te apoiam, que te convidam para tentadeiros, para suas casas. É um reconhecimento e uma ajuda boa para passares esses momentos mais difíceis de saberes que estás a 14/15 horas de casa…

 

NC- Sem dúvida que essas amizades e o apoio que tenho tido lá da parte dos aficionados, dos ganadeiros e da imprensa também, tem-me ajudado imenso. Tenho-me sentido acarinhado e sito que em nenhum outro país me sentiria com essa moral. E tenho imensas pessoas que fazem às vezes horas e horas de autocarro, como eu, para me irem ver tourear. Todo esse apoio tem sido importantíssimo e faz-me sentir como estando em casa.  Nunca me canso de agradecer ao Perú pelo que me deu e dá tanto pessoalmente como profissionalmente.

 

BS – Como é que vês o panorama taurino nacional, estando de fora? Achas que há capacidade por parte dos empresários para perceberem que há algumas coisas a mudar e tem de mudar com o toureio a pé e se calhar outro tipo de espectáculos com mais ritmo e mais interesse? O toureio a pé traz muito interesse com as corridas mistas, talvez seja o caminho para que vocês possam ter um futuro assegurado aqui em Portugal?

 

NC – Penso que tem de haver uma ligeira modificação que já se viu no ano passado. Creio que a partir da corrida do Juli que toureou no Campo Pequeno com o Ventura já as pessoas começaram a olhar para o toureio a pé de outra forma. Têm vindo várias figuras de Espanha e creio que as pessoas também estão um pouco fartas de ver sempre o mesmo. Sempre o mesmo tipo de espectáculo e aqui há lugar para todos, não se tira o lugar a ninguém. E havendo mais diversidade há mais público e os toureiros estariam mais toureados e o público acostumava-se mais ao que é o toureio a pé. É óbvio que não entende muito em alguns sítios ainda porque não o vivem, e também outra coisa que ia ajudar os jovens que agora estão de novilheiros, ou a começar de bezerristas, que sabem que é um salto enorme das escolas para quando vão para Espanha, debutar com picadores e entrar nas feiras de novilhadas. É um mundo á parte. E quando levam uma boa preparação daqui… Se aqui não podem, que é a sua Pátria, que é onde mais deviam ser acarinhados e ter mais oportunidades, se estão á espera de um país onde sempre serão tratados como estrangeiros… Se cá não temos essas oportunidades, devia-se facilitar mais os jovens que querem ser toureiros, mais oportunidades e outros mais veriam que aqui se pode tourear, que valia a pena. Alguns não se decidem porque pensam “que futuro vou eu ter aqui?”

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BS – Tourear sempre lá fora, é duro e complicado, não é para todos?

 

NC – Tem de se ter paixão e ambição. É algo que eu prefiro sempre que as pessoas falem de mim, que não seja eu a falar de mim, mas agora, se calhar, estou a colher um bocadinho os frutos de tantos anos, não só desde que fui para o Perú mas também de novilheiro e agora já vai existindo algum reconhecimento.

 

BS – Obrigado matador por teres partilhado estes momentos, estas experiências com os nossos leitores. Sorte para a temporada.

Entrevista e fotos: António Lúcio

MAIS DE SESSENTA JOVENS DISPUTARAM AS ELIMINATÓRIAS DO CONCURSO DE TOUREIO DE SALÃO “VEM TOUREAR”

23.04.18 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Mais de seis dezenas e jovens participaram, no fim-de-semana de 21 e 22 de Abril, nas eliminatórias do Concurso de Toureio de Salão “Vem Tourear”, realizadas respectivamente no Montijo e na Chamusca.

 

Os candidatos foram agrupados em dois escalões etários (6-13 anos e maiores de 13 anos) e puderam exibir-se nos três tércios da lide.

 

Além de concorrentes em nome individual, participaram no certame representantes das Academias e Escolas de Toureio do Campo Pequeno, Montijo, Moita, Vila Franca de Xira (Escola José Falcão), Azambuja, Santarém, Samora Correia, Clube Taurino do Concelho da Chamusca e Clube Taurino de Alter do Chão.

 

A final do concurso realiza-se no próximo sábado, no Campo Pequeno, às 16 horas e será disputada entre 36 apurados.

 

São os seguintes os apurados da Academia de Toureio do Campo Pequeno:

João Silva, Martim Silveira

Eduardo Frazão

Vicente Sanchez

Rui Cardoso

João Pinto

Rodrigo Caldeira

Alexandre Pimenta

 

O concurso “Vem Tourear” é uma organização conjunta da Escola Taurina do Montijo, Academia de Toureio do Campo Pequeno e Clube Taurino do Concelho da Chamusca.

 

Apurados na eliminatória do Montijo (escalão maiores de 13 anos).jpg

Rui Cardoso, (Academia do Campo Pequeno)na prova de toureio d e muleta.jpg

 

Apurados na elimintoria do Montijo (escalão 6-13 anos).jpg

 

Fotos de Frederico Henriques

I FEIRA DAS TERTÚLIAS TAUROMÁQUICAS DO CONCELHO DE VILA FRANCA DE XIRA

23.04.18 | António Lúcio / Barreira de Sombra

FestTert_lias2018_1_600_839.pngSábado dia 5 de Maio

 10h00 Desfile de Tertúlias, acompanhado pelo “Grupo de Músicos do Ateneu Artístico Vilafranquense” Da Praça Afonso de Albuquerque até à Praça de Toiros “Palha Blanco”

 

11h30 Inauguração da Mostra “Tertúlias do Concelho de Vila Franca de Xira” Praça de Toiros “Palha Blanco” - antigo “Redondel”

 

13h00 Espaço para “Comes e Bebes” Tenda junto ao Monumento ao Forcado

 

15h30 Novilhada Popular com 6 Escolas de Toureio (Entrada gratuita) Escola Taurina de Madrid Escola Taurina de Valência Escola de Toureio José Falcão  Escola Taurina de Salamanca Academia de Toureio do Campo Pequeno Escola de Toureio e Tauromaquia da Moita 3 Novilhos Palha . 3 Novilhos Carlos Falé Filipe Praça de Toiros “Palha Blanco”

 

17h30 Largada de um toiro  Largo 5 de Outubro

 

18h30 Colóquio: “O Movimento Tertuliano” Oradores : Luciano Sánchez Hernández - Presidente da Federação das Peñas Taurinas de Salamanca Vitor Escudero - Aficionado e Cronista Taurino David Silva- Estudioso de Assuntos Taurinos Moderador : Luís Capucha - Presidente da Associação das Tertúlias Tauromáquicas de Portugal Praça de Toiros “Palha Blanco” - Arcadas

 

20h00 Espaço para “Comes e Bebes” Tenda junto ao Monumento ao Forcado

 

21h30 Desenjaulamento de toiros para a Corrida de domingo Praça de Toiros “Palha Blanco”

 

22h30 Fado com Margarida Arcanjo e Fandango com Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arcena Tenda junto ao Monumento ao Forcado

 

Domingo dia 6 de Maio

10h00 Receção às Tertúlias convidadas e entrega de lembranças Praça de Toiros “Palha Blanco” - antigo “Redondel”

 

10h30  Largada de um toiro Largo 5 de Outubro

 

12h00 Grupo de Música Popular Portuguesa “Flor do Trevo”  Tenda junto ao Monumento ao Forcado

 

13h00 Espaço para “Comes e Bebes” Tenda junto ao Monumento ao Forcado

 

14h30 Visita a Tertúlias

 

16h30 Corrida de Toiros das Tertúlias Praça de Toiros “Palha Blanco”

 

20h00 Encerramento da Feira

 

Fonte: https://www.cm-vfxira.pt/

FESTA DE CAMPO NA HERDADE DA MACHOA - FOTOS MARIA MIL-HOMENS/PORTA DOS SUSTOS

23.04.18 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Para ver todas as fotos vá clciando nas setas.

 

MANO-A-MANO INÉDITO EM CORUCHE A 27 DE MAIO

23.04.18 | António Lúcio / Barreira de Sombra

A Empresa De Caras, Tauromaquia, Lda. irá realizar em Coruche no domingo, 27 de maio 2017, por ocasião da Ficor 2018. Um inédito mano a mano entre as jovens promessas da atualidade, Francisco Palha e Luís Rouxinol Jr, dois jovens cavaleiros de alternativa que se destacaram na ultima corrida realizada em Coruche defrontando toiros da centenária ganadaria Palha e que aceitaram o desafio de voltar a enfrentar os Palhas num duelo único e importantíssimo para as suas carreiras! Dois grupos de Forcados Amadores, Lisboa e Coruche, na disputa de um trofeu para a melhor Ajuda com o nome de um Forcado que vestiu as jaquetas de ambos os grupos e neles se tornou histórico, Carlos Galamba!

 

Importante destacar que haverá 2000 bilhetes a 10 euros e os jovens até aos 16 anos não pagam desde que acompanhados de um adulto!

 

Bilhetes á venda a partir do dia 27 abril, nas bilheteiras da praça de toiros, na tabacaria Cabra Cega, (junto ao Lidl) ou na internet no site www.tauronews.com as reservas podem ser feitas para o número 93 96 99 310.

 

Vamos de novo encher a Monumental do Sorraia com um cartel inédito!

 

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NUNO CASQUINHA – UM GUERREIRO PORTUGUÊS NO PERÚ (2/3)

23.04.18 | António Lúcio / Barreira de Sombra

IMG_8073.JPGBS – Gostava que pudesses passar isso para os nossos leitores. O ambiente que se vive no Perú é absolutamente diferente, quer por via da cultura, quer pela forma como as pessoas vivem o ambiente á volta das corridas, com muita gente espalhada pelas encostas á volta das praças…

 

NC – É engraçado porque há pueblos que podem ter 1000 ou 2000 habitantes, e uma praça para 8 ou 10 mil e enchem essa praça e os montes estão cheios. Eu creio que devia ser parecido ao que acontecia aqui ou em Espanha nos anos 50. Essa admiração que têm pelos toureiros, assim que chegam ao pueblo, querem tirar fotografias connosco, querem levar-nos a suas casas a comer. Realmente ali sentimos logo esse carinho e essa admiração, o que nos enche de moral e depois também há uma organização das corridas um pouco diferente. Raras são as praças que têm empresários. São Comissões ou Mordomos que organizam as corridas; cada ano “toca” a uma família, a Mordomos diferentes e eles tentam fazer mais e melhor cada ano. Sai dos próprios bolsos o dinheiro para permitir os melhores espectáculos. Os bilhetes são baratos para que toda essa gente possa ir mas eles não vivem do lucro das corridas. Muitas vezes esse lucro reverte para a municipalidade…

 

IMG_8119.JPGBS – Por isso, se calhar, é que tem o ambiente que tem, sem esse critério empresarial do lucro, trazem-se os melhores porque se querem mostrar os melhores e o público participa mais porque tem bilhetes mais baratos, porque não se procura o lucro.

 

NC – É exactamente isso que eles dizem. Se a Comissão anterior levou um toureiro bom e dois medianos, no ano seguinte têm de ir 2 bons e 1 mediano. Eles pagam o que for necessário para levar os melhores toiros e toureiros e a verdade é que a Festa em muitos países vai decaindo e lá vai em crescendo. E como não há sistema empresarial, não há os interesses das trocas, do que vai grátis para tourear. É a afición que exige os toureiros. É uma forma mais pura.

 

BS – Essa, se calhar, era a fórmula que se deveria utilizar em muitos sítios para que as coisas pudessem romper para diante. A participação dos peruanos no espectáculo é muito superior á dos outros países onde há corridas de toiros.

 

NC – Sem dúvida. Depois das corridas chegamos a estra mais dIMG_8273.JPG

 

e 1 hora a dar autógrafos, pedem-nos por favor para tirar uma foto, veneram-te mesmo, pareces mesmo um herói e isso também nos enche de moral.

 

BS – O toiro é muito diferente do toiro da Península Ibérica, do toiro mexicano, da Califórnia onde também já estiveste?

 

NC – Embora havendo pouquíssimo Santa Coloma e Saltillo, o encaste predominante é Domecq mas comprado a ganadarias de Equador ou de Colômbia mas muitas vezes pela altitude e tudo, o toiro é mais parecido ao toiro mexicano do que ao toiro daqui (Península Ibérica). Há sítios de imensa altitude, de mais de 4000 metros…

 

BS – Deve ser difícil para quem está a tourear adaptar-se ao ar rarefeito, ao pouco oxigénio; os primeiros dias devem ser complicados.IMG_8136 (1).JPG

 

NC – Por acaso tive facilidade. É estranho porque aqui não há altitude. E já toureei 3 vezes na praça mais alta do mundo, que é Macuzan, a 5000 metros de altitude. Temos dificuldade em recuperar e nota-se inclusive nos toiros que não são dessa zona, toiros que vão da costa e dão 2 voltas á arena e abrem a boca. O próprio toiro custa-lhe, imagine-se a nós.

 

BS – Nos últimos anos tens toureado bastantes corridas e este ano vais novamente para o Perú. Tens alternado com toureiros de lá e de outros países. Para quando a apresentação numa das praças grandes de lá, Acho por exemplo?

 

NC – Sim, Acho é a mais importante, depois estão Cutervo e Chota. Cutervo toureei lá o ano passado, saí em ombros, uma feira importante. Depois há Celendin a Chauanca. Em Acho é complicado, quem é contratado são as figuras de Espanha e um ou dois peruanos. É complicado. Gostaria muito de aí tourear, vamos a ver se há possibilidade. O critério é o dos triunfadores da temporada espanhola e um ou dois do Perú. O ano passado fiz 37 corridas no Perú, 3 em Espanha, 3 em Portugal e uma na Venzuela (44 no total). O ano passado foi a temporada mais redonda. Foi a temporada em que andei cada vez mais á vontade, fazia mais coisas aos toiros, notava essa evolução.

 

BS – Não há muito tempo, na entrega dos prémios do Clube Taurino Vilafranquense, dizia-se que o Nuno Casquinha fora premido com o troféu á melhor lide e que havia um matador que havia saído em ombros e ao mesmo tempo falava-se de que se calhar havia quem tivesse visto o Nuno a tourear muito melhor, mais repousado, mais templado,  com outra capacidade para ler os toiros. Isso é fruto de tourear muito mais escpectáculos. Vila Franca 2017 marca um antes e um depois?

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NC – Eu penso que sim. De cara sobretudo á opinião das pessoas e aos contratos que vão surgindo… Eu  penso que a temporada no geral é que marca um antes e um depois porque aqui nem foi das melhores faenas da temporada porque o primeiro toiro foi um toiro que se deixou, o 2º mais complicado, não pude fazer faenas de estar a gosto, mas sim, houve entrega, de passar ás pessoas essa mensagem de que estava ali a outro nível.

 

BS – Como aficionado aquilo que vi foi outra dimensão do teu toureio, mais metido na faena, mais repousado, procurando templar e levar a faena bem medida para que tivesse 30 passes muito bons e depois rematar e acabar. Penso que isso passou para a generalidade das pessoas.

 

NC – Este triunfo de Vila Franca foi importante e realmente o tourear com continuidade faz-nos entende melhor as condições dos toiros. Eu também pus da minha parte. Há dois anos já houve uma mudança na minha mentalidade. Agora cada vez que entro numa praça só estou eu e o toiro. A mim sempre me deu muito medo o que diziam as pessoas, os críticos, o que saía na imprensa e realmente esse era o meu temor e então o resultado era precisamente o contrário, era estar acelerado, era querer fazer tudo e ás vezes sem ter aquela calma do «no passa nada», como agora em Serpa em que o novilho de capote já ia para tábuas, nas bandarilhas não saía de tábuas e eu mantive essa tranquilidade. E na muleta já lhe fiz faena. Se calhar se fosse há uns tempos atrás pensaria “ui já vai ser difícil fazer a tal faena de sonho”. Já não ponho essa expectativa tão alta.

 

BS – Já fizeste Serpa, vem aí Vila Franca com toiros de Palha, uma responsabilidade acrescida e depois o Campo Pequeno uma corrida que pode ter repercussão para mais contratos aqui em Portugal?

 

NC- Sim, espero que sim, que seja positivo estas corridas, que triunfe. Tanto uma corrida como a outra são duas ganadarias muito exigentes, que todos os aficionados sabem e nós toureiros também. Tenho muitos espectáculos já apalavrados no Perú até essas datas para chegar toureado mas a verdade é que são sempre as 2 datas que estão na minha cabeça. O ano passado foi um ano de semear e este ano colher algo e continuar a semear obviamente. O que mais quero é aproveitar estas oportunidades e que o que aconteceu no ano passado não foi obra do acaso. Tem de haver um certo equilíbrio.

 

BS – E continuidade, porque sem continuidade os resultados não são os mesmos… E aqui se calhar faz falta um circuito com maior número de corridas com matadores de toiros até porque temos matadores de toiros portugueses para fazer esse circuito,

 

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 NC -  Sim, temos matadores muito válidos e que triunfaram, muitas vezes até ao pé de figuras espanholas, mais toureados com mais experiência, e destacaram-se os toureiros portugueses. Têm valor toureando tão pouco e estando á altura que estão, poderiam ter mais oportunidades.  Penso que em Portugal, até que não se triunfe no estrangeiro é complicado que as pessoas aqui nos olhem de outra maneira. E não é só no toureio, em qualquer outra actividade isso acontece. Agora, por exemplo, já vejo que as pessoas já começam a reconhecer tudo isto. Agora quando não estamos à espera - esperava-o nos primeiros anos – agora que vou á minha de tentar triunfar, agora sim vou sentindo esse reconhecimento das pessoas.

 

(Continua amanhã)

 

NUNO CASQUINHA – UM GUERREIRO PORTUGUÊS NO PERÚ (1/3)

22.04.18 | António Lúcio / Barreira de Sombra

NUNO CASQUINHA – UM GUERREIRO PORTUGUÊS NO PERÚ

NC -MAYO.jpgÉ nos difíceis e longínquos trilhos do Perú que se vai fazendo o caminho do matador de toiros vilafranquense Nuno Casquinha, 32 anos de idade. E se desde os seus inícios conheceu as agruras da profissão que elegeu e o sabor doce dos êxitos, a verdade é que, no momento em que a sua carreira de matador de toiros estava travada pela falta de oportunidades em Portugal e em Espanha, tomou a difícil e quase heroica decisão de, sózinho e com um esporton carregado mais de ilusões que de trastos de tourear, rumar ao histórico e sempre místico Perú.

Foi sobre essa aventura, a sua carreira e o momento actual da tauromaquia que estivemos à conversa com o matador de toiros que no ano passado voltou a ser líder do escalafón peruano e triunfou em Vila Franca, sua terra natal.

BS – Nuno, a tua história é a de uma luta constante, desde que começaste com o maestro Armando Soares, depois nas escolas de Vila Franca e de Madrid. É já uma pele de toiro muito larga aquela que percorreste…

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NC – Sim, é verdade. Desde que comecei nessas escolas, primeiro na Moita, depois em Vila Franca e finalmente em Madrid. Os tempos de novilheiro com picadores em que toureei muitas novilhadas duras, fortes, no “Vale do Terror”, foram sempre anos em que que havia que aguentar e mostrar que realmente tinha capacidade para lidar essas ganadarias. Também os anos que estive na ganadaria de Victorino Martin passei lá invernos inteiros numa preparação dura e muito intensa. Tudo isso serviu para preparar-me e deu-me essa experiência necessária para depois quando tomei a alternativa estava realmente preparado e não me surpreendeu essa mudança do novilho para o toiro.

 

BS – Essas novilhadas muito duras que toureaste em Espanha, algumas delas com mais presença que as de Madrid eram difíceis, muito exigentes, deram-te uma bagagem muito interessante com vista ao futuro. Tomaste a alternativa há 7 anos mas depois as coisas ficaram um pouco paradas e o ambiente em Portugal nãoajudou muito para além da forte competição em Espanha. Como é que enfrentaste essas dificuldades?

 

NC – Na verdade eu levava um certo ambiente de novilheiro sem picadores, ganhei muitos bolsins; os 3 primeiros anos com picadores foram anos bons, depois já nos dois últimos anos com picadores tive dificuldades em tourear porque também diminuíram muito as novilhadas. Nesses últimos dois anos já tive dificuldades em tourear. Tomei a alternativa, tive um bom triunfo em Vila Franca no Colete Encarnado com um toiro  de Oliveira e apresentei-me no Campo Pequeno numa corrida que não serviu e como já tinha experiência de anos anteriores que ia ser difícil ainda mais depois de tomar a alternativa e de não ter tido repercussão o triunfo de Vila Franca, vi que tinha de tomar uma decisão porque aqui não via futuro, em Espanha também não, era complicado e não podia passar mais anos á espera porque já eram dois a tourear muito pouco.

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BS – Depois do Colete Encarnado, com Uceda Leal, toureias em Espanha alguns festivais com Sanchez Vara, mas também não ajudaram muito…

 

NC – Em todos os festivais cortei orelhas, uma corrida inclusive de José Escolar que toureei e cortei 2 orelha. A repercussão é pouca porque essa está nas grandes praças e mesmo assim ás vezes não é o que imaginam. Não podia estar á espera…

 

BS – Mas tu és um lutador, um guerreiro como costumo afirmar. Deixaste de bandarilhar porque não te sentias a gosto… de repente apareces a tourear no Perú. Decisão mais difícil ainda certamente?

 

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NC – Era o País que eu via com mais opções de poder tourear porque era o País em que há mais corridas, mais toureiros estrangeiros. Não era fácil porque era um País que não conhecia, tive de ir sozinho praticamente á aventura. Quem me começou a apoderar na altura também não era conhecido no meio. O primeiro toureiro que apoderaram fui eu e se fosse conhecido era mais fácil com as Comissões e eu também ia começar do zero lá. Fui para lá em Maio de 2012 e os primeiros tempos não foram fáceis. Toureei a primeira corrida e depois estive um mês e meio até tourear outra. Um mês e meio sem tourear, sem tentar, nada. Foi uma prova dura para ver se aguentava e depois, cada corrida que toureei, fosse onde fosse, jogava tudo como se toureasse em Acho ou Madrid e foi a forma das pessoas começarem a acreditar em mim, começaram as entrevistas, tudo isso, as pessoas começaram a  ligar e já nesse primeiro ano toureamos 25 corridas e em 2013 já fiquei em 1º lugar do escalafon com 37 corridas.

(Continua amanhã)