Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

NUNO CASQUINHA – UM GUERREIRO PORTUGUÊS NO PERÚ (1/3)

22.04.18 | António Lúcio / Barreira de Sombra

NUNO CASQUINHA – UM GUERREIRO PORTUGUÊS NO PERÚ

NC -MAYO.jpgÉ nos difíceis e longínquos trilhos do Perú que se vai fazendo o caminho do matador de toiros vilafranquense Nuno Casquinha, 32 anos de idade. E se desde os seus inícios conheceu as agruras da profissão que elegeu e o sabor doce dos êxitos, a verdade é que, no momento em que a sua carreira de matador de toiros estava travada pela falta de oportunidades em Portugal e em Espanha, tomou a difícil e quase heroica decisão de, sózinho e com um esporton carregado mais de ilusões que de trastos de tourear, rumar ao histórico e sempre místico Perú.

Foi sobre essa aventura, a sua carreira e o momento actual da tauromaquia que estivemos à conversa com o matador de toiros que no ano passado voltou a ser líder do escalafón peruano e triunfou em Vila Franca, sua terra natal.

BS – Nuno, a tua história é a de uma luta constante, desde que começaste com o maestro Armando Soares, depois nas escolas de Vila Franca e de Madrid. É já uma pele de toiro muito larga aquela que percorreste…

2006_1217casquinha-adl0108.JPG

 

NC – Sim, é verdade. Desde que comecei nessas escolas, primeiro na Moita, depois em Vila Franca e finalmente em Madrid. Os tempos de novilheiro com picadores em que toureei muitas novilhadas duras, fortes, no “Vale do Terror”, foram sempre anos em que que havia que aguentar e mostrar que realmente tinha capacidade para lidar essas ganadarias. Também os anos que estive na ganadaria de Victorino Martin passei lá invernos inteiros numa preparação dura e muito intensa. Tudo isso serviu para preparar-me e deu-me essa experiência necessária para depois quando tomei a alternativa estava realmente preparado e não me surpreendeu essa mudança do novilho para o toiro.

 

BS – Essas novilhadas muito duras que toureaste em Espanha, algumas delas com mais presença que as de Madrid eram difíceis, muito exigentes, deram-te uma bagagem muito interessante com vista ao futuro. Tomaste a alternativa há 7 anos mas depois as coisas ficaram um pouco paradas e o ambiente em Portugal nãoajudou muito para além da forte competição em Espanha. Como é que enfrentaste essas dificuldades?

 

NC – Na verdade eu levava um certo ambiente de novilheiro sem picadores, ganhei muitos bolsins; os 3 primeiros anos com picadores foram anos bons, depois já nos dois últimos anos com picadores tive dificuldades em tourear porque também diminuíram muito as novilhadas. Nesses últimos dois anos já tive dificuldades em tourear. Tomei a alternativa, tive um bom triunfo em Vila Franca no Colete Encarnado com um toiro  de Oliveira e apresentei-me no Campo Pequeno numa corrida que não serviu e como já tinha experiência de anos anteriores que ia ser difícil ainda mais depois de tomar a alternativa e de não ter tido repercussão o triunfo de Vila Franca, vi que tinha de tomar uma decisão porque aqui não via futuro, em Espanha também não, era complicado e não podia passar mais anos á espera porque já eram dois a tourear muito pouco.

2006_1217casquinha-adl0159 (1).JPG

 

BS – Depois do Colete Encarnado, com Uceda Leal, toureias em Espanha alguns festivais com Sanchez Vara, mas também não ajudaram muito…

 

NC – Em todos os festivais cortei orelhas, uma corrida inclusive de José Escolar que toureei e cortei 2 orelha. A repercussão é pouca porque essa está nas grandes praças e mesmo assim ás vezes não é o que imaginam. Não podia estar á espera…

 

BS – Mas tu és um lutador, um guerreiro como costumo afirmar. Deixaste de bandarilhar porque não te sentias a gosto… de repente apareces a tourear no Perú. Decisão mais difícil ainda certamente?

 

2006_1217casquinha-pd0413.JPG

 

NC – Era o País que eu via com mais opções de poder tourear porque era o País em que há mais corridas, mais toureiros estrangeiros. Não era fácil porque era um País que não conhecia, tive de ir sozinho praticamente á aventura. Quem me começou a apoderar na altura também não era conhecido no meio. O primeiro toureiro que apoderaram fui eu e se fosse conhecido era mais fácil com as Comissões e eu também ia começar do zero lá. Fui para lá em Maio de 2012 e os primeiros tempos não foram fáceis. Toureei a primeira corrida e depois estive um mês e meio até tourear outra. Um mês e meio sem tourear, sem tentar, nada. Foi uma prova dura para ver se aguentava e depois, cada corrida que toureei, fosse onde fosse, jogava tudo como se toureasse em Acho ou Madrid e foi a forma das pessoas começarem a acreditar em mim, começaram as entrevistas, tudo isso, as pessoas começaram a  ligar e já nesse primeiro ano toureamos 25 corridas e em 2013 já fiquei em 1º lugar do escalafon com 37 corridas.

(Continua amanhã)