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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

CADERNOS DE VIAGEM - UMA NOVA RUBRICA NO "BARREIRA DE SOMBRA"

28.01.18 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Esta é uma nova rubrica no "Barreira de Sombra" e visa dar a conhecer um pouco mais sobre os locais onde me desloco para assistir a espectáculos tauromáquicos ou apenas para dar a conhecer um pouco mais do nosso País. As imagens prevalecem sobre os textos, Espero que seja do Vosso agrado e arrancamos com Mourão e Barrancos.

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PELO ALENTEJO – MOURÃO E BARRANCOS

Mourão e Barrancos, um percurso que é obrigatório para todos os amantes da festa brava e também da boa gastronomia e paisagens alentejanas, para além da sua rica história. A primeira tem as suas festividades da Srª. Das Candeias ainda nos rigores do inverno, sempre a 1 de Fevereiro, enquanto a segunda as celebra já no pico do verão em finais de Agosto.

 

E como grande parte do percurso é o mesmo, nada melhor que levantar cedo e tomar o pequeno-almoço para rumar em direcção a Évora, cidade monumental e que obriga a uma visita, ainda que curta para que não se perca muito tempo e atingir Mourão pela hora de almoço. A partir de Évora sucedem-se os vinhedos mas também muitas culturas hortícolas e olival até se atingir Reguengos de Monsaraz, célebre pelos seus vinhos mas também por ali bem perto (São Marcos do Campo) ter nascido essa grande figura da tauromaquia que foi José Mestre Baptista. 

 

A praça central de Reguengos de Monsaraz ponde pontifica a sua bela igreja, merece uma visita e os seus restaurantes são sobejamente conhecidos, permitindo uma ampla escolha, assim como em termos vinícolas a oferta é, também, enorme. Saindo de Reguengos, podemos tomar a direcção de São Pedro do Corval, célebre pela sua olaria tradicional, e subir até Monsaraz e ao seu castelo para desfrutar de magníficas vistas sobre o grande lago da barragem do Alqueva. Monsaraz onde também se podem degustar os bons pratos alentejanos e onde o entramado de ruas e vielas merece um calmo passeio.

 

O Alqueva, omnipresente por onde quer que nos desloquemos, acompanha-nos até Mourão, povoação onde se respeita o tipicismo da construção urbana e da organização do espaço, é dominada pelo seu castelo, símbolo do poder e de defesa da população desde os tempos mais remotos. Como já referido, as suas festividades da Srª das Candeias atrai milhares de forasteiros aos seus festivais taurinos e a Adega Velha é ponto de referência e paragem gastronómica obrigatória.

 

Saindo de Mourão e para sul, tomamos a estrada que nos leva a passar por Granja e Amareleja e que nos permite, uns bons kilómetros depois, atingir a vila de Barrancos, não sem antes termos serpenteado pela estrada que também sobe e desce pelos montes qual montanha russa. Montada numa encosta, Barrancos, que é bem conhecida pelos produtos oriundos do porco preto alentejano e pelas suas touradas de morte em Agosto, é muito mais que isso. Tem uma identidade muito própria e até um dialecto local, o barranquenho, , com o espaço urbano muito bem conservado, com bons pontos para admirar a paisagem natural e que convida ao relaxe e ao envolvimento e isolamento com a própria natureza. O Parque Natural de Noudar, cujo castelo infelizmente precisa de grandes obras de recuperação, tem um percurso algo difícil devido a ser quase todo em terra batida e com muitas pedras soltas desde que se passa ponte do rio que serpenteia pelos vales e permite grandes fotos. Vale bem a pena atravessar esse Parque, vindo de Barrancos e, para o carro de vez em quando, dar umas passadas e inspirar esse ar puro.

 

No percurso até ao Castelo de Noudar encontram-se cabras, ovelhas e vacas a pastar, algumas cabanas onde os pastores se abrigavam quer dos rigores do inverno quer do imenso calor do verão e é possível encontrar muitas espécies animais neste espaço que é protegido e onde o sobreiros e azinheiras nos permitem descansar à sombra das suas frondosas copas. Um passeio extraordinário e, se quiser, até pode dormir no hotel do Parque, desfrutando ainda mais desta perfeita comunhão com a natureza.

 

E para rematar a rigor, deixe-se envolver pelo magnífico pôr-de-sol perto do Castelo de Noudar.

António Lúcio/Jan.18

Fotos: AL/DP

GALERIA FOTOGRÁFICA