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Vinte e dois matadores de toiros actuaram nos espectáculos em que estivemos presentes em 2017, cinco deles portugueses, Houve grandes momentos e uma bronca monumental a Padilla em Lisboa e a Morante em Santarém, tudo isto depois do idílio que havia entre o público de Lisboa e o matador de Jerez, Lisboa de onde havia saído em ombros e como também o fizera em Santarém e Vila Franca, aqui com alguns protestos.
Mas vimos grandes momentos a cargo de Julian Lopez “El Juli”, de David Fandila “El Fandi”, de José Maria Manzanares, de Morenito de Aranda, de Curro Diaz, de Juan del Álamo, de Sebastian Castella, de Manuel Dias Gomes, de Juan Leal, de Nuno Casquinha e ainda de António João Ferreira.
O toureio a pé exige toiros em tipo, com trapio, sem pesos exagerados, mais ainda quando nã se picam os toiros. Em Portugal, e com o toureio a pé a meter mais gente nas bancadas nos últimos anos fruto de algum investimento feito a partir dos festivais, das novilhadas e de alguns cartéis do Campo Pequeno que, depois, repercutiram em Vila Franca e na Moita, não se consegue vislumbrar uma continuidade nessa aposta e na da corrida mista.
A arte, a magia do toureio de capote e de muleta, com toda a sua variedade, conseguem transmitir emoções ao grande público que o fazem sentir algo de bem diferente e vibrar. Têm de existir momentos de frisson, de emoção, sensação de risco e de perigo iminente, a par de outros de arte pura que nem a todos chega porque carentes de alguma sensibilidade e capacidade para sentir essa diferença essencial do toureio.
MATADORES DE TOIROS
Em 2017 Manuel Dias Gomes deu um importante salto qualitativo mercê de tourear mais vezes e em melhores cartéis, Destacamos 3 datas numa temporada em que o vimos em 8 espectáculos e frente a 11 reses:
11 de Março - Vila Viçosa - Para encerrar praça esteve Manuel Dias Gomes. Uma largada cambiada de joelhos seguida de verónicas e chicuelinas mostraram a sua decisão em busca do triunfo. O eral de Calejo Pires tinha qualidade e durou bastante, o que permitiu a Dias Gomes uma faena de bom nível, com passes onde esteve a gosto e baseando essa faena na mão esquerda, conseguindo bons momentos e sacando ao eral tudo o que tinha para dar.
7 de Setembro - Campo Pequeno - Manuel Dias Gomes cumpriu no seu primeiro e mostrou bom toureio de capote e solvência na muleta. Mas foi no que encerrou praça – que não teve muita qualidade mas foi muito bem toureado – que Dias Gomes mostrou a sua raça e deu o seu grito a dizer “estou aqui, tenho valor, vou triunfar!” E se esteve de novo muito bem de capote – aquelas verónicas de mãos muito baixas são excelentes -, foi com a muleta que deu um importante passo em frente, colocando a carne no assador, desenhando muito bons muletazos por ambos os pitóns, obrigando o toiro a seguir a muleta mesmo quando este gazapeava e se queria ficar a meio do passe. Uns naturais de bom traço e mais uns quantos derechazos que fizeram soar fortes ovações (e sabemos como é difícil aquecer o ambiente depois de uma bronca como sucedera no toiro toureiro anteriores). No final, um toureio de cercanias, muito próximo dos pitóns, sempre do agrado do público. Uma grande actuação do matador português.
14 de Outubro, Vila Boim - Manuel Dias Gomes está um senhor toureiro e voltou a mostrar essa sua grande evolução na lide que deu a um novilho de Calejo Pires que também foi a mais no decurso da lide porque foi muito bem toureado. Um bom quite à verónica, um par de bandarilhas e Dias Gomes a colocar-se no sítio, a citar como devia, dando distâncias e tempo ao novilho. Mandou e templou em séries pelos dois lados, com derechazos larguíssimos e profundos, com um grande jogo de cintura e de muñeca. Esteve e sentiu-se a gosto, mantendo a cadência nos passes e nas séries e a fase final, também de grande proximidade, teve emoção. Deu volta com o ganadeiro Manuel Calejo Pires.
Em segundo lugar em número de toiros lidados em 2017 ficou Juan José Padilla. Ídolo de Lisboa onde conseguiu bons momentos e saiu em ombros na sua primeira passagem em 2017, viu o reverso da medalha na sua segunda comparência, com uma bronca monumental, das antigas… Nem todos os dias as coisas correm bem e Lisboa não perdoou a fraca prestação do matador de Jerez. Saiu em ombros em Santarém e em Vila Franca (com protestos). Destacamos também 3 datas na sua passagem por estas arenas nacionais.
17 de Junho, Santarém - Juan José Padilla chegou, viu e venceu. Para além da entrega que o público sempre reconhece, Padilla soube aproveitar os seus dois toiros para lhes sacar o que havia a sacar e agradar ao grande público. E se dúvidas houvesse, recebeu o seu primeiro com 3 largas cambiadas de joelhos, duas verónicas, chicuelina e rebolera para rematar, cravando de seguida três bons pares de bandarilhas. Começou a faena de muleta a tourear de joelhos. Deixou com sabedoria a muleta na cara do toiro nas séries por derechazos para o não deixar sair solto. Ao iniciar uma série foi atropelado pelo toiro e continuou a tourear com passes «rodilla en tierra» como se nada fosse. Deu duas voltas. No que encerrou praça, com mais cara, de novo uma larga cambiada de joelhos e á verónica de joelhos. O tércio de bandarilhas foi bem preenchido e a faena de muleta bem preenchida com bons passes por ambos os pitóns, bem ligados e com alguns deles a serem de muito boa nota. Uma faena muito interessante e onde Padilla mostrou o seu lado mais toureiro apesar de algumas vezes rematar séries «mirando al tendido». Duas voltas e sacado a ombros.
2 de Julho, Vila Franca - A Juan José Padilla ninguém lhe pode negar a valentia e arrojo no seu toureio, a sua entrega constante, seja que toiro tenha por diante e qualquer a praça onde toureie. Entende muito rapidamente o público que tem por diante e o que este gosta. Ainda que goste mais do acessório do que do essencial, do embrulho em vez do conteúdo. E é natural que algum aficionado mais entendido proteste algumas coisas que o grande público aplaude. Padilla recebeu o seu primeiro com 3 largas cambiadas de joelhos seguidas de verónica e cumpriu o tércio de bandarilhas com destaque apenas para o primeiro. A faena de muleta foi baseada na mão direita e há a registar alguns bons naturais. Não deu volta no final.
O quinto da ordem foi recebido com verónicas e chicuelinas rematadas com rebolera e o segundo par de bandarilhas, a toiro arrancado, foi de enorme exposição e mérito. Com a muleta começou de joelhos, desenhou alguns bons derechazos em várias tandas e sacou todo o partido das investidas do de Falé Filipe. Como nota curiosa, quando Joaquin Moreno começou a cantar, Padilla sentou-se no estribo, esperou que o cantor se calasse e só depois e ao som da Banda do Ateneu toureou por ambos os lados, de joelhos e com desplantes que fizeram o público aplaudir com força. No final, na segunda volta (exagerada quanto a mim), colocou uma bandeira portuguesa aos ombros e a multidão voltou a aplaudir de pé este golpe de marketing.
7 de Setembro, Campo Pequeno - Bronca histórica a Juan José Padilla no quinto da noite. No seu primeiro lanceou bem de capote, esteve abaixo do habitual nas bandarilhas e com a muleta uma faena de trâmite sem grandes motivos para recordar. No quinto, não o quis ver de capote e a sua quadrilha, que em Portugal intervém demasiado e sem justificação alguma, teve uma lamentável prestação no tércio de bandarilhas que o matador de Jerez não quis preencher e que motivou a bronca do público. Bronca que foi crescendo de tom quando o matador começou a deixar-se desarmar algumas vezes com a muleta depois de ter sacado duas ou três tandas de muletazos que até tiveram alguma qualidade até motivaram o director de corrida a conceder música. Mas foi mau, muito mau o final da lide e o público, de forma bem sonora expressão a sua indignação com uma forte bronca.
Por ordem cronológica da temporada, registamos as seguintes actuações com nota de destaque:
António João Ferreira – 4 de Fevereiro – Mourão - O matador António João Ferreira foi o autor dos melhores momentos da tarde, iniciando a sua actuação com boas verónicas e a quês e seguiu uma faena de muleta de muito bom corte quer no toureio ao natural – e alguns foram excelentes – quer no toureio essencial pelo lado direito. Uma vez mais António João Ferreira a mostrar credenciais que não deixam margem para dúvidas. É um toureiro em excelente fase e a merecer mais oportunidades.
David Fandila “El Fandi” – 18 de Fevereiro – Campo Pequeno - O primeiro triunfador da temporada lisboeta foi o matador de toiros espanhol David Fandila “El Fandi”. Uma actuação de muito mérito, com uma técnica apurada e que fez soar as maiores ovações da tarde. Uma larga cambiada «rodillas en tierra», boas verónicas e cingidas chicuelinas, anteciparam um tércio de bandarilhas vistoso e aplaudido e uma faena de muçleta onde a técnica foi primordial para sacar boas tandas de derechazos, deixando sempre a muleta na cara do novilho para que esse não pudesse sair solto. Uma actuação onde houve alguns muletazos de muita qualidade, sublinhada pelos aplausos do público, não faltando os passes de adorno como os molinetes (alguns de joelhos). Entrega total do matador e reconhecimento do público com fortes ovações.
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Morenito de Aranda – 11 de Março – Vila Viçosa - Morenito de Aranda desenhou as melhores verónicas da tarde. Com um eral de Calejo Pires de muita qualidade, esteve muito bem no toureio de muleta, com passes de joelho flectido no início, por ambos os pitóns, com remates pintureros. No toureio essencial encontrou facilmente as distâncias e os terrenos para desenhar belos muletazos, com profundidade e sabor. Uma faena bem acima da média.
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Curro Diaz – 9 de Abril – Vila Franca - Linares não é apenas conhecida dos bons aficionados pela trágica morte de Manolete. Felizmente os bons ventos que daí sopram por toda a Ibéria também chegaram a Vila Franca pela mão de um muito inspirado Curro Díaz que a poucos dias de jogar cartada decisiva em Madrid, a todos deleitou com o perfume do seu belo toureio de muleta, tornando-se no grande triunfador do festival dos Forcados de Vila Franca que comemoram o 85º aniversário.
Com bom toureio de capote recebeu o seu novilho, de bonito tipo e boas condições de lide com ferro Falé Filipe. E se com a muleta toureou bem pelo lado direito, em séries bem medidas e com qualidade, foi no toureio ao natural que bordou o toureio, com excelentes e profundos naturais, enormes na viagem que a excelente colocação, cintura e muñeca mais ajudaram a esse perfume e qualidade. Os olés fizeram ouvir-se e as duas voltas que deu à arena no meio do clamor popular foram prémio justo a este toureio de qualidade, de arte e sentimento, sem concessões à bancada ou outras formas de colher rapidamente os aplausos do público. Que tenha sorte em Madrid!
Antonio Ferrera – 18 de Maio – Campo Pequeno - António Ferrera esteve francamente bem de capote em ambos os toiros. Mais templado, com as mãos baixas, em belos lances à verónica, mostrou como se toureia bem de capote. E com a muleta, em dois toiros bem diferentes (mais áspero o segundo), teve derechazos e naturais de enorme qualidade, muito largos e profundos muitos deles, templando e levando o toiro sempre muito bem metido na muleta. Cumpriu nos tércios de bandarilhas e foi uma bela lufada de ar fresco com o seu toureio.
Julian López “El Juli” – 10 de Junho – Santarém - Julian López “El Juli” deu toda a dimensão da sua maestria, da sua tauromaquia, em duas faenas a toiros de comportamento tão diverso quanto o dia e noite. Julian López “El Juli” deu toda a dimensão da sua maestria, da sua tauromaquia, em duas faenas de enorme mérito e com dois toiros de Garcigrande tão diversos de comportamento como diferentes são o dia e a noite. O seu toureio de capote ao primeiro do seu lote fica marcado pelas belas verónicas e por um quite por chicuelinas. E no seu segundo, que saía solto e não queria investir, tentou alguns lances. Mas foi com a muleta que, com um entendimento perfeito das condições de nobreza e vontade de investir, que, dando-lhe confiança em cada passe, El Juli foi ligando os muletazos, com o toiro a meter a cara na muleta bem humilhado, por ambos os pitóns, templando e mandado como exige o verdadeiro toureio. O público aplaudiu de pé alguns destes momentos e a arte, a classe e a sapiência do matador vieram ao de cima com o toiro a responder.No que encerrou praça, se dúvidas houvesse quanto ao pundonor do toureiro, e do seu enorme respeito pelo público, percorreu toda a circunferência da enorme arena da “Celestino Graça”, reivindicando o seu poder sobre a rês, sacando-lhe passes em todos os terrenos e levantando o público das bancadas e ouvindo os olés que marcam a diferença. Um toureiro enorme que deixou em Santarém a sua marca muito própria e um selo inconfundível.
Juan del Álamo – 6 de Julho – Campo Pequeno - Juan del Álamo é um toureiro em plena fase de ascensão e já com uma maturidade acima da média, conseguindo em Lisboa, uma vez mais, mostrar a qualidade do seu toureio. Toureou bem de capote, com boas verónicas e algumas chicuelinas. E se no primeiro procurou «roubar» passes ao morlaco, foi no que encerou praça que deu alegrias aos aficionados numa faena de muleta de muita qualidade, colocando-se de largo e aguentando as investidas enraçadas do toiro, embarcando-o bem na muleta, em viagens largas. Bons derechazos e bons naturais, molinetes, passes de peito, muitas vezes a fazer soar os olés. Valeu a pena esperar. Despropositada foi, depois, a segunda volta à arena.
José Maria Manzanares - 13 de Julho - Campo Pequeno -
Descrever a intensidade de alguns momentos do toureio de José Maria Manzanares não é fácil. Podia afirmar que o relógio parou tal a forma ralentizada como toureou, templadíssimos os muletazos, de mão baixa, quebrando a cintura. Momentos que fizeram o público gritar olés vindos bem das entranhas, ovacionando com força o toureio com que nos brindou o toureiro de Alicante.
E não se pense que tudo foram facilidades (do público e/ou de toureio acessório). O primeiro de Manzanares (da ganadaria Benumea) era pequeno e pouco digno de pisar a histórica arena lisboeta. Serviu para aquecer motores e pouco mais. Mas o seu segundo, de Hermanos Garcia Jiménez (com tipo, com presença) tinha alguma qualidade que Manzanares soube sublimar. Desde logo, nas magníficas verónicas a pés juntos com que o recebeu, recreando-se nas chicuelinas e na rebolera de remate. E a faena de muleta atingiu momentos sublimes de arte, de profundidade, de toureiria nos muletazos por ambos os pitons, largos e com arte ou nos passes de trincheira e ainda nos de peito enroscando-se no toiro. Parcimonioso, deixou o toiro descansar entre séries, prolongando-lhe a capacidade de investir e levando-o até ao limite. Alguns derechazos e naturais foram de cartel de toiros. E o público, com este toureio de verdade de Manzanares exigiu as duas voltas á arena como prémio a uma excelsa faena.
Sebastian Castella – 12 de Setembro – Moita - Sebastian Castella não esteve na Moita para cumprir calendário. A sua entrega foi patente em todo o momento e nomeadamente na larga mas boa faena que fez ao quinto da ordem. O seu primeiro, de Paulo Caetano, teve qualidade q.b. e Castella esteve bem nos lances de capote com que o recebeu, por verónicas de boa nota e umas chicuelinas de categoria, situação que repetiria no quinto que saiu um pouco mais encastado. A faena de muleta ao primeiro teve muita qualidade, foi muito templada e teve muletazos de muita profundidade e sabor, para verdadeiros aficionados. Houve alguns pormenores de Castella que mostraram claramente a enorme qualidade do seu toureio. Mas foi no quinto da tarde que Castella abriu o livro. Os passes iniciais a meter o toiro na muleta, os derechazos e naturais de enorme qualidade, de largo e vincado traço, os remates pintureros. Faena larga, de muita classe, e onde a direcção de corrida pecou por só à terceira tanda de muletazos lhe ter dado música. Houve momentos de verdadeiro deleite para os aficionados, os poucos que fizeram soar os olés… Num gesto de pundonor, não deu volta no primeiro e apenas uma volta no segundo!
Nuno Casquinha – 5 de Outubro – Vila Franca - Chegou e voltou a conquistar Vila Franca. Falamos do matador de toiros Nuno Casquinha. Placeado como nunca, correspondeu às expectativas e agarrou o público logo na forma como toureou de capote o primeiro do seu lote, um toiro de Pontes Dias ao qual lhe custou romper. Depois vieram dois grandes pares de bandarilhas e a ovação do público a quem Casquinha brindaria a sua faena de muleta. Raça, entrega, bons muletazos pelo lado direito em duas séries e uma outra de bons naturais foram a marca da qualidade do seu toureio. E quando o toiro começou a ficar-se a meio dos muletazos foi a entrega do toureiro a fazer a diferença. Volta aclamada. E no que foi sexto da tarde/noite, de novo esteve bem de capote e partilhou o tércio de bandarilhas com Pedro Gonçalves (um bom par) deixando outros dois bons pares. Na faena de muleta, onde por vezes faltou toiro (era também de Pontes Dias), Casquinha conseguiu uma larga série de bons naturais, cumprindo no resto da faena.
Juan Leal – 14 de Outubro – Vila Boim - Juan Leal lidou de forma soberba um novilho de Mata o Demo que foi a mais mercê da forma como foi toureado. Pouco lances de capote, um par de bandarilhas e muito cuidado no início da faena, para depois tourear com imensa classe e toreria, templando e toureando quase ao ralenti por ambos os pitons, largos e profundos a maioria dos muletazos e uma fase final metido entre os pitons levando o novilho a investir pelos dois lados, com os pitons a roçar a taleguilha. Muita classe e muito perfume neste toureio do jovem matador francês.
NOVILHEIROS
No que se refere aos novilheiros, houve um conjunto de espectáculos com a sua participação em número superior ao da época anterior e houve alguns bons resultados com jovens a ganharem experiência e a dar um salto qualitativo importante.
Paula Santos e Luís Silva, ambos da Escola de Toureio e Tauromaquia da Moita, João D’Alva da Escola de Toureio José Falcão (Vila Franca), Rui Jardim, da Escola de Toureio de Azambuja e Diogo Peseiro foram os mais destacados e deixaram boas notas com vista a 2018, esperando nós que rapidamente consigam estar em arenas espanholas e francesas com vista a chegarem a matador de toiros. Luís Silva foi, talvez o que mais evoluiu e Rui Jardim mostrou maneiras que podem dar que falar.
Paula Santos – 6 de Maio – Vila Franca - Frente a um eral de Falé Filipe, bizco do piton direito, e que se desligava com frequência, Paula Santos mostrou decisão ao recebê-lo com uma larga afarolada de joelhos seguida de verónicas e chicuelinas. Mas foi com a muleta que a novilheira mostrou decisão em passes iniciais por baixo a que se seguiram derechazos de qualidade e com um enorme passe de peito. Toureou bem, mostrando decisão na forma como se colocou e como deixou a muleta na cara do eral que era nobre mas que bastas vezes saiu solto. Esteve entregada, com raça e com bom conceito de toureio.
Luís Silva – 15 de Junho – Cabo da Lezíria - O terceiro da tarde foi de noa bota e com ele esteve muito bem o jovem moitense Luís Silva. Boas verónicas e um quite por chicuelinas deram o mote. O toureio de muleta teve qualidade quer ao natural quer pelo lado direito, com séries bem medidas e a aproveitar bem a nobreza do erale. Gostámos da sua evolução.
João D’Alva – 24 de Junho – Vila Franca - João D’Alva (Vila Franca) foi à porta de curros receber com uma larga cambiada de joelhos o seu erale, de Falé Filipe e que cumpriu, a que se seguiram outras duas, verónicas e gaoneras, rematando com outra larga cambiada de joelhos, recebendo forte ovação. Bandarilhou com acerto e construiu uma faena que foi de mais a menos. Começou bem, por baixo, sujeitando bem o erale. Alternou entre séries pelo lado direito e outras ao natural que foram de boa nota, correndo bem a mão, dando distância no primeiro muletazo. Depois teve alguns passes de menor impacto, rematando com passes de joelhos e manoletinas.
Diogo Peseiro – 10 de Agosto – Campo Pequeno - Diogo Peseiro lidou um bom eral de Falé Filipe. Recebeu-o bem de capote com verónicas e deixou-lhe dois pares de bandarilhas. A faena de muleta teve bons momentos quer por derechazos quer por naturales, iniciada que foi com cambiados no centro da arena. Melhor pelo lado esquerdo, a faena terminou com um toureio de maior proximidade do oponente, o que sempre agrada ao grande público.
Rui Jardim – 28 de Outubro – Azambuja - Decidido e em novilheiro esteve Rui Jardim. Uma larga cambiada de joelhos á porta-gaiola e outro nos tércios, prosseguindo com verónicas, mostrando bom estilo. Lidou um novilho de João Ramalho que cumpriu na boa faena de muleta que construiu com bons muletazos por ambos os pitons e a agradar.