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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

ANÁLISE DA TEMPORADA DE 2017 DO BARREIRA DE SOMBRA - OS RECORTADORES

Anunciou-se, e concretizou-se, o I Circuito Nacional de Recortadores, o qual teve um total de 4 etapas – Lisboa, Abiúl, Moita e a final de Vila Franca – uma iniciativa com a chancela de PPCarvalho, contando com a presença de recortadores nacionais e estrangeiros.

Ao longo das 3 eliminatórias foram encontrados aqueles que disputaram a final da Feira de Outubro em Vila Franca de Xira, com a lotação da “Palha Blanco” esgotada com horas de antecedência. Um espectáculo diferente, que foi capaz de levar às praças gente que não vai às corridas formais, cim uma dimensão de risco e emoção bem diferentes, onde os artistas mostram grande capacidade física, destreza, e uma excelente leitura das condições dos toiros que têm por diante.

Saltos mortais, saltos mortais invertidos, saltos do anjo (ou de peixe também), recortes e quiebros, alguns deles de joelhos, saltos de garrocha, tudo com muito ritmo e com o público sempre muito atento a tudo quanto se desenrolava à frente do toiro.

Parece-nos importante que em 2018 se faça um novo circuito nacional de recortadores.

 

Triunfadores de Lisboa 2017 – Campo Pequeno TV

Terminada a época, o Campo Pequeno TV propõe-se fazer uma retrospectiva do que de mais significativo aconteceu na arena de Lisboa.

Um conjunto de três programas de análise e reflexão e um outro com uma selecção de momentos, estarão em destaque nos meses de Novembro e Dezembro.

 

Recorde-se que um júri formado pelos comentadores convidados das várias corridas, pelo Campo Pequeno TV e os críticos tauromáquicos Vasco Lucas, Catarina Bexiga, Joaquim Tapada, Patrícia Sardinha, Domingos Xavier e João Queiroz, avaliou, em cada corrida, o desempenho de artistas e toiros e no final, reuniu e apurou nomeados e triunfadores.

Quanto aos nomeados as escolhas serão divulgadas em cada programa.

 

Os triunfadores são os seguintes:

 

TOIROS

- Melhor Toiro – Apresentação – Geral da Temporada – “Dominante” – nº 228 – Ganadaria Falé Filipe

- Melhor Toiro - Lidado a Pé – “Dominante” – Ganadaria Falé Filipe – nº 228 -  6º toiro, lidado por Juan del Álamo a 6/7/2017

- Melhor Toiro – Lidado a Cavalo – Romano – Ganadaria David R. Telles – nº61, lidado em 5º lugar, por Filipe Gonçalves a 3/8/2017

- Ganadaria Triunfadora – Geral da Temporada 2017 - Passanha

 

TOUREIO A PÉ

Melhor Peão de Brega – Daniel Duarte – Quadrilha de Juan José Padilla

Melhor Quite de Capote – Juan del Álamo

Melhor Par Bandarilhas – Cláudio Miguel e João Ferreira – em igualdade

Melhor Faena – José Maria Manzanares – 4º toiro lidado a 13/7/2017

 

TOUREIO A CAVALO

- Melhor Peão de Brega – Toureio a Cavalo - António Telles Bastos

- Melhor Lide a Cavalo – António Telles, em igualdade, a de 20 de Julho (2º toiro) e a de 18 de Agosto (5º toiro)

- Triunfador da Temporada – António Telles

 

PEGAS

- Melhor Pega – Francisco Graciosa – Amadores de Santarém – 20/7/2017

- Melhor Grupo - Amadores de Santarém

ANÁLISE DA TEMPORADA DE 2017 DO BARREIRA DE SOMBRA - PEÕES DE BREGA E BANDARILHEIROS

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Auxiliares dos toureiros, os peões de brega ou bandarilheiros assumem a verificação das condições de lide dos toiros e, quando chamados, também cumprem com valor e brilhantismo o tércio de bandarilhas.

 

2017 foi, de novo, um ano de boas prestações destes toureiros de prata.  Manuel dos Santos “Becas”, David Antunes, Pedro Gonçalves, João Ferreira, Cláudio Miguel, João e Joaquim Oliveira, João Bretes, entre outros, foram os mais destacados dos que vimos nesta temporada.

ANÁLISE DA TEMPORADA DE 2017 DO BARREIRA DE SOMBRA - O PÚBLICO

19702439_853805608127845_8421178599260002608_n.jpgMuito se fala de público e de aficionados, estes em clara minoria face aqueles e nem sempre com mais conhecimentos. Apesar de muitos o presumirem, a verdade é que, na exteriorização desses mesmos conhecimentos ou dos seus sentimentos, deixam por vezes a desejar… Mas sempre terá sido assim!...

 

A grande diversidade de ofertas no que a diversões, espectáculos, etc, acontecem nas tradicionais festas e feiras, ou mesmo fora delas, cria uma grande capacidade convocatória via grandes meios de comunicação – veja-se os grandes festivais de música do Verão – aliados à falta de verdadeiras figuras do toureio com capacidade para fazer deslocar as pessoas de suas casas para as praças de toiros, levam a opções que não passam, em muitos casos, pela ida às corridas de toiros.

 

Um grande artista musical anuncia-se em Portugal para 2 concertos – Lisboa e Porto – com meses de antecedência e com uma publicidade brutal nos jornais, nas rádios, nas televisões. Até porque os promotores dominam claramente essa máquina de marketing e publicidade… Resultado: bilheteiras esgotadas com meses de antecedência. E falamos de uma corrida de toiros, por exemplo, em Lisboa, com Pablo Hermoso de Mendoza e José Maria Manzanares ou Diego Ventura e El Juli. Publicidade?15 dias antes nos sites e blogues da especialidade, no Correio da Manhã, no jornal Olé, no site da empresa e… está feito!!! Uns outdoors nas entradas/saídas de Lisboa? Um anúncio a sério na televisão? Não. Nada. Porque custa muito dinheiro? Quiçá…

 

Fala-se de que o público vai ao espectáculo mais para se divertir do que para julgar o que de bom e de menos bom, ou até mesmo mau, acontece nas arenas. Que não é um público muito entendido… e çpor aí fora. Mas já analisaram o comportamento do público em concertos musicais como por exemplo os de Tony Carreira? Mas alguém acha que esse público percebe muito de poesia e de música? Vãop ara se divertir e ponto! Enchem dezenas de espectáculos pelo país fora…

 

Então porque temos de de exigir ao público de toiros que seja mais conhecedor se o que quer é divertir-se? A corrida de toiros não é um espectáculo? Os aficionados aos toiros como os aficionados À música clássica, ao pop, à dança, têm uma outra visão e se tiverem verdadeiramente peso, se se manifestarem, podem influenciar decisões. E os toureiros podem educar esse grande público se, quando cravam um ferro a cilhas passadas ou sofrem um forte embate na montada na cravagem do ferro, não vierem de mãos  no ar em direcção ao público a pedir palmas… Se tiverem outra postura, a do grande público também será outra… E o público pode ser tudo mesnos parvo, não come gato por lebre, não se esqueçam disso porque o resultado está em muitas praças de menos de meia lotação preenchida…

 

Voltando à questão dos investimentos na divulgação e promoção do espectáculo. Todo o investimento tem um retorno. E o exemplo disso é a Feira de Campo que se realizou, de novo, na Torrinha. Organizada de forma profissional e com afición, soube congregar apoios e patrocínios que lhe permitiram levar ao grande público tudo o que envolve a tauromaquia em todas as suas vertentes, não esquecendo artesanato e gastronomia.

 

Ah… e não se esqueçam que neste evento o público marcou presença em força!

ANÁLISE DA TEMPORADA DE 2017 DO BARREIRA DE SOMBRA - AS EMPRESAS

Seis empresas organizaram cerca de 2/3 dos espectáculos tauromáquicos a que assistimos em 2017. Foram elas:

  • Sociedade Campo Pequeno
  • Paulo Pessoa de Carvalho
  • Rafael Vilhais Unipessoal Lda
  • Aplaudir (João Pedro Bolota)
  • Sociedade das Campinas (José Luís Gomes)
  • Toiros e Tauromaquia Lda (António Manuel Cardoso)
  1. CAMPO PEQUENO – 125 ANOS

A praça de toiros do Campo Pequeno – Lisboa comemorou nesta temporada 125 anos sobre a data da sua inauguração, algo de grande importância pois é um monumento e uma referência mundial do toureio. Sabemos que a situação de administração de uma insolvência impõe muitas restrições e que a apresentação de resultados económicos positivos poderá pesar imenso na estratégia de contratação de alguns toureiros e na montagem de uns quantos cartéis.

 

Deste aniversário fica, para a história e para as boas bibliotecas, um interessante livro sobre a Monumental lisboeta.

 

Mas também é verdade que faltaram toureiros que, para os aficionados e para assinalar a efeméride, deveriam ter vindo a Lisboa. Faltou capacidade económica ou negocial para concretizar algumas dessas contratações? Foram dadas explicações ao longo da temporada… Mas também não podemos deixar de referir que, figuras, aquelas que metem gente nas praças, que as enchem, têm um custo financeiro, têm exigências de figuras e querem as melhores datas e os melhores alternantes. Ou seja, condições à partida para triunfarem. Não vieram a Lisboa por esta ou aquela razão, foram a outras praças e triunfaram!...

 

O “Barreira de Sombra” esteve presente num total de 14 espectáculos em Lisboa, divididos da seguinte forma:

- 7 Corridas à Portuguesa

- 4 Corridas Mistas

- 1 Festival

- 1 Novilhada

- 1 espectáculo de Recortadores

 

Em termos de tipo de espectáculos parece-nos que foi equilibrada a temporada pois a vertente da Corrida à Portuguesa é a que mais interesse gera junto do grande público e Lisboa registou 3 lotações esgotadas. A composição de alguns dos cartéis podia ter sido de forma a ter levado a Lisboa outros toureiros com interesse mas a realidade é que, por qualquer que tenha sido a razão, acabaram por não estar na temporada lisboeta. A novilhada foi das que maior número de espectadores concitou entre as que nos últimos anos se realizaram.

 

Na capital do toureio a cavalo vimos actuar um total de 24 cavaleiros, 3 deles praticantes e 4 rejoneadores. Registaram-se duas alternativas, as de Parreirita Cigano e de Luís Rouxinol Jr. Nos cavaleiros de alternativa foi Luís Rouxinol o que mais vezes pisou a sua arena (4 vezes). Pablo veio apenas numa ocasião e Ventura voltou a não actuar na Monumental de Lisboa, tal como outros cavaleiros. Questões de gestão taurina e financeira que não nos compete analisar. Vieram os que vieram e é desses que iremos fazer uma breve análise.

 

António Telles e Luís Rouxinol na corrida da alternativa de Luís Rouxinol jr montaram cátedra e não deixaram créditos por mãos alheias; António repetiria o êxito também na corrida dos 125 anos da Praça; Moura Jr, Moura Caetano, Parreirita Cigano (na alternativa), e os praticantes Correia Lopes e Soraia Costa mostraram boas qualidades na novilhada.

 

A lista do cavaleiros que vimos actuar em Lisboa em 2017 é  seguinte:

Cavaleiros

Corridas

Toiros

Luis Rouxinol

4

7

Rui Fernandes

3

5

António Telles

2

4

João Moura

2

4

Filipe Gonçalves

2

3

Francisco Palha

2

3

João Moura Jr

1

3

Luis Rouxinol jr

2

3

Manuel Telles Bastos

2

3

Moura Caetano

2

3

Pablo Hermoso Mendoza

1

3

Rui Salvador

3

3

Jacobo Botero

2

2

Leonardo Hernandez

1

2

Miguel Moura

1

2

Parreirita Cigano

2

2

Ana Batista

1

1

Brito Paes

1

1

Francisco Correia Lopes (P)

1

1

João Maria Branco

1

1

Manuel Jorge Oliveira

1

1

Manuel Manzanares

1

1

Manuel Oliveira (P)

1

1

Soraia Costa (P)

1

1

 

 

O toureio a pé voltou a marcar presença com figuras de Espanha, com apenas 2 matadores portugueses no conjunto de 7 matadores que pisaram a arena de Lisboa, um deles a triunfar – Manuel Dias Gomes. Lisboa que tinha um idílico romance com Juan José Padilla divorciou-se do matador na sua segunda passagem pela capital portuguesa. António Ferrera substituiu o lesionado rejoneador navarro Pablo Hermoso de Mendoza e cumpriu na sua passagem por Lisboa, enquanto que José Maria Manzanares teve uma boa prestação e cedeu a faena de muleta do sexto da corrida ao novilheiro português Joaquim Ribeiro “Cuqui”, algo inédito. Juan del Álamo triunfou a 6 de Julho e marcaram ainda presença Roca Rey e El Fandi que esteve no festival do Bullfest tal como o português António João Ferreira. Os novilheiros ”Cuqui”, Diogo Peseiro e Sérgio Nunes marcaram presença na única novilhada do ciclo 2017 em Lisboa.

 

A lista de matadores e novilheiros que vimos actuar em Lisboa é a seguinte:

 

Matadores

Corridas

Toiros

Juan José Padilla

2

4

El Fandi

2

3

José Maria Manzanares

1

3

Manuel Dias Gomes

2

3

Antonio Ferrera

1

2

Juan Del Álamo

1

2

Roca Rey

1

2

António João Ferreira

1

1

Cuqui (P)

1

1

Diogo Peseiron(P)

1

1

Sérgio Nunes (P)

1

1

 

Dezoito Grupos de Forcados Amadores actuaram em Lisboa na temporada de 2017. No início de Junho actuaram os luso-americanos Forcados Amadores de Turlock (08.06.17) que conseguiram uma das melhores prestações nos espectáculos que vimos. E o episódio do ano em Lisboa com os forcados foi protagonizado pelo valente Diogo Amaro (ABV Alcochete) que cometeu a proeza de ser o primeiro forcado a sair em ombros pela Porta Grande Lisboeta depois de uma enorme pega de caras.

 

 

  1. MOITA, UMA TEMPORADA ATÍPICA (RAFAEL VILHAIS)

Rafael Vilhais organizou corridas em 3 praças de toiros, com grande êxito na de Salvaterra onde o concurso de ganadarias foi de alto nível e a corrida Real foi de casa esgotada. Caldas da Rainha foi de muito bom nível artístico e boa lotação no 15 de Agosto.

 

Muito se fala sempre de que é urgente a renovação dos cartéis, que há que trazer algo de diferente para que as corridas possam ter outros interesses ou mais variados motivos de interesse para que o grande público possa acorrer e preencher os lugares da bancada… Diz-se, também, que é preciso que os cartéis tenham algo de interesse regional ou local, presumindo-se com isso que os forcados locais ou de localidades vizinhas devam estar anunciados e que alguns dos toureiros da zona o sejam também.

 

Então e quando se montam cartéis de reconhecido interesse por terem figuras de nível internacional, se organizam outros com figuras e forcados locais ou da região e o público continua a não comparecer e a comprar o respectivo bilhete? E quando há toiros a sério e que foram devidamente publicitados e os resultados são os mesmos?

 

Se atentarmos bem no conjunto de cartéis apresentados, de novidades e com figuras, não encontramos grande justificação para a ausência de público ainda para mais quando os valores das entradas da feira de Setembro eram normais… Há que repensar, claramente, os moldes em que se desenrola a feira de Setembro pois várias corridas de toiros durante a semana quando o tecido empresarial mudou, quando os locais de emprego mudaram para Setúbal ou para Lisboa e as pessoas já não ficam na Moita naqueles dias, quando as actividades escolares começam mais cedo e coincidem com as datas festivas, e por aí adiante.

 

A actividade da nova empresa da Moita, Rafael Vilhais Unipessoal, começou em Maio com um mano a mano entre Diego Ventura e Roca Rey. E como foi no sábado à noite em vez do domingo à tarde… quase ¾ de lotação preenchida (mais aparentes que reais).

 

Vejamos então que toureiros, forcados e ganadarias estiveram este ano na Moita (entre parêntesis assinalamos nº de espectáculos e nº de reses lidadas):

  1. Cavaleiros e rejoneadores

Diego Ventura (1 – 3)

António Telles (1 – 2)

Rui Fernandes (1 – 2)

Francisco Palha (1 - 2)

Filipe Gonçalves (1 – 2)

João Moura Jr (1 – 2)

João Ribeiro Telles (1 – 2)

Luís Rouxinol (1 – 1)

Luís Rouxinol Jr (1 – 1)

Francisco Correia Lopes (P) (1 – 1)

Manuel Oliveira (P) (1 – 1)

Joaquim Brito Paes (A) (1 – 1)

 

  1. Matadores de Toiros e Novilheiros

Roca Rey (1 – 3)

Sebastian Castella (1 – 2)

Joquim Ribeiro “Cuqui” (N) (1 – 2)

Paula Santos (N) (1 – 1)

João D’Alva (N) (1 – 1)

Luís Silva (N)(1 – 1)

 

  1. Grupos de Forcados Amadores

Aposento da Moita (3 -12)

Alcochete (1 – 3)

Évora (1 – 3)

Moita (1 – 2)

 

  1. Ganadarias

Veiga Teixeira (2 – 7)

Paulo Caetano (2 – 5)

Maria Guiomar Moura (1 – 3)

Juan Pedro Domecq (1 – 3)

Mata o Demo (1 – 3)

Palha (1 – 1)

Oliveiras Irmãos (1 – 1)

Pinto Barreiros (1 – 1)

Falé Filipe (1 – 1)

Fernandes de Castro (1 -1)

Ascensão Vaz (1 -1) (prémio Apresentação)

Prudêncio (1 -1)

Murteira Grave (1 – 1) (prémio Bravura)

António Silva (1 – 1)

 

  1. VILA FRANCA- BRONCA NA FEIRA DE OUTUBRO (PAULO PESSOA DE CARVALHO)

O bom trabalho que a empresa PPC – Paulo Pessoa de Carvalho tinha feito e que teve como máxima expressão a excelente lotação da corrida de domingo de Colete Encarnada (quase esgotava) com a presença de Juan José Padilla, desmoronou-se por completo e caíu por terra na Feira de Outubro.

 

A confusão com as trocas de toiros logo no dia 3 de Outubro deveria ter levado, pura e simplesmente, à suspensão da corrida. Havia motivos mais que suficientes para que a mesma não fosse por diante, a empresa anunciaria em comunicado conjunto com a Direcção de Corrida os motivos da suspensão/anulação da corrida e não se teria vivido o mau ambiente que se viveu na “Palha Blanco”. Há responsabilidades a apurar quanto aos motivos que levaram a que os toiros contratados não tivessem sido os embarcados e por aí adiante…

 

A verdade é que aconteceram coisas que, em Vila Franca ou noutra qualquer praça, não podem acontecer. O respeito pelo público é o primeiro dever de quem organiza, de quem vende toiros, de quem os toureia, de quem os pega.

 

Mas, enfim, Vila Franca também é um caso sui generis da nossa tauromaquia pois os horários dos sorteios não se conseguem cumprir nem no Colete Encarnado nem na Feira de Outubro por causa das largadas de toiros… E quiçá, um dia, os toiros tenham de voltar da Praça “Palha Blanco” à curraleta de onde saem e para onde deveriam ser recolhidos em dias de corrida. Mas isso é mais uma ideia parva de um aficionado que gosta de ir à “Palha Blanco” ver corridas de toiros…

 

Comentários à parte, a empresa PPC organizou alguns espectáculos de parceria com os Forcados locais (festival de Abril), com a Escola de Toureio José Falcão (2 novilhadas), e uma comissão que organizou o festival de homenagem póstuma a José Pereira Palha. No total foram 8 espectáculos, distribuídos pelas seguintes categorias:

- 2 Festivais

- 2 Corridas Mistas

- 2 Novilhadas

- 1 Corrida à Portuguesa

- 1 espectáculo de Recortadores

 

Vejamos então que toureiros, forcados e ganadarias estiveram este ano na “Palha Blanco” em Vila Franca de Xira (entre parêntesis assinalamos nº de espectáculos e nº de reses lidadas):

  1. Cavaleiros e rejoneadores

António Telles (3 – 4)

João Ribeiro Telles (2 – 4)

Ana Batista (2 – 3)

Francisco Palha (2 – 3)

Manuel Telles Bastos (2 – 2)

Luís Rouxinol (1 – 1)

Paulo Jorge Santos (1 – 1)

João Moura (1 – 1)

Diego Ventura (1 – 1)

Filipe Gonçalves (1 – 1)

Duarte Pinto (1)

António Partes (P) (1 -1)

Francisco Correia Lopes (P) (1 – 1)

 

  1. Matadores de Toiros e Novilheiros

Juan José Padilla (1 -2)

António João Ferreira (1 – 2)

Nuno Casquinha (1 – 2)

Juan Leal (1 – 2)

Vítor Mendes (1 – 1)

Curro Díaz (1 -1)

João D’Alva (N) (3 – 3)

Paula Santos (N) (1 – 1)

Luís Silva (N) (1 – 1)

Juan P. Llaguno (N) (1 – 1)

Carlos Dominguez (N) (1 – 1)

Alvaro Pasalacqua (N)  (1 -1)

 

  1. Grupos de Forcados Amadores

Vila Franca (6 - 20)

Santarém (1 – 3)

 

  1. Ganadarias

Falé Filipe (4 – 10)

Prudêncio (1 – 6)

Passanha (2 – 5)

Casa Avó (1 – 3)

Santa Maria (1 – 3)

Pontes Dias (1 – 3)

São Torcato (2 – 3)

Gregório Oliveira (1 – 2)

David R. Telles (1 – 2)

Murteira Grave (1 – 2)

António Silva (1 – 1)

António Charrua (1 – 1)

 

Casa cheia no Colete Encarnado e descalabro na Feira de Outubro, a cara e a coroa da temporada 2017 em Vila Franca de Xira. Para além de Vila Franca, esta empresa organizou espectáculos na Chamusca e em Vila Boim.

 

  1. APLAUDIR - MONTIJO, SANTARÉM E PÓVOA DE VARZIM (João Pedro Bolota)

A empresa “Aplaudir”, de João Pedro Bolota, manteve a sua actividade nas praças de toiros do Montijo, Santarém e Póvoa de Varzim, já que a de Setúbal esteve encerrada devido a obras.

Uma temporada que fica marcada pela enorme coragem, quiçá loucura, de fazer diferente e apostar em dois cartéis de classe mundial e à qual não obteve resposta de público em geral e dos aficionados em particular: Santarém 10 e 17 de Junho.

Quando se criticam as empresas por não apresentarem cartéis diferentes e depois quando estas o fazem, se criticam porque sim e apenas porque sim, sem aduzirem qualquer aspecto positivo ou construtivo, está tudo dito. Levar a Santarém figuras com El Juli, Morante, Padilla, Ventura, é arrojado, é de aficionado e de empresário sério, apostado em mudar o rumo.

Os resultados de bilheteira, catastróficos do ponto de vista empresarial, vieram dar razão aso que querem seis cavaleiros, seis toiros com mais de 550 kilos e que ponham os forcados em sentido, como ouvimos  muitas vezes desde que esses cartéis foram apresentados e o que mais se escreveu no Facebook… E se calhar muitos destes que criticaram e fizeram a “guerra” ao empresário nem pela bilheteira passam…

A Póvoa de Varzim teve 2 corridas , uma delas televisionada, sendo notório que o número de espectadores tem vindo a decrescer.

Quanto ao Montijo, onde mantém uma parceria com Abel Correia, há a destacar as duas corridas da Feira de São Pedro, uma delas em que Luís Rouxinol se encerrou com 6 toiros na comemoração de 30 anos de alternativa.

 

  1. SOCIEDADE DAS CAMPINAS (José Luís Gomes) - SOBRAL M. AGRAÇO E CARTAXO

O empresário José Luís Gomes organizou 4 espectáculos, três deles em Sobral de Monte Agraço e um no Cartaxo, onde se realizou uma boa corrida de toiros a 16 de Junho apesar da presença de público não ter sido a melhor.

Ao contrário, Sobral de Monte Agraço esgotou a sua lotação na corrida de domingo das Festas e Feira de Verão, em Setembro, havendo a registar boa presença de público também não festival de 25 de Abril, encerrando a temporada com uma novilhada.

 

  1. TOIROS & TAUROMAQUIA (António Manuel Cardoso) - ALCOCHETE E ÉVORA

Voltei a Alcochete nas Festas do Barrete Verde e das Salinas, em pleno mês de Agosto, e de novo foi bom sentir aquele ambiente único da Alcochete e a presença do toiro-toiro. Uma corrida concurso de ganadarias de alto nível, marcada pelo triunfo de Francisco Palha e dos Forcados Amadores de Alcochete com seis pegas de enorme valor.

Assisti ainda em Alcochete a uma boa novilhada com 4 cavaleiros praticantes.

E em final de temporada fui até Évora, a uma corrida com 3 jovens cavaleiros de dinastia e que ficou aquém do esperado em termos artísticos.

 

 

 

ANÁLISE DA TEMPORADA DE 2017 DO BARREIRA DE SOMBRA - OS FORCADOS

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O ano de 2017 ficará marcado não pelas grandes pegas de caras, mas, infelizmente, pelo falecimento dos forcados Pedro Primo (Amadores de Cuba) e Fernando Quintella (Amadores de Alcochete), vítimas de colhidas quando pegavam toiros, o primeiro em Cuba e o segundo na Moita. De novo se voltaram a ouvir algumas vozes sobre as condições das enfermarias e sobre o tipo de assistência disponibilizada nas praças de toiros. Uma questão de enorme importância que importa não deixar cair no esquecimento e que nos deve fazer reflectir sobre a possibilidade de terem de existir enfermarias móveis como as que existem em Espanha com equipas médicas especializadas.

Como referi na introdução á análise da temporada, faz-me alguma confusão ver toiros mal colocados, erros repetidos nas sucessivas tentativas, forcados com pouca noção do que é ajudar…. E quando saíram os toiros a pedir contas, perderam-se as contas ás tentativas…

Mesmo assim, há a registar 4 grandes momentos que não quero deixar de referir nesta análise ao que foi a temporada de 2017 do “Barreira de Sombra”. Houve pegas valentes, duras, com brilho, como nos anos anteriores.

1)      3 de Agosto, Campo Pequeno, Diogo Amaro (Apos. Barrete Verde de Alcochete)

Este forcado protagonizou o momento da temporada em Lisboa, nessa noite de 3 de Agosto, concretizando uma enorme pega de caras ao segundo intento e tendo a honra de ser o primeiro forcado a sair em ombros pela Porta Grande do Campo Pequeno. Um pequeno gigante que aguentou, em ambas as tentativas, a violência dos derrotes do toiro.

2)      8 de Junho, Campo Pequeno, Forcados Amadores de Turlock (Califórnia, EUA)

Os californianos Amadores de Turlock assinaram uma grande prestação nesta corrida, com grandes pegas de caras, ajudas a cumprirem bem a sua missão e mostrando o seu enorme valor.

3)      13 de Agosto, Alcochete – Forcados Amadores de Alcochete

Enorme tarde dos Amadores de Alcochete na Corrida Concurso de Ganadarias. Uma prestação de altíssimo valor, com saber na colocação dos toiros, elegendo os melhores terrenos, forcados de cara e ajudas em total sintonia, levando a que no terceiro toiro tivesse o Grupo sido chamado à arena. Um bom exemplo.

4)      14 de Setembro, Moita – Forcados do Aposento da Moita

Na noite em que tradicionalmente o Grupo de Forcados Amadores do Aposento da Moita se encerra a solo com os toiros da corrida de quinta-feira (neste caso foram 6 toiros e 1 novilho), os toiros de Veiga Teixeira impuseram a sua força, a sua idade e sentido, o seu poder, aos forcados que, em noite não, precisaram de mais de 25 tentativas para pegarem os toiros, sendo que nenhum foi pegado à primeira tentativa. Foi uma noite muito complicada para os forcados e onde só por muita sorte não se registou nenhum incidente grave.

No capítulo individual há a registar algumas boas pegas de caras, das quais destacamos as seguintes 17:

1)      09.Abril -  Vila Franca -  Diogo Pereira (GFA V F Xira)

2)      14.Maio – Salvaterra de Magos – João Varanda (GFA Lisboa)

3)      18. Maio – Campo Pequeno – João Varanda (GFA Lisboa)

4)      25.Maio – Chamusca – Francisco Barreiros (GFA Ap. Chamusca)

5)      27.Maio – Moita – Leonardo Mathias (GFA Ap. Moita)

6)      08.Junho – Campo Pequeno -  Jorge Martins (GFA Turlock)

7)      16.Junho – Cartaxo – Fábio Beijinho (GFA Cartaxo)

8)      01.Julho – Montijo – José Pedro Suiças (GFA Montijo)

9)      20.Julho – Campo Pequeno – Francisco Graciosa (GFA Santarém)

10)  03. Agosto – Campo Pequeno – Diogo Amaro (GFA Apos. B.V. Alcochete)

11)  15.Agosto – Caldas da Rainha – Francisco Mascarenhas (GFA Caldas da Rainha)

12)  15.Agosto – Caldas da Rainha – Lourenço Ribeiro (GFA Santarém)

13)  18.Agosto – Campo Pequeno – Francisco Borges (GFA Montemor)

14)  07.Setembro – Campo Pequeno – António Pombeiro Taurino (GFA Santarém)

15)  07.Setembro – Campo Pequeno – Francisco Graciosa (GFA Santarém)

16)  21.Outubro – Vila Franca – Diogo Conde (GFA V F Xira)

17)  28.Outubro – Azambuja – Renato Pereira (GFA Azambuja)

ANÁLISE DA TEMPORADA DE 2017 DO BARREIRA DE SOMBRA - O TOUREIO A PÉ

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Vinte e dois matadores de toiros actuaram nos espectáculos em que estivemos presentes em 2017, cinco deles portugueses, Houve grandes momentos e uma bronca monumental a Padilla em Lisboa e a Morante em Santarém, tudo isto depois do idílio que havia entre o público de Lisboa e o matador de Jerez, Lisboa de onde havia saído em ombros e como também o fizera em Santarém e Vila Franca, aqui com alguns protestos.

 

Mas vimos grandes momentos a cargo de Julian Lopez “El Juli”, de David Fandila “El Fandi”, de José Maria Manzanares, de Morenito de Aranda, de Curro Diaz, de Juan del Álamo, de Sebastian Castella, de Manuel Dias Gomes, de Juan Leal, de Nuno Casquinha e ainda de António João Ferreira.

 

O toureio a pé exige toiros em tipo, com trapio, sem pesos exagerados, mais ainda quando nã se picam os toiros. Em Portugal, e com o toureio a pé a meter mais gente nas bancadas nos últimos anos fruto de algum investimento feito a partir dos festivais, das novilhadas e de alguns cartéis do Campo Pequeno que, depois, repercutiram em Vila Franca e na Moita, não se consegue vislumbrar uma continuidade nessa aposta e na da corrida mista.

 

A arte, a magia do toureio de capote e de muleta, com toda a sua variedade, conseguem transmitir emoções ao grande público que o fazem sentir algo de bem diferente e vibrar. Têm de existir momentos de frisson, de emoção, sensação de risco e de perigo iminente, a par de outros de arte pura que nem a todos chega porque carentes de alguma sensibilidade e capacidade para sentir essa diferença essencial do toureio.

 

MATADORES DE TOIROS

Em 2017 Manuel Dias Gomes deu um importante salto qualitativo mercê de tourear mais vezes e em melhores cartéis, Destacamos 3 datas numa temporada em que o vimos em 8 espectáculos e frente a 11 reses:

11 de Março - Vila Viçosa - Para encerrar praça esteve Manuel Dias Gomes. Uma largada cambiada de joelhos seguida de verónicas e chicuelinas mostraram a sua decisão em busca do triunfo. O eral de Calejo Pires tinha qualidade e durou bastante, o que permitiu a Dias Gomes uma faena de bom nível, com passes onde esteve a gosto e baseando essa faena na mão esquerda, conseguindo bons momentos e sacando ao eral tudo o que tinha para dar.

7 de Setembro - Campo Pequeno - Manuel Dias Gomes cumpriu no seu primeiro e mostrou bom toureio de capote e solvência na muleta. Mas foi no que encerrou praça – que não teve muita qualidade mas foi muito bem toureado – que Dias Gomes mostrou a sua raça e deu o seu grito a dizer “estou aqui, tenho valor, vou triunfar!” E se esteve de novo muito bem de capote – aquelas verónicas de mãos muito baixas são excelentes -, foi com a muleta que deu um importante passo em frente, colocando a carne no assador, desenhando muito bons muletazos por ambos os pitóns, obrigando o toiro a seguir a muleta mesmo quando este gazapeava e se queria ficar a meio do passe. Uns naturais de bom traço e mais uns quantos derechazos que fizeram soar fortes ovações (e sabemos como é difícil aquecer o ambiente depois de uma bronca como sucedera no toiro toureiro anteriores). No final, um toureio de cercanias, muito próximo dos pitóns, sempre do agrado do público. Uma grande actuação do matador português.

 

14 de Outubro, Vila Boim - Manuel Dias Gomes está um senhor toureiro e voltou a mostrar essa sua grande evolução na lide que deu a um novilho de Calejo Pires que também foi a mais no decurso da lide porque foi muito bem toureado. Um bom quite à verónica, um par de bandarilhas e Dias Gomes a colocar-se no sítio, a citar como devia, dando distâncias e tempo ao novilho. Mandou e templou em séries pelos dois lados, com derechazos larguíssimos e profundos, com um grande jogo de cintura e de muñeca. Esteve e sentiu-se a gosto, mantendo a cadência nos passes e nas séries e a fase final, também de grande proximidade, teve emoção. Deu volta com o ganadeiro Manuel Calejo Pires.

 

Em segundo lugar em número de toiros lidados em 2017 ficou Juan José Padilla. Ídolo de Lisboa onde conseguiu bons momentos e saiu em ombros na sua primeira passagem em 2017, viu o reverso da medalha na sua segunda comparência, com uma bronca monumental, das antigas… Nem todos os dias as coisas correm bem e Lisboa não perdoou a fraca prestação do matador de Jerez. Saiu em ombros em Santarém e em Vila Franca (com protestos). Destacamos também 3 datas na sua passagem por estas arenas nacionais.

17 de Junho, Santarém - Juan José Padilla chegou, viu e venceu. Para além da entrega que o público sempre reconhece, Padilla soube aproveitar os seus dois toiros para lhes sacar o que havia a sacar e agradar ao grande público. E se dúvidas houvesse, recebeu o seu primeiro com 3 largas cambiadas de joelhos, duas verónicas, chicuelina e rebolera para rematar, cravando de seguida três bons pares de bandarilhas. Começou a faena de muleta a tourear de joelhos. Deixou com sabedoria a muleta na cara do toiro nas séries por derechazos para o não deixar sair solto. Ao iniciar uma série foi atropelado pelo toiro e continuou a tourear com passes «rodilla en tierra» como se nada fosse. Deu duas voltas. No que encerrou praça, com mais cara, de novo uma larga cambiada de joelhos e á verónica de joelhos. O tércio de bandarilhas foi bem preenchido e a faena de muleta bem preenchida com bons passes por ambos os pitóns, bem ligados e com alguns deles a serem de muito boa nota. Uma faena muito interessante e onde Padilla mostrou o seu lado mais toureiro apesar de algumas vezes rematar séries «mirando al tendido». Duas voltas e sacado a ombros.

2 de Julho, Vila Franca - A Juan José Padilla ninguém lhe pode negar a valentia e arrojo no seu toureio, a sua entrega constante, seja que toiro tenha por diante e qualquer a praça onde toureie. Entende muito rapidamente o público que tem por diante e o que este gosta. Ainda que goste mais do acessório do que do essencial, do embrulho em vez do conteúdo. E é natural que algum aficionado mais entendido proteste algumas coisas que o grande público aplaude. Padilla recebeu o seu primeiro com 3 largas cambiadas de joelhos seguidas de verónica e cumpriu o tércio de bandarilhas com destaque apenas para o primeiro. A faena de muleta foi baseada na mão direita e há a registar alguns bons naturais. Não deu volta no final. 

O quinto da ordem foi recebido com verónicas e chicuelinas rematadas com rebolera e o segundo par de bandarilhas, a toiro arrancado, foi de enorme exposição e mérito. Com a muleta começou de joelhos, desenhou alguns bons derechazos em várias tandas e sacou todo o partido das investidas do de Falé Filipe. Como nota curiosa, quando Joaquin Moreno começou a cantar, Padilla sentou-se no estribo, esperou que o cantor se calasse e só depois e ao som da Banda do Ateneu toureou por ambos os lados, de joelhos e com desplantes que fizeram o público aplaudir com força. No final, na segunda volta (exagerada quanto a mim), colocou uma bandeira portuguesa aos ombros e a multidão voltou a aplaudir de pé este golpe de marketing.

 

7 de Setembro, Campo Pequeno - Bronca histórica a Juan José Padilla no quinto da noite. No seu primeiro lanceou bem de capote, esteve abaixo do habitual nas bandarilhas e com a muleta uma faena de trâmite sem grandes motivos para recordar. No quinto, não o quis  ver de capote e a sua quadrilha, que em Portugal intervém demasiado e sem justificação alguma, teve uma lamentável prestação no tércio de bandarilhas que o matador de Jerez não quis preencher e que motivou a bronca do público. Bronca que foi crescendo de tom quando o matador começou a deixar-se desarmar algumas vezes com a muleta depois de ter sacado duas ou três tandas de muletazos que até tiveram alguma qualidade até motivaram o director de corrida a conceder música. Mas foi mau, muito mau o final da lide e o público, de forma bem sonora expressão a sua indignação com uma forte bronca.

 

Por ordem cronológica da temporada, registamos as seguintes actuações com nota de destaque:

A J Fereira - Mourão.JPGAntónio João Ferreira – 4 de Fevereiro – Mourão - O matador António João Ferreira foi o autor dos melhores momentos da tarde, iniciando a sua actuação com boas verónicas e a quês e seguiu uma faena de muleta de muito bom corte quer no toureio ao natural – e alguns foram excelentes – quer no toureio essencial pelo lado direito. Uma vez mais António João Ferreira a mostrar credenciais que não deixam margem para dúvidas. É um toureiro em excelente fase e a merecer mais oportunidades.

 

David Fandila “El Fandi” – 18 de Fevereiro – Campo Pequeno - O primeiro triunfador da temporada lisboeta foi o matador de toiros espanhol David Fandila “El Fandi”. Uma actuação de muito mérito, com uma técnica apurada e que fez soar as maiores ovações da tarde. Uma larga cambiada «rodillas en tierra», boas verónicas e cingidas chicuelinas, anteciparam um tércio de bandarilhas vistoso e aplaudido e uma faena de muçleta onde a técnica foi primordial para sacar boas tandas de derechazos, deixando sempre a muleta na cara do novilho para que esse não pudesse sair solto. Uma actuação onde houve alguns muletazos de muita qualidade, sublinhada pelos aplausos do público, não faltando os passes de adorno como os molinetes (alguns de joelhos). Entrega total do matador e reconhecimento do público com fortes ovações.

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Morenito de Aranda – 11 de Março – Vila Viçosa - Morenito de Aranda desenhou as melhores verónicas da tarde. Com um eral de Calejo Pires de muita qualidade, esteve muito bem no toureio de muleta, com passes de joelho flectido no início, por ambos os pitóns, com remates pintureros. No toureio essencial encontrou facilmente as distâncias e os terrenos para desenhar belos muletazos, com profundidade e sabor. Uma faena bem acima da média.

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Curro Diaz – 9 de Abril – Vila Franca - Linares não é apenas conhecida dos bons aficionados pela trágica morte de Manolete. Felizmente os bons ventos que daí sopram por toda a Ibéria também chegaram a Vila Franca pela mão de um muito inspirado Curro Díaz que a poucos dias de jogar cartada decisiva em Madrid, a todos deleitou com o perfume do seu belo toureio de muleta, tornando-se no grande triunfador do festival dos Forcados de Vila Franca que comemoram o 85º aniversário. 

Com bom toureio de capote recebeu o seu novilho, de bonito tipo e boas condições de lide com ferro Falé Filipe. E se com a muleta toureou bem pelo lado direito, em séries bem medidas e com qualidade, foi no toureio ao natural que bordou o toureio, com excelentes e profundos naturais, enormes na viagem que a excelente colocação, cintura e muñeca mais ajudaram a esse perfume e qualidade. Os olés fizeram ouvir-se e as duas voltas que deu à arena no meio do clamor popular foram prémio justo a este toureio de qualidade, de arte e sentimento, sem concessões à bancada ou outras formas de colher rapidamente os aplausos do público. Que tenha sorte em Madrid!

 

ferrera_7525.JPGAntonio Ferrera – 18 de Maio – Campo Pequeno - António Ferrera esteve francamente bem de capote em ambos os toiros. Mais templado, com as mãos baixas, em belos lances à verónica, mostrou como se toureia bem de capote. E com a muleta, em dois toiros bem diferentes (mais áspero o segundo), teve derechazos e naturais de enorme qualidade, muito largos e profundos muitos deles, templando e levando o toiro sempre muito bem metido na muleta. Cumpriu nos tércios de bandarilhas e foi uma bela lufada de ar fresco com o seu toureio.

Julian López “El Juli” – 10 de Junho – Santarém - Julian López “El Juli” deu toda a dimensão da sua maestria, da sua tauromaquia, em duas faenas a toiros de comportamento tão diverso quanto o dia e noite. Julian López “El Juli” deu toda a dimensão da sua maestria, da sua tauromaquia, em duas faenas de enorme mérito e com dois toiros de Garcigrande tão diversos de comportamento como diferentes são o dia e a noite. O seu toureio de capote ao primeiro do seu lote fica marcado pelas belas verónicas e por um quite por chicuelinas. E no seu segundo, que saía solto e não queria investir, tentou alguns lances. Mas foi com a muleta que, com um entendimento perfeito das condições de nobreza e vontade de investir, que, dando-lhe confiança em cada passe, El Juli foi ligando os muletazos, com o toiro a meter a cara na muleta bem humilhado, por ambos os pitóns, templando e mandado como exige o verdadeiro toureio. O público aplaudiu de pé alguns destes momentos e a arte, a classe e a sapiência do matador vieram ao de cima com o toiro a responder.No que encerrou praça, se dúvidas houvesse quanto ao pundonor do toureiro, e do seu enorme respeito pelo público, percorreu toda a circunferência da enorme arena da “Celestino Graça”, reivindicando o seu poder sobre a rês, sacando-lhe passes em todos os terrenos e levantando o público das bancadas e ouvindo os olés que marcam a diferença. Um toureiro enorme que deixou em Santarém a sua marca muito própria e um selo inconfundível.

Juan del Álamo – 6 de Julho – Campo Pequeno - Juan del Álamo é um toureiro em plena fase de ascensão e já com uma maturidade acima da média, conseguindo em Lisboa, uma vez mais, mostrar a qualidade do seu toureio. Toureou bem de capote, com boas verónicas e algumas chicuelinas. E se no primeiro procurou «roubar» passes ao morlaco, foi no que encerou praça que deu alegrias aos aficionados numa faena de muleta de muita qualidade, colocando-se de largo e aguentando as investidas enraçadas do toiro, embarcando-o bem na muleta, em viagens largas. Bons derechazos e bons naturais, molinetes, passes de peito, muitas vezes a fazer soar os olés. Valeu a pena esperar. Despropositada foi, depois, a segunda volta à arena.

José Maria Manzanares - 13 de Julho - Campo Pequeno -

 Descrever a intensidade de alguns momentos do toureio de José Maria Manzanares não é fácil. Podia afirmar que o relógio parou tal a forma ralentizada como toureou, templadíssimos os muletazos, de mão baixa, quebrando a cintura. Momentos que fizeram o público gritar olés vindos bem das entranhas, ovacionando com força o toureio com que nos brindou o toureiro de Alicante. 

E não se pense que tudo foram facilidades (do público e/ou de toureio acessório). O primeiro de Manzanares (da ganadaria Benumea) era pequeno e pouco digno de pisar a histórica arena lisboeta. Serviu para aquecer motores e pouco mais. Mas o seu segundo, de Hermanos Garcia Jiménez (com tipo, com presença) tinha alguma qualidade que Manzanares soube sublimar. Desde logo, nas magníficas verónicas a pés juntos com que o recebeu, recreando-se nas chicuelinas e na rebolera de remate. E a faena de muleta atingiu momentos sublimes de arte, de profundidade, de toureiria nos muletazos por ambos os pitons, largos e com arte ou nos passes de trincheira e ainda nos de peito enroscando-se no toiro. Parcimonioso, deixou o toiro descansar entre séries, prolongando-lhe a capacidade de investir e levando-o até ao limite. Alguns derechazos e naturais foram de cartel de toiros. E o público, com este toureio de verdade de Manzanares exigiu as duas voltas á arena como prémio a uma excelsa faena.

 

 

Sebastian Castella – 12 de Setembro – Moita - Sebastian Castella não esteve na Moita para cumprir calendário. A sua entrega foi patente em todo o momento e nomeadamente na larga mas boa faena que fez ao quinto da ordem. O seu primeiro, de Paulo Caetano, teve qualidade q.b. e Castella esteve bem nos lances de capote com que o recebeu, por verónicas de boa nota e umas chicuelinas de categoria, situação que repetiria no quinto que saiu um pouco mais encastado. A faena de muleta ao primeiro teve muita qualidade, foi muito templada e teve muletazos de muita profundidade e sabor, para verdadeiros aficionados. Houve alguns pormenores de Castella que mostraram claramente a enorme qualidade do seu toureio. Mas foi no quinto da tarde que Castella abriu o livro. Os passes iniciais a meter o toiro na muleta, os derechazos e naturais de enorme qualidade, de largo e vincado traço, os remates pintureros. Faena larga, de muita classe, e onde a direcção de corrida pecou por só à terceira tanda de muletazos lhe ter dado música. Houve momentos de verdadeiro deleite para os aficionados, os poucos que fizeram soar os olés… Num gesto de pundonor, não deu volta no primeiro e apenas uma volta no segundo!

Nuno Casquinha – 5 de Outubro – Vila Franca - Chegou e voltou a conquistar Vila Franca. Falamos do matador de toiros Nuno Casquinha. Placeado como nunca, correspondeu às expectativas e agarrou o público logo na forma como toureou de capote o primeiro do seu lote, um toiro de Pontes Dias ao qual lhe custou romper. Depois vieram dois grandes pares de bandarilhas e a ovação do público a quem Casquinha brindaria a sua faena de muleta. Raça, entrega, bons muletazos pelo lado direito em duas séries e uma outra de bons naturais foram a marca da qualidade do seu toureio. E quando o toiro começou a ficar-se a meio dos muletazos foi a entrega do toureiro a fazer a diferença. Volta aclamada. E no que foi sexto da tarde/noite, de novo esteve bem de capote e partilhou o tércio de bandarilhas com Pedro Gonçalves (um bom par) deixando outros dois bons pares. Na faena de muleta, onde por vezes faltou toiro (era também de Pontes Dias), Casquinha conseguiu uma larga série de bons naturais, cumprindo no resto da faena.

 

Juan Leal – 14 de Outubro – Vila Boim - Juan Leal lidou de forma soberba um novilho de Mata o Demo que foi a mais mercê da forma como foi toureado. Pouco lances de capote, um par de bandarilhas e muito cuidado no início da faena, para depois tourear com imensa classe e toreria, templando e toureando quase ao ralenti por ambos os pitons, largos e profundos a maioria dos muletazos e uma fase final metido entre os pitons levando o novilho a investir pelos dois lados, com os pitons a roçar a taleguilha. Muita classe e muito perfume neste toureio do jovem matador francês.

NOVILHEIROS

 No que se refere aos novilheiros, houve um conjunto de espectáculos com a sua participação em número superior ao da época anterior e houve alguns bons resultados com jovens a ganharem experiência e a dar um salto qualitativo importante.

Paula Santos e Luís Silva, ambos da Escola de Toureio e Tauromaquia da Moita, João D’Alva da Escola de Toureio José Falcão (Vila Franca), Rui Jardim, da Escola de Toureio de Azambuja e Diogo Peseiro foram os mais destacados e deixaram boas notas com vista a 2018, esperando nós que rapidamente consigam estar em arenas espanholas e francesas com vista a chegarem a matador de toiros. Luís Silva foi, talvez o que mais evoluiu e Rui Jardim mostrou maneiras que podem dar que falar.

Paula Santos – 6 de Maio – Vila Franca - Frente a um eral de Falé Filipe, bizco do piton direito, e que se desligava com frequência, Paula Santos mostrou decisão ao recebê-lo com uma larga afarolada de joelhos seguida de verónicas e chicuelinas. Mas foi com a muleta que a novilheira mostrou decisão em passes iniciais por baixo a que se seguiram derechazos de qualidade e com um enorme passe de peito. Toureou bem, mostrando decisão na forma como se colocou e como deixou a muleta na cara do eral que era nobre mas que bastas vezes saiu solto. Esteve entregada, com raça e com bom conceito de toureio.

Luís Silva – 15 de Junho – Cabo da Lezíria - O terceiro da tarde foi de noa bota e com ele esteve muito bem o jovem moitense Luís Silva. Boas verónicas e um quite por chicuelinas deram o mote. O toureio de muleta teve qualidade quer ao natural quer pelo lado direito, com séries bem medidas e a aproveitar bem a nobreza do erale. Gostámos da sua evolução.

João D’Alva – 24 de Junho – Vila Franca - João D’Alva (Vila Franca) foi à porta de curros receber com uma larga cambiada de joelhos o seu erale, de Falé Filipe e que cumpriu, a que se seguiram outras duas, verónicas e gaoneras, rematando com outra larga cambiada de joelhos, recebendo forte ovação. Bandarilhou com acerto e construiu uma faena que foi de mais a menos. Começou bem, por baixo, sujeitando bem o erale. Alternou entre séries pelo lado direito e outras ao natural que foram de boa nota, correndo bem a mão, dando distância no primeiro muletazo. Depois teve alguns passes de menor impacto, rematando com passes de joelhos e manoletinas.

Diogo Peseiro – 10 de Agosto – Campo Pequeno - Diogo Peseiro lidou um bom eral de Falé Filipe. Recebeu-o bem de capote com verónicas e deixou-lhe dois pares de bandarilhas. A faena de muleta teve bons momentos quer por derechazos quer por naturales, iniciada que foi com cambiados no centro da arena. Melhor pelo lado esquerdo, a faena terminou com um toureio de maior proximidade do oponente, o que sempre agrada ao grande público.

Rui Jardim – 28 de Outubro – Azambuja - Decidido e em novilheiro esteve Rui Jardim. Uma larga cambiada de joelhos á porta-gaiola e outro nos tércios, prosseguindo com verónicas, mostrando bom estilo. Lidou um novilho de João Ramalho que cumpriu na boa faena de muleta que construiu com bons muletazos por ambos os pitons e a agradar.

Campo Pequeno TV – Triunfadores de Lisboa 2017

C. Pequeno - Triunfadores 2017 - Faenas e Toiros.jpgNos meses de Novembro e Dezembro o Campo Pequeno TV vai apresentar três programas de análise e reflexão sobre a temporada de Lisboa.

O primeiro irá para o ar a 23 de Novembro e engloba os triunfadores e nomeados de diversas categorias, os destaques das 11 corridas de abono e uma reflexão global sobre a temporada no Campo Pequeno.

Para além de José Cáceres, que concebeu e apresenta todos os programas, o primeiro painel conta com a presença de Rui Bento, Luís Filipe Cochicho e Manuel Dias Gomes.

Recorde-se que ao longo da temporada um júri pontuou em todas as corridas as prestações dos artistas e toiros.

O júri foi composto pelo Campo Pequeno TV, por várias individualidades convidadas para comentar as corridas e pelos críticos tauromáquicos, Vasco Lucas, Catarina Bexiga, Joaquim Tapada, Patrícia Sardinha, Domingos Xavier e João Queiroz.

Em Outubro, reuniu e votou nos triunfadores da temporada. O resultado dessas deliberações serviu de base a estes três programas.

Este programa inicial dará destaque ao toureio a pé sendo que os outros dois serão dedicados ao toureio a cavalo e pegas.

 

Com base nas deliberações do júri são estes os premiados que constam no primeiro programa:

Melhor Peão de Brega – Daniel Duarte – Quadrilha de Juan J. Padilla

Melhor Quite de Capote – Juan del Álamo

Melhor Par Bandarilhas – Cláudio Miguel e João Ferreira – em igualdade

Melhor Toiro Lidado a Pé – “Dominante” – Ganadaria Falé Filipe – nº 228 - 6º toiro lidado por Juan del Álamo a 6/7/2017

Melhor Faena – José Maria Manzanares – 4º toiro lidado a 13/7/2017

 

Neste programa constam para além dos triunfadores, os nomeados das diferentes categorias.

 

Brevemente, divulgaremos os triunfadores nas restantes categorias, que englobam toiros, toureio a cavalo e pegas.

ANÁLISE DA TEMPORADA DE 2017 DO BARREIRA DE SOMBRA - O TOUREIO A CAVALO

IMG_0243.jpgO toureio a cavalo à portuguesa passa por momentos difíceis… Não adianta tentar tapar o sol com uma peneira. Há uma nítida crise de valores que passam pelos valores individuais e pelos valores do toureio a cavalo à portuguesa. Além disso é lamentável ver a quantidade de martingalas que se utilizam nos cavalos para disfarçar uma série de falhas mas, que, ao mesmo tempo, só servem para desapontar os mais atentos. Serretas, cabos metidos das focinheiras aos freios, duplas gamarras… e ainda os vemos a ter de conduzir as montadas a duas mãos porque só com uma e com as pernas não vão lá.

 

Receber o toiro correndo-o á volta da circunferência da arena em vez de o dobrar num curto espaço de terreno; dar importância aos ferros compridos, provocando investidas de largo e aguentando ao limite para cravar; receber os toiros na espádua da mão direita para cravar ao estribo; rematar pelo lado direito e deixar o toiro fora das tábuas. Suavidade na condução das montadas e souplesse na forma como se anda pela arena. Será pedir muito?

 

Por isso, quando vemos alguns, poucos artistas, e em contadas ocasiões (os dedos de uma mão chegam para o contar numa temporada), fazerem o essencial do toureio a cavalo, nos levantamos dos assentos e aplaudimos com força. Quando um cavaleiro se coloca do lado oposto aquele em que está o toiro, o cita de largo e lhe provoca a investida, aguenta essa investida até ao limite, marca um ligeiro quarteio e lhe crava o ferro, ninguém fica indiferente. Nem pode. Alguém devia bater palmas quando o ferro é colocado á garupa ou depois de um toque forte? Claro que não.

 

Se queremos voltar a dar importância ao toureio a cavalo à portuguesa, deixemo-nos de imitar o que fazem os rejoneadores, deixemo-nos de colocar ferros medíocres e ir a correr em direcção às bancadas a pedir palmas, exijamos toiros com poder e que tragam emoção, arranjemos cavalos em condições…

 

Depois deste introito, vejamos quais foram os nossos destaques em 2017. Diego Ventura e António Telles foram os que conseguiram maior número de destaques nas nossas crónicas. E, justamente diga-se, pois foram eles que mais emoção e melhor toureio trouxeram ás corridas em que estivemos presentes.

 

Comecemos então por Diego Ventura: 27 de Maio na Moita, 10 de Junho em Santarém, 28 de Junho no Montijo e 21 de Outubro em Vila Franca. O que escrevemos nas nossas crónicas dessas corridas:

Moita – 27 de Maio - Foi um Diego Ventura pletórico de recursos e de classe maior na lide de todos os toiros a quem o público da Moita uma vez mais se rendeu e que mostrou, claramente e sem margem para dúvidas que é, no momento, o número 1 da tauromaquia equestre mundial. As suas actuações foram em crescendo, culminando com uma lide extraordinária ao bravo quinto da ordem. (…) Mas foi frente ao quinto que Ventura rebentou com o quadro, como se diz na gíria, com uma lide arrebatadora de princípio a fim, mostrando-se nos cites, cravando com uma facilidade enorme, rematando as sortes. Com a ferragem curta, colocou-se de largo, no local oposto, citou, provocou a investida do toiro que pronto acudiu, reunindo nos médios e cravando bem no alto em reuniões ajustadas, com 3º e 5º a fazerem o público levantar-se dos assentos e ovacionar com força. Um triunfo gordo, de verdade. Deu duas voltas mais que justificadas após a lide do quinto.

Santarém – 10 de Junho - Diego Ventura abriu praça frente a um voluntarioso toiro de Guiomar Moura que, no decurso da lide, foi a menos e se defendeu. A brega e os remates das sortes, em grande plano, e os ferros a aguentar até ao limite a viagem do toiro para tábuas mostraram essa capacidade que poucos têm de conseguir dominar as montadas em terrenos de grande compromisso. A sua actuação foi rematada com dois palmos de violino depois de um grande ferro em sorte frontal entrando nos terrenos onde o toiro se defendia.

No quarto da ordem Ventura voltou a empolgar o público com o seu toureio frente a um outro toiro de Guiomar Moura que saiu andarilho, sem se querer fixar e que apertava para tábuas. Lide muito bem medida, uma vez mais com bons compridos e nos curtos foi um “Sueño” que tornou possível uma actuação de fazer levantar o público das bancadas em quatro curtos de enorme mérito. E para rematar, nada melhor que um par de bandarilhas nos médios com o cavalo “Fino” sem cabeçada e o púbico de novo em pé.

Montijo – 28 de Junho - As figuras podem com toiros de todas as ganadarias e de distintos comportamentos. Estava provado à exaustão e Diego Ventura provou-o, de novo, no Montijo, ao lidar de forma superior os dois toiros de Canas Vigoroux que lhe tocaram em sorteio e que tiveram comportamentos distintos. Alardes de poderio, bom toureio, as habituais formas de remate dos ferros e os ladeios a duas pistas frente a toiros que exigiram muito do toureiro e das suas montadas. Triunfo claro no Montijo.

Diego Ventura provou, uma vez mais, que pode com qualquer tipo de toiros, bravo, manso, com mais ou menos codícia, qualquer que seja o encaste. O seu primeiro “Canas”, um bonito jabonero, teve qualidade que foi superiormente aproveitada pelo ginete, o qual para além de mostrar a qualidade da sua brega e poderio nos remates, encheu a praça com o seu toureio de grande qualidade, com cites vistos e ferros de muito boa qualidade. O público exigiu mais e o toureiro rematou a sua actuação com 3 violinos de palmo. O quinto da ordem era manso, a querer ir para tábuas e aí voltámos a ter a confirmação do calibre toureiro de Diego Ventura. “Encheu” o toiro de cavalo e de tal forma que obrigou o manso a investir. Ora de largo, ora mais em curto, com um sesgo excelente e um outro ferro em sorte cambiada das que marcam a noite, voltou a triunfar e a rematar a sua actuação com mais 3 violinos de palmo que fizeram as delícias do grande público.

 

Vila Franca – 21 de Outubro - O quadro rebentou no terceiro da tarde, um bravo novilho de Prudêncio premiado com volta e chamada do ganadeiro para volta à árena. Diego Ventura foi o responsável por este rebentar de quadro com uma lide completa, de enorme ligação e emoção, a deixar o novilho vir de largo nos compridos, reunindo bem e rematando com ladeios aplaudidos. Na série de curtos iniciada com um sesgo após ladeio em que deu a volta à circunferência da “Palha Blanco”, a lide foi em crescendo até  aos dois últimos, de frente, com reuniões ajustadas e um par de bandarilhas em que tirou a cabeçada ao cavalo e que fizeram levantar o público das bancadas. Uma tarde de elevado nível de Ventura premiada com 2 voltas à arena.

 

 

António Ribeiro Telles: 14 de Maio em Salvaterra, 20 de Julho em Lisboa e 14 de Setembro na Moita. As crónicas referiram:

Salvaterra – 14 de Maio - Mas a grande lição de toureio foi no quarto da ordem, um Murteira Grave (prémios bravura e apresentação) de 540 kg, um toiro bonito de tipo e que veio em crescendo durante a lide com as suas qualidades a serem mostradas por António, com uma brega cuidada, deixando o toiro de largo (o seu segundo comprido é de um enorme valor e merecedor de música), mostrando-se nas viagens e cravando como manda a lei, com ligeiras entradas ao pitón contrário e o mínimo de engano ao toiro. Este cresceu de ferro para ferro e António, em plano de Mestre, aproveitou ao máximo e deu duas exigidas voltas à arena. Duplamente de parabéns!

Lisboa – 20 de Julho - António Telles começou a sua lide com um toque contra tábuas já que o toiro que saiu com muita pata não quis saber dos capotes. Mas a mestria do cavaleiro da Torrinha impôs-se numa lide onde o segundo comprido à tira é de grande valor e a brega e remates da ferragem curta foram também de classe. A ferragem curta, deixada em sortes ao pitón contrário, mostrando-se no cite e cravando de alto a baixo, com reuniões ajustadas fizeram jus ao melhor do toureio clássico á portuguesa e o público soube aplaudir esses momentos.

 

Moita – 14 de Setembro - António Telles teve uma boa prestação frente á imensa presença do primeiro da noite, de 660 kg, um toiro que teve mobilidade q.b. e que permitiu que o cavaleiro da Torrinha mostrasse a sua boa monte na brega criteriosa e deixando uma boa série de curtos. No seu segundo voltou Telles a mostrar a sua maestria no entendimento perfeito que teve do toiro, das suas qualidades e defeitos, para cravar bons ferros curtos a pisar terrenos de compromisso antecedidos de boa brega e rematando como mandam as regras, Boa prestação.

 

João Moura Jr – 18 de Maio em Lisboa

João Moura Jr abriu praça frente a um cumpridor e codicioso toiro de Charrua, algo escorrido e cariavacado. Uma lide em apurado estilo mourista, com bons momentos de brega e alguns bons ferros curtos serviram par mostrar que está cada vez mais perto dos primeiros lugares, em plano de figura. Uma bela actuação.

 

Moura Caetano – 8 de Junho em Lisboa

João Moura Caetano veio a Lisboa e, decidido, triunfou claramente. Se a primeira das suas lides foi de boa nota, com ferros de boa nota em sortes frontais e com ligeira cambiada em alguns, foi no quinto da noite que assinou os melhores momentos da corrida, dando vantagens nos compridos, de praça a praça, provocando a investida e aguentando ao máximo para cravar e um terceiro em que teve de se mostrar mais em curto para provocar a investida e cravar com raça. Manteve elevada a bitola na brega, colocando bem o toiro e cravando 4 ferros curtos em sortes frontais muito bem executadas, a encurtar distância e a provocar as investidas. Uma grande actuação justamente premiada pelo público.

 

Parreirita Cigano – 29 de Junho em Lisboa

Parreirita Cigano, de casaca verde e prata, apresentou-se sereno e decidido. Após a habitual cerimónia de entrega do primeiro ferro comprido por parte do padrinho e os cumprimentos dos seus colegas de cartel, recebeu bem o toiro e cravou-lhe dois compridos que deixaram antever a sua vontade de triunfo. Viria a consegui-lo de forma brilhante na série de curtos onde, a par da boa brega, bem à portuguesa, e com um toureio frontal e de entradas ao pitón contrário logrou uma série de ferros de muito boa nota, com reuniões ajustadas e a escutar fortes ovações. Foi uma alternativa de grande nível. Este jovem pode vir a ser um caso muito sério se lhe derem as mais que merecidas oportunidades.

 

Pablo Hermoso de Mendoza - 14 de Julho - Lisboa -  Mas como não há quinto mau, este Charrua foi mesmo bom, nobre, codicioso, sem ganhar querenças e permitindo o toureio que Pablo sabe tão bem realizar e que é tão do agrado dos portugueses. Sortes frontais, entradas ao pitón contrário, brega a duas pistas, utilizando muitas vezes a garupa do cavalo como se de uma muleta se tratasse (as já célebres hermosinas”. Tudo com a montada a centímetros dos cornos do toiro. Os ferros curtos forma de muito boa nota e Pablo Hermoso de Mendoza deu merecidas voltas à arena, uma delas com o ganadeiro. Devia, em minha opinião, ter saído em ombros.

 

Luís Rouxinol, 20 de Julho em Lisboa

Luís Rouxinol não baixa a fasquia, bem pelo contrário. Tem soluções para todos os problemas, está moralizado, joga tudo em cada actuação. Assim foi nos compridos onde houve dois à tira e um a sesgo de boa nota e na ferragem curta, pisando terrenos de compromisso como fez no primeiro e segundo, para rematar uma actuação de enorme nível, com um de palmo e um bom par de bandarilhas. Deu duas voltas à arena, uma delas com o ganadeiro Joaquim Grave.

 

Correia Lopes e Soraia Costa, 10 de Agosto em Lisboa

Francisco Correia Lopes apresentou-se com um toureio muito sóbrio, muito clássico, recebendo bem o novilho e rematando sempre as sortes rodando pelo piton direito. Deixou o novilho bem colocado e cravou bons ferros, em especial os curtos. A merecer outras oportunidades.

O mesmo se pode dizer para a jovem Soraia Costa, autora de uma boa lide, com muito sentido e intenção de fazer bem as coisas. Bregou bem e cravou bons ferros, templando muito para cravar a ferragem curta, entrando bem de frente e quarteando o suficiente para poder cravar sem toques. Uma actuação muito interessante.

 

Francisco Palha, 13 de Agosto em Alcochete

Francisco Palha foi o triunfador da corrida pela grande lide desenvolvida frente ao toiro de Vinhas que encerrou praça. Uma lide bem medida em termos de brega, da forma como mexeu no bravo toiro, como o soube deixar bem colocado para a ferragem. Depois de dois compridos normais, a lide veio em crescendo aproveitando as boas investidas do toiro. Quatro ferros curtos com intensidade, entrando bem de frente, quarteando o suficiente para cravar bem. E o último ferro é de excelente execução, entrando em terrenos de compromisso, cravando como mandam as regras e rematando a preceito uma grande exibição.

 

António Telles (filho), 16 de Setembro em Sobral de Monte Agraço

O cavaleiro amador António Telles (filho) fez o mais destacado da novilhada que se realizou na tarde de sábado em Sobral de Monte Agraço e integrada no III Ciclo de Novilhadas das Escolas de Toureio, lidando um bom eral de David Ribeiro Telles e que apenas pecou por escassez de forças. O mais novo dos Telles esteve francamente bem e merece ser revisto.

ANÁLISE DA TEMPORADA DE 2017 DO BARREIRA DE SOMBRA - AS GANADARIAS

O toiro, eixo fundamental da Festa

É comum dizer-se e escrever-se que não se fazem omeletes sem ovos, ou, no caso, que sem o toiro-toiro não pode haver emoção e as lides, faenas ou pegas, não adquirem a transcendência que devem assumir perante o grande público em geral e o aficionado em particular, levando a que, ao fim de largos anos, ainda se recordem deste ou daquele toiro, desta ou da outra faena, lide ou pega. O toiro bravo de lide é, sem margem para qualquer dúvida, o eixo fundamental da Festa e aquele sobre o qual tudo deveria girar.

 

E escrevo «aquele sobre o qual tudo deveria girar» porque, na realidade, não é isso que sucede em muitos casos, Toureiros que não querem tourear estes ou aqueles toiros, toureiros que exigem outros toiros de menores exigências e lhes permitem andar mais cómodos, transportes de toiros que obrigam as reses a ficarem horas infinitas nas jaulas dos camiões, poucas condições dos currais da maioria das praças, etc etc etc…. Se se cuidasse um pouco mais do toiro desde que sai da ganadaria até que se lidasse, quiçá outro galo cantaria. Têm a palavra os senhores ganadeiros.

 

O ano de 2017 em termos de toiros que vimos lidar teve, uma vez mais, de tudo: dos bem apresentados, com idade, peso e trapio, bravos e com boas condições de lide, aos mal apresentados, sem trapio; aos mansos que se deixam lidar e aos que não mostram qualquer qualidade…

 

Tal como referi na introdução a esta análise, a ganadaria Murteira Grave foi a grande triunfadora da temporada do “Barreira de Sombra”. Vimos lidar 26 reses desta ganadaria em 10 espectáculos e foram premiados alguns toiros com prémios de Bravura e Apresentação e uma corrida pelo seu conjunto (Abiúl). Uma aposta ganha do Dr. Joaquim Grave e a ganadaria de novo a ser disputada pelas figuras e a ter uma qualidade acima da média. Presença, seriedade e condições de lide foram as notas dominantes desta ganadaria que venceu os seguintes prémios:

 

  • Salvaterra de Magos, 14 de Maio, Bravura e Apresentação
  • Montijo, 1 de Julho, Bravura
  • Abiúl, 6 de Agosto, pelo magnífico curro
  • Moita, 15 de Setembro, Bravura

 

Nos números da nossa temporada aparece em segundo lugar a ganadaria de Calejo Pires, com um total de 19 novilhos lidados, maioritariamente para o toureio a pé e com alguns exemplares de muito boa nota. A ganadaria de Falé Filipe surge no terceiro lugar com 18 exemplares tal como a de Manuel Veiga. Alguns novilhos e toiros de Falé Filipe a exigirem varas e um bravo toiro de Veiga na Chamusca lidado a cavalo.

 

Ainda entre os toiros que mais se destacaram no decurso da temporada de 2017 temos os de:

 

- Jorge Carvalho, prémio Apresentação no dia 1 de Julho no Montijo e prémios Apresentação e Bravura no dia 17 de Agosto em Arruda dos Vinhos;

- Vinhas, prémio Bravura a 13 de Agosto em Alcochete;

- Condessa de Sobral, prémio Apresentação a 13 de Agosto em Alcochete;

- Prudêncio, prémio Apresentação a 15 de Agosto em Caldas da Rainha;

- David Ribeiro Telles, prémio Bravura a 15 de Agosto em Caldas da Rainha;

- Ascensão Vaz, prémio Apresentação  a 15 de Setembro na Moita.

 

A ganadaria de David Ribeiro Telles, com produtos de diversas linhas manteve o interesse pela emoção que levou ás arenas, tal como Veiga Teixeira, com um imponentíssimo curro da feira de Setembro na Moita; ou ainda Canas Vigoroux com dois toiros a destacarem-se no Montijo (lidado por Ventura) e Sobral de Monte Agraço (lidado por Luís Rouxinol). Vinhas e Passanha mantiveram as linhas e comportamentos típicos enquanto que a ganadaria de Prudêncio se revelou com produtos de muita categoria acabando a temporada com um grande toiro em Vila Franca a 21 de Outubro superiormente lidado por Diego Ventura.

 

Ainda no capítulo das ganadarias que vimos lidar 10 ou mais reses, a de Gregório de Oliveira teve uns quantos novilhos de boa nota lidados no Cabo da Lezíria e a de Irmãos Moura Caetano segue a linha “Murube” da Guiomar Moura.

 

No total vimos lidar mais de 360 reses de 61 ganadarias das quais 11 espanholas.

 

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