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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

A CHAMADA “COMUNICAÇÃO SOCIAL TAURINA”

07.11.16 | António Lúcio / Barreira de Sombra

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 Não vou analisar o trabalho de sites e blogues da chamada “comunicação social taurina” portuguesa no que se refere à cobertura que cada um faz da temporada portuguesa. Até porque cada um tem, como nós, as suas limitações e não dá para «ir a todas…» como todos nós certamente gostaríamos.

 

Volto a frisar, como já o fiz noutras alturas, que há que ter conhecimentos teóricos e práticos sobre o toureio, conhecer da sua história e evolução, sobre o toiro e sua evolução, sobre os diversos encastes, e saber escrever em bom português, para que se possa ter alguma credibilidade naquilo sobre o qual se escreve. Outrossim para os que fazem fotografias. Com máquinas digitais a dispararem 4 a 6 fotogramas por segundo, está tudo dito. Só muito dificilmente o momento escapa. Mas mesmo assim é preciso conhecer do toureio para que a foto saia. A tal que pode fazer a diferença pela positiva.

 

Escrever bem sobre o que se vê e sente num espectáculo tauromáquico é quase tão difícil, ou mais ainda, que concretizar a tal lide ou o tal ferro, ou a faena ou a pega desejada. Á independência e consistência de critérios de avaliação, há que juntar os tais momentos de emoção que nos impulsionam enquanto aficionados e que, por vezes, atrapalham a escrita para que dessa emoção vivida no momento não transpareça ou dê a entender algum “seguidismo” ao toureiro, ao Grupo de Forcados ou ao ganadeiro.

 

Mas se não conseguirmos deixar transparecer alguma emoção nas nossas palavras – nem sempre o conseguimos porque aqueles momentos são vividos tão intensamente e em fracções de segundo que são únicos – aqueles que nos ouvirem ou lerem vão ficar a pensar que somos demasiado frios nas nossas apreciações ao que aconteceu na arena. Tem de haver, pois, um certo equilíbrio entre emoção e escrita racional.

 

Saber da história do toureio, da forma de realizar as sortes, dos encastes e das ganadarias, escutar atentamente os mais antigos, ler com critério, tentar perceber porque determinadas coisas acontecem de determinada forma, ler bons autores de língua portuguesa, ajuda a que quem visita os sites e blogues possa ter uma melhor visão e compreensão do fenómeno tauromáquico. Caso contrário, dirão que não foi aquela a corrida que viram…

 

Pululam no nosso espaço cibernético muitos sites e blogues. Demasiados acho eu porque num País onde em média se realizam 200 espectáculos… Muito dos blogues apenas colocam fotos e não têm opinião crítica. E muitas das fotos que são colocadas nestes espaços deixam muito a desejar e só demonstram o quanto pouco sabem os seus editores do que é o toureio. Se repararem quase nunca aparece um ferro a ser colocado no toiro mas momentos que o antecedem… E a forma como se escreve em muitos dos sítios mostra bem a pouca formação académica de quem escreve esses textos. É preciso cuidar mais destes aspectos.

 

Em Portugal existem algumas referências da comunicação social dita taurina: a revista Novo Burladero superiormente dirigida por João Queiróz, o jornal OLÉ que cumpriu este ano 10 anos de existência. Se a revista se mantém ao longo de tantos anos e com tamanha credibilidade, é porque tem sido coerente e consistente no seu estilo e na abordagem que faz ao espectáculo tauromáquico. E o mesmo se pode dizer do OLÉ: manter-se durante dez anos, com alguns interregnos nos invernos, é obra para uma equipa tão pequena.

 

No domínio cibernético destaco os sites www.toureio.pt de Hugo Calado, o www.touroeouro.com de João Dinis e Solange Pinto este ano renovado na imagem e conteúdo. O primeiro mantém-se há cerca de 10 anos e o segundo desde 2011. Existem imensos blogues e sites, alguns com publicações periódicas, com crónicas de espectáculos, outros genericamente com reportagens fotográficas, e o Barreira de Sombra que serviu de suporte ao programa de rádio com o mesmo nome e onde nesta temporada levámos a cabo cerca de 16 emissões.

 

As visitas a todos estes sítios podem ajudar a fomentar a Festa Brava desde que as opiniões emitidas sejam minimamente idóneas, isentas, independentes, o que lhe queiram chamar, e que as fotos sejam boas, não desfocadas, e que permitam um bom enquadramento dos momentos que pretendem retratar.

 

Noutro campo, os programas de rádio. Existem, felizmente, alguns, poucos, que vão dando voz à tauromaquia e que resultam do trabalho de muitos aficionados que merecem o nosso apoio. Houve momentos em que bastantes eram os programas, muitos deles na área da Grande Lisboa, no Ribatejo e Alentejo, mas a generalidade das rádios deixou de apostar na manutenção desses programas. Venderam-se licenciamentos/alvarás, criaram-se redes nacionais de rádios locais – só neste País isto é possível – e onde não se cumprem os noticiários locais, etc… Por isso, apoiem as rádios que ainda têm programas de tauromaquia e assistam às corridas de toiros transmitidas pela RTP. Se puderem, pressionem as entidades responsáveis com emails pois assim eles percebem.

 

E, finalmente, um desafio que aqui fica lançado: mais opinião crítica e melhores fotos em 2017.

 

Foto: João Dinis / Touroeouro.com