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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

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ANÁLISE Á TEMPORADA 2016 «BARREIRA DE SOMBRA» - O TOUREIO A CAVALO - CAVALEIROS DE ALTERNATIVA E REJONEADORES

27.10.16 | António Lúcio / Barreira de Sombra

A temporada de 2016 teve também alguns grandes momentos de toureio a cavalo ou não fosse Portugal a Pátria desta modalidade de toureio que tão bem outros têm sabido copiar e criar espectáculo a  partir das regras básicas do bom toureio equestre.

Seleccionei 10 momentos que, com cavaleiros de alternativa e rejoneadores, foram destaques nas crónicas do «Barreira de Sombra»

 

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João Ribeiro Telles, Almeirim, 29.05.16 (por Miguel Dias)

Para o fim, o melhor. João Ribeiro Telles teve todo o mérito do seu tio, tendo-lhe adicionado o factor espectáculo. No primeiro da tarde, soube trabalhar o toiro, ganhando conforto durante a lide para pôr e dispor. No segundo, em receita que ganha não se mexe, foi novamente em crescendo mostrando maturidade no labor do exemplar, onde esteve como quis, terminando com o sempre entusiasmante ferro em sorte de violino. Foi o mais aplaudido

 

Ana Batista, Caldas da Rainha, 11.06.16

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O segundo da ordem, também de Teixeira, com nítidos problemas na vista esquerda, manso, bruto nas investidas, obrigou Ana Batista a usar de toda a sua experiência para lhe deixar os ferros. Foi uma actuação de grande raça, de entrega total, e arriscando bastante nos três últimos curtos, pisando terrenos de grande compromisso e cravando como mandam as regras.

 

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Rui Fernandes, Santarém, 10.06.16

Rui Fernandes está em bom momento e deixou-o bem patente nesta tarde de 10 de Junho em Santarém. O seu primeiro teve algumas complicações mas o toureiro deu-lhe a volta nos curtos com um segundo de muito boa nota ao pitón contrário e outro em curto a pisar terrenos de compromisso. Mas seria no quinto da ordem que teria os melhores momentos da tarde. O segundo comprido a aguentar em tábuas a investida do toiro uma série de curtos em crescendo com quinto e sextos de nota excelente em sortes muito bem executadas e com reuniões ajustadas.

 

Pablo Hermoso de Mendoza, Lisboa, 02.06.16

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Pablo Hermoso de Mendoza esteve bem em ambos os toiros. Recebeu com dois bons compridos o segundo da noite, lidou bem e cravou alguns bons curtos ante o toiro que não transmitia. No que foi quarto da ordem voltou a mostrar porque é figura com uma lide muito bem conseguida, consentindo bem nas reuniões na ferragem curta e com bons momentos de brega.

 

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João Moura, Lisboa, 28.07.16

João Moura teve por diante o melhor toiro da corrida, com imensa presença e trapio, um toiro bravo e com codícia, bem recebido em duas voltas á arena e depois, com os compridos e com os curtos foi uma lide «à Moura», a lembrar tempos antigos. Entrar nos terrenos do toiro com batidas ao piton contrário ou cambiando, mostrando-se de largo e rematando com classe as sortes, com destaque para os terceiro e quarto curtos. Infelizmente e por prolongar demasiado a lide houve dois ferros de inferior valia, terminando com um bom palmito.

 

Andy Cartagena, Abiúl, 06.08.16

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Andy Cartagena (…) O quinto da ordem foi também demasiado castigado pelos peões de brega sem que nada o justificasse. Cartagena esteve bem nos curtos, principalmente nos três primeiros, seguindo-se um violino com velocidade demasiada mas que deixou o público de pé quando no remate colocou o cavalo em levada, um ar de alta escola, e repetiu a dose ante a exigência popular. Deu duas voltas à arena, tal como o forcado.

 

Duarte Pinto, Arruda dos Vinhos, 16.08.16

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Duarte Pinto foi o vencedor do troféu em disputa para a melhor lide (júri composto por este servidor, António Vasco Lucas e José Carmo Marques) e justamente diga-se em abono da verdade. Lidou com preceito, procurou colocar o toiro nos melhores sítios, entendeu perfeitamente os terrenos e deu-lhe a lide que o toiro requeria. O segundo comprido, a sesgo, é de muito boa nota. E com o toiro a escolher a defesa de tábuas foi aí que o atacou em dois ferros que o obrigaram a sair desses terrenos, permitindo depois a Pinto a cravagem de mais dois em sortes frontais bem executadas, quarteio aberto no momento certo para cravar. É um conceito de lide que encaixou perfeitamente nas condições do toiro e onde lhe deu a volta como é comum afirmar-se.

 

Diego Ventura, Moita, 13.09.165

Diego Ventura foi, claramente, o triunfador desta corrida. Recebeu com enorme decisão o seu primeiro com um ferro em sorte de gaiola que rematou

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superiormente com o cavalo a parar-se na cara do toiro após o ferro. E assim continuou com excelentes momentos de brega, de domínio total da montada e do toiro, sempre com a “cara” junto ao estribo. Os ferros que cravou no seu primeiro foram de alto calibre e o público aplaudiu fortemente. E no que foi quinto da tarde/noite, Ventura deu show. A sua actuação é extraordinária do ponto de vista estético, da forma como se colocou de largo para aguentar a investida e cravar como mandam as regras. Sempre a mais na sua lide: na brega, nas sortes, nos remates. Fez com que o público se rendesse por inteiro e, no final, duas voltas á arena. Um triunfo sonoro e importante pelo toureio que fez na arena da “Daniel do Nascimento”.

 

João Moura Caetano, Moita, 13.09.16

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João Moura Caetano, que comemora 10 anos de alternativa, reapareceu na Moita e em grande nível. Uma vez mais “apertado” num cartel com duas figuras, Moura Caetano mostrou decisão e sentiu-se a gosto frente aos dois toiros que teve de lidar. No terceiro da tarde, uma actuação de classe quer na brega quer na forma como abordou as sortes. Toureio de frente, de entradas vibrantes na cara do toiro e ferros bem deixados, superando a aparente sonseria do toiro que teve por diante. E porque “melhor era impossível”, uma grande actuação a encerrar praça. Uma lide que roçou a perfeição. De largo, de praça a praça, aguentou as investidas para cravar os dois primeiros compridos. A brega foi excelente e a série de curtos de elevado quilate no geral. Entradas ao pitón contrário muito bem marcadas, na justa medida para ter o morrilho do toiro à disposição para a cravagem de ferros de muito boa nota. Toiro muito bem colocado, sempre, para que as sortes fossem desenhadas com rigor e as reuniões resultasse templadas, tal como os remates. Uma grande actuação fortemente aplaudida.

 

João Moura Jr, Lisboa, 08.09.16 (por Miguel Dias)

O mais novo entre os três, João Moura Jr, foi a grande estrela da noite. Na sua primeira lide executou um curto de cortar a respiração com batida ao piton contrário, tendo estado francamente bem em todos os ferros que cravou. Apareceu com atitude, deixando um “cheirinho” daquilo que viria a ser a sua segunda

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lide e a actuação da noite neste duelo ibérico. No seu segundo, sexto da ordem, o melhor do lote de Romão Tenório, executou uma actuação que ficará na memória dos aficionados presentes, ao “traduzir” para português o que executa Pablo Hermozo de Mendoza, pondo e dispondo do toiro para cravar a gosto do princípio ao fim. Terminou com dois ferros de palmo.

 

NOTA: fotos de Pablo Hermoso de Mendoza e João Moura Jr, site do Campo Pequeno

Paula Santos recebe “Prémio Temporada 2016” do Conselho Taurino da Moita

27.10.16 | António Lúcio / Barreira de Sombra

O Conselho Taurino da Moita, reunido no dia 24 de outubro, decidiu, por unanimidade, atribuir o “Prémio Temporada 2016” à Novilheira Praticante Paula Santos.

Paula Santos, aluna da Escola de Toureio e Tauromaquia da Moita e da Escola de Toureio de Badajoz, toureou 15 festejos entre Portugal e Espanha, tendo triunfado na esmagadora maioria das suas apresentações, sendo de distinguir os êxitos alcançados em Lisboa (Campo Pequeno), Mourão, Moita e Caldas da Rainha, bem como o triunfo clamoroso em La Algaba (Sevilla).

Note-se que Paula Santos foi a primeira mulher portuguesa a tourear a pé em Espanha.

O troféu será entregue no decorrer do jantar de entrega de prémios da Sociedade de Moitense de Tauromaquia, em data a anunciar.

 

Informa: Gabinete de Informação e Relações Públicas Câmara Municipal da Moita