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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

QUE GRANDE NOITE DE MORANTE EM LISBOA: 30 DE JUNHO, UMA DATA PARA A HISTÓRIA

01.07.16 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Praça de Toiros do Campo Pequeno – 30.06.16 – Corrida Goyesca

Director: Rogério Jóia – Veterinário: Hugo Rosa

Matador: Morante de la Puebla

Ganadaria: Zalduendo

Actuações da Charanga a cavalo da GNR e Diego Cigala (cantaor de flamenco)

QUE GRANDE NOITE DE MORANTE EM LISBOA: 30 DE JUNHO, UMA DATA PARA A HISTÓRIA

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Faltam, quanto a mim, adjectivos para qualificar as duas enormes lides de Morante na noite de 30 de Junho e que ficará para os anais da nacional tauromaquia como mais um triunfo enorme e inequívoco do toureio a pé. Arte, cadência, temple, arte pura, toureio puro, triunfo sério de um génio do toureio que dá pelo nome de Morante da la Puebla.

E se criadores de moda, de perfumes de raras essências e fragâncias únicas, os criadores de vinhos de mais rara e fina qualidade têm um material de base minimamente garantido, a verdade é que no toureio, se o toiro não é partícipe empenhado para que o êxito aconteça, essa arte efémera, de momento e vivências únicas não pode acontecer. Mas em Lisboa estava Morante e fez Arte!

O toureio de capote no que abriu praça já foi de enorme classe e qualidade quer nas verónicas majestosas  quer nas cingidas e arrimadas chicuelinas sem esquecer uma meia verónica das de cartel de toiros. A lentidão e profundidade dos passes, aliadas a uma estética de pura arte, puseram o público a aplaudir de pé uns quantos derechazos. Que importa a quantidade quando a qualidade é suprema!...

Segundo e terceiro não serviram, com problemas de mansidão e sem casta e fez bem em abreviar.

E de novo abriu o frasco daquelas essências a que apenas os poucos eleitos têm acesso para derramar gotas sobre o albero lisbonense e, de novo, colcoar o público em alvoroço com as mais extraordinárias e cadenciadas verónicas, de mãos baixas, mandando uma barbaridade e rematando com outra meia que fez muitra gente levantar-se dos assentos. Que dizer da faena de muleta? As paixões que desata, os sentimentos que desperta esse toureio de queixo bem metido no peito, mãos baixas, pés bem assentes no chão, nos muletazos por baixo, nos trincheirazos, nos passes do desprezo, nos remates de peito que pareciam não ter fim, nos derechazos enormes, profundos… Foi Arte, foi Morante, foi Morarte!

Aqueceu o ambiente com as cantigas de El Cigala, e a anteceder a corrida houve exibição da Charanga a cavalo da GNR, sempre aplaudida.

Dos quatro toiros de Zalduendo, muito bons o primeiro e o último e mansos sem casta os outros dois.

Dirigiu a corrida a dupla Rogério Jóia e Hugo Rosa.