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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

Entre cavaleiros praticantes e amadores, vimos actuar um total de 20, dos quais alguns passaram de categoria, como foram os casos de Miguel Moura e José Carlos Portugal que alcançaram a alterntiva ou os de Mara Pimenta e Luís Rouxinol Jr que passaram a praticantes. Num ano em que as oportunidades aos novos foram poucas, assistimos a alguns bons momentos a cargo de alguns destes jovens.

Nos cinco primeiros lugares ficaram:

Cavaleiro

Actuações

Reses Lidadas

Mara Pimenta

8

8

José Carlos Portugal

3

6

Soraia Costa

4

4

Luis Rouxinol jr

3

3

David Gomes

2

3

 

A lista completa dos cavaleiros praticantes e amadores é a seguinte:

ARTISTA

CORRIDAS

TOIROS

Mara Pimenta (A+P)

8

8

José Carlos Portugal (alt)

3

6

Soraia Costa (A)

4

4

Luis Rouxinol jr (A+P)

3

3

David Gomes

2

3

Salgueiro da Costa

2

3

Verónica Cabaço

2

3

Filipe Ferreira

2

2

Jacobo Botero

2

2

Miguel Moura (alt)

1

2

Parreirita Cigano

1

2

Tiago Lucas

1

2

Andreia Oliveira (A)

1

1

Bernardo Salvador (A)

1

1

Cláudia Almeida

1

1

Francisco Correia Lopes (A)

1

1

Mafalda Robalo (A)

1

1

Manuel Oliveira (A)

1

1

Manuel Vacas de Carvalho

1

1

Rui Guerra

1

1

 

  • 19 de Junho – Luís Rouxinol Jr – Campo Pequeno

Luis Rouxinol Jr que se viu impedido de prestar provas para cavaleiro praticante por não ter 18 anos ou o 12º ano completo, foi o triunfador no que ao toureio equestre concerne. Moralizado, com raça e muita entrega, depois de deixar os compridos foi em crescendo a brega, de enorme classe e de muita proximidade a aguentar o novilho-toiro, provocando fortes aplausos nas bancadas. A série de curtos foi de muito boa nota e Luis André conseguiu grandes momentos que o público sublinhou com fortes aplausos. Triunfo forte em Lisboa, deixando mais portas abertas.

 

  • 28 de Junho – Mara Pimenta - Montijo

Quem também esteve em plano muito interessante foi a amadora Mara Pimenta que lidou um novilho de Passanha de qualidade sofrível mas que lhe permitiu chegar às bancadas com facilidade. Bregou bem, encontrou novilho em todo o lado e os ferros foram bem deixados. Cravou um de violino antes de rematar com outro bom curto em sorte frontal e está a tornar-se um caso.

  • 18 de Agosto – Luís Rouxinol Jr – Arruda dos Vinhos

Em sétimo lugar actuou Luis Rouxinol jr, que conseguiu uma muito boa lide, quer na cravagem e remate da série de compridos, quer na ferragem curta, mostrando que está em nítido crescendo de forma, pisando terrenos de compromisso com um novilho que lhe permitiu tourear e cravar em diversos terrenos, sempre com acerto. Uma actuação de muito bom nível a encerrar a longa noite deste XVIII Concurso de Ganadarias.

 

  • 23 de Agosto – Parreirita Cigano – Baião

E o que vi, na lide que Parreirita deu aos dois Prudêncio que lhe couberam em sorte, foi um jovem com um ar franzino, algo compenetrado, procurando fazer tudo bem, com tempo e a tempo, mas fazendo como se impunha. Foi assim na lide do 3º. da tarde, um Prudêncio com peso e medida, em sortes frontais, preparadas e, sobretudo, bem rematadas. Os dois primeiros compridos, e os três curtos eram suficientes para já lhe assegurarem uma tarde em alta, daí que o 4º. curto, cravado a sesgo, soou a desnecessário. O 'tal ferro a mais', que acaba por ficar no resumo da corrida, a 'menos'. O 6º. e último da tarde, um 'sobressalente' por força de um percalço no que estava a isso destinado, foi o toiro mais pequeno, com menor peso, mas que deu uma boa lide. Uma lide que Parreirita soube dosear na ferragem, dois compridos, e nos quatro curtos, todos de boa nota, em lide frontal e bem marcada.

Nesta análise ao que foi a temporada de 2014, decidi efectuar algumas alterações em relação ao que vinha fazendo nos últimos anos, separando desde logo o escalafón da nossa temporada (ou seja a listagem dos que vimos actuar), daquilo que foi a apreciação a cada toureiro, aos que mais se evidenciaram nas crónicas que fizemos ao longo do ano.

Entendo que talvez seja mais justa esta separação, pois nem sempre os que mais vimos actuar foram os que mais se destacaram nas crónicas que fizemos e é justo que se destaquem essas actuações. E esta separação valerá para todos os artistas, todas as categorias.

Assim, e por categoria, iremos apresentar a listagem dos 5 mais (ou 3 se tiverem mais de 3 actuações) de cada categoria, e depois daremos destaque aos parágrafos das nossas crónicas com os que mais se evidenciaram ao longo do ano, corrida a corrida, por ordem cronológica.

  • Cavaleiros de Alternativa

Cavaleiro

Actuações

Reses Lidadas

Luís Rouxinol

11

20

António Ribeiro Telles

11

20

Duarte Pinto

10

15

Joaquim Bastinhas

12

15

Rui Salvador

7

14

 

Estes cinco cavaleiros lideram um escalafon composto por um total de 38 e que ficou ordenado da seguinte forma:

ARTISTA

CORRIDAS

TOIROS

Luís Rouxinol

11

20

António Telles

11

20

Joaquim Bastinhas

12

15

Duarte Pinto

10

15

Rui Salvador

7

14

Sónia Matias

10

13

Filipe Gonçalves

8

12

Manuel Telles Bastos

6

12

Manuel Lupi

6

9

Vitor Ribeiro

5

9

Marcelo Mendes

6

8

Marcos Bastinhas

6

8

Ana Batista

4

6

Gilberto Filipe

4

6

Pedro Salvador

4

6

João Moura Jr

3

6

Jacobo Botero

3

5

João Telles Jr

3

5

António Brito Paes

3

4

João Moura

2

4

Marco José

2

4

Pablo Hermoso de Mendoza

2

4

Rui Fernandes

2

4

Tomás Pinto

3

3

João Moura Caetano

2

3

Miguel Moura

2

3

Paulo Jorge Santos

2

3

Batista Duarte

1

2

Diego Ventura

1

2

Francisco Palha

1

2

João Maria Branco

1

2

João Salgueiro

1

2

Tiago Carreiras

1

2

Ana Rita

1

1

Joana Andrade

1

1

José Carlos Portugal

1

1

Mateus Prieto

1

1

Tiago Martins

1

1

 

Os que mais se destacaram nas nossas apreciações críticas no decurso da temporada:

  • 4 de Maio, Vila Franca de Xira – Marcelo Mendes

Como diz o ditado, «no hay quinto malo» e em Vila Franca este «Teixeira» foi de boa nota e mais suave que o terceiro. Com ele esteve em bom plano Marcelo Mendes, com uma lide iniciada a aguentar a forte carga do toiro em três voltas à arena e a cravar-lhe dois compridos à tira. A série de curtos, onde houve boa brega, foi de muito bom nível, entrando bem de frente nas sortes e rematando como mandam as regras. Os dois últimos, um deles de palmo, foram deixados montando o «Único» que lhe permite rematar as sortes com grande expressividade.

 

  • 15 de Maio, Campo Pequeno – Pablo Hermoso de Mendoza

Já o havia escrito uma vez, a propósito de uma lide de Pablo Hermoso de Mendoza e volto a fazê-lo com gosto redobrado pois as suas actuações na corrida inaugural da temporada lisboeta, na noite de 15 de Maio, foram de autêntica maestria e uma sinfonia de bom toureio a cavalo, de domínio pleno dos terrenos, das querenças, das distâncias, das montadas e da souplesse com que tudo foi feito na cara do toiro. A praça estava de pé no final das lides, as voltas foram apoteóticas, e tudo isto perante quase 7000 espectadores, com lotação esgotada – curiosamente as capitais ibéricas, Lisboa e Madrid, esgotaram lotação no mesmo dia.

 

  • 15 de Maio, Campo Pequeno – João Moura Jr

Mais um momento alto foi vivido com a actuação de João Moura Jr frente ao terceiro da ordem, um toiro com classe e que cumpriu, e frente ao qual se viu um toureiro inspirado, preocupado em fazer bem as coisas, lidando com preceito e a cravar bons ferros. Moura Jr esteve em muito bom plano na brega, encontrando terrenos e distâncias para cravar a ferragem dando vantagens ao toiro ao mostrar-se de largo e encurtar as distâncias, para em sortes frontais de enorme mérito cravar «en su sitio» e provocar as fortes ovações do público que exigiu música e o director de corrida tardou em conceder. A actuação é de nível superior na concepção e concretização das sortes, num toureio vistoso mas de verdade e com os remates das sortes a serem de muito bom nível. Uma grande actuação a encerrar a primeira parte.

  • 25 de Maio, Moita – Marcos Bastinhas

Marcos Bastinhas teve por diante o melhor toiro da corrida e soube aproveitá-lo desde os primeiros momentos para uma lide vibrante, com bons momentos na brega e alguns ferros de muito mérito, pela forma como abordou com seriedade a lide, nos cites a deixar-se ver, na forma como partiu e marcou as entradas ao pitón contrário. Dois dos ferros tiveram muita verdade e marcaram a tarde e o triunfo de Marcos Bastinhas.

 

  • 8 de Junho, Santarém – Filipe Gonçalves

Filipe Gonçalves teve por diante o melhor toiro e soube lidá-lo na justa medida para conseguir o triunfo. Depois de dois compridos, Gonçalves encontrou os terrenos e as distâncias para, em sortes cambiadas, deixar 3 bons ferros antecedidos de boa brega e rematados com piruetas. Finalizou com um par de bandarilhas em terrenos de compromisso e foi justamente aplaudido.

 

  • 10 de Junho, Santarém – Manuel Lupi

O terceiro da ordem era um toiro imponente, alto e comprido, e teve bastante qualidade, por nobre e suave e sempre disponível para a ferragem mas faltando-lhe um pouco de sal. O regressado Manuel Lupi colocou aquilo que lhe faltava e assinou um bom triunfo neste terceiro toiro, com uma lide muito ligada, com muita classe e entradas fulgurantes ao pitón contrário, numa lide que brindou a seu pai, Mestre José Samuel Lupi. Recebeu o toiro à porta de curros e cravou-lhe dois compridos, segundo de muito boa execução. Seguiram-se bons momentos nas preparações e ferros curtos que fizeram vibrar o público nas bancadas, com entradas ao pitón contrário, vibrantes, pisando terrenos de compromisso e finalizando com um grande ferro, entre os fortes aplausos do público. Uma reaparição auspiciosa e triunfal.

 

  • 6 de Julho, Vila Franca de Xira – António Telles

Que magnífica lição de bem tourear a cavalo deu António Telles a todos quantos estavam nas bancadas da “Palha Blanco” frente ao quarto toiro da tarde. Que momentos brilhantes de brega, de colocação do toiro «á voz» e com suaves movimentos da montada. Que grandes ferros, a entrar pelos terrenos do toiro, frente a frente, com um momento de reunião sempre de grande risco mas com cravagem de três deles de enorme mérito e que fizeram com que o público, como que impelido por molas nas bancadas, se levantasse e aplaudisse de pé como há muito se não via. Confesso que a emoção se apoderou de mim e de muitas pessoas que vibraram com aquele toureio de verdade, com a seriedade de um grande Senhor das nossas arenas e que, uma vez mais, abriu o frasco das melhores e mais perfumadas essências do bom toureio a cavalo. Olé António Telles!

 

  • 11 de Julho, Luís Rouxinol – Póvoa de Varzim

E se no seu 1º. Luís Rouxinol provocou já alvoroço, na lide do 5º. da ordem, provou que 'não há 5ºs. maus', e foi o delírio total. Lide em crescendo, mesmo quando já no final o touro estava a ir a menos, Luís Rouxinol aproveitou tudo o que o exemplar Prudêncio transmitiu e transmitia, bregando e cravando, com gosto e a gosto, rematando com um par, preparado e colocado numa nesga de terreno, todo ele um hino à coragem e saber. Imperdoável e de não esquecer.

  • 2 de Agosto, Jacobo Botero - Abiúl

Comecemos pelo triunfador da corrida, Jacobo Botero e pela sua lide frente ao quinto toiro. Uma lide bem medida, debaixo de chuva miudinha, com o jovem colombiano a procurar colocar bem o toiro para deixar a ferragem da ordem, com dois compridos à tira e uma série de três curtos em sortes frontais bem executadas para rematar com outro de muito boa nota e a entrar nos terrenos do toiro com muito mérito e a pedido do público um bom violino.

  • 3 de Agosto, Luís Rouxinol - Abiúl

Coube a Luis Rouxinol abrir praça e como é seu timbre deu tudo para triunfar, construindo uma boa lide, com boa brega e bem nos remates das sortes. Mas seria no quarto da ordem, um toiro bravo e com trapio, codicioso nas arrancadas para as montadas, que o cavaleiro de Pegões conseguiu galvanizar o público com bons ferros curtos em sortes frontais, e com os habituais palmo e par de bandarilhas para rematar uma actuação que começara com um excelente comprido montando um dos novos cavalos da sua quadra e que tem um momento do ferro excepcional

  • 8 de Agosto, Rui Salvador – Tomar

Rui Salvador foi igual a si próprio ao longo das seis lides: de raça e entrega total. Procurando em cada momento, em cada ferro, em cada lide, dar o melhor, galvanizar o público, entregando-se como se de um toureiro em busca de um lugar ao sol se tratasse.

Trinta anos depois da alternativa concedida pelo grande e saudoso José Mestre Batista numa corrida da Rádio no Campo Pequeno, a paixão continua bem viva, no olhar sempre cintilante, faiscante, na expressão de felicidade por cada ferro bem conseguido, na forma de “provocar” e ao mesmo tempo agradecer ao seu público.

Foram quatro lides a sós, com grandes momentos de toureio, com alguns grandes ferros, pisando terrenos de compromisso, mostrando doze montadas.

  • 17 de Agosto, Duarte Pinto – Arruda dos Vinhos

Mas a noite seria de Duarte Pinto. Se no seu primeiro já mostrara classe e uma atitude muito serena na forma de lidar, de citar de largo num estilo muito clássico e que cada vez mais vai calando forte nos aficionados, foi no sexto da ordem que mostrou a sua maestria na abordagem da brega, na colocação do toiro nos médios e na forma como, de frente, com entradas ao pitón contrário, deixou um conjunto de ferros curtos de muito boa nota, pisando terrenos de compromisso e triunfando com justiça, sublinhada pelas fortes ovações que escutou durante a lide e na volta com o forcado.

  • 17 de Agosto, Mateus Prieto – Póvoa de Varzim

Mateus Prieto, veio à Póvoa de Varzim, disposto a mostrar que a sua passagem pelos ecrans da Tv na corrida televisionada da Figueira da Foz, foi uma daquelas noites não, que sucedem ao mais pintado. Lide segura, com preparações cuidadas, iniciada com dois bons compridos, foi subindo de tom nos quatro curtos, sempre em sortes frontais, em que o quarto, cravado em violino, pelos terrenos e pelo desenho da sorte, fez tremer a praça, rematando a lide com mais um bom violino e um de palmo, onde o delírio do público era a causa/efeito porque gostou e queria isso mesmo manifestar ao artista.

  • 21 de Agosto, Rui Fernandes – Campo Pequeno

Rui Fernandes está em grande momento de forma. Provou-o nos dois toiros, em crescendo a lide ao seu primeiro, rematada com dois curtos de muito bom nível. Mas seria no quinto da ordem que se excederia quer na brega e nos remates quer na abordagem das sortes, com grandes momentos e grandes ferros que foram justamente premiados com música e fortes aplausos do público. Foi uma lide de nível muito elevado e que o catapultou para o merecido êxito.

  • 4 de Setembro –João Moura Jr – Campo Pequeno

João Moura Jr mostrou que queria triunfar e triunfou. Esteve em bom plano no terceiro da ordem, com um toureio de largo e alguns bons ferros com destaque para o terceiro em que foi encurtando as distâncias para atacar o toiro e cravar bem. Voltaria a repetir o bom toureio no que encerrou praça, dando distâncias, mostrando-se de largo, em cites de praça a praça e cravando alguns ferros. Por mim fico-me com o de palmo com que encerrou a lide, em sorte frontal muito bem executada e com reunião muito justa.

  • 5 de Outubro – Marcelo Mendes – Vila Franca de Xira

Marcelo Mendes lidou bem o toireco segundo da tarde, sem trapio e bizco do piton direito. Esteve diligente na brega e cravou bons ferros curtos. Contudo seria no sexto da tarde/noite que assinaria um rotundo triunfo, pela forma como lidou e cravou a ferragem, colocando-se bem de frente, pisando os terrenos do toiro em entradas ao piton contrário e cravando muito bem, entre os fortes aplausos do público. Foi uma actuação redonda de Marcelo Mendes frente a um toiro com muita presença e enraçado nas suas investidas.

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Boa noite, ou boa tarde, sejam bem-vindos a este espaço de opinião.

Um espaço que semanalmente pode seguir no barreiradesombra.blogspot.sapo.pt, e ouvir, aqui, na www.FeelFm.pt.

          Vi e revi, com muita atenção, e alguma curiosidade, o programa que recentemente passou na TVI, no seu canal mais radical.

O 'Infiltrado, assim se chama, ou chamou o programa, que criou expectativa, e foi tão diabolizado por certos meios taurinos nacionais. Afinal, não passou de um bom, e refinado, programa de humor. Humor fino, e porque não dizer, humor refinado, sagaz, perspicaz, saudável, onde a figura do “Infiltrado” era, na verdade, conhecida e reconhecida de todos. De todos, isto é, de muitos. - Só um parêntesis: - não conheço o jornalista, nem tenho nenhuma ligação com a TVI. 

O programa, ao que parecia, isto é, a fazer fé nas trovejantes parangonas dos meios noticiosos dedicados a coisas da festa dos toiros, o 'Infiltrado', era um programa, um trabalho, que ia fazer muito mal à Festa, ao campeonato tauromáquico nacional. E isso, o mal que isso ia fazer, que faria, iria fazer mover montanhas de espúrias declarações inflamadas, ataques ferozes dos anti-tauromaquia. Era, a creditar nestas 'câmaras de ressonância' dos 'puros' taurinos cá da paróquia, um programa de 'afronta', o acto capaz de desinfestar doridas honras ofendidas, que motivava prantos de coitadinhos enganados, um gesto, a que os ditos 'donos' da 'verdade' da Festa, 'exigiam' fosse dada uma resposta adequada. Era chegada a hora dos 'puros' se baterem contra os 'infiéis'. O lirismo luso na sua plenitude mais profunda.

Isto o que por aí se lia e ouvia. Afinal, como do costume, tudo não passou de um equívoco, uma dor suportável. Nem os 'puros' saíram do seu confortável aconchego, nem os 'infiéis' apareceram a reivindicar glória. E como um, mais um, são dois, visto e revisto o 'Infiltrado', quem ganhou, quem saiu a ganhar, foi a Festa dos Toiros.

Assente o pó, quedemo-nos então pelo que se viu e ouviu no tal programa 'Infiltrado' de seu nome, e pela boa contribuição que aportou para a Festa, desfazendo mitos, abrindo a outros públicos... e deixando baralhados os anti-quase tudo.

Ora, isso, pelos vistos, o tal programa 'Infiltrado', mais não foi que uma forma bem humorada de um jovem jornalista fazer uma incursão no mundo dos toiros. Apresentou-se, perguntou, pediu para ver, ouvir, e  mostrou o que daí resultou. Não gostaram alguns do que viram ou ouviram!? É um problema deles. Parece que foi isso o que pensaram os menos dados a saberem como reagem os 'puristas' da Festa. Enganaram-se quando lhes serviram de porta-vozes certos 'virtuosos' da pena e do bit. Isso, 'um barulhinho', era o que muitos pensavam, e queriam, mas que fossem outros fazerem-no, para bem da sua conhecida 'pureza' taurina, da sua envergonhada 'ousadia', do seu 'escondido' amor à Tradição e Cultura tauromáquica. Um amor que os leva a 'profundos' debates entre copos, quase sempre, rematados nos 'profundos' saberes da sobremesa, onde as tricas são digestivo. Como não aconteceu o tal 'barulhinho', o pó das suas fidalgas e nobres 'tradições', regressou ao pó da sua fidalga pesporrência.

Como disse, vi e revi o tal programa, o 'Infiltrado'. E o que vi, ou quem viu, sem preconceito, com olhos de 'querer ver', com bom senso, desprendida emoção, viu um  trabalho televisivo, um trabalho jornalístico, bem feito, com fino gosto opinativo,  que soube seguir o que foi ouvindo o que lhe diziam, soube traduzir e refletir em voz alta sobre o que ouvia e via, jogando com alegria o jogo que lhe foi proposto, sem ofensa, com humor. Respeitou o meio taurino, separou 'aguas' entre o seu gosto, o gosto dos que gostam, os gostos da 'moda', dos que vivem da Festa, os que vivem na Festa.  Soube ser e estar, ouvir e filmar. Se disser que o 'Infiltrado' fez mais pela Festa que muitos que por dentro dela se movem, penso não estar a dizer nada que fuja ao essencial que não se saiba.

Que o 'Infiltrado' foi um bom exercício de jornalismo, feito com gente, para gente que sabe ver e ouvir os outros, é o mínimo como se lhe pode consagrar. Que fez mais pela Festa dos Toiros na opinião pública, que muito boa gente, que há muitos por aqui desanda, é só saírem dos 'ruedos' onde se movem, e ouvirem o 'outro mundillo', dos que pagam as entradas, dos que vão aos toiros, porque gostam, sem pretensões, conexões, ou comichões. Por isso, venham de lá mais 'Infiltrados' como este, feitos com humor, com sabor, e os anti, em vez de se despirem para reclamarem a atenção que não têm, passam a andarem de gabardina em pleno Verão. Ou então, como já fazem, vão aborrecer outros, neste caso, os circos. Se calhar pensam que os animais que deslumbra a criançada, são seus directos concorrentes.

 Por hoje é tudo. Até para a semana.          

 

José Andrade

Portugal é um país onde o espectáculo tauromáquico está baseado no toureio a cavalo e na figura do forcado, tendo o toureio a pé vindo paulatinamente a perder lugar nos cartéis desde finais dos anos 80 do século passado, ou seja, nos últimos 30 anos.

Se até aos anos 80 muitos eram os matadores estrangeiros que se faziam anunciar nas principais praças do país, fruto do trabalho construído desde os tempos do saudoso Manuel dos Santos e que alguns bons empresários souberam seguir e aproveitar. Em Lisboa muito particularmente, tourearam as grandes figuras dos anos 80 e 90, as quais fizeram esgotar ou deixar muito próximo disso os mais de 7000 lugares do Campo Pequeno. E em cartéis de máxima competição entre as duas vertentes.

Nos ambos 80/90 assistiu-se a uma clara proliferação do toureio a cavalo e à diminuição de espectáculos com toureio a pé, salvo raras e contadas excepções que foram de êxito nessas tardes e noites de toiros.

Com a morte de José Falcão, há 40 anos, Portugal esperou muito tempo para voltar a ter um matador com projecção internacional. Foi ele Vítor Mendes. Bastantes anos depois, e com outros matadores pelo meio, surgiu um novilheiro que, toureando ainda sem picadores, já dava que falar e que poderia ter sido um toureiro de projecção mundial e capaz de, pela sua qualidade, dar uma outra dimensão ao nome de Portugal e do toureio a pé. Pedrito de Portugal, é dele que falamos, conseguiu que o poder político sempre tão reacionário à questão toiro, abrisse excepções para que se picassem os toiros, mas ficou preso num limbo inexplicável.

E depois dele, o valor de todos os que se tornaram matadores ou os que continuam como novilheiros na esperança de um dia serem matadores, não foi suficiente para dar um novo safanão nas consciências e projectar de novo o toureio a pé para o lugar que merece. Toureio a pé de que o público gosta, que quer ver nas suas praças com a qualidade e seriedade que deve ter, com a competição entre cavaleiros e matadores que deve existir, o que faria com que essa fatia de público regressasse às praças.

Será que os empresários têm visão para compreender esta necessidade? Na apresentação dos cartéis 2014 em Lisboa, Rui Bento deu a entender que os cavaleiros não querem participar nas corridas mistas. Porque será? Já foram confrontados com esta situação? Parece que não e que ninguém quer perder as publicidades nos sites e blogues…

Um cavaleiro por diante de dois matadores, ou mesmo dois cavaleiros e dois matadores, foram a chave de sucesso de muitas temporadas e de muitas praças. Havia competição, havia diversidade e todos queriam sair por cima, triunfar!!!

Não é assim que se cria a competição? É claro que sim. Mas também é muito mais cómodo para os cavaleiros serem 3 a lidar os seis toiros, não apertando à séria uns com os outros até porque irão tourear juntos mais 20 ou 30 vezes, nem sempre por mérito mas pelas trocas entre apoderados que são empresários e vice-versa, todos interessados nas comissõzitas que vão cobrar por ridículas que elas sejam (são em percentagem do cahcet cobrado, certo?). Até nos anunciados mano-a-mano tudo começa com beijinhos e abraços…

Tem de haver uma clara aposta na corrida mista, com seriedade na escolha dos toiuros, com toureiros que vão à luta e estejam dispostos a dar a cara, sob pena de não haver público em massa nas nossas praças para sustentar o espectáculo.

E já agora, repararam que já na fase final da temporada, quando se começou a falar em balanços, seja o toureio a pé a ser referido mais vezes? Da seriedade dos toiros do Colete Encarnado em Vila Franca e a atitude de António João Ferreira e Nuno Casquinha…, de Diogo Peseiro e António Ferrera em Abiúl…, de Diego Garrido no Campo Pequeno, ou do jovem Luis Miguel Naharro na Moita! Pois é.

Mostramos as fotos do cavaleiro João Ribeiro Telles e do matador espanhol Daniel Luque, que esteve na Herdade da Torrinha, na semana passada, a convite do cavaleiro da Torrinha, agora que findou a temporada taurina de ambos.

 

Em dois dias de campo João Ribeiro Telles e Daniel Luque repartiram várias faenas camperas como acosso e derribo, além de treino na praça de tentas.

 

Daniel Luque, um apaixonado do cavalo e do toureio equestre, não perdeu a oportunidade de tourear a cavalo com os cavalos de João Ribeiro Telles. 

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O matador de toiros Nuno Casquinha informa todos os aficionados que não fará campanha americana neste inverno.

Apesar das ofertas recebidas, as quais o matador agradece, decidiu no entanto ficar na Europa e preparar assim a temporada 2015, que pretende que seja a da sua consolidação.


Muito obrigado a todos.

 

Imprensa Nuno Casquinha

Caro Director;

Eis-nos chegados, oficialmente, ao final da temporada de 2014.

Em meu nome pessoal e em nome da Direcção de Tauromaquia da Sociedade de Renovação Urbana do Campo Pequeno, SA, quero agradecer a divulgação das noticias e das criticas que publicou sobre a nossa actividade, certo de que as mesmas constituíram factores chave de sucesso para os resultados alcançados.

Cumprimenta,

Rui Bento

Director de Actividades Tauromáquicas da

SRUCP, SA”

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