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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

S. ROMÃO DA UCHA - BARCELOS 22 DE JUNHO DE 2014 - TRIUNFO DO PÚBLICO... QUANDO A CHUVA INCOMODA.

23.06.14 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Freguesia do concelho de Barcelos, de onde dista cerca de 10 kms, S. Romão da Ucha, situada na margem direita do Rio Cávado, é uma típica mistura de polo industrial onde pontificam as malhas e a confeção, e um incipiente mundo rural.  Misto de povoação muito característico na região entre o Douro e o Cávado, S. Romão da Ucha, descende de castreja povoação, um legado histórico da sua fundação, tem cerca de mil e setecentos habitantes, e foi neste primeiro domingo de Verão, palco de uma Corrida de Toiros.

 

E o cartel proposto para lidar toiros da ganadaria de José Pereira Palha, era composto pelos cavaleiros profissionais, Joaquim Bastinhas e Marcos Bastinhas, e pela cavaleira praticante Cláudia Almeida, ficando as pegas a cargo do Grupo de Forcados Amadores de Coimbra, capitaneados por Luís Pires dos Santos.

 

Com o público a preencher mais de meia lotação da praça desmontável, a tarde do primeiro domingo de Verão, apresentou-se quente, mas com o céu muito carregado, prenúncio de chuva, que acabou mesmo por acontecer.

 

Um bátega de chuva que aconteceu em crescendo, e de tão forte ao fim da lide do terceiro novilho, o que tocou em sorte a Cláudia Almeida, levou a que o festejo tivesse de ser mesmo dado por terminado.

 

E se a chuva foi um incómodo, serviu, mais uma vez, para demonstrar a aficion e o valor das gentes do Norte quando se dispõem a ver toiros. Numa tarde cinzenta e molhada, mais uma vez o público aguentou o impensável. Se há que destacar alguma coisa, alguém, nesta corrida de S. Romão da Ucha, o destaque, o triunfo, pela coragem e pela determinação, é dos aficionados, do público. Um público que estoicamente, com civilidade, suportou mais de quarenta minutos de chuva, só se retirando, quando foi pelo sistema sonoro anunciado que, devido a não estarem reunidas condições no piso da arena que permitissem a lide dos dois toiros que completavam os cinco anunciados, por decisão dos artistas e organizadores, o espectáculo não continuaria. Valentes aficionados. Parabéns uchalenses.

 

Na parte artística, Joaquim Bastinhas, como mais antigo, abriu praça, lidando um bonito exemplar, com presença, trapio e raça, numa lide que já tem alinhamento conhecido, e rubrica reconhecida, rematada com um par a duas mãos, por dentro, de muito mérito e valor.

Pegou, à primeira, recuando e aguentando um toiro que tinha força e cabeça alta, o cabo, Luís Pires dos Santos, bem ajudado, e com o grupo a fechar com tempo.

 

Marcos Bastinhas, depois de dois compridos a dizer quem mandava na lide, compôs a primeira série de curtos, três, com entradas ao piton contrário, mudando de montada, para cravar um bom curto, um de palmo, rematando com um par a duas mãos, por dentro.

Pegou, há quarta tentativa, por desacertos no recuo e nas ajudas, David Rodrigues, forcado do Grupo de Coimbra, um uchalense, um filho da terra.

 

Foi já com chuva que se iniciou a actuação da cavaleira praticante, Cláudia Almeida.

Voluntariosa, mas segura, a menina soube superar logo após os dois compridos da ordem, o natural nervosismo que naturalmente se demonstra e aceita. Esteve com o público, e o público esteve com ela, uma empatia que ajuda muito, e que aqui, até o novilho da ganadaria de José Pereira Palha, não quis deixar de participar e colaborar, aguentando cerca de sete ferros.

Pegou à primeira, com valor e uma boa ajuda, Edgar Graciano.

 

 Dirigiu como Delegado da IGAC, com acerto, ponderação e sensibilidade, o senhor, Francisco Calado, que teve como Assessor Técnico Veterinário o dr. Manuel Lourenço.

 

José Andrade

TERTÚLIA O PIRIQUITA ENTREGOU PRÉMIOS

23.06.14 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Foi na aficionada vila de Arruda dos Vinhos que se realizou mais uma Gala da Tertúlia O Piriquita. Pelo nono ano consecutivo, a tertúlia galardoou os triunfadores desta temporada.

 

O jovem cavaleiro praticante, João Salgueiro da Costa, foi distinguido com o troféu de "Melhor Lide a cavalo". A "Melhor Pega" da temporada  foi da autoria de João Ramalho, do Grupo de Forcados Amadores de Montemor. O "Melhor Toiro" pertenceu à Ganadaria Palha. Nesta gala, foram ainda premiados, com o troféu "Piriquitos de Honra", a Empresa Tauroleve e a Tertúlia Tauromáquica Terceirense.

 

O grande homenageado da noite foi João Queiroz, jornalista e Director da revista Novo Burladero, que foi condecorado com o "Prémio Carreira". O reconhecimento surge numa altura em que a renomeada publicação tauromáquica comemora 35 anos de existência.

 

A gala deste ano teve certamente um sabor especial para a nossa tertúlia, representou o fim de um ciclo em que comandámos os destinos da praça de toiros de Arruda dos Vinhos.

 

Depois de quase uma década de trabalho, a Tertúlia O Piriquita não concordou com os critérios e condições de adjudicação da praça de toiros de Arruda dos Vinhos. Ao fim de oito anos, decidimos, então, pôr fim a este ciclo e não concorremos à adjudicação da praça.

 

Foram oito anos a vestir a camisola. Oito anos de suor, dedicação e entrega. Com o mais puro sentimento de dever cumprido, resta olhar para trás e enaltecer tudo aquilo que foi conquistado ao longo deste anos.

 

Em 2006, o projecto era ambicioso. Tornar esta vila numa referência incontornável da tauromaquia nacional e internacional, trazendo e levando a cultura tauromáquica além fronteiras. Queríamos que Arruda dos Vinhos deixasse de ter apenas uma dimensão local e regional.

 

Organizar espectáculos de promoção da cultura taurina, que apoiassem os jovens portugueses e os ajudassem na concretização dos seus sonhos, dando uma nova alma a esta histórica praça de toiros, eram os grandes objectivos da tertúlia. Um projecto assim só poderia revelar-se vitorioso.

 

Em Junho de 2006, começava então o nosso desafio à frente da praça de toiros de Arruda dos Vinhos. Foi uma estreia memorável. O I Intercâmbio de Cultura Taurina ficou marcado pela actuação inédita da banda de música da Real Maestranza de Sevilha, que pela primeira vez tocou fora da sua praça de toiros num espectáculo taurino. Foi em Arruda e numa novilhada de promoção. Este facto mostra o respeito que a tertúlia demonstra na organização destes espectáculos de apoio aos jovens. Ou seja, para que sejam verdadeiras oportunidades todos os pormenores e detalhes são importantes. Arruda dos Vinhos abria finalmente as portas ao mundo taurino.

 

Nesse mesmo ano assinámos um protocolo com a Escola Taurina de Sevilha, que ofereceu a alguns jovens toureiros portugueses a possibilidade de tourearem numa das mais emblemáticas praças de touros do mundo: a Real Maestranza de Sevilha.

 

Em pouco tempo multiplicaram-se as parcerias com as mais importantes escolas de toureio de Espanha, França, México e Peru. O nome de Arruda dos Vinhos começava a percorrer os quatro cantos do mundo, levando consigo a tradição, a aficcion e a cultura taurina que a ela são inerentes. Madrid, Barcelona, Sevilha, Málaga, Salamanca, Nimes, Arles e Aguascalientes foram alguns dos sítios que abriram as portas das suas praças para verem os jovens toureiros portugueses mostrarem a sua mestria. Talvez, este tenha sido o aspecto de maior transcendência do trabalho da nossa tertúlia; colocar tantos jovens portugueses a tourear nestas praças tão importantes.

 

Ao longo de oito anos, foram diversas as iniciativas que promoveram a cultura taurina junto da juventude, desde colóquios, concertos e merecidas homenagens. Arruda dos Vinhos foi agraciada com algumas das mais altas referências da tauromaquia mundial. Victorino Martin, D. Eduardo Miura, José Carlos Arévalo, Juan António Espartaco e Joselito ficarão para sempre indissociáveis da história desta terra.

 

Por Arruda dos Vinhos passaram centenas de jovens, provenientes das mais diversas escolas de toureio do mundo. Jovens esses que hoje em dia toureiam em algumas das mais importantes praças e atingiram um reconhecimento internacional.

 

O Encontro Internacional de Escolas Taurinas, organizado em parceria com a empresa do Campo Pequeno é, sem dúvida, uma referência mundial.

 

A Arruda dos Vinhos chegaram grandes maestros do passado, figuras intrínsecas à história do toureio. Nos diversos festivais que organizámos, juntaram-se nomes como José Júlio, Espartaco, Ortega Cano, Pepin Liria, Fundi, Ferrera, Padilha, Vitor Mendes, entre muitos outros.

 

A 17 de Agosto de 2013, despedimo-nos da praça de Arruda com um espectáculo de toureio grandioso que ficará para sempre escrito na sua história. Reuniram-se nesta noite, imponentes toiros, daquelas que são consideradas as mais emblemáticas ganadarias. Toiros da Ganadaria Miura, Victorino Martin, Cebada Gago, Palha, Oliveira Irmãos e Murteira Grave fundiram-se para fazer desta uma corrida memorável.

 

Na Comemoração dos 20 anos, a nossa tertúlia, em uníssono com a Câmara Municipal, ofereceu à praça de toiros um oratório em honra de Nossa Senhora da Salvação, a Santa padroeira de Arruda dos Vinhos.

 

De cabeça erguida, coração cheio e um orgulho desmesurável, podemos afirmar que conquistámos aquilo que, tal como canta Mafalda Veiga, só conquista "quem não tem medo de naufragar".

 

E talvez por isso, foram muitas as vozes que se elevaram para admirar como uma vila como Arruda dos Vinhos conseguiu organizar eventos de tamanha grandeza, trazendo para eles grandes referências do mundo tauromáquico e lidando toiros das ganadarias mais importantes do mundo. A todas essas vozes, sempre respondemos que a dimensão das coisas não está no seu tamanho mas sim na entrega e sentimento que são depositados nelas.

 

Com um orgulho desmedido nesta terra, lutámos sempre para defender e honrar os valores e as raízes taurinas de Arrudas dos Vinhos.

 

Esta caminhada de oito anos foi feita com o contributo precioso de figuras que ficarão para sempre ligadas a esta jornada à frente da praça de toiros. É assim que a Tertúlia O Piriquita agradece ao empresário Vasco Durão, à empresa do Campo Pequeno na pessoa de  Rui Bento Vasques e a Ricardo Levezinho por toda a colaboração e apoio sempre prestado, pois sem eles, nada disto seria possível.

 

Sem esquecer todos os ganaderos que colaboraram ao longo destes anos, reconhecemos ainda o contributo valioso dado pelo anterior executivo municipal no apoio prestado às nossas actividades.

 

Neste que será o principio de um novo ciclo, resta assegurar que estaremos sempre ao dispor da actual Câmara Municipal  para tudo aquilo que possa  valorizar a cultura taurina  de Arruda dos Vinhos.

 

Pedro Faria – Tertúlia O Piriquita

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ÀS VOLTAS COM O NOVO REGULAMENTO DO ESPECTÁCULO TAUROMÁQUICO (DL Nº.89/2014, DE 11 DE JUNHO)

22.06.14 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Tal como havíamos referido aquando da publicação em Diário da República do novo Regulamento do Espectáculo Tauromáquico, a seguir RET, inserido no Decreto-Lei nº. 89/2014 (Diário da República, 1ª. Série, Nº. 111, de 11 de junho de 2014), iriamos dar umas voltas pelo texto legislativo e dar a conhecer algumas novas normas e definições (que não estavam plasmadas no outro RET) e também fazendo alguns comentários. A metodologia adoptada foi a seguinte: damos a conhecer o texto legal e comentamos logo a seguir o que sublinhamos a negrito. Como todo o texto legal, a sua vida ditará a necessidade de alterações e correcções decorrentes da sua aplicação mas a verdade manda que se diga que algumas expressões que existem no novo texto… não deviam de lá estar.

 

“Capítulo I

Artigo 3º - Definições

1 — Para efeitos do presente regulamento, consideram- -se:

a) «Artistas», os indivíduos que, em espetáculos tauromáquicos, exercem a atividade nas modalidades de atuação a que corresponde uma das categorias legalmente previstas;

b) «Auxiliares», os moços de espada, os emboladores e os campinos;

c) «Avisador», o elemento, indicado pelo promotor, que funciona como adjunto do diretor de corrida para exercer, entre barreiras, a função de interlocutor no decurso dos espetáculos tauromáquicos;

d) «Cabeças de cartaz», os cavaleiros, cavaleiros praticantes, «matadores de toiros», novilheiros, novilheiros praticantes, grupos de forcados, cavaleiros amadores e novilheiros amadores;

e) «Corridas de toiros», os espetáculos tauromáquicos em que atuam cavaleiros ou «matadores de toiros», ou ainda os espetáculos tauromáquicos em que atuam cavaleiros e cavaleiros praticantes ou «matadores de toiros» e novilheiros, desde que os cavaleiros praticantes ou os novilheiros sejam em número igual ou inferior, respetivamente, ao número de cavaleiros ou de «matadores de toiros» e as reses obedeçam às características previstas no presente regulamento;

f) «Corridas mistas», os espetáculos tauromáquicos em que atuam cavaleiros e «matadores de toiros», podendo também atuar cavaleiros praticantes e novilheiros, desde que o número destes seja igual ou inferior, respetivamente, ao número de cavaleiros e ao de «matadores de toiros» e as reses obedeçam às características previstas no presente regulamento;

g) «Cortesias», o desfile dos intervenientes no espetáculo para saudação da direção e apresentação ao público;

h) «Elenco artístico», o conjunto dos cabeças de cartaz que atuam em cada espetáculo tauromáquico;

i) «Festivais tauromáquicos», os espetáculos tauromáquicos que se destinam, comprovadamente, a angariar receitas para fins de beneficência, onde podem atuar artistas tauromáquicos profissionais com diversas categorias e artistas amadores em distintas modalidades de lide e as reses se encontrem inscritas no Livro Genealógico Português dos Bovinos da Raça Brava de Lide;

j) «Novilhadas», os espetáculos tauromáquicos em que atuam novilheiros e, ou, cavaleiros praticantes, podendo também atuar novilheiros praticantes, desde que em número igual ou inferior ao dos novilheiros e as reses obedeçam às características previstas no presente regulamento;

k) «Novilhadas populares», os espetáculos tauromáquicos em que atuam novilheiros praticantes, podendo também atuar cavaleiros praticantes, bem como amadores a pé e a cavalo, desde que em número inferior ao dos praticantes e as reses obedeçam às características previstas no presente regulamento;

l) «Quadrilha», o conjunto de artistas que coadjuvam os cabeças de cartaz nas suas atuações, nomeadamente os bandarilheiros e os bandarilheiros praticantes;

m) «Traje curto», o traje de campo, genericamente constituído por jaqueta, calças e chapéu de abas direitas;

n) «Traje de luzes», o traje genericamente constituído por montera, coleta com castañeta, gravata, jaqueta, colete, faixa, capote de passeio, calção e sapatilhas pretas;

o) «Traje tradicional de cavaleiro», o traje genericamente constituído por tricórnio preto enfeitado com plumas brancas e medalhão na face esquerda, camisa branca com plastron, casaca com renda nos punhos, calção justo, meia até ao joelho, bota preta de salto de prateleira e esporas;

p) «Variedades taurinas», os espetáculos tauromáquicos em que atuam artistas tauromáquicos amadores e, ou, toureiros cómicos, e as reses obedeçam às características previstas no presente regulamento.

 

2 — As corridas de toiros com toureio a cavalo podem ser designadas «corridas à portuguesa» ou «corridas de gala à antiga portuguesa», as quais, neste segundo caso, se realizam segundo a tradição, com maior pompa, e envolvem a utilização de coches, pajens e charameleiros e demais figurantes e usos da época.”

 

Comentário: a inclusão na normativa legal das definições respeitantes aos trajes é de extrema importância para que a história e a tradição sejam respeitadas e se evitem um conjunto de atropelos que ao longo dos últimos anos se vinham a verificar com bastante regularidade (vidé a alternativa de Jacobo Botero, com traje de rejoneador).

 

No Capítulo II – Fiscalização, controle e direção, há um interessante conjunto de alterações nomeadamente no que diz respeitos aos Delegados técnicos tauromáquicos, logo a seguir denominados directores de corrida a também no aumento das competências do médico veterinário.

 

Vejamos então a normativa legal:

“SECÇÃO II - Direção do espetáculo

 

Artigo 5.º Delegados técnicos tauromáquicos

1 — São delegados técnicos tauromáquicos, os diretores de corrida e os médicos veterinários, que exercem funções na qualidade de representantes locais da IGAC.

2 — A direção dos espetáculos tauromáquicos é exercida por um diretor de corrida, que é assessorado por um médico veterinário e coadjuvado por um avisador, designados pela IGAC. 3 — Na falta ou impedimento do diretor de corrida, as suas funções são exercidas pelo médico veterinário, caso este aceite exercer essa função.

4 — Na falta ou impedimento do médico veterinário, o promotor do espetáculo deve assegurar a sua substituição por outro médico veterinário.

 5 — A inclusão no corpo de delegados técnicos tauromáquicos é feita a requerimento do interessado à IGAC, na sequência de abertura de procedimento para a prestação de serviços na modalidade de tarefa, sujeito à verificação dos seguintes requisitos:

a) Ter idade superior a 25 anos;

b) Ser detentor dos conhecimentos necessários ao exercício das funções, aferidos da seguinte forma:

i) Para os diretores de corrida, o 12.º ano de escolaridade ou equivalente, aprovação em prova escrita de conhecimentos, entrevista de seleção e avaliação presencial;

ii) Para os médicos veterinários, inscrição válida na Ordem dos Médicos Veterinários, entrevista de seleção e avaliação presencial.” (…)

 

Comentário: Sem ter nada de especial a redacção deste artigo, é importante no campo da transparência sobre a admissão e concurso para delegados técnicos tauromáquicos e os requisitos a que terão de obedecer.

 

“Artigo 7.º Competências do diretor de corrida

Incumbe ao diretor de corrida:

(…)

h) Determinar o impedimento da realização do espetáculo, quando se verifique qualquer das causas previstas no presente regulamento, e comunicar a decisão ao promotor do espetáculo e à autoridade policial;

(…)

o) Autorizar a volta à arena, mediante a apresentação, respetivamente, de um lenço de cor branca aos toureiros, um lenço de cor castanha aos forcados e um lenço de cor azul aos ganadeiros ou aos seus representantes;”(…)

 

Comentário: Duas inovações importantes, e para as quais é crucial chamar a atenção dos aficionados dadas as implicações nomeadamente da segunda nas célebres “voltas à arena por contrato”. A determinação de impedimento de realização do espectáculo está sujeita a importante conjunto de regras que terão de ser verificadas e que estão no Capítulo IV, nos Artigos 19º e 20º, nomeadamente.

 

Quanto às voltas à arena, estas passarão a ser autorizadas após a apresentação de lenços com cores diferentes como prevê a alínea o). Nada se refere quanto à necessidade de petição popular para que os delegados técnicos tauromáquicos – como sucede noutros países com espectáculos tauromáquicos – saquem do respectivo lenço e autorizem o corte de troféus (que não existem em Portugal e por isso se justifica a volta como prémio). Penso que o bom senso imperará e os directores de corrida o façam apenas depois da petição popular expressa por palmas.

 

E para terminarmos esta nossa segunda análise, que prosseguirá até chegarmos ao fim do texto legal, também os veterinários passam a ter mais incumbências, nomeadamente na questão abate das reses.

 

“Artigo 8.º Competências do médico veterinário

 

1 — Incumbe ao médico veterinário:

a) Verificar toda a documentação de identificação, registo, circulação e transporte das reses, de acordo com a legislação aplicável;

b) Proceder, na presença do diretor de corrida, à inspeção e aprovação das reses a lidar;

c) Entregar ao diretor de corrida o certificado de inspeção às reses, até três horas antes do início do sorteio, ou em caso de rejeição de reses, com substituição, até quatro horas antes do início do espetáculo;

d) Verificar, na presença do diretor de corrida, do pro- motor do espetáculo ou do seu representante e de um representante da ganadaria, o peso das reses, o ferro da ganadaria, o número da rês aposta no costado e o ano aposto na espádua;

e) Assistir ao sorteio das reses;

f) Assistir, na presença do diretor de corrida, ao trabalho de despontar das hastes e de embolador;

g) Verificar as condições de transporte, descarga e alojamento dos animais;

h) Entregar ao diretor de corrida o documento de registo das ocorrências verificadas;

i) Assessorar o diretor de corrida, emitindo parecer sobre todos os assuntos a que for chamado a pronunciar -se no âmbito da sua competência técnica.

 

2 — O abate em curro deve ser executado ou controlado por um médico veterinário ou técnico indicado ou designado pela DGAV, sendo os respetivos custos suportados pelo promotor do espetáculo.”

 

(continua)

HONRA E GLÓRIA AO TOUREIO A PÉ. ENORME FAENA DE JOSÉ GARRIDO. GRANDE ACTUAÇÃO DE ROUXINOL JR A ENCERRAR PRAÇA

20.06.14 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Praça de Toiros do Campo Pequeno – 19.06.14               

Director: Manuel Gama – Veterinário: Jorge Moreira da Silva – Lotação: ¼

Cavaleiros: Manuel Vacas de Carvalho, Luis Rouxinol Jr

Forcados: Amadores de Arruda dos Vinhos

Novilheiros: José Garrido, Diogo Peseiro

Ganadaria: Murteira Grave

 

HONRA E GLÓRIA AO TOUREIO A PÉ. ENORME FAENA DE JOSÉ GARRIDO. GRANDE ACTUAÇÃO DE ROUXINOL JR A ENCERRAR PRAÇA

 

Se uns quantos passam a vida a dizer que o toureio a pé isto e aquilo, a verdade é que quando é bem executado, e neste caso superiormente executado, com emoção, com arte e profundidade, o público reage aplaudindo com força e até de pé como foi o caso no quarto da noite com José Garrido. Honra e Glória ao bom toureio a pé que teve o condão de aquecer – e de que forma – as bancadas – com uma faena enorme de Garrido a um novilho-toiro de Murteira Grave que transmitiu a rodos, com investidas emotivas e deixou a todos empolgados.

 

José Garrido teve uma actuação de bom nível naquele que foi segundo da noite, recebido com boas verónicas e um quite por cingidas chicuelinas. A faena de muleta teve bastante qualidade, por ambos os pitóns, com alguns naturais profundos, de muita classe e toreria, assim como foram pintureros os remates com passes de trincheira, de cartaz de toiros. Na fase final da faena, e com um toureio mais encimista, fez as delícias dos que gostam desse tipo de afirmação toureira. Mas foi no quarto da ordem  que Garrido nos transportou para a outra dimensão do toureio, inventando toiro e faena, pois o exemplar de Grave saiu algo solto e só à voz se fixava nos lances á verónica. Melhorou, e muito, após o tércio de bandarilhas e Garrido, com um início muito forte a dominar por baixo e a metê-lo na muleta disse-lhe que só tinha uma opção: investir por onde lhe colocasse a muleta. E o novilho-toiro, pleno de raça e de casta, investiu com emoção por ambos os pitóns, obrigando o toureiro a colocar-se para lhe poder com essas investidas. E se existiu alegria e raça nas investidas o bom toureio de muleta teve momentos brilhantes, de enorme classe e profundidade e o jovem novilheiro merecia a saída em ombros. Ovação para o exemplar de Grave que voltou para o campo a indicação do seu dono que deu justa volta acompanhando o novilheiro.

 

Diogo Peseiro esteve bem no seu primeiro que recebeu com verónicas e ao qual cravou três bons pares de bandarilhas. A faena de muleta teve interesse, nomeadamente nas séries pelo lado direito em que compôs bem a figura, se colocou bem e levou os muletazos largos e templados, com alguns bons naturais de permeio. A faena teve alguma intensidade, com o jovem toureiro a mostrar a sua garra e a “agarrar” o público pela forma como soube sacar os muletazos. No que foi quinto da ordem, menos bom que o seu primeiro mas que exigia que lhe desse tempo para respirar e se recompor após cada série, o que Peseiro nem sempre fez, colocou-se de joelhos à porta-gaiola para receber este exemplar e mostrar que estava ali para triunfar. A faena de muleta teve momentos altos a par de outros de menor intensidade, registando alguns naturais e derechazos de boa nota.

 

Abriu praça o cavaleiro praticante Manuel Vacas de Carvalho que começou por estar pouco acertado nos compridos, demasiado descaídos dois deles. Mas a série de curtos teve alguns de boa nota, com entradas frontais, ferros no sítio e rematando a sua actuação com dois de violino que foram do agrado do público.

 

Luis Rouxinol Jr que se viu impedido de prestar provas para cavaleiro praticante por não ter 18 anos ou o 12º ano completo, foi o triunfador no que ao toureio equestre concerne. Moralizado, com raça e muita entrega, depois de deixar os compridos foi em crescendo a brega, de enorme classe e de muita proximidade a aguentar o novilho-toiro, provocando fortes aplausos nas bancadas. A série de curtos foi de muito boa nota e Luis André conseguiu grandes momentos que o público sublinhou com fortes aplausos. Triunfo forte em Lisboa, deixando mais portas abertas.

 

Os Forcados Amadores de Arruda dos Vinhos efectuaram duas boas pegas de caras por intermédio de Bruno Silva e Rodolfo Costa, com destaque para a efectuada ao último da corrida em que foi preciso pisar os terrenos do toiro para o obrigar a investir.

 

O curro de novilhos-toiros de Murteira Grave, muito bem apresentado, teve os seus melhores exemplares nos lidados em 2º, 4º e 6º lugares, sendo merecida e justificada a volta á arena do Dr. Joaquim Grave após a lide do 4º da noite, que foi para o campo.

 

Boa direcção de corrida de Manuel Gama, assessorado pelo veterinário Jorge Moreira da Silva.

NOVILHOS MURTEIRA GRAVE PARA A NOVILHADA DE AMANHÃ NO CAMPO PEQUENO

18.06.14 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Estas são as fotos de 6 novilhos do curro Murteira Grave que amanhã lidará a novilhada do Campo Pequeno. 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Programa da Corrida (detalhado) pode ser consultado no site taurino do Campo Pequeno www.campopequenotauromaquia.com, no menu Agenda, ou em http://www.campopequenotauromaquia.com/agenda.php?id=8  

 

Informa: Campo Pequeno

Fotos: Francisco Romeiras