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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

Este livro recolhe, em edição de 1971, um vasto conjunto de trabalhos deste insigne aficionado, e em que muitos deles datam de meados dos anos cinquenta do século passado e foram publicados no jornal «Festa». É mais um dos livros de enorme interesse para o aficionado e decidi escolher para todos vós alguns trechos do artigo de fundo intitulado «As cinco linhas puras da tauromaquia», a páginas 125 e seguintes.

“Sol, Touros, Alegria –

- e um pouco de Fantasia!

 

O conceito de escola em tauromaquia sempre se me afigurou uma fórmula inexpressiva para definir a personalidade dos toureiros – e mais ainda, para acompanhar a feição artística do toureio na sua evolução através do tempo.

 

É possível que numa época recuada bastassem as expressões de toureio de Sevilha «movido, floriado, alegre e de pernas» e de toureio de Ronda: «sóbrio, sério, parado e de braços», quando a lide era mais simples e o berço da maior parte dos toureiros estava quase circunscrito à Andaluzia. Os toureiros seguiam então os princípios e as maneiras dos mestres: e estes, por seu turno, reflectiam o carácter dos povos das regiões da sua naturalidade. (…)

Penso que  a forma de executar o toureio, é acima de tudo, uma interpretação pessoal, produto da maneira de entender e sentir a arte de tourear.

 

Depende portanto também dum conjunto complexo de factores: recursos, inteligência, intuição, valentia, temperamento, sensibilidade, inspiração, que condicionam o estilo e definem a personalidade. (…)

 

Parece-me, no entanto, que do ponto de vista taurino há alguma vantagem em separar os toureiros segundo as suas divergências e reuni-los de acordo com as suas analogias. Um tal critério de arrumo facilita não só o conhecimento dos seus caracteres dominantes e possibilidades efectivas, mas também a compreensão de certas ocorrências que se originam e gravitam em torno da festa brava.

 

Por exemplo, a crítica duma corrida, as exigências do aficionado, a forma de picar um touro, a confecção dos cartazes, a escolha das ganadarias, deviam cingir-se, de algum modo, à classe ou categoria do toureiro, definida nas bases duma seriação de valores. (…)

 

Seguindo o critério mencionado estabelecemos cinco grupos, que são afinal as cinco linhas puras da tauromaquia. Nelas é fácil incluir os matadores de touros mais representativos. (…)

 

Toureiros de estilo basto, coração audaz e estocada certa.

 A este grupo pertencem os grandes estoqueadores, os especialistas da estocada. Constituitam a espécie de maior apreço, outrora quando as fainas de muleta não tinham a primazia e só a estocada contava. (…) É que a estocada – e o denodo que subentende – resumia o essencial e definitivo duma corrida de touros. (…)

 

Todavia, a sorte de matar continua a ser, se não a mais difícil, pelo menos a mais arriscada e a de maior mérito – o lance culminante da autêntica festa de touros.

 

Poucos toureiros modernos praticam a estocada a volapié com preceituam as regras: perfilar em curto, mostrar o peito, olhar o cachaço, entrar a direito, cruzar a ponta do corno, cravar o estoque e sair intacto pelo costilhar.

 

Só assim os touros saem mortos e não moribundos e só deste modo a estocada é remate digno duma faina de muleta emocionante. (…)

 

Toureiros de arte excelsa, ânimo fraco e capacidade limitada.

Os toureiros deste grupo são os chamados estilistas, aqueles que inundam a arte de tourear de luz, de alegrias, de magnificências.

 

De reflexo rápido, movidos por uma inspiração repentina, modelam na arena formas estatuárias de beleza sem par e desenham com o touro estampas reluzentes, plenas de harmonia e de cor.

 

Ressuscitam sortes esquecidas, descobrem novos lances, aperfeiçoam velhos passes, mudam trilhos e cadências, espalham ritmos estranhos.

 

É graças a eles que o toureio se enriquece, apura, afina e renova. Toureiros de engenho artístico e de emoção estética, pelo efeito que produzem  à vista, isto é, de aparência – e por isso cuidado, que a aparência às vezes engana! (…)

 

O touro é a ferramenta do toureiro, como o pincel e as tintas são os instrumentos do pintor. É justo que eles procurem o touro, que escolham o touro, que lhes dêem o touro. (…)

 

Toureiros de ímpeto fulgurante, perícia malabar e tragédia iminente

Englobam-se neste grupo os toureiros que saem a tourear esquecendo ou desprezando normas e tradições, apenas dispostos a arrimar-se, a dar tudo sem reservas: vista, surte y al toro!

 

Representam a vontade, a plenitude, a destreza, o movimento. A sua marca é a ousadia, que supõe o desprezo das dificuldades ou riscos, acompanhado duma excessiva confiança na fortuna e na sorte. (…)

 

Dantes a emoção provinha do touro com arrobas, estampa e sentido; presentemente vem do toureiro que se arranca e cola ao touro quando o touro não se arranca e cola ao toureiro. Por isso os acompanha aquela força invisível e misteriosa que se chama atracção.

 

Estes toureiros de sensação dramática e de cornada à vista, fazem correr pelas bancadas um delírio contagioso, que turva o entendimento, excita os ânimos e dificulta a destrinça do bom e do mau. (…)

 

Conquistam as maiores ovações, vencem os mais difíceis adversários, arrebatam todos os prémios. Possuem o dom de ganhar tudo em toda a parte e sempre – toureiros de estirpe desportiva e garbo olímpico. (…)

 

Toureiros de base sólida, domínio pleno e ciência exacta.

O distintivo deste grupo é a lide. Lidar, numa acepção ampla, é tourear bem para matar bem.

 

O toureiro deve conhecer a condição, os defeitos e a qualidade do touro – o tipo da sua acometividade. Por isso acima de tudo, lidar significa analisar o touro. (…)

 

Na acção de lidar estão implícitos nada menos de três sentidos: um relacionado com a ideia de decomposição, para esclarecer; outro com a ideia de correcção, para melhorar, o terceiro com a ideia de resoluçãopara decidir sem hesitar. A lide é assim a guia e mestra do toureio posterior. (…)

 

Toureiros de talento maciço, força criadora e perpétua memória.

Neste grupo final, quantitativamente reduzido, mas de qualidade requintada, reúnem-se os toureiros que aportam à tauromaquia para anunciar outras teorias, outras concepções, outras fórmulas. Chegam com a missão de descobrir segredos nunca antes revelados, de extrair resultados novos, de ressuscitar as grandes verdades esquecidas.

 

Riscam do que está escrito tudo o que é superficial, inútil, fortuito ou aparente , para só deixar o fundamental e sério, porque primeiro está a dignidade do espectáculo, e porque ao touro não se deve mais do que necessita.

 

Nos toureiros desta linha encontram-se amalgados em justas proporções os princípios comuns que dão forma ao toureio: arte, ciência e valor. E porventura algo mais, cuja influência se não pode avaliar nem medir, esses elementos fluídos, caprichosos, imponderáveis, que presidem ao destino de tantas cousas humanas. (…)”

 

Estes trechos compõem um tema bem mais longo, publicado em Junho de 1955 no Jornal «Festa».

In, “O Touro e a Arte de Tourear”, Lisboa 1971

João Pedro Bolota/Aplaudir é o novo empresário da praça de toiros «Daniel do Nascimento» na Moita. Concorreram mais 3 empresas.

 

Confirma-se o apoderamento de João Moura Jr por Rui Bento.

 

Em Coruche, as entidades proprietárias da praça de toiros local não consideraram as propostas entregues e estão agora receptivas a reuniões...

 

No próximo dia 1 de Março haverá festival taurino na Granja, sendo que Rui Santos não actuará por estar a recuperar de um recente acidente.

 

Quatro das ganadarias que mais se destacaram no Campo Pequeno em 2013, têm já presença assegurada em Lisboa, na temporada de 2014.

 

Estando em curso a preparação da temporada, o Gestor Taurino do Campo Pequeno, Rui Bento, confirma a presença das ganadarias Canas Vigoroux, António Silva, Luis Rocha e António Charrua, para lidarem em Lisboa, em 2014.

 

Prosseguem entretanto negociações com outras prestigiadas ganadarias portuguesas, de forma a assegurar curros da máxima qualidade, não só para a Praça de Toiros do Campo Pequeno, como para as restantes praças geridas pela empresa.

A Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa em parceria com a Associação Portuguesa de Criadores de Toiros de Lide (APCTL), a Associação de Médicos Veterinários de Actividades Taurinas (AMVAT), a Tertúlia Tauromáquica da Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa (TTFMV) e a Cátedra de Taurologia da Universidade de Córdoba (UCO), irá levar a cabo nos dias 14, 15 e 16 de Março de 2014, o Curso de Formação: “Bases científicas para a selecção na Raça Brava”, nas instalações da Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa, no Alto da Ajuda.

 

O curso destina-se a Médicos Veterinários, alunos de Medicina Veterinária, Ganaderos e associados da Tertúlia Tauromáquica da FMV. Terá uma componente teórica e prática e, contará com a presença de oradores de renome, Portugueses e Espanhóis. 

 

Em anexo, enviamos o pré-programa do evento a realizar. Relembramos que as inscrições se encontram abertas terminando o prazo no dia 28 de Fevereiro. 

 

Para mais informações consultar a página: http://www.fmv.ulisboa.pt

Em Junho deste ano cumprem-se 27 anos sobre a aparição e boom das rádios locais, na altura as rádios pirata, sem licenciamento que permitisse uma emissão legal e controlada em termos de potências, etc, etc, etc. Hoje, 13 de Fevereiro, celebra-se o Dia Mundial da Rádio.

 

Para muitos que, como eu, começaram nesses loucos finais da década de 80 a aventura da rádio, sabemos que vivemos momentos únicos nessas alturas e que a aventura nos deu o privilégio de mostrar que havia mais vida para além das rádios nacionais e que pouco se preocupavam com os acontecimentos locais e regionais; com pedaços de cultura que ajudaram a tornar Portugal um País mais culto, mais conhecedor de determinadas áreas, dada a variedade e diversidade de programas que foram nascendo.

 

Com o passar dos anos, com as mudanças na esfera sócio-económica, da estrutura da população e evolução da instrução escolar, com acesso a outros e mais sofisticados meios de comunicação, quem soube manter-se aberto às suas populações, ouvi-las, entender os seus anseios e necessidades de companhia, de participação, quem soube manter programas de nível mas virados á população-alvo da sua área de influência geográfica, adequando-se ao mesmo tempo ás novas realidades, mantem-se e poderá continuar a pensar em termos de futuro.

 

Para mim, em especial, é um dia triste. É verdade. Depois de 26 anos quase sem interrupções que não as dos meses de inverno (dezembro a inícios de fevereiro), já que em 1995 e devido a acidente mais de metade da temporada estive internado num hospital, este é o primeiro ano em que não tenho previsão de quando volto a fazer rádio nem onde…

 

Mas quero acreditar que, um dia destes, estarei, de novo, numa rádio perto de si.

Na eleição dos Triunfadores FORCADO AMADOR 2013, foi pedido pelo blog "FORCADO AMADOR" aos cabos dos Grupos de Forcados que elegessem livrevemente, os FORCADOS E GRUPOS que mais se destacaram em cada categoria a votação, com a ressalva de que não se podia votar em elementos do próprio grupo, se assim acontecesse o voto seria considerado nulo.

 

Para esta eleição votaram os cabos dos Grupos de SANTARÉM, ÉVORA, LISBOA, VILA FRANCA DE XIRA, ALCOCHETE, CASCAIS, MONTEMOR, ACADÉMICOS DE ELVAS, CALDAS DA RAINHA, RIBATEJO, MONFORTE, MONSARAZ, BEJA, S. MANÇOS, AMADORES DA MOITA, APOSENTO DA MOITA, AP. B.V. DE ALCOCHETE, T.T. TERCEIRENSE, RAMO GRANDE, ARRONCHES, ALTER, APOSENTO DA CHAMUSCA, AMADORES DA CHAMUSCA, MOURA, AZAMBUJA, PÓVOA DE S. MIGUEL, PORTALEGRE E REDONDO.
Apresentamos de seguida os TRIUNFADORES em cada categoria:
MELHOR GRUPO - GFA VILA FRANCA DE XIRA
GRUPO REVELAÇÃO - GFA ARRONCHES
FORCADO DO ANO - JOSÉ MARIA CORTES - GFAMONTEMOR
MELHOR FORCADO DA CARA - FRANCISCO BORGES - GFAMONTEMOR
MELHOR AJUDA - NELSON RAMALHO - GFA SANTARÉM
MELHOR RABEJADOR - CARLOS SILVA - GFA VILA FRANCA DE XIRA
PARABÉNS A TODOS OS FORCADOS!!!

-- Vitor Morais Besugo FORCADO AMADOR - A ARTE E A TRADIÇÃO
http://www.forcadoamador.blogspot.pt/

De acordo com notícias veiculadas por vários sites, não faltam candidatos ao aluguer das diversas praças de toiros. A crise económica parece não afectar os candidatos e algumas das entidades adjudicatárias.

 

 

Em Arruda dos Vinhos houve impugnação do concurso/licitação; em Coruche apresentaram-se 3 concorrentes; na Chamusca foram 6 os candidatos. Na Moita, depois de apenas ter havido um concorrente, novo caderno de encargos e a ver no que dá… Em Reguengos de Monsaraz, depois do exorbitante valor exigido pela Misericórdia, novo concurso sem valor base… E ainda falta saber quem fica a gerir Almeirim.

 

São seis praças cuja importância local/regional e até nacional merecem a atenção de todos são aficionados. Esperamos que os candidatos a arrendatários não entrem em loucuras de percentagens da receita bruta ou valores exagerados de arrendamento por cada ano de contrato porque, depois, quem «paga as favas» são os toureiros, os ganadeiros e o público que vê o custo do bilhete subir em flecha para pagar os disparatados preços pagos às entidades proprietárias dos tauródromos.

Os sinais já dados são para tomar alguma atenção. O País não suporta um tão elevado número de espectáculos. Precisa, isso sim, de espectáculos de qualidade, com preços acessíveis a um cada vez maior número de espectadores e de espectáculos que tragam algo de inovador e de motivador.

Imaginação precisa-se para levar mais gente aos espectáculos. O que não faz falta são disparates para conquistar mais uma praça…

"Ordem dos Médicos Veterinários acusa Associações animalistas de fuga ao fisco!

Pela sua gravidade, entende a ATCT denunciar o presente caso, bem como pedir a V. Exas, tratamento jornalístico e posterior divulgação junto dos canais que gerem.

No passado dia 3 de Janeiro, entendeu o Conselho Directivo da Ordem dos Médicos Veterinários, através da sua Bastonária, Professora Doutora Laurentina Pedroso, enviar uma carta ao Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Dr. Paulo Núncio, onde se adensam suspeitas de superior gravidade.

No documento pode ler-se que, “estas associações (alegadamente) sem fins lucrativos, estão a praticar serviços médicos veterinários sem pagarem IRC sobre os rendimentos empresariais auferidos em virtude dos serviços médicos que prestam.” o que faz pressupor, desde logo, uma grave situação de evasão fiscal.

De igual forma, acusa a Ordem dos Médicos Veterinários, está a contribuir-se para que estas Associações criem “situações de concorrência desleal e ilegal”, bem como “violações ostensivas à legislação fiscal.” 

Sendo do conhecimento geral que são estas as Associações que pretendem acabar com a Tauromaquia em Portugal e estando, desde sempre, envoltas em neblina as formas como se financiam, entende a ATCT de enorme gravidade estas declarações por parte da Ordem dos Médicos Veterinários e, por isso mesmo, solicitou já esclarecimentos junto da Secretaria de Estado competente, para que se possa esclarecer, de uma vez por todas, como se financia a “luta anti-taurina” no nosso País.

Juntando documento na integra em http://www.omv.pt/files/c12of_sec_estadoassuntosfiscaisfsx.pdf permanecemos ao dispor para esclarecimentos adicionais,

A bem da Tauromaquia,

A Direcção da ATCT"

--

ATCT-Associação de Tradições e Cultura Tauromáquica

www.atct.org.pt

https://www.facebook.com/atctauromaquica

 

“Caros amigos, 

 

vimos chamar a vossa atenção para o facto de hoje todos os jornais e sites noticiosos terem divulgado a resposta da Protoiro ao Comité dos Direitos da Criança da ONU, que tinha feito recomendações preconceituosas e infundadas, vindo a Federação em defesa da Tauromaquia Portuguesa e dos direitos das crianças.

 

Aqui ficam algumas das noticias publicadas:

 

Público: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/alertas-da-onu-sobre-criancas-em-touradas-sao-infundados-diz-federacao-de-tauromaquia-1623225

RTP: http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=716072&tm=4&layout=121&visual=49

SIC: http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2014/02/11/alertas-da-onu-sobre-criancas-em-touradas-sao-infundados

Expresso: http://expresso.sapo.pt/alertas-da-onu-sobre-criancas-em-touradas-sao-infundados-fed-tauromaquia=f855347

TVI: http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/onu-criancas-touradas-alerta-federacao-portuguesa-de-tauromaquia-protoiro/1536425-4071.html

 

Melhores Cumprimentos,

 

Comissão Executiva

PROTOIRO

Desde os seus tempos de miúdo, e das passagens pelas Escolas da Moita e Vila Franca, posteriormente de Madrid e até à sua alternativa, sempre acompanhámos a trajectória deste jovem toureiro cheio de garra  e que, em 2012, decidiu rumar ao Perú para tourear com assiduidade. Após o tentadeiro na Herdade do Vidigal, com os seus Pais a organizarem uma bela festa para comemorar o seu regresso, escutámos as suas palavras.

 

 

BARREIRA DE SOMBRA – Depois de andar a lutar forte, das passagens por Espanha e França nesta pele de toiro, da alternativa, a verdade é que as oportunidades não foram muitas depois disso e o Nuno foi tourear para os confins do Mundo, no Perú. Como é que tem sido essa experiência?

 

NC – Na verdade, depois de tomar a alternativa houve poucas oportunidades. Tive um triunfo bonito em Vila Franca; em Lisboa não tive sorte; e a verdade é que, como já tinha sido nos últimos anos como novilheiro as oportunidades eram poucas e vi que efectivamente o meu futuro não poderia ser aqui, a tourear 2 ou 3 corridas por ano. Não era o que eu pensava e então surgiu-me a oportunidade de viajar ao Perú, de tourear, porque me disseram que havia um número muito elevado de corridas, que havia, como se diz lá, lugar para todos.

Decidi aceitar. Pensei muito e perguntei muitas opiniões de matadores espanhóis que tinham lá estado e a verdade é que não eram muito positivas. Coloquei numa balança o que era a minha vida cá e o que seria lá e decidi aventurar-me, embora tendo um apoderado lá e tendo uma par de corridas marcadas mas nunca deixa de ser um bocadinho de aventura porque não conhecemos nada do País, da forma de verem as corridas. Fui em Maio de 2012 e creio que foi uma boa decisão pois acabei com 25 corridas e agora em 2013 com 37 e em primeiro lugar do esacalafón.

 

BARREIRA DE SOMBRA – Por aquilo que nos foi dado a ver em vídeos e fotos, são regiões muito remotas que implicam deslocações enormes mas onde o público comparece massivamente nesses espectáculos. Há sítios em que parece que a praça foi recém-escavada na encosta e havia milhares e milhares de pessoas; vê-se no semblante das pessoas que viviam intensamente aqueles momentos.

 

NC – Sim, há muitas corridas e eu toureei em dois locais, duas praças boas como Coracora e Chaluanca, em que é impressionante aparte a questão de ter bastante aforo, tem um monte ao lado e aí põe-se milhares de pessoas sentadas a assistir. É incrível. A diferença de organização de uma corrida lá é que em praticamente todos os sítios há os mordomos das festas e são eles que pagam toda a festa, e juntam-se cários para pagar os toiros, os toureiros, etc, e as entradas para o público são quase sempre grátis ou a um preço simbólico, o que permite que todo o tipo de pessoas, todo o tipo de bolsas, possam ir às corridas de toiros.

Para mim o que me compensa, como referia depois dessas viagens enormes, que para mim é o mais duo, é chegar e ver o carinho enorme dessa gente, que quer tocar, que pedem por favor para tirar uma foto, o que é incrível pois nunca tinha visto tal carinho, tal admiração e depois também o que me faz caminhar para a frente e ter essa ilusão, é pensar que numa dessas praças a 20 horas de Lima (nota: capital do Peru), pode-me sair um toiro extraordinário e desfrutar para mim mesmo.

 

 

BARREIRA DE SOMBRA – e saíram alguns bons toiros…

 

NC – Sim, saíram alguns. E posso dizer que os melhores toiros da minha vida toureei-os no Peru. Toiros com um temple, com uma cadência, onde pisei mais os terrenos dos toiros. Muitas vezes senti o testuz dos toiros nas minhas pernas, um pitón de cada lado, coisa que aqui não tinha conseguido fazer pois aos toiros têm mais raça, mais bravura também, mais fortes e pedem também mais técnica que lá. Mas a verdade é que é muito positivo o balanço destas duas temporadas.

 

BARREIRA DE SOMBRA – A Festa brava no Peru tem, afinal, uma certa qualidade e até na crítica se vê isso, tendo-se criado aqui alguma expectativa quanto a isso.

 

NC – Fiquei surpreendido, agradavelmente surpreendido, pelo nível a que está a festa e não como muitos pensam aqui, que é uma informalidade total nas corridas, que não há imprensa…

 

BARREIRA DE SOMBRA – Ou seja, não é nada com se diz por aí, uma autêntica selvajaria…

 

NC -  Exactamente. Há uma revista que é a «Festa Brava», há várias páginas da internet das quais a mais importante é Perutoros e vários críticos que informam desde a maior praça ao Pueblo mais remoto, e há ganadarias que funcionam, tal como há toureiros peruanos com capacidade e que já há vários anos que toureiam quase todas as feiras. Não é como muitos pensam; há praças extraordinárias, para 8, 10, 15 mil pessoas e que enchem. Pode-se dizer que nos últimos anos têm ganho cada vez mais em formalidade e profissionalismo na festa de toiros no Peru.

 

BARREIRA DE SOMBRA – Existem toureiros de várias nacionalidades que não têm tantas oportunidades nos seus países e veem no Perú uma forma de projectar as suas carreiras.

 

NC – Sem dúvida. São muitos toureiros estrangeiros que estão no Peru. Há uma competição enorme já que no total podem ser 3 mil espectáculos por não no Perú. Depois, há para todo o tipo de gostos e todo o tipo de espectáculos. Pode-se tourear, pode-se viver da profissão, o que, hoje em dia, já é um triunfo enorme, tal como está a economia.

 

E o meu pensamento sempre foi tourear, tourear para mim, que me sirva a mim, e já sabia que teria uma enorme batalha mental nesses sítios mais longínquos em nunca prostituir a minha forma de tourear. Pode ser mais poderosa, mais artística, o que seja, mas nunca mudar a minha forma de tourear para contentar as pessoas, algo que aconteceu à esmagadora maioria de toureiros estrangeiros. Pensei: isto tem de ser uma preparação para quando chegar á Europa estar mais toureado, mais posto, que me valha para viver da minha profissão, e artisticamente me valha tourear tantas corridas, aproveitar cada toiro até ao fim seja onde for.

Nesta última corrida, numa pracinha pequena, saiu-me um toiro extraordinário, com muito som, de uma ganadaria que não costuma sair assim. A verdade é que o aproveitei e deu-me moral. Essa é a conclusão que saco de cada corrida. As orelhas, os Escapulários, tudo isso vem por acréscimo.

 

BARREIRA DE SOMBRA – Esperamos que esta experiência tenha sequência nesta temporada e a verdade é que na tenta realizada na Herdade do Vidigal, a que assistimos e aqui comentámos, já se viram resultados.