Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

SEGURANÇA NAS ARENAS…

07.10.13 | António Lúcio / Barreira de Sombra

O episódio ocorrido  na passada quinta-feira na corrida de gala do Campo Pequeno, com os socorristas da Cruz Vermelha, que levavam o forcado inanimado e com colar cervical no plano rígido por dentro da arena e tudo largaram quando o toiro investiu na sua direcção, é um exemplo claro de como as coisas funcionam mal em termos de assistência, socorro e segurança nas arenas.

 

A RTP que transmitia a corrida «branqueou» a situação quase não dando imagens e o jornal «Correio da Manhã» que deu uma mínimo espaço ao colunista Joaquim Tapada para colocar a sua mini-crónica, soube aproveitar o facto de ter havido uma agressão de um antigo elemento dos forcados de Santarém a um dos socorristas para, com foto e tudo,  e mais de um terço de página. A situação, contudo, foi bem ilustrada nos sites e blogues mas sem comentários de maior. Aliás, como é habitual sempre que as situações têm alguma gravidade e alguns têm medo de expressar a sua opinião.

Pois bem, como quem não deve não teme, aqui vai a minha opinião.

 

A ANGF, e bem, andou a batalhar contra uma série de situações que eram gravosas em termos de segurança, nomeadamente para os seus membros, os forcados, mas que se resumiram a alterar o tipo de ferros, para as chamadas bandarilhas de segurança. O piso das arenas, os estribos em cimento, tudo continua igual. E, pior ainda, não existem regras na forma de prestação de socorros a quem seja colhido e fique incapacitado de sair da arena pelo seu próprio pé. Há praças onde os Bombeiros saltam à arena, imobilizam o lesionado, o colocam no plano rígido e tiram da arena; outros há em que passam apenas o plano rígido para a arena e forcados e bandarilheiros fazem o papel de socorristas, há locais onde o médico e enfermeiro de serviço vão á arena e alguém – normalmente os forcados – retiram o lesionado da arena… e assim sucessivamente.

 

A verdade é que em cada praça cada um faz o que quer. A integridade dos lesionados tem de ser salvaguardada tal como a dos socorristas. Não existem dúvidas sobre isto. Entrar na arena com o toiro lá dentro e sendo sempre imprevisível o seu comportamento implica cuidar e muito quer do lesionado quer dos socorristas. Provavelmente, e na maioria dos casos, a presença de um socorrista que imobilize o lesionado e ajude á sua correcta colocação no plano rígido será essencial para que não haja agravamento das lesões. Depois, entendo que quem os forcados ou bandarilheiros, bombeiros ou socorristas, devem, de imediato, passar o plano rígido por cima da trincheira e para o espaço entre barreiras e daí para a enfermaria ou ambulância, em vez de andarem por dentro da arena colocando-se desnecessariamente em perigo.

 

Espero, sinceramente, que este triste episódio, motivado por um lance infeliz de um bandarilheiro que também já foi forcado, sirva para uma reflexão profunda sobre a forma como é prestada a assistência nas nossas arenas e que os profissionais se pronunciem seriamente sobre esta questão. A vida humana é um bem por demais precioso!