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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

AMANHÃ, 2 DE SETEMBRO, NÃO PERCA «BARREIRA DESOMBRA»

01.09.13 | António Lúcio / Barreira de Sombra

 

A partir das 21 e até às 22 horas, a emissão de segunda-feira 2 de Setembro do «Barreira de Sombra» terá muitos motivos de interesse.

 

Para além da análise à corrida de dia 31 em Almeirime  e da divulgação dos próximos cartéis, dedicaremos de novo espaço nobre para o Centenário das Festas e Feira de Verão e para a entrada de toiros na vila á moda antiga, a ter lugar no dia 15, domingo, a partir das 16h e que sairá de perto do antigo Campo da Feira e terminará na praça de toiros.

 

Para nos contar e explicar como se fazem estas entradas, contaremos com a presença do ganadeiro Nuno Casquinha (que fornece toiros e cabrestos de forma gratuita para esta reconstituição), de Paulo Lúcio e um membro da Associação 13 de Setembro ligado a esta vertente tauromáquica.

 

«Barreira de Sombra», para o aficionado que sabe o que quer!!! Em 106.4fm ou www.radiooasis.pt, emissão on-line.

 

GRANDE NOITE DE TOUREIO EM ALMEIRIM: TELLES E SALGUEIROS DERAM RECITAL DE BOM TOUREIO

01.09.13 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Praça de Toiros de Almeirim – 31.08.13 – Corrida à Portuguesa

Director: Francisco Calado – Veterinário: Miguel Matias – Lotação: ½ casa

Cavaleiros: António Telles, João Salgueiro, João Telles Jr, Salgueiro da Costa

Forcados: Amadores de Santarém e Montemor

Ganadaria: José Lupi

 

GRANDE NOITE DE TOUREIO EM ALMEIRIM: TELLES E SALGUEIROS DERAM RECITAL DE BOM TOUREIO

 

Um recital de toureio foi o que os aficionados, e bons que por lá estiveram, assistiram na noite de sábo, o último dia de um quente mês de Agosto e noite de derby futebolístico que poderá ter afastado parte do grande público do tauródromo de Almeirim. Os Telles e os Salgueiros, famílias de pergaminhos no mundo do toiro e do cavalo, voltaram a encontrar-se nesta praça para um confronto de dinastias e de gerações e a verdade é que nos proporcionaram grandes momentos de toureio, fosse na brega e nos remates, fosse na forma como abordaram os toiros e executaram toureio frontal de enorme verdade e emoção. No início do espectácul guardou-se um minuto de silêncio em memória dos bombeiros voluntáios recentemente falecidos.

 

Os triunfos da corrida foram repartidos entre os quatro cavaleiros pois todos eles nos presentearam com grandes momentos e lides onde se sobrepuseram aos toiros de José Lupi, na maioria mansos e com crenças marcadas para a defesa em tábuas ou para tardarem nas investidas em clara busca do local por onde as montadas iriam passar. Trouxeram emoção nas pegas.

 

António Telles lidou o quarto da noite e fê-lo com um mérito enorme e fazendo gala dos seus conhecimentos e dos recursos da sua quadra. O toiro, manso, após os compridos procurou o refúgio de tábuas, recuando sempre que se sentia acossado pelo cavaleiro. Procurou o cavaleiro da Torrinha sacá-lo de tábuas mas o cornúpeto aí se fixou, obrigando a que a ferragem fosse deixada em sortes a sesgo, de mérito e justamente aplaudidas pelo público.

 

Joao Salgueiro toureou o segundo da noite e deixou dois bons compridos. Mas seria na série de curtos, ante um mansote que deu alguma luta, que, ao pisar terenos do toiro, terrenos de muito peso e compromisso, lhe carvaou ferragem de enorme mérito, só ao alcance dos eleitos e que nos fez recuar muitos anos para nos lembrarmos de actuações deste calibre, desta emoção, desta verdade na forma de tourear e de cravar a ferragem.

 

João Telles Jr, num excelente momento de forma e cada vez mais candidato firme a máximo triunfador da temporada, deu em Alemirim uma vez mais a cara e mostrou a sua enorme categoria e capacidade lidadora. Foi uma lide de grande classe, com bons momentos de brega e alguns ferros curtos de enorme valor, ela abordagem das sortes, pelos terrenos pisados e pelos aplausos que fez soar do público que assistiu a este magnífico espectácvulo.

 

Salgueiro da Costa não se intimidou com os nomes do cartaz e deixou um belo comprido logo a abrir praça. Bem na brega, a procurar levar o toiro para os terrenos mais idóneos, entrou em terrenos de compromisso e em sortes sortes frontais bem executadas, a atacar o toiro e provocar a sua saída da defesa das tábuas, cravou  a série de curtos de muito valor e que foram premiados com fortes aplausos do público.

 

A corrida abriu com uma lide a duo entre António Telles e João Telles Jr que se entenderam muito bem na brega e na preparação das sortes. António muito no seu estilo sem grandes concessões, entrando à tira e quarteando o suficiente para cravar a ferragem e João, mais atrevido, mexendo no toiro, procurando viagens de frente e com batidas ao piton contrário, terminando com um ferro de violino, remate de uma lide de conjunto muito agradável.

 

E para encerrar este confronto de dinastias, João Salgueiro e Salgueiro da Costa lidaram o sexto, manso que colheu violentamente a montada de João e lhe provocou um forte corte na garupa esquerda. O cavaleiro de Valada encastou-se e em perfeito entendimento com seu filho mostraram a raça dos Salgueiros em entreajuda na brega e preparação das sortes e numa série de ferros curtos com reuniões ajustadas em sortes frontais que fizeram o público vibrar. Momentos para mais tarde recordar.

 

Para recordar também alguns dos momentos proporcionados pelos valentes moços de forcado que envergam as jaquetas dos Amadores de Santarém e de Montemor. Os Amadores de Santarém abriram praça com um pega de caras à 3ª tentativa por intermédio de António Grave de Jesus, a que se seguiu uma monumental pega de cernelha ao terceiro da noite e que esteve a cargo de Lopo de Carvalho/Ricardo Tavares que souberam suportar derrotes violentos do toiro e, a encerrar a sua prestação João Torres Vaz Freire numa boa cara à segunda tentativa. Com três pegas de caras todas ao primeiro intento e rijas, com derrotes fortes, os Amadores de Montemor mandaram para a cara dos toiros os forcados João Tavares, Manuel Dentinho (a melhor pega dos de Montemor) e João Braga.

 

A corrida foi dirigida por Francisco Calado assessorado pelo veterinário Miguel Matias e teve a duração aproximada de 2h40.

EM SETEMBRO, A FESTA BRAVA É RAINHA NAS FESTAS E FEIRA DE VERÃO DE SOBRAL DE MONTE AGRAÇO

01.09.13 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Em Setembro as Festas e Feira de Verão são a grande montra do Concelho para o exterior. O seu cortejo histórico-etnográfico é de grande riqueza mas as festas vivem, essencialmente, da Festa Brava.

 

Desde tempos recuados, remontando ao início do século, as esperas, entradas e largadas de toiros tiveram sempre um enorme impacto. Na década de 30 assumiram proporções enormes para a época e as “partidas” de alguns aficionados mais atrevidos foram contadas através dos tempos, de geração em geração.

 

Nesses anos os toiros vinham a pé, conduzidos pelos campinos com os seus jogos de cabrestos desde as Lezírias de Vila Franca e Salvaterra. No percurso entre Arruda dos Vinhos e o Sobral  eram muitas vezes espantados pelo povo e, uma vez tresmalhados, os percalços sucediam-se. Imaginamos...

 

                       

Foto 1 - Praça Dr. Eugénio Dias

 

Em tropel, em louca correria, atingiam a entrada da vila vindos do lado do antigo campo da feira, junto ao Soeirinho, passavam pelo largo (Praça Dr. Eugénio Dias) e atingiam o seu destino – a praça de toiros. Mais tarde ficariam num curral entre a Igreja Matriz e a Tasca da Tia Alice. Empoleirados nas árvores e nas varandas, muitas vezes em equilíbrio precário, os mais destemidos por vezes provavam a sua «sopa de corno».

 

 

Foto 2 – Apartando toiros no campo

 

No seu livro “Sobral, Nossa Terra”(1), Carlos Morais recorda essas esperas de toiros nos anos 30:

 

LARGADAS DE TOIROS

Eis as largadas de toiros,

luta rija que se trava:

peripécias, valentia,

o gosto da  festa brava...

 

E este gosto era, por vezes, motivo para algumas colhidas quase sempre sem gravidade. Mais uma passagem saborosa do livro de Carlos Morais:

 

Entretanto, não sei bem

qual o estado em que ficastes,

quando um toiro, tão possante,

vos «afagou»... com as hastes!

 

Durante muitos anos, quando as estradas não eram de alcatrão como hoje, mas de macadame, era possível a entrada de toiros como a seguir Carlos Morais descreve de forma exemplar. Voltamos a citar:

 

Era um quadro sugestivo

de bravura e valentia

ver os toiros no Sobral,

em tropel – uma alegria...

(...)

Assim, a vila era palco

de esperas aparatosas

que se deviam, em parte

às suas ruas saibrosas.

(...)

Mas eis que surgem os campinos

- pampilho e cinta encarnada -,

conduzindo os seus cavalos

e toiros à desfilada!

 

Foto 3 – Condução de Toiros

 

Após entrarem no Sobral, como já referimos, era na curva da igreja que as coisas se complicavam.

 

Mesmo á esquina da Igreja,

Era belo de se ver:

Cavalos, chocas e toiros,

A toda a brida a correr!

 

Vivia-se intensamente a Festa Brava nesses já distantes anos 30. E durante muitos anos assim se manteve. A tradição das largadas de toiros e das corridas na praça mantém-se bem viva nos dias de hoje.

 

Aliás, sobre a tradição das corridas e dos outros espectáculos taurinos, existe na poesia do Sr. Carlos Ribeiro uma referência muito interessante. É do seu livro “Em Louvor do Sobral” editado em 1997 que recolhemos alguns excertos que demonstram esta grande ligação à ancestral tradição de lidar e correr toiros.

 

 

LARGADA COM SARDINHADA (1989)

É sempre belo o serão,

Numa noite de Verão.

Vivendo-o me satisfaço:

Assistir a uma largada

E comer da sardinhada,

Em Sobral de Monte Agraço

(...)

Assim comendo e bebendo,

Conclusões vão tecendo

Dessa noite bem passada,

Sobre quem é o mais forte;

O que escapou, por sorte,

Ou o que levou marrada?

 

Mas sobre as corridas de toiros, o forcado e o toureio, não podemos deixar passar em claro os belos poemas da autoria do Sr. Carlos Ribeiro no livro já citado.

 

GRANDE FAENA (Fev.89)

(...)

Foi nessa praça pequena,

Mas de grandes tradições,

Frente a frente, na arena,

O toiro e o Zé Simões.

(...)

Tarde de grande faena,

É o toiro bem lidado.
Sai o diestro da arena,

Em ombros é transportado.

(...)

 

AO FORCADO (Maio.91)

O forcado é um valente

E também é consciente,

Sem deixar de ser vaidoso.

Arriscando a sua sorte,

Vai enfrentando a morte,

Frente ao touro poderoso.

(...)

 

TOUREIO (Ago.89)

Traje de luzes, cingido,

Bordado de prata e ouro,

O toureiro, aguerrido,

Leva prà frente do touro.

 

A sua arte é ousada

E, sempre que há corrida,

Arriscar uma cornada

Faz parte da sua vida.

(...)

 

Foto 4 – Maqueta da actual praça de toiros

 

Este ano cumpre-se o 1º Centenário das Festas e Feira de Verão e no próximo dia 15 pelas 16h, será recriada uma “entrada de toiros à antiga” pelas ruas da vila, tendo como percurso Rua Miguel Bombarda, Praça Dr. Eugénio Dias, Rua Heróis da Bélgica, Rua João Luis de Moura, Praça de Toiros, a que se seguirá a última largada de toiros das Festas, com entrada livre. Uma entrada de toiros só possível graças à colaboração desinteressada do ganadeiro Nuno Casquinha e do seu staff.

 

Foto 5 – Conduzindo a manada (Nuno Casquinha)

 

Contamos consigo em Sobral de Monte Agraço, de 7 a 15 de Setembro no 1º Centenário das Festas e Feira de Verão.