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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

PÓVOA DE VARZIM - 16 DE AGOSTO DE 2013 - 1ª. GRANDE CORRIDA DOS COMERCIANTES POVEIROS - MATEUS PRIETO, LIDOU O ÚLTIMO... E FOI O PRIMEIRO. ROUXINOL, FOI O PRIMEIRO... E MOSTROU O QUE SABE

17.08.13 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Era a 1ª. Corrida do Comerciantes Poveiros. Servia como afirmação da sua Associação, no todo, com todos, perante todos. Parece que mais uma vez, o todo, com todos, perante todos, foi esquecido por todos. Por todos os comerciantes. As duas dezenas que por ali marcaram presença, nem para representação simbólica prestou. Daí o menos de meio casa que se registou. E a noite até esteve, ficou agradável. Contra a habitual, o vento de fim de tarde, com o aproximar da hora do inicio da corrida, deu lugar a uma agradável noite de Verão. Uma noite de toiros e fados. Era assim que estava anunciado, foi assim que aconteceu. E como o público gostou! Gostou, participou e animou. Foram só quatro fados, não pôde ser mais, e mesmo assim, quem quis ouvir e ver, teve de prescindir de sair do lugar no intervalo. Parece que, apesar de constar na ordem de programa requerido à Inspecção-Geral das Actividades Culturais, e devidamente autorizado e cobrado os impostos devidos, as 'Regras' ditam que logo que toque o cornetim para iniciar o espectáculo, os tempos têm de ser respeitados, isto é: - algo que fuja ao ´rito' tem de ser fora do 'tempo', num tempo que, até por mínima visão dos tempos, devia de ser já motivo de 'olhar com tempo, o tempo que vivemos'. Enfim!

Mas foi uma noite agradável de toiros e fados. Um espectáculo com ritmo, durou, tudo cerca de duas horas e 45 minutos.

 

Luís Rouxinol, voltou à Póvoa para mostrar porque continua a ser um 'grande cavaleiro tauromáquico'. A aficion nortenha, e não só, gosta de o ver e apreciar, entende o que faz, e como o faz. E Luís Rouxinol, reconheça-se, sabe agradecer, lidando, empenhando-se e desdobrando-se. Tragando por vezes lides, que a sua já longa carreira e notoriedade, podiam poder a outras desculpáveis 'reservas'.  O exemplar Prudêncio que lhe coube em sorte, 470 quilos de temperamento com quatro anos de campo, estava pouco dado a fazer uso da bravura e casta do ferro que representava, coisa que não encontrou parceria em Luís Rouxinol, que porfiando, arriscando, acabou traduzido em lide com ferros compridos, três, de muito trabalho, um primeiro curto, de frente, bem preparado e colocado, e o tradicional par, a duas mãos, de empolgar a concorrência. Agradou, animou e alegrou. Pegou, pelo Grupo dos Amadores do Ribatejo, ao segundo intento, por tardia ajuda no primeiro, com uns bons braços e muito querer, Joaquim Consolado, muito bem ajudado, com o grupo coeso.

 

Gilberto Filipe, trazia no curriculum uma boa prestação na sua anterior passagem pela praça da Póvoa. Existia alguma expectativa.  Iniciou a sua prestação, algo nervoso e sempre em andamento , mais de prova de velocidade que de compassada lide tauromáquica. E o exemplar da Casa Prudêncio até nem foi mais lidáveis do curro. Assim não o entendeu o cavaleiro, que se ficou por uma lide, onde apenas deixou dois aceitáveis ferros, o quarto curto, e o último, um violino com som afinado, que acabou estragado por 'mais um ', uma 'rosa' com forte sabor a 'pescada em gelo'. Pegou, pelo Grupo dos Amadores de Coimbra, Nuno Cruz, ao segundo intento, com muita valentia e garra, recuando muito bem, após um primeiro, em que esteve bem, ficou dentro, e também ficou fora, mas ficou.

 

Manuel Telles Bastos, veio à Póvoa algo triste, sem aquela alma que lhe reconhecemos recentemente na actuação de Sanguinheira (Cantanhede). Escorreito na brega, na colocação e na cravagem, cumpriu. O desataque na sua actuação, vai para a colocação de frente, em nota mais, do seu segundo comprido, e também para os dois curtos a sesgo, que se lhe seguiram. O exemplar Prudêncio, o menos pesado do lote, mas um dos três mais lidáveis, foi pegado à primeira, numa boa pega e valente pega, por Pedro Coelho, dos Amadores do Ribatejo.

 

Em Joana Andrade, nota-se a evolução, e a muita vontade de querer agradar e tourear. Monta agora com mais desenvoltura, tenta agarrar o público, mas o toureio em si, está muito longe de cristalizar. Passou pela Póvoa, e nem foi por falta de oponente, deixando como registo, um ferro em violino, e umas tantas correrias. Grande foi a pega do cabo do Grupo de Coimbra, Luís Pires dos Santos. Uma grande pega, com saber e mando, e muito bem ajudado, num grupo coesos e atento.

 

A Tomás Pinto, coube em sorte um exemplar Prudêncio, que exigia um 'andamento' que toda a boa vontade e pouca actividade deste simpático cavaleiro, ainda não possui. Daí a lide ter sido a lide (im)possível, num toiro que exigia muito saber, calma e poder. Os nove ferros com que Tomás Pinto pontuou o morrilho do Prudêncio, são inversamente proporcionais ao somatório final da sua prestação. Não é por muitos ferros colocados que se ganham 'status' profissional e artístico. Pegou pelo Grupo do Ribatejo, à segunda, João Oliveira, com uns valentes pares de braços.

 

Mateus Prieto, nesta sua primeira prestação na Póvoa, agradou e deixou 'aficion'. Lide de entrega, vontade, e já algum saber, soube moderar e entender o, talvez melhor exemplar do curro Prudêncio. Foi uma lide de menos a mais, iniciada com um primeiro comprido de  castigo, colocado de frente, a que se lhe seguiram ferros denotando boa nota, como o primeiro curto, a quiebro, e um soberbo violino, que seria o último, se não 'impusesse' a colocação de 'mais um', de palmo, que acabou tardio e após várias passagens. Foi de Mateus Prieto a lide mais conseguida, harmónica e a que fez o publico empolgar. Lide que foi rematada com uma grande pega de José Freire, dos Amadores de Coimbra, que tivera nesta sua prestação na 1ª. Corrida dos Comerciantes Poveiros, noite mais, a pressagiar uma tarde em alta no próximo domingo, em Viana do Castelo, onde pegam em solitário na Corrida da Liberdade toiros de diferentes procedências.

 

Na direcção da corrida esteve, o Senhor Nuno Nery, assistido na parte técnica veterinária pelo senhor dr. João Pedro Candeias.

 

José Andrade

SEM HISTÓRIA, OU COMO OS TOIROS AJUDAM À DESINSPIRAÇÃO...

17.08.13 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Praça de Toiros de Arruda dos Vinhos – 16.08.13 – Corrida à Portuguesa

Director: Ricardo Pereira – Veterinário: Hugo Rosa – Lotação: ½ casa

Cavaleiros: Sónia Matias, Ana Batista, Marcelo Mendes

Forcados: Amadores de Santarém e Vila Franca de Xira

Ganadaria: Ortigão Costa

SEM HISTÓRIA, OU COMO OS TOIROS AJUDAM À DESINSPIRAÇÃO...

 

16 de Agosto é uma data tradicional em Arruda dos Vinhos e, com duas corridas em dias consecutivos, as escolhas do público dividiram-se, estando pouco mais de metade da lotação da praça preenchida em noite que resultou de pouvo brilho, quase sem história ou não fosse a mansidão generalizada dos toiros a provocar a desinspiração de toureiros, que tiveram de suar para lhes colocarem os ferros e deixando pouco para contar. A falta de inspiração dos toureiros, quando confrontados com toiros mansos, que se param e procuram adivinhar as trajectórias das montadas, carregando por vezes com violência ou esperando e adiantando-se às montadas para as colher, não acontece por acaso. Mas, diga-se em abono da verdade, que é nestas circunstâncias que se vê quem tem argumentos para os levar de vencida e deixar no público a vontade de os rever numa outra corrida.

 

Os toiros de Ortigão Costa, de 4 e 5 anos, estavam bem apresentados mas denotaram todos a ausência do essencial: a bravura. Faltou-lhes casta para proporcionarem momentos de interesse nas suas investidas. Faltou-lhes raça porque se acobardaram muitas vezes quando confrontados com as montadas. Não foram colaboradores e exigiram muito dos toureiros e das montadas.

 

Num grande momento de forma, moralizada e com capacidade lidadora para dar a volta aos toiros que lhe vão saíndo pela porta dos sustos, Sónia Matias mostrou uma vez a sua garra, a sua vontade de triunfo. Uma quadra com bastantes recursos permitiu-lhe uma primeira lide de muito bom nível na abordagem das sortes e nas cravagens e uma segunda, frente a «uma rosca», com muito mérito, entendendo bem em que terrenos o teria de provocar para deixar a ferragem.

 

Ana Batista voltou a sentir muitas dificuldades, principalmente por causa da falta de colaboração de algumas montadas e sem teve um bom início de lide no seu primeiro, a mesma foi decaindo de interesse para o fim, situação que se repetiria no segundo em que passou muitas vezes em falso para deixar a ferragem.

 

Marcelo Mendes não se entendeu com o seu primeiro, manso e complicado e rapidamente o despachou com três curtos. No que encerrou praça, perdeu-se com o cavalo de saída em negas constantes e só nos curtos esteve em bom plano, com dois bons ferros montando o “Único”.

 

Os Forcados de Santarém e de Vila Franca de Xira realizaram algumas boas pegas de caras. Por Santarém abriu praça Lourenço Ribeiro numa rija cara à primeira, seguido por João Torres Vaz Freire também à primeira e António Taurino à 2ª; e por Vila Franca foram caras Pedro Loureiro à 2ª, David Moreira à 2ª e António Faria ainda à segunda tentativa.

 

Dirigiu bem Ricardo Pereira assessorado pelo veterinário Hugo Rosa, um espectáculo que teve a duração de 2h20.