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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

CRÓNICA DA CORRIDA DE DIA 28 EM SANTARÉM

29.07.13 | António Lúcio / Barreira de Sombra

MONUMENTAL TRIUNFO DE MOURA CAETANO NA CORRIDA DAS MISERICÓRDIAS

 

A forma como se toureia, templando as investidas e usando o cavalo como de uma muleta se tratasse; a «souplesse» dos movimentos harmónicos e cadenciados das montadas; o sentimento e a arte expressa na abordagem e no remate das sortes, tudo isto e frente a um codicioso e voluntarioso toiro de Guiomar Moura, tornaram ainda mais expressivo o monumental triunfo de João Moura Caetano em Santarém. Numa corrida onde todos os toureiros se exibiram em bom plano, com toiros de diversas ganadarias e comportamentos, os forcados nem sempre estiveram ao seu melhor e sentiram na pele os erros cometidos.

 

Com efeito, tudo o que João Moura Caetano fez foi de toureio profundo, de perfume das melhores essências. Tourear de forma tão templada, pisando os terrenos que pisou e levando a montada a terrenos de tanto compromisso com aquela facilidade, não está ao alcance de qualquer um. Foram momentos mágicos em que a respiração parou e a explosão de aplausos após cada ferro fez juz aos extraordinários momentos que vivemos, proporcionados pela dupla Caetano/Temperamento, frente a um bom toiro de Guiomar Moura. Um triunfo para saborear e mais tarde recordar.

 

Os anos parecem não pesar em Joaquim Bastinhas, senhor de uma enorme afición e entrega em cada tarde, em cada praça, sempre disposto a triunfar. A sua actuação em Santarém foi de forma clara e inequívoca a demonstração da sua categoria e popularidade, cravando ferros de muito bom nível ante um sonsote toiro de Vinhas. Rematou com maestria e com o habitual par de bandarilhas sempre exigido pelo público.

 

Também sem feitio para não sair por cima em cada actuação, Luis Rouxinol entendeu-se muito bem com o de Veiga Teixeira a quem deu lide adequada, com boa brega e entrega nas sortes, bem desenhadas, atacando o toiro e rematando a sua boa actuação com um muito bom par de bandarilhas, imagem de marca do cavaleiro de Pegões.

 

Sónia Matias vem na senda dos triunfos e Santarém não foi excepção. Com um toiro de Branco Núncio que não colocou muitos problemas, também porque a actuação de Sónia não o permitiu, vimos boas preparações, bons ferros, remates com ferros de violino entre os aplausos fortes do público. Uma boa prestação, a de Sónia Matias.

 

Manuel Telles Bastos actuou com a sua habitual sobriedade de gestos mas muita toureiria na forma como aborda a lide. Um toiro de David Ribeiro Telles que não queria muita luta, que se desinteressava e buscava tábuas, não foi óbice para que o cavaleiro colocasse ferros d emuito boa nota em sortes frontais bem executadas, entrando em terrenos de compromisso e saldando a sua actuação com mais um êxito.

 

Marcos Bastinhas lidou, bem, um toiro de Veiga Teixeira que foi colaborante quanto baste. Com ele andou desenvolto na brega, bem nos remates, cravando com acerto a ferragem da ordem escutando música e aplausos. Uma actuação de bom nível a encerrar a corrida das Misericórdias em Santarém.

 

Os Forcados de Santarém e do Aposento da Moita, fosse por algumas falhas dos forcados de cara ou por inoperância de ajudas, sentiram na pele essas falhas e apenas uma das pegas foi efectuada à primeira tentativa. Assim, pelos Amadores de Santarém foram à cara dos toiros Luis Sepúlveda que se lesionou na 2ª tentativa e foi dobrado à primeira por António Imaginário; Hugo Santana só à 4ª e em curto conseguiu consumar e João Góis, à 3, numa dura cara, fechou a prestação do seu Grupo. Pelos do Aposento da Moita, Francisco Baltazar consumou bem e ao primeiro intento, enquanto que Bernardo Cardoso concretizou à segunda tentativa depois do 1º ajuda o ter tirado da cara na primeira, e José Henriques encerrou com outra pega à segunda e com o toiro a defender-se.

 

Na direcção da corrida esteve Ricardo Pereira, assessorado pelo veterinário Carlos Santos e com a Monumental de Santarém a registar cerca de 1/3 da sua lotação preenchida. De referir que a verba entregue à União das Misericórdias, apurada nesta corrida, rondou os 34 mil euros e que se destinam ao Centro Bento XVI.