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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA – 22.07.13 – FALTAM 48 DIAS…

22.07.13 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Escrito assim até pode parecer enigmático. Mas não. Faltam, apenas 48 dias para que se cumpram 100 anos de Festas e Feira de Verão de Sobral de Monte Agraço. Este ano, de 8 a 15 de Setembro, todos seremos poucos para ajudar a engrandecer as festas da nossa terra, desde sempre também ligadas á festa brava ou não fossemos um concelho predominantemente agrícola e tão perto do Ribatejo, com tantos e bons aficionados desde sempre, e muitos deles a dedicarem-se às lides tauromáquicas em diversas vertentes.

 

A partir de hoje, no nosso blog barreiradesombra.blogs.sapo.pt, iremos dar a conhecer parte da história da festa brava em Sobral de Monte Agraço, desde a inauguração da actual praça de toiros em 1921 e até ao ano de 2006. São inúmeros os cartazes que temos para vos dar a conhecer e muitas histórias e notícias publicadas sobre as corridas de toiros e as Festas.

 

Para além de Jotacêdois (João Campino), também João da Silva Ferreira “El Marreco” escreveu sobre as corridas de toiros no jornal Sizandro. Este é um dos excertos:

 

“Em 1965 surge a primeira rubrica de Tauromaquia com espaço e grafismo próprios, a cargo de João da Silva Ferreira “El Marreco”. As crónicas dos espectáculos realizados nas Festas e Feira de Verão desse ano têm sabor e é importante deixá-las aqui na íntegra.

 

“Com a praça cheia realizou-se no passado dia 12 de Setembro a tradicional corrida de toiros das Festas e Feira de Verão deste concelho. Tomaram parte os cavaleiros José Mestre Baptista e Alfredo Conde. Na lide apeada estiveram o matador José Júlio e o jovem e prometedor novilheiro Júlio Gomes. Os forcados eram de Tomar, precisamente o Grupo Académico do Colégio Nuno Álvares.

 

Os toiros pertenciam aos srs. Irmãos Neto, de Benavente e dr. António Henriques da Silva, do Couço.

 

Nas bancadas, entre os inúmeros espectadores vislumbrámos: Manuel dos Santos, Armando Soares, David Ribeiro Teles, José Samuel Lupi, Manuel Conde e seu pai e ainda o nosso conterrâneo e esperança do toureio nacional, Manuel Rosalino.

 

Coube o primeiro touro a Mestre Baptista. De cor castanha e bem tratado e corneaberto apresentava ferro Neto. Baptista entrou a castigar e ao estribo cravou o ferro inaugural. Porém o touro sentiu o castigo e amarrou-se às tábuas.

 

Mestre Baptista ao fim de muito trabalho conseguiu prender mais dois compridos logo seguidos de um forte encontrão na sua montada. Nos curtos teve actuação de grande brilho e no final escutou grande ovação com volta e flores vindas do sector onde se encontravam as meninas «BEM».

Do dr. António Silva era o segundo touro lidado por Mestre Baptista. Tal como o outro indicava bom trato e era preto. Baptista esteve em grande evidência, sangrou o animal com ferros compridos e curtos de grande classe. Ao som de música o artista deu duas voltas acompanhado da sua quadrilha e recebeu prendas das suas admiradoras, que aqui em Sobral são muitas.

 

Alfredo Conde no seu primeiro touro, também com ferro Neto esteve dentro da sua bitola. Prendeu alguns ferros compridos e curtos de bom estilo, pecando nalguns deles, por toques na montada. Deu volta sob aplausos.

 

No segundo, Conde esteve melhor, mesmo muito melhor. Cravou dois curtos de valia, que o público sublinhou com fartos e merecedores aplausos. Deu volta à arena.

 

O terceiro touro da tarde coube ao matador José Júlio, com ferro do Dr. António Silva. José Júlio lanceou por parones e teve um quite por cichuelinas. A bandarilhar, como é seu hábito, José Júlio esteve em grande evidência. Cravou ferros a quarteio e a quiebro ao som de música. Na faina de muleta que brindou à assistência o matador de Vila Franca, esteve a grande altura com um novilho difícil. Toureou á base da mão direita com a qual tirou bons derechazos arrematados com passes de peito.

 

Tocou a música em honra de José Júlio que continuou a faena com manuletinas, mulinetes e desplante. No final deu voltas à arena com a sua quadrilha, sob aplausos muito quentes da assistência entusiasmada.

 

No seu segundo touro, pertença dos Irmãos Neto, castanho e com hastes muito largas é que José Júlio esteve enorme. Lanceou à verónica, seguidas de chicuelinas. Bandarilhou magistralmente. Na faina de muleta o diestro brindou à filha do dr. D. António Braamcamp Sobral. Entrou a castigar para depois tourear ao natural a fechar o círculo e bem rematados com o de peito. Tocou a música e José Júlio arrimou-se para uma faena em que tirou passes de todas as marcas acabando com um desplante de joelhos em terra. No final deu voltas, recebeu flores, sapatos e até orelhas.

 

O novilheiro Júlio Gomes, deu-nos magnífica impressão e segundo cremos será alguém na tauromaquia portuguesa. No primeiro touro não se portou à altura devido a recear em demasia o animal que era da ganaderia do sr. dr. António Silva. Com o capote pouco mostrou. Sacramento e Joaquim Gonçalves seus peões de brega, bandarilharam. Também na muleta o jovem novilheiro pouco toureou, apesar de sempre se ter mostrado valente e esforçado o que são, sem dúvida, bons indícios. Júlio Gomes no seu último touro, com ferro Irmãos Neto, houve-se a grande altura. Depois de bandarilhado pelos seus peões, lanceou-o à verónica. Gomes recebeu-o com três estatuários de excelente marca, que o público não soube aplaudir. Toureou de seguida ao natural, rematando com passe de peito.

Seguiu a sua faena com manuletinas e trincheiraços e fez o desplante logo seguido de simulação de estocada. Muito aplaudido deu volta no final.

 

O grupo de Forcados, capitaneados pelo sr. Manuel Faia, fez magníficas pegas. Dirigiu com acerto o sr. Agostinho Coelho.”

 

Mudam-se os tempos... mudam-se as vontades! Digo eu...

- FOMOS AOS TOIROS A ALBUFEIRA – por PAULO BEJA

22.07.13 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Antecedendo a temporada forte de Verão em Albufeira, celebrou-se no passado dia 17 uma novilhada muito interessante onde Prestou provas para cavaleiro praticante Rúben Inácio, cavaleiro de Lagos que esteve presente recentemente na garraiada da sardinha assada em Vila Franca de Xira. Teve a sorte no sorteio de lhe tocar um bom novilho toiro da ganadaria Jorge Mendes que se entregou com raça nas montadas e arrancava de largo com nobreza. Excelente exemplar. Ao Rúben notou-se que o trabalho de casa com as montadas não parece a cem por cento, especialmente o cavalo de compridos desconfiado sempre com o novilho e nessa luta a partir atravessado na sorte e a aliviar demasiado os encontros pelo abuso da velocidade. No entanto a segunda parte da lide teve mais som, colocando-se de frente nos cites, dando a primazia de investida e tentando aguentar o mais possível dando brilho à reunião. Foi assim que deixou ferragem de mérito e reconhecimento do público e decerto do júri para lhe dar como consumada esta prova para cavaleiro praticante. Agora há que trabalhar ainda mais as montadas para poder vingar neste difícil mundo do toureio a cavalo.

 

A sua alternante, Cristina Marques teve pelo contrário uma lide estupenda desde o início e a sua primeira montada poderá ser estrela nas mãos de qualquer cavaleiro pois na praça sente-se a sua aura de cavalo toureiro. Cristina recebeu o desinteressado novilho que preferia o capote de brega, mas ao entrar na sote à tira do primeiro mostrou quem mandava e encheu-o de cavalo no remate, assim como na preparação do segundo comprido. Esta comunhão cavalo toiro fez o exemplar crescer e foi todo um manancial de bom toureio o que assistimos em Albufeira com cites de largo, a recrear-se na sorte e atacando com graça toureira de praça a praça. Tudo parecia perfeito e encaminhado para o triunfo maior quando Cristina já nos curtos preferiu mudar de montada. Ora se o cavalo é artista, está perfeito na cara do novilho para quê esfriar o momento em vez de colocar mais dois curtos e sair em grande? Resultado, a segunda montada que devia ser nova na quadra nem quis ver o oponente e acabou por entrar e sair sem colocar o ferro e a terceira veio depois salvar a honra do convento com um curto e um violino, mas não redondeando uma actuação que até ao segundo curto foi de nota alta. Que pena Cristina!

 

Os forcados amadores de Arronches tiveram prestação correcta nesta noite com a primeira pega ao primeiro intento a cargo de Duarte Grilo muito bem a reunir na barbela numa investida enraçada com o exemplar a fugir ao grupo mas com o cara seguro. João Rosa ficou pendurado no primeiro encontro e consumou à segunda uma vistosa pega ao melhor novilho do espectáculo.

 

Quanto ao toureio a pé, depois da excelente prova de novilheiro praticante, repetiu por mérito próprio em Albufeira João Martins da escola de toureio de Azambuja. Teve por diante um bonito colorau, mas que se ficava curto nas investidas, desconfiado e teve que ser muito bem-mandado para lhe sacar faêna. No capote João apenas provou essas dificuldades com três ou quatro lances a provar investida e em bandarilhas foi mesmo perigoso. Comeu terreno no primeiro encontro desluzindo a colocação do par e João Martins no segundo já partiu primeiro mas o novilho ao vê-lo parou-se no momento do quarteio obrigando o toureiro a fazer também uma paradinha, recrear-se valorosamente e deixar o par. O terceiro para em sorte de violino foi todo poderio pela forma como obrigou o novilho a investir. Com este contra estilo de investida a faêna parecia que seria mais trabalhosa, no entanto o novilheiro entendeu, aguentou a muleta na cara e com mangadas a dois tempos foi submetendo o novilho na flanela e acabou por descobrir o bom piton esquerdo que possuía. Cinco naturais e passe de peito foram o momento especial desta noite. Mais confiado logrou ainda duas tandas com sabor culminadas com desplante, o momento menos bonito pela forma com deitou por terra muleta e estoque. Um adorno no pitón, por exemplo, teria sido mais toureiro neste remate. Também a volta à arena com o maioral foi incompreensível pois de bravo este novilho não teve nada.

 

Boas prestações das quadrilhas ode se destacaram Hugo David e Pedro Paulino e na direcção contou-se com a batuta de João Cantinho. O público maioritariamente estrangeiro acudiu em bom número e vibrou com as actuações levando decerto histórias para contar no regresso a casa, sobre estas portuguese bullfigths. Agora é tempo das corridas fortes de Verão em Albufeira, uma praça de toiros com 31 anos sempre com a gerência apaixonada do matador de toiros Fernando dos Santos e sua família.

 

Texto: Paulo Beja