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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BRAVURA: UMA DEFINIÇÃO COMPORTAMENTAL

13.07.13 | António Lúcio / Barreira de Sombra

O conceito de bravura tem evoluído ao longo dos anos e parece um conceito vago e indeterminado, tantas as interpretações a que se presta a análise do comportamento do toiro durante a lide ou durante a tenta. Diz-se que quando sai o bravo de verdade não existem úvidas para ninguém, mas como cada um tem a sua opinião e cada ganadeiro o seu conceito de bravura, procurei em vários livros algo que nos ajudasse a compreender este conceito tão importante que é a bravura.

 

Comecemos por uma enciclopédia denominada “Los Toros” (1):

 

“A bravura não é uma constante biológica nos indivíduos da mesma casta; nem sequer constante no mesmo animal. (...)

A bravura – digamos, o arrogante instinto de ataque, a poderosa valentia para a peleja, a impulsividade agressiva desconhecedora do perigo – faz do toiro um animal magnífico ao que ao mesmo tempo se admira e se teme. No bom toiro de raça, a bravura tem duas características:

O ataque do toiro é consciente e directo: a sua investida é em linha recta; nada nela recorda a sinuosidade e emboscamento dos felinos; a sua característica é a nobreza.

A luta do toiro é até ao final, que desconhece. Não se condiciona ao domínio do lidador por cobardia, mas por sangramento e por fadiga. Não se submete, antes cresce ao castigo: a sua condição é a valorosa defesa da sua independência.”

 

Juan Pedro Domecq de Solís, grande aficionado e ganadeiro, foi prolífico na sua forma de escrever e dissertar sobre a bravura e a toureabilidade, plasmando estes conceitos  - para além de muitos outros – no seu livro “Del Toreo a La Bravura” (2), de onde retirámos os excertos que se seguem e nos permitem entender a paixãocom que se entregou à selecção do toiro bravo de lide:

 

“Quanto a condições de comportamento,deve ter o que chamo «bravura integral», ou seja, capacidade de lutar em todos os tércios da lide até à extenuação total, e esta luta tem de a fazer com um determinado estilo, para permitir com as suas arrancadas que o toureiro possa criar a sua arte pessoal e conformar a faena como uma luta onde as componentes artística e estética são fundamentais.”

 

E, continua

“Quero um toiro que me emocione nas suas investidas, que seja capaz de incendiar interiormente um toureiro para que crie a sua própria obra, e quase se esqueça de si próprio toureando, porque ele também tem de se enamorar da obra que realiza. Quero um toiro que desde o princípio ao fim, dê espectáculo, porque tem de combater sem reparar noutra coisa, ou seja, simplesmente atacar.

Apesar de que na sua acometida sejam necessários, para que se realize com ele uma obra de arte, uma série de ingredientes, como são o ritmo, o recorrido, o meter a cara, a profundidade n a investida, a velocidade mais ou menos uniforme da mesma, a fixação nos enganos, a alegria das suas arrancadas, o arrancar-se desde uma certa distância e o querer colher  aquilo que se move durante todas as suas investidas. E esse toiro, a que também há que dar-lhe alguns descansos durante a lide porque se está empregando constantemente, tem de ansiar em cada arrancada alcançar os vôos do capote e da muleta; esse toiro é o que pode dar como resultado a tauromaquia que eu sinto.”

 

Depois de Juan Pedro Domecq, passamos à definição comportamental de bravura, tal e como a entende o professor e médico veterinário espanhol José Luis Prieto Garrido no livro “Cómo ver al toro en la plaza” (3) após analisar vários tratadistas e muitos estudos científicos.

 

De acordo com esta definição comportamental, o “bovino de lide bravo seria aquele que durante a lide (...) mostra uma actividade constante, galopando, com recorrido, ritmo, agilidade e rapidez; que se arranca com prontidão, decisão, veemência, galopando e repetindo; que manifesta uma persistência na sua atenção visual e auditiva durante toda a lide; que investe para o cavalo metendo a cara, empurrando com força e repetindo; que investe aos enganos metendo a cabeça e os rins, com estilo, ritmo e rematando a sorte; que mostre agressividade, combatividade e codícia durante a lide; que a sua investida se caracteriza pela clareza e franqueza; que apresenta vigor, robustez e resistência durante toda a lide; que transmita viveza e ânimo provocando emoção no público e que aumenta a sua acometividade e pujança quando é castigado.”

 

Notas:

(1) Los Toros, Libreria Editorial Argos S.A., Barcelona, 1966, textos de Antonio Abad Ojuel e Emilio L. Oliva

 

(2) Del Toreo a la Barvura, Juan Pedro Domecq de Solís, Alianza Editorial, Madrid, 2009

 

(3) Cómo ver al toro en la Plaza, José Luis Prieto Garrido, Almuzara, 2009

RETENTA NA GANADARIA DE JOSÉ LUÍS COCHICHO

13.07.13 | António Lúcio / Barreira de Sombra

 

 

 Academia de toureio do Campo Pequeno, retenta  vacas de mais de 20 anos na ganadaria de José Luís Cochicho. Os alunos  da Academia Sérgio Nunes (que se apresenta de luces dia 13 na novilhada no tentadero do cabo), Diogo Peseiro, Martinho, Frederico Henriques, Erick Medina  o ganadero José Luís Cochicho e o maestro  professor da Academia José Luís Gonçalves  proporcionaram excelentes momentos de toureio.

 

Fotos: Frederico Henrique