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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

18 DE JULHO ÁS 22H - CONCURSO DE PEGAS NO CAMPO PEQUENO

08.07.13 | António Lúcio / Barreira de Sombra

 

A figura do Forcado por si só diferencia a corrida à portuguesa no contexto da tauromaquia. Figura genuinamente portuguesa, o forcado é sinónimo de raça e valentia levadas ao extremo já que a sorte que executa se baseia em provocar o confronto físico directo com o toiro para depois o dominar, contrariamente ao que fazem os restantes intervenientes no espectáculo tauromáquico que realizam as sortes evitando sempre o impacto directo homem-toiro. Em termos gerais, na pega provoca-se a colhida e nas restantes sortes do toureio domina-se o toiro, procurando evitar a colhida.

 

O concurso de pegas de caras que se realiza na corrida de hoje, ganhou já foros de tradição na temporada tauromáquica de Lisboa. Desta vez estarão em praça três grupos de forcados representando as duas regiões do país onde a tauromaquia e, concretamente, a arte de pegar toiros, tem mais cultivadores. Pelo Alentejo está em praça o grupo de forcados Amadores de São Manços, capitaneado por Joaquim Branco e, pelo Ribatejo, dois grupos da Chamusca: Os Amadores da Chamusca, capitaneados por Nuno Marques e os Amadores do Aposento da Chamusca, capitaneados por Pedro Coelho dos Reis. Dois grupos que alimentam uma grande e sã rivalidade entre si.

 

Toureiam a cavalo o consagrado Rui Salvador que alterna com os jovens Filipe Gonçalves, um valor em ascensão e grande triunfador das corridas da feira de Santarém e Marcos Bastinhas, um valor consolidado entre a nova vaga de cavaleiros tauromáquicos.

 

Serão lidados seis imponentes toiros da ganadaria António Charrua que se apresenta pela primeira vez no Campo Pequeno, após a reinauguração da praça. A sua antiguidade remonta a 3 de Maio de 1970, na cidade de Évora. Procedente da ganadaria de João Coelho Capaz, na actualidade o seu encaste é Soler e Pinto Barreiros.

 

Alteração dos horários das corridas de toiros no Campo Pequeno

 

A Sociedade Campo Pequeno SA informa que a partir de 18 de Julho, inclusive, a hora de início das corridas de toiros no Campo Pequeno voltará a ser às 22 Horas, retomando-se, deste modo, uma tradição de várias décadas.

QUE FUTURO SEM PÚBLICO NAS PRAÇAS E SEM TAUROMAQUIA NA COMUNICAÇÃO SOCIAL?

08.07.13 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Nos últimos tempos, e as imagens não o desmentem, assistimos a um cada vez maior número de espectáculos em que as bancadas se apresentam mal compostas de público, para não dizer desoladoramente vazias. A esmagadora maioria dos bilhetes mais baratos vende-se rapidamente e os restantes vão saindo das bilheteiras a conta gotas e até verificamos situações em que as pessoas chegam à bilheteira e quando vêem os preços, fazem meia volta. O preço de um bilhete normal, de bancada de sol, não deveria nunca exceder o valor de um dia normal de trabalho. Os senhores empresários têm de rever a sua política de preços e de adjudicações e contratações. É essencial.

 

Falo-vos da política de preços por achar que tal é essencial à continuidade do espectáculo. A juventude tem de ter preços especiais; os reformados idem; e o preço do bilhete de sol (em corridas diurnas porque nas nocturnas não faz sentido haver sol e sombra) não pode exceder os 20 euros (e já é mais do que um dia de salário mínimo…) sob pena de a generalidade das pessoas não poder ir aos toiros.

 

Outro dos problemas que considero essencial ser resolvido tem a ver com a política de adjudicação das praças. Pagar valores elevadíssimos pelos arrendamentos das praças é um perfeito disparate pois inflaciona brutalmente o preço final a pagar pelo espectador. Diminuir os valores de arrendamento e com isso permitir um preço de bilhete 10 a 20% mais barato permitiria, quiçá, aumentar a média de espectadores. E que os empresários apostem também em ¾ de praça para pagar o espectáculo, em vez de ¼ de praça…

 

As contratações de toureiros, num momento em que carecemos de um toureiro líder capaz de arrastar multidões, devem ter em conta o interesse regional. Colocar toureiros que pouco ou nada dizem numa determinada corrida, muitas das vezes fora de data, só fará aparecer muito cimento a descoberto nas bancadas. E a promoção do espectáculo, nos dias de hoje, não pode ser apenas uma megafonia num carro e colar cartazes a esmo por essas terras fora. Existem muitos e bons meios de publicitar uma corrida de toiros e há que os aproveitar e potenciar assim os espectáculos.

 

Continuando sobre o interesse regional de certos toureiros: os empresários têm de saber sentir o pulsar da zona onde realizam espectáculos. Têm de procurar saber que toureiros encaixam naquela zona, escutando o povo que paga bilhete, as tertúlias… Têm de sentir esse bater de coração quando se fala no nome de um determinado artista. Se dois dos três toureiros contratados para uma corrida nada ou muito pouco dizem ao público da zona, qual será o resultado na bilheteira?

 

A todos estes factores há que juntar o da actual crise económica, que é uma realidade. Mas não será essa também uma desculpa para cartéis mais fracos e a preço de figuras? No nosso país, em que as edilidades e o Governo não patrocinam nem aliviam a carga fiscal de um espectáculo como o dos toiros, há que ter muito engenho e arte para conseguir alguns patrocínios que viabilizem determinados espectáculos. Porque se a tradição um dia se perde, demorará muito a ser recuperada, se é o vá ser num futuro próximo.

 

O ditado popular diz que só se lembram de Santa Bárbara quando troveja. O mesmo é dizer que só no dia em que acabarem os espectáculos é que se irão lembrar de como antigamente é que era bom. Mas até lá não mexem uma palha!

 

O mesmo se diga da presença da Tauromaquia nas rádios, televisões e jornais. Toda a gente critica mas ninguém mexe uma palha para que não acabem os programas de tauromaquia nas rádios… O «Arte & Emoção» desapareceu da grelha da RTP e ninguém disse nada nem se movimentou a exigir a sua continuidade… e, a exemplo do que aconteceu com algumas rádios, em que os programas de tauromaquia desapareceram, apesar de se terem tornado referência e ajudado a promover a Festa Brava, ninguém mexeu uma palha.

 

Um dia destes deixará de haver tauromaquia na rádio como já deixou de haver também em muitos jornais,  e até o Farpas passou a blogue… É este o futuro que querem?