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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

CORRIDA EM VILA NOVA DE MILFONTES

18.06.13 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Depois do êxito de 2012, Vila Nova de Milfontes volta a receber uma corrida de toiros já no próximo dia 13 de Julho (sábado), pelas 22 horas.

 

A Casa do Povo de S. Luís, promotora do espectáculo contratou para esta corrida os cavaleiros Joaquim Bastinhas, Filipe Gonçalves, que regressa depois do triunfo gordo alcançado em 2012 e ainda António Maria Brito Paes. A organização já tem apartado no Monte Velho um curro de toiros de Brito Paes. Na forcadagem estarão em competição do amadores de Lisboa e Cascais.

 

A organização alugou este ano uma praça com maior lotação, tendo em vista evitar que fiquem pessoas de fora, pois recordamos que em 2012 a lotação esgotou por completo e com dezenas de aficionadao a ficarem na rua.

 

As receitas deste ano tem como objectivo finalizar as obras de construção do Lar de Idosos de S. Luís, que começaram, recordamos, com os lucros da corrida de 2012.

ANTÓNIO PRATES ATUARÁ EM ALCÁCER DO SAL

18.06.13 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Em virtude de lesão do jovem cavaleiro Francisco F. Núncio, o cartel da I Garraiada das Tasquinhas que terá lugar na madrugada de 22 para 23 de Junho pelas 02:00 horas em Alcácer do Sal, foi obrigado a sofrer alterações.

 

Nesse sentido, as empresas Emoção e Tauroleve anunciam a reaparição de António Prates que faz a reaparição após um ano de ausências das arenas.

 

O cartel ficará assim composto pelos jovens cavaleiros Cristina Marques, António Prates, Mara Pimenta e António Núncio, bem como pelo espada Pedro Noronha - aluno da Escola José Falcão -, e pelos forcados amadores de Montemor e Vila Franca, que lidam e pegam exemplares de Vale Sorraia e David Ribeiro Telles.

SOMOS ASSIM... E NÃO MUDAMOS!?

18.06.13 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Somos assim... e não mudamos!?

 

É este o registo que retenho deste 10 de Junho de 2013. Após ver e ouvir, o séquito real nas cerimónias com que se pretendeu celebrar o dia de Portugal, este ano, por terras socialista de Elvas, ou os poderes locais, entre uma ponte  e um pequenicão, passando pela estúpida sobrançaria e indiferença demonstrada pelos rapazes da, dita 'nossa selecção', com os ingénuos emigrantes que os aguardavam na Suiça, estavam reunidos os 'engredientes genuínos' do caldo sócio/cultural portuga. Somos assim... e não mudamos!?

 

Parece que não! Porque não queremos. O que desde logo pressupõem que tudo vai bem cá pela coutada, coisa que alguns, mais dados a benevolentes locubrações intelecto/sociais, vulgo abandalhamento, apelidam de 'diferença de opinião', ou 'direito à diferença'. Dizia o poeta que, 'omundo pula e avança, como bola colorida nas mãos de uma criança'. Mas dizia também, ' eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida... e sempre que um homem sonha, o mundo pula e avança...' E nós, por cá, até de sonhar, já temos medo. Tantos os pesadelos com que fomos brindados. A nossa vida colectiva, o nosso penar social, triste, bisonho e de permanente instabilidade, tem culpados, tem responsáveis, tem autores com nome e apelido. Os três bons pontos com que iniciei este meu registo do dia de Portugal, que não dos portugueses, uma celebração feita num dia de céu de chumbo, em época que já devia ser recheada de sol e aragem quente, tempo de fim de Primavera e abraço de Verão, como exemplos, são marcas do nosso código genético, da nossa alma ibérica, que 'nem coisa... nem sai de cima'. Alma ibérica, uma forma de ser e estar que um insigne brasileiro, Luís Fernando Verissímo intreperta num texto que chamou de: - Touradas.

 

É esse texto que deixo à consideração, goste-se ou desgoste-e da festa brava, de cá ou de lá.

 

            “A alma ibérica se divide em duas, uma mais caliente e a outra menos. Portugal é uma Espanha ponderada. A divisão está evidente na tourada, essa metáfora para todas as dicotomias humanas. Na Espanha matam o touro, em Portugal apenas o irritam. Ainda não se chegou a um acordo sobre o quê, exatamente, toureiro e touro simbolizam.

 

A metáfora não é clara. Razão x instinto? Cultura x natureza? Civilização x força bruta? Ou — como li em algum lugar — tudo não passa de um ritual de sedução, com o Homem subjugando a Mulher, a Besta Primeva e todos os seus terrores, numa espécie de tango sangrento em que não falta uma penetração no fim?

 

Ou o toureiro gracioso é a mulher estilizada e o touro resfolgante uma paródia de homem? Enfim, seja o que for que se decide numa arena de touros, os espanhóis terminam o ritual, os portugueses deixam pra lá.

 

Na Argentina, os líderes militares da época da repressão foram processados e as atrocidades cometidas pela ditadura punidas, ou pelo menos amplamente discutidas. No Chile, aos poucos a história ainda mal contada do governo Pinochet se incorpora à história oficial do país — para ser reconhecida e expiada, para que reconciliação não signifique absolvição e para que nunca mais se repita

No Brasil, a repressão foi menos assassina do que na Argentina e no Chile — se é que se pode falar em graduações de barbaridade — e ninguém ainda teve que dar muitas explicações. No caso, a simpática irresolução portuguesa desserve a História. Pois, se o touro continua vivo, o que há para expiar? Aqui, até agora, venceu o deixa-pra-lá-ismo.

 

Já que temos que ser ibéricos, o que é melhor, ser português ou espanhol? Os espanhóis parecem viver mais perto do coração selvagem da vida. Os portugueses preferem menos drama e menos sangue.

 

Voltando ao touro: uma tourada espanhola sempre acaba com o animal morto, com uma resolução. Uma tourada portuguesa pode ser um espetáculo emocionante, mas o touro sobrevive e nada se resolve. E ainda se discute se convém irritar o touro.”

 

É 'soprando no vento' que se encontrará a resposta?

 

José Andrade - MaisSemanário, 10 de Junho de 2013

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