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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

PRIMEIRO ESPECTÁCULO DA TEMPORADA DEU PARA MATAR SAUDADES

02.02.13 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Praça de Toiros “Libânio Esquível” – Mourão – 1 de Fevereiro

Categoria: Festival Taurino

Director: Agostinho Borges – Veterinário: Matias Guilherme – Lotação: cheia

Cavaleiros: Tiago Carreiras, Marcelo Mendes

Forcados: Póvoa de São Miguel

Espadas: Javier Solís, Joselillo, Miguelin Murillo, Agustin de Espartinas, Manuel Dias Gomes

Ganadarias: Varela Crujo (2) e Murteira Grave (5)

 

PRIMEIRO ESPECTÁCULO DA TEMPORADA DEU PARA MATAR SAUDADES

 

A tradicional data de 1 de Fevereiro e a alentejana vila de Mourão voltaram a marcar o início da temporada tauromáquica em Portugal e, com bom tempo e casa cheia, homenageou-se postumamente a figura do Engº Joaquim Grave com um festival taurino misto, altamente remendado e modificado em face do cartel inicialmente apresentado. Serviu, acima de tudo, para reencontrar caras conhecidas e matar saudades do toiro e do toureio, ao vivo.

 

Havia fundadas expectativas quando o cartel inicial foi anunciado, com vários matadores espanhóis de interesse, nesta homenagem  a uma figura emblemática do mundo taurino recentemente desaparecida e cuja família mantém o seu carisma e leva longe o seu e o nome de Portugal sempre que se lidam toiros seus. A adesão popular foi de forma a encher a praça apesar de três dos matadores terem sido substituídos, justificadíssima a de Antonio Ferrera que fez questão de marcar presença na praça, de braço ao peito após a cirurgia a que foi sujeito, vítima de um corte com um estoque de matar.

 

Matar matámos as saudades de sentir o toureio ao vivo, na praça, e de sentir o calor humano dos aficionados. Mas, convenhamos também, não ficou muito na retina para recordar de uma tarde em que nem sempre os toiros e novilhos ajudaram e os toureiros também nem sempre se conseguiram acoplar às investidas e sacar o melhor partido para a sua lide. E os forcados também sentiram na pela a dureza dos toiros lidados a cavalo e a falta de eficácia, por vezes, dos ajudas. Registe-se também que até a Banda Mouranense nem sempre se entendeu com o director de corrida Agostinho Borges...

 

A tarde, no capítulo das lides, abriu com a actuação de Tiago Carreiras. Lide irregular, com alguns ferros de melhor nota a par de outros de menor valia, e sem arriscar. O mesmo se pode dizer de Marcelo Mendes, frente a um toiro mais reservado e que exigia mais que o do seu companheiro de cartel. Para ambos fica o conselho de que devem avaliar melhor as condições de lide dos toiros e as sus querenças e que no toureio o que é deveras bom se faz devagar.

 

Os Forcados da Póvoa de São Miguel sentiram na pele os derrotes mais fortes dos toiros e nem sempre ajudaram como seria desejável. Contudo, houve raça e entrega e consumaram as duas pegas de caras por intermédio de André Batista (3ª) e de Rui Reis (4ª), este com duas enorme intervenções e onde as ajudas não consgeuiram parar o toiro.

 

No toureio a pé, ficaram na retina as actuações de Javier Solís e de Manuel Dias Gomes. Pertenceram-lhes os momentos de maior impacto da tarde/noite e o bandarilheiro Cláudio Miguel saudou após o tércio de bandarilhas ao sétimo da ordem.

 

Javier Solís esteve em bom plano na faena de muleta após ter recebido com algumas verónicas aquele que foi segundo da tarde. Mercê da vontade do matador, que rompeu a cintura para ligar em redondo a maioria dos muletazos, o novilho decidiu colaborar numas quantas séries pelo lado direito e nuns quantos naturais que foram de boa nota. O toureiro esteve entregado e bem por cima da qualidade do novilho.

 

Joselillo teve por diante um novilhote que entendeu bem e após as verónicas iniciais, construiu uma faena de muleta que, na segunda metade, teve interesse por ser mais ligada apesar do exemplar de Grave ter buscado o refúgio das tábuas que, no caso de Mourão, são a parede de cimento da barreira. A maioria do seu labor foi baseado em séries ao natural, o melhor lado da rês e sacou-lhe alguns de boa nota. Meteu-se com o novilho e obrigou-o a investir mesmo onde parecia querer ir-se embora.

 

Miguelin Murillo recebeu bem o quinto da ordem com verónicas e chicuelinas. Iniciou bem a faena de muleta, por baixo e pelos dois lados, metendo o novilho na muleta e a espaços sacando melhores muletazos. Foi a meio da faena que conseguiu ligar os naturais e depois de novo por derechazos mas já com pouca colaboração do novilho.

 

Pouco há para dizer do toureio de Agustin de Espartinas, jovem matador que apenas lanceou a fixar o oponente e com a muleta esteve num palno sofrível sem conseguir ligação e acoplamento face a um novilho com complicações e que não lhe facilitou a vida. Roubou-lhe passes, um ou outro de melhor execução e já no fim duas séries mais ligadas. Soube a pouco.

 

Caída a noite saíu à arena o sétimo e último exemplar, destinado este ao novilheiro Manuel Dias Gomes. E os lances à verónica, rematados de meia e rebolera tiveram impacto no público. Com a muleta esteve em plano interessante, bem ligados os muletazos pelo lado direito mas depois a vir a menos ao tentar os naturais e não conseguindo a colaboração do astado. Voltou a subir de nível pelo lado direito sempre e quando deu distâncias e perdeu um passo entre muletazos.

 

Lidaram-se dois toiros cinquenhos de Varela Crujo, gordos e que tinham que lidar, exigindo e não perdoando. Que o digam os forcados. Para o toureio a pé saíram cinco novilhos de Murteira Grave, diversos de tipo e de presneça, manseando na generalidade, dois deles mais bruscos (5º e 6º) e pouco interessados na lide.

 

Dirigiu o espectáculo o antigo forcado Agostinho Borges assessorado pelo veterinário Matias Guilherme.

 

Crónica de António Lúcio