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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

MARCELO MENDES TRIUNFA EM FREIXIANDA

25.06.12 | António Lúcio / Barreira de Sombra

 

Praça de Toiros em Freixianda – 24.06.12

Director: Ricaro Pereira – Veterinário: João Maria Nobre – Lotação: ½ casa

Cavaleiros: Luis Rouxinol, Pedro Salvador, Marcelo Mendes, Filipe Vinahis

Forcados: Ribatejo, Alter do Chão, Alenquer´

Ganadarias: Ascensão Vaz

 

MARCELO MENDES TRIUNFA EM FREIXIANDA

 

A tarde foi de imenso calor, com elevada temperatura atmosférica, mais propícia a banhos numa qualquer praia do litoral oeste ou no Agroal ali bem perto da vila de Freixianda. Não se encheu a praça de toiros instalada no campo de futebol e aqueles que se protegeram dos raios do deus Rá - o deus-sol – perderam alguns bons momentos de toureio numa corrida onde triunfou Marcelo Mendes na lide ao quinto toiro da ordem, como os restantes de Ascensão Vaz, bem apresentados e com pouco força e vontade de colaborar, sendo manso e sem qualidade o saído em quarto lugar.

 

Luis Rouxinol enfrentou, a sós, o pior dos seis que saíram à arena. Mértio na forma como abordou a lide, quer na brega quer nas sortes, com dois curtos de muito bom nível e com um grande par de bandarilhas e um ferro de palmo a rematar uma lide de raça e de entrega plena que o público soube aplaudir.

 

Pedro Salvador enfrentou um toiro manso e distraído que cedo procurou o refúgio em tábuas. E, com a sua habitual entrega, encontrou soluções para deixar a ferragem com uma lide interessante e onde o primeiro curto, camiado, foi d eboa nota assim como o terceiro a atacar em curto. Incompreensivelmente o candidato a director Francisco Calado não o deixou cravar mais um ferro apesar de só lhe ter enviado um aviso.

 

Filipe Vinhais actuou em terceiro lugar e frente a um bom toiro esteve desembaraçado na forma como cravou a ferragem da ordem, muito bem em dois curtos entrando de frente.

 

Marcelo Mendes foi o triunfador da corrida com uma grande actuação frente ao quinto da ordem, que recebeu à porta dos currais, dobrando-se com ele no centro da arena e cravando bem os compridos. Sacaria depois o craque da sua quadra, o Único, e à brega de grande proximidade, em ladeios de bela execução, seguiram-se dois curtos de excelente nota em sortes frontais, bem rematados. Bons momentos de toureio e bons ferros numa actuação muito acima da média.

 

A corrida abriu com uma lide a duo entre Luis Rouxinol e Marcelo Mendes, numa actuação que resultou entretida mas apenas isso. Rouxinol bregou bem e cravou alguns bons ferros curtos, apresentando duas novas montadas (Zacarias e Amoroso), e Marcelo Mendes viu-se com agrado apesar um toque mais forte na cravagem do primeiro curto.

 

Também a duo foi a lid edo último da quente tarde, com Pedro Salvador e Filipe Vinhais a nem sempre se entenderem e a prolongarem em demasia a lide ante um toiro que não deu facilidades e onde houve muitas passagens em falso. Esteve melhor Salvador em dois curtos.

 

O capítulo das pegas esteve a cargo dos Amadores do Ribatejo, Alter do Chão e Alenquer, nem sempre com total acerto dos forcados da cara e das ajudas, a complicarem, por vezes, e prejudicando o ritmo do espectáculo. Pelos Amadores do Ribatejo pegaram João Ramalho à 4ª tentativa por estar mal a receber o toiro e João António também à 4ª tentativa; por Alter do Chão foram forcados de cara Jorge Négui numa dura cara ao primeiro intento e João Adegas Coelho também à primeira tentativa. Quanto aos Amadores de Alenquer, João Cruz apenas concretizou à terceira e Telmo Ribeiro à primeira.

 

Na direcção da corrida esteve um troika composta por Ricardo Pereira (correcto nas duas lides que supervisionou), Francisco Calado (não respeitou os tempos de lide e os avisos a enviar aos toureiros; não se pode dizer que acabou a lide quando só se nviou um recado sonoro) e José Costa Soares (também sem critério nos tempos de lide, nomeadamente no que encerrou praça); como veterinário esteve o Dr. João Maria Nobre.

 

AS PRÓXIMAS CORRIDAS DE TOUROS

22.06.12 | António Lúcio / Barreira de Sombra

SEXTA-FEIRA, 22

CARTAXO - 22.15 horas. Garraiada e Recortadores. 4 reses de Álvaro Bento para Manuel Oliveira e Parreirita Cigano (filho), Forcados Juvenis do Cartaxo (estreia) e os bezerristas da Escola de Toureio da Azambuja: João Martins, Luis Gonçalo, Rui Jardim e Rui André. Exibição de Recortadores com o Grupo Português "Toro Y Emoção".

 

SÁBADO, 23

ALCOCHETE - 18.30 horas. 5º Festival da Juventude. 4 reses de José Samuel Lupi (3 vacas para a lide a cavalo) e Paulo Caetano (1 novilho para a lide a pé) para Marta Valente, Rubén Inácio e Diogo Gomes, Forcados do Futuro de Alcochete e João Martins.

 

ARRONCHES - 22 horas. 5 Touros de Francisco Romão Tenório para João Moura e Marcos Bastinhas, mano-a-mano. Forcados de Portalegre e Arronches. Variedades taurinas: 1 novilho de Francisco Romão Tenório para Miguel Moura.

 

DOMINGO, 24

FREIXIANDA  - 17 horas. 6 Touros de Nuno Casquinha para Luis Rouxinol, Pedro Salvador, Marcelo Mendes e Filipe Vinhais. Forcados do Ribatejo, Alter do Chão e Alenquer.

 

GUARDA - 17 horas. 6 Touros da Casa D'Avó para Joaquim Bastinhas, Marcos Bastinhas e Gonçalo Fernandes. Forcados de Montemor e Coimbra.

 

ALCÁCER DO SAL - 18 horas. 6 Touros de Herds. Cunhal Patrício para João Moura, Rui Fernandes e João Moura Caetano. Forcados de Lisboa e Alcochete.

 

ANGRA DO HEROÍSMO (Ilha Terceira) - 18 horas. 6 Touros de Rego Botelho (2), Casa Agrícola José Albino Fernandes (2) e João Gaspar (2) para João Salgueiro, João Ribeiro Telles Jr. e Rui Lopes. Forcados da Tertúlia T. Terceirense e Ramo Grande.

 

SEGUNDA-FEIRA, 25

ANGRA DO HEROÍSMO (Ilha Terceira) - 18.30 horas. 6 Touros de Casa Agrícola José Albino Fernandes (4 para lide a cavalo) e Rego Botelho (2 para lide a pé) para João Ribeiro Telles Jr. e Tiago Pamplona, Forcados da Tertúlia T. Terceirense e Ramo Grande e o matador Iván Fandiño.

 

TERÇA-FEIRA, 26

ANGRA DO HEROÍSMO (Ilha Terceira) - 18.30 horas. 6 Touros de Rego Botelho para José Luis Moreno, Miguel Ángel Perera e Arturo Saldívar.

 

QUARTA-FEIRA, 27

ANGRA DO HEROÍSMO (Ilha Terceira) - 11 horas. Bezerrada infantil. 2 novilhos de João Gaspar para João Pamplona e 2 bezerras de Rego Botelho para o bezerrista "El Calerito".

 

SEXTA-FEIRA, 29

ALBUFEIRA - 21.30 horas. 3 novilhos de São Marcos para Alexandre Gomes e Cristina Marques, Forcados da Póvoa de S. Miguel e o novilheiro Tiago Santos.

 

ÉVORA - 22 horas. 6 Touros de Pinto Barreiros para Joaquim Bastinhas, António Ribeiro Telles, Luis Rouxinol, Gilberto Filipe, João Moura Caetano e João Maria Branco. Forcados de Évora.

 

SÁBADO, 30

MONTIJO - 22 horas. 6 Touros de Ernesto de Castro para Joaquim Bastinhas, Rui Fernandes e João Ribeiro Telles Jr. Forcados da Tertúlia T. Montijo, Amad. Montijo e ABV de Alcochete.

 

TORRES VEDRAS – 21H45 – Rouxinol Jr, Forcados de Sanatrém 81 novilho Passanha) - 22 horas. 6 Touros de Passanha para João Moura, António Ribeiro Telles e Luis Rouxinol. Forcados de Santarém e Alcochete.

ÉVORA - 22 horas. 6 novilhos de Rio Frio, António Charrua, São Torcato, Luis Rocha, José Luis Cochicho e Falé Filipe para Verónica Cabaço, Manuel Vacas de Carvalho e Alexandre Gomes, Forcados de Évora, Diogo Peseiro, Pedro Cunha e João Rodrigues.

SOBRAL DO MONT’AGRAÇO – AS SUAS BELEZAS NATURAIS – O SEU PROGRESSO (1)

20.06.12 | António Lúcio / Barreira de Sombra

 

Quem percorrer o país de lés a lés, este jardim encantado de belezas congénitas que é o nosso querido Portugal, por certo, que em todos os pontos, encontrará motivos fortes em que o seu espírito enlevado na contemplação do belo, lhe falará à alma num arroubo de sensação maravilhosa, que o deixará extáctico. Não será de somenos importância o poder  de arrebatamento que os rencantos desviados da civilização lhe possam despertar e que o acaso lhe proporcione. Admirando a paisagem deslumbrante que aqui enleia a vista, acolá os quadros paisagísticos de um pictórico natural que fascinam, em conjunto com um arvoredo umbroso que na Primavera frondea exuberante, inebriará os órgãos sensitivos da sua maneira de ser de artista. O rescender perfumado da floricultura campestre a todos obriga a tornar cativos das surpremas galanterias que a natureza encerra, pródiga em fantasiar, com requintes de arte pura, os seus recessos mais escaninhos.

 

Com todos estes atractivos aliciantes, numa amálgama de pitorescas cores que bem dispõem, enquadrado num sistema de índoles e boas qualidades que a simpatia de um povo patenteia e sobrepticiamente sabe comunicar sem oferta generosa a todo o seu visitante, está a ridente e sobranceira vila de Sobral do Monte Agraço, sempre preparado para receber o forasteiro que a admira embevecido.

 

Assentada numa colina de pendor suave, é frequentemente acometida pelas neblinas que descem do forte do Alqueidão, envolvendo-a completamente durante noites inteiras de um manto alvacento para, ao romper da aurora, paracer aureolada de um rubor ouro-pálido, marchetando de tonalidades bizarras as casas e os burgos das cercanias da vila.

 

Foi ao parapeito de uma janela que deitava para o cercado de uns terrenos contíguos e àquela hora em que chegavam os primeiros acordes de um rouxinol que acabara de se desalcandorar de um sobreiro distante e o Sol principiava por debruar com rendilhados de oiro as velas brancas dos moinhos de vento, erectos no alto de um cómoro em frente, que o poeta sonhador e embalado pelas auras refrescantes de uma manhã outonal, coberta de nimbos, se pôs em recolhida recitação:

 

I

Sobre o topo de um colina ingente,

E ao sibilio do Zéfiro madraço,

Povoou-se um lugar. E muita gente

O apelidou: -­Sobral do Monte Agraço.

 

Pulcra terra de canções e cantigas,

Que ao meigo luar de um sereno Agosto,

Lhe enfeitiçara as lindas raparigas,

Estranha fada de esquisito gosto.

 

Nessa noite encantada e de espavento

Sobral adormecera. E de momento,

Após um espasmódico sol-pôr,

 

Sobre a manhã em unísono lamento,

Acordara. Eram moinhos de vento,

Festejando o neófito em redor.

 

II

A noite acaba de morrer. O Sol,

Surdindo em apoteose doirada,

Rompe a custo o matinal arrebol!...

Brilha às costas do cavador a enxada.

 

Na ladeira íngreme, serpeia a estrada,

E à beira desta, a voz do rouxinol,

Solta brandos trinos à desgarrada,

Geme a brisa nas franças do serpol.

 

E no cimo da virente colina

Ledo varandim, donde se domina,

Em dias claros, o horizonte, o espaço,

 

Paira, agora, a neblina matinal,

Que iriza em reverberos de cristal

A vila de Sobral do Monte Agraço

 

*

 

Mas não e só a sede co concelho que possui destes encantos naturais; os arredores e os próprios lugares são de uma riqueza panorâmica deveras surpreendente.

Quem ainda não foi ao forte do Alqueidão, em cujo sopé se enraíza o povoado do mesmo nome, para disfrutar a paisagem magestosa que se estende a perder de vista para o lado das lezírias do rio Tejo, que, qual serpe preguiçosa se vê, na sua foz, morder as espumas do mar ?!...

Qual o paisagista desatento que não tenha subido ao cume da serra do Socorro para se extasiar perante a policromia berrante dos painéis mosqueados de beleza rara, dignos do pincel mágico de um grande pintor?!...

De lá, com uma simples luneta de alcance, fácil é descortinar o mundo do sonho e da visão musical das Valkirias – as ilhas Berlengas – que convidam a uma viagem de recreio, não em «famosa cavalgada», mas instalado em bom e confortável automóvel, até Peniche, até ao Cabo Carvoeiro e, depois, de barco, até àquelas ilhas tão nossas, tão portuguesas...

 

*

A vila do Sobral, não oferece, só, ao visitante, as suas belezas campesinas, o asseio das suas casas e das ruas.

Os seus habitantes, entregues à faina laboriosa das suas ocupações quotidianas, dão um exemplo vivo de gente trabalhadora e ordeira, sabendo cultivar com cuidadoso esmero o seu torrão natal que se desentranha, já pela amenidade do clima,  como pela fertilidade do terreno,em produtos, que vão desde as frutas saborosíssimas ao azeite, com predominio acentuado para o cultivo da vinha e produção cerealífera.

É isto o que se observa no que diz respeito ao desenvolvimento agrícola do concelho, mas há também que encará-lo sob o aspecto  de melhoramentos locais e no capítulo da ordem, disciplina e progresso desta região, à frente da qual se encontra o sr. Zeferino da Silva, um Presidente da Câmara e um homem inteligente e trabalhador, que em rasgos de iniciativa tem contribuído grandemente para a causa do concelho, não se havendo acertado melhor na escolha, por reunir todas as qualidades necessárias que  fazem parte integrante de toda e qualquer  entidade em destaque nestes meios e que constitue, afinal, o apanágio adequado a todo o bom dirigente.É de admirar o seu esforço em obras de carácter filantrópico, pelo seu elevado alcance social, ao ponto de não tergiversar, apesar de todos os contrtempos, arcando com as responsabilidades de uma construção moderníssima – a edificação do Hospital, que deverá, talvez, ainda ser inaugurado vpor todo o ano decorrente. Mercê, também,  da sua insistente tenacidade e pertinaz energia, há a considerar, igualmente, o particular interesse que lhe têm merecido as obras já realizadas e a levar a cabo nos diversos lugares da área da sua acção, pletórica de dinamismo e de dedicação pelos interesses concelhios.

São disso exemplo frisante os melhoramentos não só na sede, como nos pitorescos povoados da Chã, Martim Afonso, Zibreira da Fé, Pero Negro, Molhados, Sapataria, Santo Quintino, Bespeira, etc., que falam bem alto e atestam insofismavelmente a sua acção realizadora, a que soube imprimir, também, um real e expressivo significado de política social.

E de ano para ano, a outros lugares, casais ou pequenos aglomerados populacionais, dispersosadentro do perímetro concelhio, fará a Câmara da sua presidência chegar os benefícios considerados inadiáveis e mais instantes, para que os seus munícipes se habituem, como o fazem já, a confiar esperançadamente que, naquilo que o seu Presidente se meter e prometer, será integralmente satisfeito e cumprido, porque atrás dos empreendimentos já efectivados com a sua directa interferência, outros se lhe seguirão e a que costuma apor sempre o cunho do seu grande zêlo e interesse abnegado.

Não descura, assim, o Município sobralense os interesses de todas as freguesias e por elas e pela sua prosperidade, higiene e comodidade das suas populações continuará, certamente, trabalhando com afinco.

Possui o Sobral óptimos estabelecimentos, um bom café – o Central – boas pensões e casas de pasto que muito bem servem e algumas colectividades, de entre as quais é justo destacar a Associação dos Bombeiros Voluntários, que possui uma corporação modelar, disciplinada e activa, com excelente material, da qual é digno comandante o sr. João Lopes da Silva Pais, que muitos serviços tem prestado não só ao Sobral como a muitas terras das proximidades e até de fora do concelho.

O Grémio da Lavoura do Sobral também tem vindo prestando os melhores serviços aos seus associados. Trata-se de um organismo corporativo da maior importância nesta região.

 

*

Todo este encantador rincão da área sobralense oferece aos seus visitantes um sem número de contrastes sugestivos e um poder estranho e misterioso nos impele à contemplação do que nesta terra há de belo e sublime, quer em obras de arte de larga projecção local e nacional, como o esplendoroso exemplar, em estilo manuelino, da histórica igreja de Santo Quintino, quer em belezas naturais, e, principalmente, porque os seus habitantes, de condição e natureza amáveis, proporcionam a toda a gente bom convívio e a sua tradicional hospitalidade.

As festas de Setembro , com os arraiais à moda do Minho, os ranchos folclóricos, as largadas de touros ao uso de Pamplona, enfim, a Festa Brava com todo o seu conjunto colorido, dão um impressionante aspecto de bulício e alegria a esta terra progressiva.

Não faltam, nas festas de Setembro, no Sobral do Monte Agraço, excelentes bandas de música que ali realizam sempre, no coreto da praça Dr. Eugénio Dias, nem bem organizadas corrridas de touros, nem animados arraiais.

São estas festas das melhores e mais bem organizadas da região, a que concorrem milhares de forasteiros.

Muito mais teríamos que dizer das belezas e do progresso porque tem vindo passando este formoso concelho, mas o espaço escasseia-nos – e o que deixamos hoje de escrever ficará para a próxima vez.

 

Manuel Cândido da Silva

 

(1) in Vida Ribatejana, número especial, Janeiro de 1951

Fotos: Joaquim Moniz

ARTE & EMOÇÃO PROGRAMA Nº 15 - 23-6-2012 - SINOPSE

20.06.12 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Prieto de la Cal – Uma ganadaria invulgar

 

No próximo Arte & Emoção largo destaque para a ganadaria Prieto de la Cal, detentora de um amplo reduto da casta Vasqueña e cujo proprietário, nos revela uma visão muito própria sobre a tauromaquia e a criação do toiro de lide.

 

Oportunidade ainda para saber mais passes do toureio a pé e ver a reportagem de uma iniciativa de cariz solidário que teve lugar no Tentadero do Cabo, em Vila Franca de Xira. e que juntou as mais importantes escolas de toureio de Portugal.

 

Outro dos temas deste programa tem a ver com a capacidade de se poder prever o comportamento de um toiro em praça, baseando-se na sua fisionomia e no seu comportamento – uma questão aliciante que nos fará meditar e reflectir.

CAMPO PEQUENO APRESENTA O TRIUNFADOR DA FEIRA DE SANTO ISIDRO (MADRID)

20.06.12 | António Lúcio / Barreira de Sombra

 

O matador de toiros Ivan Fandiño, eleito triunfador da edição deste ano da feira de Santo Isidro (Madrid) pela Telemadrid, estreia-se no Campo Pequeno na corrida de dia 5 de Julho.

A orelha conquistada dia 16 de Maio, uma das três que se concederam durante a “Isidrada” deste ano, atesta o seu valor e a sua determinação em atingir os lugares cimeiros no contexto dos matadores da actualidade, fruto de uma entrega total e de um toureio de grande profundidade.

No passado sábado, em Bilbau, Fandiño protagonizou mais um importante gesto na sua carreira, ao lidar seis toiros de seis ganadarias diferentes, perante o respeito e a admiração do público.

Fandiño alternará com o seu compatriota Antonio Ferrera, hoje em dia um dos diestros espanhóis mais acarinhados pelo público português vencedor, nas temporadas de 2010 e 2011 do “Galardão Campo Pequeno” para o melhor matador de toiros. Artista completo nos três tércios, é no de bandarilhas que a sua conexão com o público atinge o zénite.

Tal como Fandiño em Bilbau, também Ferrera se encerrará domingo, em Badajoz, com seis toiros, desta feita pertencentes à ganadaria de Victorino Martín.

A corrida de 5 de Julho constituirá também a oportunidade para que a empresa do Campo Pequeno homenageie dois importantes matadores de toiros portugueses, António dos Santos e Armando Soares, cujas trajectórias profissionais merecem o reconhecimento de todos os aficionados portugueses e que esta temporada celebram marcos importantes das respectivas carreiras. António dos Santos comemora dia 24 de Junho 60 anos de Alternativa, cerimónia apadrinhada por Luís Miguel Dominguín, tendo por cenário a antiga praça de toiros de Badajoz, ao passo que Armando Soares celebrará 50 anos sobre idêntica cerimónia, realizada em Sevilha (30 de Setembro), apadrinhada por Miguel Mateo “Miguelin”.

A parte à portuguesa está a cargo dos cavaleiros Joaquim Bastinhas e de seu filho, Marcos Bastinhas e ao grupo de forcados amadores de Alcochete, capitaneado por Vasco Pinto.

Lidam-se sete toiros, sendo três para a lide a cavalo, pertencentes à ganadaria de Santa Maria e quatro para a lide a pé, da ganadaria de Falé Filipe.

SEMANA DA CULTURA TAUROMÁQUICA E 80 ANOS DO COLETE ENCARNADO

19.06.12 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Vila Franca volta a viver a Festa Brava de 30 de junho a 8 de julho

Depois de ter sido a primeira autarquia do país a declarar a tauromaquia como património cultural imaterial municipal, a Câmara Municipal de Vila F. de Xira prepara-se para dar início às festividades tauromáquicas do ano no seu concelho, dando continuidade a uma expressão cultural que constitui uma das suas principais marcas identitárias.

 

Para a apresentação à imprensa da 23.ª “Semana da Cultura Tauromáquica”, e da 80.ª edição do “Colete Encarnado” será realizada uma conferência de imprensa esta 6.ª feira, 22 de junho, pelas 11h00, no Salão Nobre do Município (Praça Afonso de Albuquerque, Vila F. Xira). Na ocasião, para além da Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Maria da Luz Rosinha, também estarão presentes as entidades parceiras do Município na organização dos eventos; o Campino que foi o escolhido pelos seus pares para ser homenageado no “Colete Encarnado” e um representante do Grupo de Forcados Amadores de Vila F. Xira, que também completa 80 anos de existência em 2012.

 

1.º CICLO NACIONAL DE NOVILHADAS DAS ESCOLAS DE TOUREIO - 4.ª - SALVATERRA DE MAGOS - 17.6.2012

19.06.12 | António Lúcio / Barreira de Sombra

As ganas de Diogo Peseiro!

 

O quarto festejo do 1.º Ciclo Nacional de Novilhadas das Escolas de Toureio, realizou-se em Salvaterra de Magos, na tarde de 17 de Junho, com cerca de um quarto da lotação da praça preenchida.

 

Lidaram-se novilhos de David Ribeiro Telles, Manuel Coimbra e dois de João Ramalho, um deles em substituição do exemplar do Eng.º Jorge de Carvalho que se inutilizou nos curros. Todos os erales destinados aos bezerristas, de bonitas hechuras, tiveram comportamento positivo, com destaque para a nobreza dos exemplares de Ribeiro Telles e Coimbra, ainda que carentes de força. O de João Ramalho revelou algum génio.

 

Como tem acontecido na maioria destas novilhadas organizadas pelas Escolas de Toureio de Vila Franca de Xira, Moita e Academia do Campo Pequeno, têm-se esmerado os ganaderos em oferecer exemplares com que os jovens toureiros possam expressar os seus dotes, mas o despontar de novos talentos tarda em arrancar.

 

Nesta tarde de Salvaterra, pode-se dizer que os bezerristas não aproveitaram as condições dos bezerros que tiveram por diante, essencialmente por falta de atitude. Da terna, destacou-se Diogo Peseiro, da Academia do Campo Pequeno, numa faena de mais a menos em que, apesar das ganas evidenciadas, poderia ter sacado mais partido do bom exemplar de Manuel Coimbra. Também Pedro Noronha esteve por baixo do bom eral de Ribeiro Telles, sem atitude nem entrega. O que revelou menos condições para singrar na profissão foi Diogo Damas, da Escola da Moita, sempre mal colocado e sem firmeza.

 

Na lide a cavalo, frente a um manso distraído de João Ramalho, a amadora Cristina Marques pôs os ferros com vulgaridade. A pega dos Amadores de Salvaterra de Magos foi executada ao primeiro intento por Daniel Ricatia.

 

Texto: Paulo Pereira

Fotos: Fernando Clemente