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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

5. AS GANADARIAS QUE VI LIDAR EM 2010

21.11.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Sem toiros não há Festa Brava; não existem lides e faenas e pegas e momentos de emoção... O toiro, esse ser maravilhoso, tem de ser cada vez mais o eixo sobre o qual assentam todas as apreciações sobre as actuações dos toureiros e, quantas e quantas vezes, não lhe damos a devida importância. Alguns toiros e novilhos de muito boa nota no decurso de toda a temporada, outros de apresentação irrepreensível, uns bravos de verdade e outros mansos de solenidade a obrigarem toureiros e forcados a empregarem-se a fundo e de verdade para os levar de vencida.

 

Porque no toureio a pé se exige sempre muito mais ao toiro, os meus destaques vão para toiros e novilhos de Falé Filipe lidados em Lisboa, assim como para  curro dos Murteira Grave saído na praça da capital, havendo a registar muitos toiros de boa nota em quase todas as praças por onde o «Barreira de Sombra» andou durante este ano.

 

Face à forte competência com os espanhóis saiu vencedora, nitidamente, a cabana brava portuguesa.

 

A lista completa de ganadarias que vimos lidar em 2010 é a seguinte:

 

4. OS GRUPOS DE FORCADOS QUE VI ACTUAR EM 2010

21.11.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Expoente máximo da emoção na tourada à portuguesa, os forcados proporcionaram momentos sempre vibrantes na generalidade dos espectáculos em que estivémos presentes. No entanto, e entre as muitas pegas de caras e algumas cernelhas vistas ao longo do ano, duas se destacaram pela sua enorme beleza, vibração, “brutalidade” dos derrotes dos toiros e pela valentia e estoicismo dos forcados de cara que as protagonizaram e respectivos grupos. Falo-vos da pega de José Manuel Vinagre em Alcochete a 28 de Março e da pega de Manuel Roque Lopes em Santarém a 12 de Junho, de cujas crónicas das corridas retiro os seguintes trechos:

 

 

Épica e de enorme estoicismo, com uma garra e união fora do vulgar, a pega de José Vinagre ao quarto toiro da magnífica tarde primaveril de domingo, é merecedora de ficar nos anais da tauromaquia e da forcadagem porquanto se tratou de um momento de extraordinária coragem e entrega de todos os elementos do seu grupo, os Amadores de Alcochete, frente à violência tremenda demonstrada pelo toiro. Alcochete, terra do barrete verde e das salinas e de grandes moços de forcado, viu o público, de pé, em uníssono, tributar aos forcados a maior ovação da tarde e uma das maiores a que já assisti numa pega.

Épica, estóica e de tremenda entrega, só possível a um forcado com “F”, como o foi José Vinagre naquele momento, frente a um toiro que derrotou com imensa violência e a consumação, à 2ª, com brilhante intervenção do 1º ajuda, é o triunfo sonante e a destacar numa tarde em que todos sentiram na pele as dificuldades dos toiros espanhóis de Santiago Domecq e Las Monjas.

 

FORCADOS DE SANTARÉM COMEMORARAM 95 ANOS COM ALGUMAS GRANDES PEGAS DE CARAS


A tarde era de comemoração aniversária para os Amadores de Santarém que juntaram na arena algumas das suas antigas glórias, antigos cabos e actuais forcados para uma tarde onde algumas intervenções forma de grande categoria mas onde faltou a moldura humana que poderia e deveria ter acudido a Santarém para presenciar este cartel e assistir a momentos de grande vibração nas pegas de caras. A tarde foi dos forcados!

(...)foi Manuel Roque Lopes a fechar com chave de oiro com um “pegão” de caras com o toiro a arrancar com violência e a passar pelo grupo com o forcado bem fechado na cara e a pôr, uma vez mais o público de pé para aplaudir.

 

 

Foram 28 os Grupos de Forcados Amadores que vi actuar em 2010, conforme a seguinte lista:

3. OS MATADORES E NOVILHEIROS QUE VI ACTUAR EM 2010

21.11.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

 

Sem as que já vinham sendo habituais incursões em Espnha, e a excepção foi a reaparição de José Tomás em Olivenza numa corrida onde o triunfador maior foi Perera, vimos contudo algumas boas actuações em Portugal quer no que se refere a matadores quer a novilheiros.

 

António Ferrera, Miguel Angel Perera e Luis Procuna foram os mais destacados nessas actuaçõs, mas também José Luis Gonçalves (que se despediu do activo), Juan Jose Padilla ou Vítor Mendes se cotaram com grandes momentos numa temporada em que em apenas 18 dos 56 espectáculos que presenciei ao vivo na praça tiveram a presença do toureio a pé. Diga-se também que as boas actuações dos matadores e dos novilheiros tiveram por base uma mais criteriosa escolha dos toiros e novilhos a lidar, de ganadarias de referência e que acabaram por dar resultados muito positivos.

 

Recordem-se aqui alguns dos excertos das crónicas dessas actuações:

 

NA DESPEDIDA DE GONÇALVES, O TRIUNFO FORTE DE FERRERA

A despedida (formal) das arenas é um, mais um, dos passos que marcam um percurso de uma vida dedicada à arte de Montes e onde José Luis Gonçalves conheceu momentos importantes, outros de menor fulgor, mas sempre marcados pela humildade de carácter, pela estética e plástica colocada ao serviço da arte de tourear. Por isso, merecidas as fortes ovações que escutou em Lisboa, numa noite onde o triunfo forte foi para um António Ferrera pleno de faculdades e onde João Moura esteve em grande plano na lide do que abriu praça. O espanhol António Ferrera apresentou-se pletórico de faculdades físicas e técnicas e assinou duas lides importantes com a muleta, com excelentes momentos tanto no toureio por derechazos como ao natural, não faltando os habituais desplantes após os passes de peito e os de trincheira. Mas, na verdade, bons momentos de toureio, ligando os muletazos em redondo, dando também profundidade a muitos deles, embarcando bem os toiros e podendo com eles. No segundo tércio de bandarilhas levou o respeitável ao rubro com os desplantes e teve de cravar, a pedido do público, um quarto par. No final teve o gesto de levar em ombros e pela Porta Grande o seu alternante que, nessa noite, se despedia das arenas.

FAENÃO DE PERERA PREMIADO COM RABO

Foi Miguel Angel Perera o triunfador maior da corrida com a sua enorme faena ao terceiro da tarde e que ficará registada para os anais da feira de Olivenza não apenas pelo corte dos máximos troféus – 2 orelhas e rabo – mas pela excelsa qualidade da faena, pelo primoroso temple imprimido, pela estética exibida e pelo mando total e absoluto no domínio do bom toiro que lhe tocou lidar. O conceito de lide total exibido por Perera, iniciado na lide de capote por verónicas e no quite por gaoneras e consumado com um «estoconazo hasta la gamuza», proporcionou momentos únicos de prazer aos milhares de aficionados que esgotavam Olivença. Pela direita ou ao natural, os muletazos sucediam-se cadenciosamente, mandando e templando, com uma profundidade extraodinária e pormenores de enorme classe e toreria numa faena difícil de descrever porque complexa e de muita arte e sentimento. Com o público ao rubro depois de uns circulares de extraordinária qualidade, montou o estoque e penetrou o toiro de forma impressionante, fazendo-o tombar de imediato. Lenços pelos ares pediram as orelhas e o rabo que o presidente concedeu. No que encerrou praça voltou a mostrar o porquê de se uma figura respeitada e de novo, com classe e sentimento, com arte e poderio, voltou a construir uma interessante faena de muleta, com momentos de muito bom toureio e voltou a matar bem, passeando mais duas orelhas. Extraordinário momento, o de Perera.

AS BANDARILHAS DE PROCUNA

Com direito a transmissão televisiva, a corrida da passada quinta-feira em Lisboa não foi além dos ¾ de casa (bastante boa entrada apesar disso) e o matador Luis Vital “Procuna” teve o mérito de pôr de pé o público num segundo tércio de bandarilhas de muita entrega e valor, com um segundo par a quarteio de enorme valia e mérito, num conjunto bastante bom dos seis pares que colcou aos dois toiros de Herds. Varela Crujo, numa noite em que cavaleiros e forcados deram fraca imagem da mais portuguesa das tradições. 

Luis Procuna caminha com outra segurança. Entregou-se em ambos os toiros nos lances de capote, variados os quites, e cravou pares de bandarilhas que fizeram saltar o público das bancadas, nomeadamente o 2º par ao sexto toiro da noite quente. Com a muleta desenhou duas faenas de interesse antes toiros de Herds. De Varela Crujo que serviram. Alguns muletazos de boa nota, em especial uns quantos naturais no seu primeiro e derechazos no segundo que tiveram impacto.

 

Quanto aos novilheiros, o ano voltou a não ser de facilidades e nem todos foram capazes de dar o tal passo em frente que faz a diferença. Ainda assim, bons momentos a cargo de Daniel Nunes, Manuel Dias Gomes e de um mais maduro Joaquim Ribeiro “Cuqui”, enquanto outros voltaram a marcar passo.

 

Lisboa - A Manuel Dias Gomes pertenceram as melhores verónicas da noite, com classe e impacto. Com a muleta desenhou uma faena interessante, levando o novilho bem toureado pelo lado direito, com alguns muletazos bem largos e profundos, dos mais artistícos da noite. Consolidada a faena, recreou-se nos mueltazos finais com circulares e de trincheira muito aplaudidos.

 

Moita -  Joaquim Ribeiro “Cuqui” foi o mais destacado, com belos momentos de capote, boas séries de muletazos por ambos os pitons e, por isso, merecedor dos três prémios em disputa: Galardão Fundação João Alberto Faria, Sociedade Moitense de Tauromaquia e Capote de Oiro do Conselho Municipal Taurino da Moita.

 

Lisboa - Entregado e com enormes ganas de agradar, mas sem novilho que lhe possibilitasse o êxito sonhado, Daniel Nunes foi o que deve ser um novilheiro: excelente no quite por gaoneras no novilho de Casquinha, lanceou o seu com algumas verónicas. Com o novilho a recusar a luta, foi o novilheiro a colocar a «carne no assador» e a procurar roubar-lhe os passes, um após outro, e metendo-se em terrenos de peso e compromisso junto a tábuas em gesto de pundonor toureiro, arriscando a voltareta.

 

A lista de matadores e respectivas actuações é a seguinte: