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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

CORRIDA DE GALA À ANTIGA PORTUGUESA PARA ENCERRAMENTO DO ABONO 2010 NO CAMPO PEQUENO

08.09.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

O Campo Pequeno encerra o seu abono no dia 30 de Setembro com a tradicional Corrida de Gala à Antiga Portuguesa, antecedida do cortejo histórico evocativo das touradas reais do século XVIII.

No cartel figuram os nomes dos cavaleiros Joaquim Bastinhas, Luís Rouxinol, João Salgueiro, Ana Batista, António Brito Paes e Tiago Carreiras, que lidarão um curro de toiros de Luís Rocha.

As pegas estarão a cargo dos grupos de forcados amadores de Montemor e de Alcochete, capitaneados respectivamente por José Maria Cortes e Vasco Pinto.

A empresa anuncia também, à semelhança da temporada de 2009, que realizará uma corrida extra abono, no dia 14 de Outubro, com cartel a anunciar oportunamente e que será, finalmente, a Grande Corrida do Sporting Clube de Portugal.

“PROCUNA” é Noticia!

08.09.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

 

O Matador de Toiros Luís Vital”Procuna” tentou ontem, terça-feira na ganadaria de Hrds. Infante da Câmara. Um tentadero de preparação para os importantes compromissos que se avizinham, Nazaré já no próximo sábado, Moita e Santarém. “Procuna” sentiu-se a gosto no produtivo tentadero alancando-se os objectivos ganaderos para sábado, lidará um toiro da ganadaria na castiça praça do sítio na Nazaré. Com Luís “Procuna” participou igualmente no tentadero o maestro Victor Mendes, com quem irá compartir cartel na quarta-feira 15 Setembro na Moita conjuntamente com esse colosso das bandarilhas em Espanha que é Juan José Padilla. De picador saiu o Eng. José Núncio.

 “Procuna” irá actuar já no próximo sábado na Nazaré numa inédita corrida concurso de ganadarias mista. Alternará com os cavaleiros Manuel Caetano e Duarte Pinto, pegam os Forcados Amadores de Alcochete e Caldas da Rainha. Os toiros anunciados são das seguintes ganadarias: Casa Prudêncio, Branco Núncio, Hrds. Infante da Câmara, António Silva, Campos Peña (espanhola) e Jorge Mendes, a Luís “Procuna”, previsivelmente, irá tocar em sorte as ganadarias sublinhadas! A Empresa Aplaudir, organizadora do evento apelidou Luís Vital “Procuna” de: “O Novo Ídolo de Portugal”, “ O Rei das Bandarilhas”! Uma Sensacional Corrida de Toiros por ocasião das Festas do Sitio em Honra de N.ª S.ª da Nazaré a favor da confraria de N.ª S.ª da Nazaré. A empresa de João Pedro Bolota deixa ainda um desafio aos aficionados e publico em geral para assistir á corrida do próximo sábado com bilhetes a partir de 10 €, só mesmo na praça do Sitio na Nazaré, sábado a partir das 22.15 hrs. Os bilhetes podem ser reservados para bilhetesaplaudir@gmail.com ou para o telefone: 914094038 ou ainda nos locais habituais na Nazaré e nas bilheteiras da praça na semana antecedente á corrida das 14 ás 20 hrs. E no dia da corrida a partir das 9 hrs. Da manhã.

ARTE & EMOÇÃO PROGRAMA 21 - 2010 - SÁBADO 11 DE SETEMBRO 19.00 HORAS

08.09.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

A arte tauromáquica e a sua ligação a outras artes, dominam parte do próximo programa. Desde a música à literatura, passando pela escultura e pintura, muitas são as vertentes artísticas que não resistem ao fascínio da festa brava. Para além deste tema central, estivemos em Montemor-o-Velho onde se registou uma corrida com casa cheia, tal como a 2 de Setembro no Campo Pequeno. Só que em Lisboa, Diego Ventura voltou a fazer das suas e saiu novamente em ombros. Para além de tudo isto vamos ainda decifrar outros termos da gíria taurina e conhecer o encaste Santa Coloma.

...

07.09.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Já se encontra nas bancas a revista NOVO BURLADERO N.º 262, referente ao mês de Setembro, mais uma edição recheada de interesse.

Acompanhando a actualidade das investidas anti-taurinas, David Leandro relata num extenso e completo artigo as diversas fases que levaram à proibição das corridas de toiros na Catalunha, assim como Luís Esteves assina um muito oportuno artigo de opinião sobre a posição de Defensor Moura, candidato à Presidência da República, contra a Festa de Toiros.

 

Nas corridas celebradas em finais de Julho e durante o mês de Agosto, a NB esteve nas que se realizaram nas praças de toiros do Montijo, Salvaterra de Magos, Nazaré, Caldas da Rainha, Alcochete, Arruda dos Vinhos, Coruche e Campo Pequeno.

 

Na véspera da despedida de José Luís Gonçalves no Campo Pequeno, estivemos com o matador na Herdade de Vil Figueira, do ganadero Fernando Palha, e registámos as imagens daquilo que foi um “fim de tarde inolvidável”.

 

Para manter viva a chama do toureio a pé em Portugal, acompanhámos uma vez mais a presença de jovens novilheiros portugueses em arenas de Espanha, desta fez em Málaga com Paco Velázquez e Joaquim Ribeiro Cuqui e ainda com este último em Herrera del Duque.

 

Em Espanha, aqui bem perto da fronteira com o nosso Alentejo, foi inaugurada a praça de toiros de Villanueva del Fresno, que na passada edição vos foi apresentada nas páginas da NB. A reportagem da corrida inaugural, que contou com a presença de Vítor Mendes, merece destaque nas páginas centrais.

 

Como o Ribatejo se manteve em festa durante o mês de Agosto, a NB esteve em Samora Correia e acompanhou de perto as tradicionais celebrações das festividades em honra de N.ª Sr.ª de Guadalupe e da Oliveira.

 

Para além de tudo isto, podem-se ler as habituais rubricas: Taurocultura e Álbum de Memórias (Vítor Escudero), Tertúlia “NB” (David Leandro), Da Barreira (Carlos Martins), ABC da Tauromaquia e À Boca do Burladero (Catarina Bexiga), Recordações a Preto e Branco (António José Zuzarte), 5.ª Coluna (Fernando Marques), História do Toiro Bravo (José Henriques), Fotografias com História (Duarte Chaparreiro), as actuações dos portugueses no estrangeiro e o mais completo Cartaz de Toiros, que inclui a programação das mais importantes feiras de Espanha.

 

Mais uma NB feita com muita afición a pensar em todos os fiéis aficionados que mensalmente a lêem.

 

Sumário
AL ALIMÓN – 5
Por um “Sector 7”...
BARCELONA – 6 / 7
A morte anunciada
NOTICIAS – 8
5.ª COLUNA – 8

José Luís Gonçalves a estética do toureio
DA BARREIRA... – 9
Alargar horizontes
TAUROCULTURA – 10
António Sardinha
ANTI-TAURINOS INVESTEM – 11
Defensor da treta
CARTAZ DE TOIROS – 12
O roteiro mais completo
TERTÚLIA “NB” – 13
Catedral?
HISTÓRIA DO TOIRO BRAVO – 14 / 15
VIII – A casta Vazqueña
DE PRAÇA EM PRAÇA – 16
Montijo, Salvaterra e Nazaré
CAMPO PEQUENO, 5.8 – 18 / 19
Convincente triunfo de Ana Batista
FEIRA DE ALCOCHETE – 20 / 22
Falhou o protagonista...
CUQUI BRILHA EM MÁLAGA – 24
V Certame Internacional “La Malagueta”
CAMPO PEQUENO, 12.8 – 26 / 27
Do capote de Manuel Dias Gomes saíram os melhores
momentos da noite
RECORDAÇÕES A PRETO E BRANCO – 28
“Prudêncios”
VILLANUEVA DEL FRESNO, 22.8 – 30 / 31
Na inauguração brilhou Talavante
CORUCHE, 14.8 – 32
António. Um nome, dois toureiros!
CORUCHE, 17.8 – 33
Acerca das maneiras de triunfar!
VIL FIGUEIRA – 34
Fim de tarde inolvidável...
CALDAS DA RAINHA, 15.8 – 35
Ana Batista: Esforço recompensado!
FEIRA DE ARRUDA DOS VINHOS – 36 / 37
Toureio, toureio... o de António!
COM OS NOSSOS NOVILHEIROS – 39
Em Herrera del Duque.
CAMPO PEQUENO, 19.8 – 40 / 41
Telles Bastos reclama mais atenção!
À BOCA DO BURLADERO – 42
Paralelismos entre o fado e os toiros...
FEIRAS DE ESPANHA – 44
Albacete, Salamanca, Murcia, Algemesi, Logroño...
OS PORTUGUESES NO ESTRANGEIRO – 46 / 47 / 58
NAZARÉ, 14.8 / NAZARÉ, 21.8 – 48

O Verão taurino na praça do Sítio
AS FOTOS COM HISTÓRIA... – 50 / 51
de Duarte Chaparreiro
CAMPO PEQUENO, 26.8 – 52 / 53
A despedida de um Grande Toureiro
RIBATEJO EM FESTA – 54 / 55
Festas de Samora Correia
ABC da TAUROMAQUIA – 56
ALBUM DE MEMÓRIAS – 57

Saraiva Mendes e Valgode... na saudade!

 

CAPA E SUMÁRIO DA EDIÇÃO 201 DO JORNAL OLÉ - AMANHÃ NAS BANCAS

07.09.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

O conteúdo desta semana é o seguinte:

Editorial……………….………………………………………………………………2

Maria Caetano perde o cavalo Útil………………………………………………….....2

Bilhete Postal.………………………..….……....………….………………………….2

Albufeira – Primeira de Setembro..…………………....……………………….…...…..4

Montemor-o-Novo – Vítor Ribeiro triunfa “sem Praça Cheia”……………………....….6

Grande Angular – Campo Pequeno……………………………….…………..…….….8

Campo Pequeno – Porta Grande com Divisão de Opiniões..……...…………...……….9

Memórias da Festa..…………….……………..……….…………………………….10

“Cuqui” corta duas orelhas e sai em ombros em Albacete.……………………....…….10

Tauromaquia Atlântica……………………………………………………….……….11

Manuel Dias Gomes cortou duas orelhas em Aldeadávila de la Ribera..………....…….11

No campo bravo com... Carlos Falé Filipe..………………………………………….12

Rio Maior – Faltaram Toiros, Sobraram Toureiros………….…...…………..………..13

Em Defesa da Festa Brava..……………………………..……………………......….14

Opinião – O Correio da Manhã e a Tauromaquia..……………………..………..……15

Agenda Taurina.....…………..…………….…………………………………………15

 

APOIEMOS A PETIÇÃO DE FRANCISCO MOITA FLORES - LEIA O TEXTO NA ÍNTEGRA

06.09.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Em Defesa da Festa Brava

Em Defesa da História, da Terra e dos Homens

Em Defesa dos Animais e da Natureza

 

Chamo-me Francisco Moita Flores. Sou escritor.Sou pai de três filhos, avô de três netos. E, neste momento da minha vida pessoal, por decisão do Povo de Santarém, sou Presidente de Câmara.

 

Nasci num monte alentejano entre Moura e Amareleja.Cresci repartido entre a cidade e o campo. Estudei na escola primária desse monte, depois numa vila, depois nas cidades do país, depois em cidades de outros países.Aprendi a vida convivendo com manadas de vacas, imensos rebanhos de ovelhas, cavalos, mulas, porcos, cabras, com o rio Ardila e tinha uma cadela que se chamava Maravilha. Durante 15 anos servi a Polícia Judiciária. Fui testemunha e actor do sofrimento mais pungente, de tragédias inimagináveis, de lágrimas feitas de tanta dor que não havia consolo. Conheci, vivi, convivi com o luto e a morte durante este tempo. Tempo demais para não sermos tocados por esse mundo invisível de dor e pranto. E este rasto de sofrimento e morte, de miséria e desespero, de violência e brutalidade em contraste com as memórias de outros tempos de menino converteu-me ao franciscanismo. S. Francisco, o irmão de todos os rios, irmãos de todos os pássaros, irmão do sol e da vida, irmão dos animais, das árvores, dos homens, das crianças, ensinou-me o caminho ético e moral para educar os meus filhos e amar os meus netos e a gente que em mim deposita confiança para governar.

 

Aprendi nos campos alentejanos a ser aficionado.Uma pulsão emotiva que não sabia explicar. O touro bravo, fera negra, símbolo da morte e do medo, olhava-nos arrogante e valente.Aprendi a admirá-lo. E descobri em Knossos, nos frescos deixados pela civilização cretense, que essa admiração era velha. Em Esparta e na civilização grega. Reencontrei-a em Roma e na civilização romana.Depois nos enormes frescos de Miguel Ângelo, nos poemas de Garcia Lorca, na pintura de Picasso, nas páginas de Hemingway e de tantos outros poetas, escritores, pintores, escultores que percebi que o irmão touro bravo integrava o psicodrama essencial do Homem. A sua inquietude perante a morte e a necessidade de a vencer para aspirar à imortalidade. Numa arena, em cada combate, vence a vida ou vence a morte. Não há meio termo. Esta dimensão trágica do simbólico enredo taurino está presente em todas as manifestações populares, nomeadamente, nas largadas, que arrebatam milhões de entusiastas que procuram apostar a  vida, nem que seja numa corrida medrosa com o touro a quinhentos metros de distância.  E o ritual cumpre-se pelo exorcismo da negação evitabilidade finitude.

 

O crescimento das cidades, e das culturas urbanas, produziu novos mitos. Novas falas, como lhe chama Roland Barthes. Produziu novos ritos sociabilitários, novos discursos simbólicos, novos afectos e importantes discursos sobre o mundo e os nossos destinos colectivos. Representou grandes ganhos revolucionários, culturais e civilizacionais e bem se pode dizer que, hoje, o mundo é comandado pelas cidades. Porém, também desvarios, radicalismos, intolerância e a irrupção de um pensamento que destrói a memória, que expropria e marginaliza os ritos, os mitos, os valores, os símbolos que durante séculos consolidaram Portugal, lhe deram identidade e o afirmaram como Língua, como Povo, como Pátria, como Território. As culturas urbanas radicais desprezaram os campos e desprezam os seus costumes, gostos, atitudes psico-afectivas. Consideram-nos ganga, ruído, ‘pimba’,decadência face ao brilho multicolorido das cidades. Como disse a grande poetisa Sophia de Mello Breyner, são pessoas sensíveis que detestam ver matar galinhas, mas adoram canja de galinha! Culturas, ou microculturas radicais que surpreendidos pela devastação que provocaram, desertificando os campos, envelhecendo-os, matando-os, matando a agricultura, as aldeias, as vilas, a vida da pastorícia, das florestas - tudo submetido à ordem e aos valores da cidade - descobriram que valia a pena lutar por adereços. Não pelos campos ou pela multiplicação dos animais como estratégia de recuperação do mundo agrícola, muito menos por respeito pelos homens que desprezam e tratam como meros servos, mas para apaziguar consciências consumistas que na irracionalidade do consumismo despedaçaram qualquer outro valor, ideia, ou respeito pelos outros, seja pelos Homens, seja pela Natureza, seja pelos Animais.

 

Os diferentes nichos que surgem pelo país, em defesa do lince, em defesa do lobo, em defesa da água, contra a festa brava,na maior parte dos casos apenas olha a árvore e recusa-se a ver a floresta. São, na sua maioria, contra qualquer vínculo que afirme o respeito pelos Direitos do Homem casados e em sintonia com os Direitos da Terra. Não quero, nem é possível discutir os argumentos contra a Festa Brava. São do território da fé e jamais chegaríamos ao fim. Não é possível argumentar contra visões fundamentalistas, transformadas em beatério de confrades laicos. Que gozam as graças de meios de comunicação que adoram ruído e conflito e acreditam piamente nas verdades gritadas por aguerridos beatos, quais velhas inquisidoras. Na verdade, limpando a hipocrisia, a nenhum interessa os direitos dos animais, nem os direitos dos homens. Gritam o folclore politicamente correcto e giro! E fazem abaixo assinados, procurando destruir sem compreender, protestar quando a verdadeira essência do seu protesto são as suas próprias consciências. Nem é o sofrimento do animal, como eles dizem, que os move.Pois se o fosse, estariam aos gritos em todos os locais em que se ‘fabricam’ com hormonas, frangos, vacas, ovelhas para alimentar a cidade. Estariam às portas dos grandes matadouros escutando os urros de milhares de animais que adivinham o cheiro da morte. Estariam nas barricadas contra as guerras que matam homens e crianças, na linha da frente da luta pelo renascimento do campo e das culturas rurais, na linha da frente contra a violência doméstica. Não! Nada disto. Apenas contra a pretensa violência contra os touros bravos. Nem pelo outro argumento comodista e repetido de que não são  contra o abate dos animais mas sim contra o espectáculo que, no caso português, nem os abate. Maior hipocrisia não existe.Nem paciência para discutir a fé de angustiados.

 

Cheguei à idade onde já não há paciência para ser insultado por uma horda de analfabetos. Embora respeite os seus gritos, pois creio nesta terra da liberdade sem excepção de ninguém. Até daqueles que assiste o direito ao disparate. Cheguei á idade da tolerância mas também ao tempo onde, mais do que nunca, acredito que só é possível salvar os Direitos do Homem se com eles salvarmos os Direitos da Terra. É a minha crença profunda. E sei que o combate passa por afirmar a defesa dos símbolos, dos valores, dos ritos, das cargas simbólicas que consolidaram a nossa secular matriz identitária. E esse combate feito de muitas frentes de luta, tem numa delas os ‘talibãs’ que em nome dos direitos dos animais procuram destruir os animais, a economia que os sustenta e os animais sustentam, além da cultura a eles imanentes. Por isso mesmo decidi lançar este abaixo assinado que vos envio. Já que a moda é o abaixo assinado, assinemos. Em defesa da Festa Brava, em defesa da Festa, em defesa dos valores da Terra, da Vida e dos ritos exorcizadores da Morte, em defesa dos animais, dos touros, dos cavalos, dos pastores e dos campinos, da economia agrícola e animal associada à Festa e ao espectáculo, em nome do progresso com Memória, em nome do desenvolvimento sem perder o sentido da História.

 

Proponho-vos chegarmos a CEM MIL assinaturas até Julho de 2011. CEM MIL! Convido-vos a todos. Aos meus irmãos homens, às minhas irmãs mulheres, que afirmem por este abaixo assinado fora, este combate pela cidadania e pelos direitos da Terra para que ninguém se amedronte perante a gritaria histérica de alguns. Convido-vos com a serenidade da razão a subscrever este abaixo assinado e definitivamente mostrar ao país que não nos submetemos à ditadura do ‘hamburger’ urbano e que somos muitos, disponíveis para lutar, resistir e assumir Portugal na sua unidade complexa e diversa. Sem intolerância, em nome da Liberdade, mas também em nome dos direitos naturais sagrados que nos tornaram portugueses, filhos de Portugal, netos de almocreves, cavaleiros, campinos, guardadores de rebanhos, de escritores e de poetas, de guerreiros e camponeses, nascidos do mesmo ventre de terra à qual um dia regressaremos.

 

Santarém, 25 de Agosto de 2010

 

Francisco Moita Flores

NO CAMPO BRAVO COM... CARLOS FALÉ FILIPE

05.09.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

 

Esta recente ganadaria tem já um interessante palmarés e é presença assídua nas corridas com toureio a pé, tendo recebido inclusivé alguns prémios nas últimas temporadas. Depois do êxito recente no Campo Pequeno, deslocámo-nos até à Herdade das Covas, nos arredores do Redondo, para uma breve conversa com Calos Falé Filipe quem por sinal, será o único ganadeiro português a lidar uma corrida completa na próxima e importante Feira Taurina da Moita.

 

Barreira de Sombra – Depois do êxito da ganadaria no Campo Pequeno, com três toiros de boa nota e um inclusivé a regressar ao campo, pode afirmar-se que a ganadaria de Falé Filipe está perfeitamente contrastada e com bons indíces para o touereio a pé?

 

FALÉ FILIPE – Acho que pode dizer-se que está a iniciar uma fase para que possa ser uma ganadaria contrastada e que tenha esses bons indíces para o toureio a pé. Estamos no início e só o tempo é que irá dizer se de facto nós estamos a caminhar bem e se se vai consolidar aquilo que é pretendido.

 

Barreira de Sombra – A ganadaria tem vindo a evoluir em termos de toureio a pé e a manter um certo nível de regularidade, verdade?

 

FALÉ FILIPE – A ganadaria, de facto, tem vindo a evoluir; isto é o resultado do esforço e do trabalho de há alguns anos, em que o critério de selecção tem sido no sentido de melhorar a qualidade da vacada, sendo que os produtos que têm saído como é o caso dos novilhos (Sobral, Alcochetre, Moita, Lisboa) e desses toiros já estão a preencher o molde e o tipo de toiro que nós pretendemos.

 

Barreira de Sombra – Em várias praças, em festivais e novilhadas, obtiveram resultados muitíssmo bons. Será resultado de um critério de selecção mais apertado do que há 6/7 anos atrás, principalmente em termos de toureabilidade?

 

FALÉ FILIPE – É verdade que em termos de toureabilidade é maior. Eu exijo mais aos toiros do que aquilo que exigia há uns anos atrás, e também exijo que o toureiro seja um toureiro bom, que possa, por sua vez, desfrutar da qualidade do toiro que eu crio.

 

Barreira de Sombra – Falando ainda da corrida do Campo Pequeno, o último toiro que tocou ao Ferrera, despertou depois do 4º par de bandarilhas. É essencial que o toiro sangre, que o toureiro se coloque bem por diante dele, que lhe meça bem as distâncias e o entenda perfeitamente nesse conjunto de circunstâncias para que eles possam brilhar...

 

FALÉ FILIPE – Perfeitamente de acordo. Eu acho que nessa corrida houve uma sorte da parte do ganadeiro, do touro, do toureiro e do público, porque afinal o público paga para ver um espectáculo que foi muito bem preenchido, muito bem feito, em que teve um bom toiro, um bom toureiro pela frente e eu fiquei muito satisfeito por tudo isso.

 

Barreira de Sombra – Esse toiro é o que reúne as condições que o ganadeiro quer ou há que ir ainda mais além?

 

FALÉ FILIPE – Esse é um toiro que está nesse caminho, mas qinda terá que ir mais além. Porque o toiro não era um toiro bravo, eu chamar-lhe-ía um toiro bravote porque até fez alguns «feios» para o meu critério. Mas acima de tudo, quem me dera a mim que todos os toiros fossem como aquele, que não fazia má figura em lado algum.

 

Barreira de Sombra – Fala-se de uma grande procura de toiros e novilhos de Falé Filipe. Este ano, na importante feira taurina da Moita, será a única ganadaria portuguesa a lidar um curro inteiro e, mais ainda, na corrida de matadores.

 

FALÉ FILIPE – De facto assim é. Sou o único ganadeiro português com uma corrida completa, o que é uma responsabilidade ainda maior. Porque sou o único, porque é uma ganadaria nova que está a ser pretendida por estes três matadores (Mendes, Padilla e Procuna) e também porque vou sempre com receio de que haja alguma coisa que não corra bem. Contudo, acho que os toiros irão corresponder conforme têm correspondido toda a camada e acho que pode vir a ser um bom espectáculo. Com estes três matadores-badarilheiros, os toiros têm pata como já o comprovamos no campo quando os movimentamos, poderá ser um bom espectáculo e eles poderão brilhar também nas bandarilhas. Mas só no final teremos certezas.

 

Barreira de Sombra - Para 2011, com uma camada mais homogénea, haverá certamente um interessante conjunto de corridas com toiros de Falé Filipe?

 

FALÉ FILIPE – Tenho grande esperança na camada para 2011, esperança que se fundamenta na apresentação destes novilhos e na que irão ter como toiros, com umas boas reatas e de boas famílias. Serão toiros que poderão funcionar muito bem, assim os toureiros estejam bem com eles.

 

PALHA BLANCO VAI PRESENCIAR A FEIRA DA IMPONÊNCIA DO TOIRO PORTUGUÊS

05.09.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Recebemos da empresa Tauroleve a Nota de Imprensa nº 18/2010 que passamos a transcrever na íntegra:

"

A importância da Praça de Toiros Palha Blanco na Tauromaquia Nacional obriga positivamente a Empresa a seleccionar Ganadarias que criem emoção e espectáculos de categoria. Assim a Tauroleve tem o prazer de informar todos os aficionados e público em geral sobre as Ganadarias a serem lidadas na próxima Feira Taurina a realizar entre os dias 2 e 6 de Outubro.

 

Após uma avaliação efectuada ao campo bravo português, no qual foram vistos vários curros extraordinários, sentiu a empresa a necessidade de apresentar na Feira Taurina de 2010 a ter lugar na Palha Blanco a Imponência do Toiro Português.

 

Entendemos que o nosso papel de responsabilidade como empresa mas em primeiro lugar como aficionados passa por defender a nossa Tauromaquia e por isso consideramos obrigatório privilegiar as Casas Agrícolas Nacionais nas nossas escolhas ainda que isso nos custe mais dinheiro. É fácil compreender que os toiros com mais trapio e categoria Portugueses são evidentemente muito mais caros do que segundas e terceiras escolhas Espanholas, mas entendemos que este é o caminho correcto e que os aficionados o saberão valorizar.

 

Para Sábado, dia 2 de Outubro foi escolhido um curro de toiros que mais impacto terá na temporada portuguesa. A importante divisa de Veiga Teixeira regressa à Vila Franca de Xira e à sua Palha Blanco com um curro de toiros de enorme imponência. A seriedade e trapio dos toiros de Veiga Teixeira trarão à Palha Blanco a verdade que a festa necessita para que o público esteja cada vez mais presente. É indiscutivelmente um curro de temporada! Um curro de eleição! Um dos toiros a sair à arena nessa noite é o 211 em devido destaque no cartaz.

 

No dia seguinte, dia 3, anuncia-se uma corrida de toiros mista para a qual foi criteriosamente escolhido um curro de toiros da ganadaria de Canas Vigouroux.

Esta ganadaria sediada bem perto de Vila Franca, volta a estar presente na Palha Blanco com um dos curros que maior importância dará à arte de marialva e de montes nesta temporada. Trata-se de um curro de magnífica apresentação e trapio, e ao qual alguns dos exemplares que estão seleccionados para a lide apeada ostentarem neste momento mais de 550 Kgs. Desta ganadaria e para além dos importantes triunfos que alcançaram em diversas praças portuguesas e espanholas na temporada passada e na que ainda decorre, realce para os dois extraordinários curros por si lidados na Palha Blanco no decorrer das Novilhadas da Federação Internacional de Escolas Taurinas.

 

Para o dia 5 de Outubro, Feriado Nacional, o regresso do Concurso de Ganadarias com 6 Toiros fabulosos seleccionados pelos Excelentíssimos Senhores Ganaderos.  As Ganadarias Palha, Veiga Teixeira, Oliveira Irmãos, Jorge de Carvalho, Pégoras e Nuno Casquinha seleccionaram o seu toiro de forma a disputarem os Troféus Apresentação e Bravura em disputa. Será um verdadeiro Concurso de Ganadarias onde a escolha dos Toiros se realizou atempadamente e se baseou na confiança que os Senhores Ganaderos têm nos toiros por si escolhidos e na apresentação com categoria digna das mais importantes praças de toiros do Mundo.  Será decerto uma noite fabulosa e de grande categoria na célebre Nocturna de Terça-feira.

 

Em termos artísticos, estão neste momento a serem finalizadas as contratações dos artistas a actuar. Os artistas contratados para Feira de Outubro serão aqueles que se destacaram durante a temporada Tauromáquica Nacional durante este ano e apostará a empresa em jovens valores da nossa Festa que marcaram a temporada, o que conjugando com artistas consagrados e merecedores da sua presença fará decerto a Feira Taurina de Outubro como uma Feira cheia de atractivos artísticos e de grande Nível nos Toiros mostrando a Imponência e a Verdade do Toiro Português!"

E O TOUREIO DE VERDADE NÃO CONTA? SÓ VALE O NÚMERO DO “CABALLITO”?

03.09.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

O público paga o seu bilhete (esgotou novamente o Campo Pequeno), aplaude o que quer, transforma em êxitos aquilo que os mais conhecedores verificam pouco ter a ver com o toureio a cavalo na sua máxima expressão e antes mais não é que a reencarnação do velho espírito do rejoneio campero e do número do “caballito” que tantas e tantas vezes se reprovou. Vir à dita Catedral Mundial do Toureio a Cavalo implica tourear de frente, dar distâncias, deixar o toiro colocado em sorte e para ele partir em linha recta, e isso, caros amigos, foi feito apenas por António Ribeiro Telles. Quem saíu em ombros foi Ventura mas quem TOUREOU DE VERDADE foi o cavaleiro da Torrinha.

 

A verdade do toureio a cavalo esteve a cargo de António Ribeiro Telles, queiram ou não entender aqueles que apenas foram a Lisboa para ver Ventura. Receber os toiros com poder mas sem os recortar em demasia pois as investidas boiantes e insonsas rapidamente se acabam; colocar-se de largo e provocar a investida; sair a passo para o toiro e marcar bem as reuniões, cravar de alto a baixo e ao estribo. Tudo isso fez António Telles em duas actuações de muito nível, superior quiçá a segunda, pelas sortes frontais e entradas apertadas nos terrenos do toiro, reunindo e cravando como mandam as regras. A brega foi de muita qualidade assim como alguns dos remates frente ao segundo do seu lote, fazendo com que a lide ao quarto da noite fosse de imenso valor e por isso mesmo mais que merecedora das duas voltas à arena e chamada especial aos médios.

 

Diego Ventura, na sua primeira lide, teve nos remates dos compridos os seus melhores momentos, o que, convenhamos, é muito pouco para quem é figura. No terceiro curto deixou-se ficar em tábuas, aguentando a viagem do toiro a descair para tábuas para lhe marcar um câmbio e deixar um ferro que foi o seu melhor. Na verdade, nesta lide, nunca se colocou de frente para o toiro, aproveitando sempre que este descaía para tábuas para lhe cravar os ferros. E depois, o número do cavalo que faz o balanceiro e o público de pé e as 2 voltas á arena... No que foi quinto, andou melhor na cravagem mas só voltou a empolgar o público com as mordidelas do “Morante” ou o balanceiro do outro cavalo... Números, não é????? E voltou a dar 2 voltas e a sair em ombros!...

 

Confirmou a alternativa o jovem Francisco Palha, frente ao toiro nº 25, “Camillero” de nome e com 568kg. O seu toureio apresenta uma mescla algo incaratcerística e isso foi patente nas suas duas lides. Tem maneiras toureiras e classe. Alterna momentos de classe com outros de claro número que, se bem interessam ao grande público não atingem relevância maior em termos de qualidade do toureio executado. Cravar ferros com as rédeas atadas á cintura pode ser um alarde de doma e destreza mas não pode ser a base da actuação. Dois bons curtos, compridos correctos e bons momentos de brega.

 

Os dois Grupos de Forcados, Vila Franca e Coruche, concretizaram as pegas de caras aos seis toiros da corrida, se bem que na terceira pega dos Amadores de Vila Franca o forcado tenha ficado completamente fora da cara do toiro e os seus colegas o tenham «composto».

 

Os novilhos de Maria Guiomar Moura, todos com o 7 na mão direita e nascidos entre Out.06 e Mar.07, serviram no geral dentro da linha, mansotes e sonsos na generalidade.

 

Na direcção de corrida esteve César Marinho (sem controle nos tempos de actuação) assessorado pelo veterinário Salter Cid.