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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

No próximo Arte & Emoção vamos até à Herdade do Zambujal, solar da ganadaria Vinhas, para conhecer um tipo de toiro realmente particular e com características muito vincadas.

 

Continuamos a desvendar outros termos da gíria taurina e vamos conhecer como certos aficionados, autênticas figuras carismáticas da nossa festa, vivem o espectáculo taurino.

 

Teremos ainda oportunidade de ver a reportagem da corrida do passado dia 11 de Setembro em Évora, onde um bom curro da ganadaria Palha proporcionou um grande espectáculo, pleno de emoção e que teve momentos vibrantes.

 

 

 

 

Das duas corridas de toiros que se realizaram em Sobral de Monte Agraço nos dias 12 e 13 do corrente, decidi escolher algumas das minhas fotos que retratam figuras e espectadores atentos da festa, momentos de triunfo e de apuro, neste caso de 4 cavaleiros. Outros houve mas estes foram os melhores «bonecos» que tirei... Sempre com o máximo respeito pelos artistas.

 

 

As tradicionais cortesias

 

Banda Marcial de Fermentelos

A familia Peseiro (de Coruche)
O veterano João José
Sombra e Sol na casaca de Ana Batista
Toiros: uma sombra
MOMENTOS DE APURO
Rouxinol, Ana, B.Pais
OS FORCADOS TRIUNFADORES
Sequência da pega de José Tomás (GFA Coruche)
Sequência da pega de Emanuel Injay

 

 

Uma vez mais foram os forcados a darem a nota mais numa tarde em que os toiros foram mansos e difíceis e colocaram muitos problemas aos cavaleiros que os tiveram por diante. Um curro díspar de tipo e de presença, com um comportamento similar, o da mansidão, da ganadaria de Manuel Coimbra, não permitiu o sonhado triunfo dos artistas nem que o público pudesse disfrutar dessa emoção das grandes lides.

 

Os moços de forcado dos Amadores de Coruche e de Caldas da Rainha foram os verdadeiros triunfadores desta segunda e última corrida integrada nas Festas e Feira de Verão de Sobral de Monte Agraço, realizando rijas pegas de caras, com grande espírito de entreajuda. Pelos Amadores de Coruche foram à cara dos toiros os forcados Luis Carlos Gonçalves (à 1ª), José Tomás numa dura e vistosa cara ao primeiro intento com o toiro a fugir ao grupo e a escoicear ao mesmo tempo em que fugia, e José Bruno Peseiro numa rija cara também ao primeiro intento. Pelo agrupamento de Caldas da Rainha foram solistas Óscar Carvalho, muito bem á 1ª, secundado por Mário Cardeira noutra rija intervenção á 1ª e com António Cunha a encerrar praça com outra boa pega de caras á 1ª.

 

Os cavaleiros, como referido anteriormente, sentiram imensas dificuldades ante o sentido que os toiros cedo desenvolveram e a forma como se defenderam. Rui Salvador teve duas lides em que teve de se empregar para deixar a ferragem, sofrendo alguns toques e deixando dois curtos de melhor nota. Ana Batista teve uma primeira lide razoável tentando o triunfo mas no seu segundo as coisas não lhe correram de feição e teve uma actuação marcada por alguns falhanços. Marcos Tenório teve o pior lote e tentou superar essa adversidade mas sem grande sucesso. Aqueceu o ambiente nas bancadas com o violino e o par de bandarilhas a encerrar a sua prestação.

 

Direcção correcta de António Barrocal assessorado pelo veterinário Matias Guilherme, perante cerca de meia casa.

A popular Tarde do Fogareiro, já considerada um dos momentos altos das Festas em Honra de Nossa Sr.ª da Boa Viagem, na Moita, vai, este ano, acontecer no dia 17 de Setembro, a partir das 13:00h, na Avenida Dr. Teófilo Braga.

 

Após a largada de toiros, a principal avenida da vila da Moita é transformada num local único de animação e convívio: as mesas e cadeiras são colocadas ao longo da avenida, os fogareiros, espalhados um pouco por todo o lado, acendem-se; as entremeadas, os couratos e as bifanas começam a assar-se e os amigos vão chegando, enchendo a Av. Dr. Teófilo Braga. É assim a Tarde do Fogareiro, durante a qual se assiste à maior concentração de gentes da Moita, seus amigos e familiares.

 

A animação, que se estende pela tarde fora, vai estar a cargo do Grupo de Bombos de St. Estêvão – “Amigos da Borga”, de Regada – Fafe, da Charanga Musical Los Paráguas e, claro, da Charanga Musical do Rosário, com a tradicional dança “Huga Huga”.

 

Fonte e Foto: Divisão de RP da C.M.Moita

No momento em que se aproxima o início da Feira Taurina da Moita do Ribatejo, integrada nas festas em honra da nossa Senhora da Boa Viagem, a empresa Toiros&Tauromaquia solicita a divulgação do texto seguinte:

 

Agradecer aos Órgãos de Comunicação Social a divulgação que têm efectuado sobre os cartéis que foram apresentados em conferência de imprensa, bem assim como as referências abonatórias que entenderam fazer sobre a sua composição.

 

Como é do vosso conhecimento, houve entretanto que proceder à substituição do matador de toiros Júlio Aparício, em virtude de o mesmo ter decidido suspender a temporada, devido a problemas de saúde, ainda relacionados com a grave colhida que sofreu esta época. A entrada de Curro Diaz para o seu lugar, correspondeu à intenção da empresa de trazer um toureiro do mesmo corte artístico, também ele estreante em praças nacionais e num momento em que conseguiu abrir as portas das principais feiras de Espanha.

 

A empresa deseja a maior sorte aos ganaderos e a todos os artistas intervenientes, nas corridas do dia 13 ao dia 17, esperando que as suas presenças nesta importante Feira Taurina, constituam êxitos artísticos relevantes, daí resultando consequentemente um prestígio para esta praça e para a festa em Portugal.

 

Finalmente, em relação às declarações proferidas esta semana pelo novilheiro João Augusto Moura ao “Jornal Farpas” e sem qualquer intuito de polémica, queremos informar que aquele artista foi contactado pela empresa para a possibilidade de o incluir nos cartéis, quando estes ainda estavam a ser elaborados, mas não fez com o toureiro nenhum compromisso informal ou escrito, pelo que carecem de fundamento as afirmações que fez, dizendo que …”estava contratado e caiu do cartel do dia 13”…

Mais esclarece a empresa – ainda em função das afirmações proferidas – que nunca fez incluir nas suas organizações toureiros sem o pagamento da respectiva remuneração e muito menos ainda com um suporte publicitário incluído.

João Augusto Moura nunca foi contratado, não tem nenhum contrato assinado, para a Feira de 2010, por razões que só interessam à empresa, pelo que as suas declarações àquele jornal, buscam, infelizmente, um protagonismo sem razão de ser.

Reafirmamos que carecem assim de verdade as afirmações proferidas e, por nós, o assunto está encerrado.

Concretamente, Nuno Velasquez foi posto nos cartéis, fundamentalmente pelo seu valor artístico, mas também pelo facto de ser um toureiro da terra, circunstancia aliás que está inscrita no próprio caderno de encargos que assumimos, ao sugerir que a empresa adjudicatária deveria, quando possível, apoiar os artistas locais.

 

Está Nuno Velasquez, está Luís Procuna, está Manuel Lupi, estão os forcados Amadores e do Aposento da Moita, porque esta é a nossa politica empresarial e dela não abdicamos.

 

Na Feira Taurina da Moita, a praça Daniel do Nascimento espera pela aficion portuguesa.

A IV Corrida Auto Agrícola Sobralense e primeiro festejo taurino das Festas e Feira de Verão de Sobral de Monte Agraço ficou marcada negativamente pela ausência de casta e bravura dos seis novilhos-toiros (marcados com o 7) da ganadaria Lampreia, os quais apenas se empregaram no momento da pega, e pela decisão anti-regulamentar da direcção de corrida, a cargo de Manuel Jacinto e José Manuel Lourenço (veterinário), de mandar recolher o sexto da ordem, apenas porque o mesmo não queria investir para o cavalo mas que não apresentava nem defeitos físicos nem de visão, logo devendo ser farpeado pelo cavaleiro e toureado até ao fim.

 

A corrida, em si, tem pouca história, pouco para contar e não fossem algumas boas pegas de caras a cargo de ambos os Grupos de Forcados, e teríamos de escrever que foi um quase fiasco. Salvaram-se os moços de forcado de Montemor e da Chamusca. Pelos montemorenses, capitaneados por José Mª.Cortes, Pedro Barradas suportou a carga violenta do toiro e consumou à 3ª tentativa; Frederico Caldeira esteve muito bem a citar e a recuar para se fechar com decisão à 1ª numa grande pega de caras e Manuel Ramalho, também a 1ª consumou rija intervenção. Pelos chamusquenses, capitaneados por Nuno Marques, abriu praça Rui Pedro, numa dura pega à 2ª, secundado por Emanuel Injay numa extraordinária cara à primeira, superior na forma como toureou o oponente e se fechou, suportando alguns derrotes, e finalmente, à 2ª, João Neves, com o toiro a investir também com pata e a derrotar.

 

No capítulo de toureio a cavalo, todos sentiram dificuldades acrescidas devido ao facto dos toiros serem demasiado tardos e sem vontade de investir. Carregavam por vezes com pata depois do ferro e adiantavam-se com alguma facilidade às montadas.

 

Luis Rouxinol teve uma primeira lide de trâmite, como se diz em gíria, cumprindo a papeleta sem destaques. No que foi quarto da quente tarde esteve em melhor plano, com alguns bons ferros, rematando com o de palmo, o par de bandarilhas e um ferro de violino.

 

Brito Pais não conseguiu a ansiada confirmação de êxitos anteriores. Arriscou, pisou terrenos de compromisso e deixou alguns bons ferros, cumprindo a sua missão tentando sacar o máximo partido das escassas investidas dos dois que lhe tocaram em sorteio.

 

Quanto a Tiago Carreiras, se bem que se mostrou decidido, também não teve muitas hipóteses de brilhar com tais reses. Duas lides muito iguais ante toiros mansos e parados em que pouco havia a fazer.

 

A bonita e bem cuidada praça de toiros de Sobral de Monte Agraço registou cerca de ¾ da sua lotação preenchida com predominãncia na sombra.

A última corrida temporada 2010 na castiça praça do Sítio da Nazaré fica marcada pelo triunfo de Duarte Pinto no quinto toiro da ordem e pelo «arrimón» de Procuna nos seus dois toiros, bordando o toureio de capote no terceiro da noite, triunfando com as bandarilhas e arrimando-se de verdade na muleta. Manuel Caetano assinou boa actuação no seu segundo e os forcados cotaram-se com boas pegas de caras.

 

Manuel Caetano teve uma primeira lide de fraco nível, mas seria no seu segundo que conseguiria bons momentos na ferragem curta, procurando os melhores terrenos deixnado alguns bons ferros curtos.

 

Duarte Pinto vem na senda dos êxitos, confiado e moralizado. Uma primeira lide que não ultrapassou a mediania ante um toiro que media muito. Mas no quinto, de nobres e suaves investidas, Pinto deu distâncias, deixou-se ver nos cites e nas viagens, marcou bem os quarteios e cravou como mandam as regras, numa actuação triunfal.

 

Luis Procuna bordou o toureio à verónica e por delantales e ainda um quite por chicuelinas no seu primeiro, que investia com raça e alguma violência de início. Após as bandarilhas, o toiro ainda investiu com raça e codícia em três séries de muletazos, duas pela direita e outra ao natural, que forma de muita classe e onde Procuna se estirou e crtiou ambiente. Mas o toiro começou a defender-se, a ficar-se a meio dos passes e o matador teve de tragar, de colocar a «carne no assador» e sacar-lhe os muletazos com muita garra e entrega. No seu segundo esteve de novo excelente nas bandarilhas e como o toiro cedo se parou, sacou-lhe os passes à custa de muita entrega, de lhe pisar os terrenos com valor, sendo por isso justamente aplaudido pelo público e passeado em ombros no final.

 

Quanto à forcadagem, estiveram em praça os Amadores de Alcochete e Caldas da Rainha. Por Alcochete foram solistas Luis Saramago á 2ª e Daniel Silva bem á 1ª a emendar João Pedro Sousa que se lesionara na única tentativa que efectuara; pelos de Caldas da Rainha, boas intervenções e à primeira, por intermédio de Oscar Carvalho e Francisco Rebelo de Andrade.

 

Por ordem de lide, saíram toiros de Prudêncio (510kg, bem apresentado, bravote e codicioso), António Silva (540kg, mansote), Manuel Veiga (475kg, de investidas brutas mas a rachar-se cedo), Manuel Veiga (470kg, mansote e com alguma violência), Campos Peña (600kg, 5 anos, nobre e suave) e Infante da Câmara (460 kg, mansote e sem força).

 

No final forma entregues os prémios “Bravura – Lide a Cavalo” para o toiro de Campos Peña, e “Apresentação” para o de António Silva, ficando deserto o prémio “Bravura – Lide a Pé”.

 

Direcção correcta de Pedro Reinhardt assessorado pelo veterinário João Nobre, com cerca de ¾ de lotação preenchidos.

  

 

 

Dos anos 80 e 90 do século passado, a festa de toiros em Sobral de Monte Agraço teve também eco nas páginas do jornal regional “Vida Ribatejana”.

 

No ano de 1981 realizaram-se mais espectáculos, pois para além dos habituais das Festas e Feira de Verão, em Setembro, no domingo de Pascoela, 26 de Abril, houve uma novilhada que marcou a estreia oficial do Grupo de Forcados Amadores de Agualva-Cacém. Nesta novilhada em que se lidaram reses de Dias Coutinho, actuaram os cavaleiros Rui Rosado, José Paulo, Carlos Arruda e Paulo Brazuna, com as pegas a cargo dos Forcados de Agualva e de Vila Franca de Xira.

 

Em Setembro, nas Festas, uma corrida mista no dia 13 com as presenças dos matadores de toiros Mário Coelho e Ricardo Chibanga ao lado dos cavaleiros Manuel Jorge de Oliveira e Varela Crujo, com as pegas a cargo dos Forcados Amadores de Vila Franca e uma novilhada mista no dia 14 com os cavaleiros Rui Rosado, José Paulo, Paulo Brazuna e Paulo Amaral e os novilheiros Carlos dos Santos e Pedro dos Santos e os Forcados Juvenis de Vila Franca e Amadores de Agualva-Cacém. Lidaram-se no primeiro dia toiros de Varela Crujo e Irmãos e no segundo dia novilhos de José Lico e Francisco de Goes.

 

António Quintino, em “Paisagem Portuguesa”, coluna por si assinada na edição nº.3169 de 5 de Novembro de 1982, fala das Festas e Feira de Verão em Sobral.

 

“Sobral de Monte Agraço e as suas festas de verão. (...)Bodas de Ouro da Praça de Toiros

Ao Sobral de Monte Agraço acorreu muita gente durante estas festas de 1982, sendo a sua afluência muito grande nos dias 13 e 14 de Setembro. Muitos  quiseram assistir, como é costume todos o anos, às corridas de toiros que se realizaram na monumental praça daquela vila. Caso curioso, podemos registar que esta praça de toiros vistoriada pela primeira vez, em 7 de Setembro de 1932 (...), completou este ano as suas bodas de ouro, pois foi inaugurada no dia 12 de Setembro de 1932, pelas 17 horas, pelo Governador Civil de Lisboa de então, tendo este assistido a uma importante corrida de toiros.(...)”

 

Na semana que antecedeu as Festas e Feira de Verão de 1983 (Vida Ribatejana nº.3209, de 16 de Setembro de 1983), novo espaço dedicado ao Sobral, desta feita sem nome do autor.

 

“Mestre de Avis deu o mote. Sobral de Monte Agraço: sete dias de festa rija. Dois cortejos e duas toiradas, mais um Museu de alfaias agrícolas.

(...) A alvorada de segunda-feira de manhã abriu uma jornada que a Banda de Música de São Tiago de Riba-Ul (Oliveira de Azeméis) abrilhantaria até ao almoço e que, de tarde, teve o seu ponto alto com uma corrida à portuguesa em que alternaram os cavaleiros Luis Miguel da Veiga, Emídio Pinto e Manuel Jorge de Oliveira, bem como os forcados amadores de Vila Franca de Xira e de Alcochete. O curro era do alhandrense Manuel César Rodrigues. (...)”

 

Em Março de 1984 o relevo vai para as obras efectuadas pela empresa “Os Três Tércios” na praça de toiros de Sobral:

 

“Os Três Tércios ficam com Alcácer do Sal e melhoram Sobral

A sociedade tauromáquica “Os Três Tércios”, composta por José Agostinho dos Santos, Laureano dos Santos e Manuel Jacinto, (...) fez obras avaliadas em cerca de quatro mil contos, na de Sobral de Monte Agraço, que explora há várias épocas. Na praça do Sobral, a empresa aumentou as bancadas, retocou os curros e pintou as paredes exteriores. (...) – Vida Ribatejana nº.3234, de 16 de Março de 1984.

 

Mais tarde, e de novo na coluna de tauromaquia do jornal Vida Ribatejana, a indicação das datas para as corridas de toiros em 1984 na vila de Sobral.

 

“Uma organização para valorizar a Festa – “Três Tércios”: Chamusca a abrir e Sobral de Monte Agraço a fechar

As organizações taurinas “Os Três Tércios” (...) vão oferecer-nos dez corridas esta temporada. A sua actividade (...) fechará no dia 11 de Setembro, no Sobral de Monte Agraço, por ocasião das festividades locais. (...) A empresa dará corridas (...) em Sobral de Monte Agraço nos dias 10 e 11 de Setembro. (...)” – edição nº.3237, de 6 de Abril de 1984

 

A 7 de Setembro de 1984 o jornal indica quais os cartéis da feira.

 

“Sobral do Monte Agraço: Veiga, Sommer e Pinto na corrida de 2ª.feira

Luis Miguel da Veiga, Sommer de Andrade e Emídio Pinto são os cavaleiros contratados para o primeiro de dois espectáculos das tradicionais Festas e Feira de Verão do Sobral de Monte Agraço, já na próxima segunda-feira, a partir das 5 horas da tarde. Os toiros são de José Luís Dias, de Salvaterra de Magos, e das pegas incumbir-se-ão dois grupos de forcados: Vila Franca e de Portugal, capitaneados por José Dotti e Rafael Oliveira respectivamente. No dia seguinte (...) «Córdoba Taurina» vindo directamente de Madrid com anões toureiros e «Cantinflas de Madrid».”

 

O ano de 1985 marca a denominada primeira Feira Taurina de Sobral, com a realização de três espectáculos tauromáquicos, e o “Vida Ribatejana” volta a destacar as festas e as corridas de toiros, na sua edição de 6 de Setembro (nº.3309).

 

“De Domingo a 3ª.Feira I Feira Taurina do Sobral de Monte Agraço

A praça do Sobral de Monte Agraço será palco da sua I Feira Taurina entre domingo e terça-feira, com artistas para todos os gostos, a pé e a cavalo. Três grandiosos espectáculos assinalarão este certame, de iniciativa das Organizações Taurinas “Os Três Tércios”. Domingo, grande novilhada nocturna (a partir das 22 horas) com Carlos Pamplona e Paulo Brazuna, a cavalo, e Celso Ortega e José Luis Gonçalves, a pé. Forcados de Agualva-Cacém (chefiados por José Espinheira) ante seis novilhos-toiros dos Herdeiros de Manuel César Rodrigues. Na segunda-feira, o principal espectáculo, uma corrida à portuguesa com Emídio Pinto, Manuel Jorge de Oliveira e Rui Salvador, ante seis toiros de Irmãos Dias, de Salvaterra, com os Forcados de Vila Franca e de Portugal nas pegas. Terça-feira, dia 10, também ás cinco horas da tarde, quatro jovens cavaleiros num espectáculo de variedades taurinas: Mário Bray (de Sobral), Pedro Franco (Penedos de Alenquer, Labrugeira), Luis Nortada (Praia das Maçãs) e Alexandre Gaspar (Azambuja), ante reses de José Luis Dias, mais os Forcados Juvenis de Portugal, comandados por José Filipe Miguel.”

 

Em 1987 as Festas e Feira de Verão tiveram, de novo, três espectáculos taurinos: domingo, segunda e terça-feira. No domingo, dia 13, à noite, um espectáculo de toiros e fado, com a presença do consagrado fadista Nuno da Câmara Pereira e três cavaleiros amadores – Mário Bray, Júlio Vilhena e João Paulo – que lidaram três novilhos de José Luis Dias com as pegas a serem efectuadas pelos Forcados de Agualva. Na segunda-feira, 14, teve lugar a corrida à portuguesa que contou com os cavaleiros Luis Miguel da Veiga, António Telles e Frederico Carolino. Pegaram os Forcados de Vila Franca, de José Dotti, e os de Portugal, de José Filipe Miguel. Os toiros eram da ganadaria de José Luis Dias. E, finalmente, na terça-feira, dia 15, à tarde, teve lugar um espectáculo cómico-taurino com “El Gran Tótó” e os cavaleiros Marta Manuela, Elena Gayral e José Manuel Duarte. Os Forcados eram os Juvenis de Vila Franca e as reses de José Luis Dias.

 

Corria o ano de 1988 quando o jornal Vida Ribatejana volta a referir-se às festas de verão e às corridas de toiros em Sobral de Monte Agraço. Foi na semana anterior às Festas (2 de Setembro – edição nº.3463).

 

“Monte Agraço: festas e toiros

Uma corrida de toiros – à portuguesa – e um espectáculo cómico-taurino constituem as atracções tauromáquicas das tradicionais festas e feira de verão de Sobral de Monte Agraço que decorrerão nesta vila em 12 e 13 do corrente numa organização de “os Três Tércios”.

Os cavaleiros Joaquim Bastinhas, Rui Salvador Frederico Carolino e João Salgueiro são os artistas da corrida de dia 12, a partir das 17 horas, os quais lidarão seis toiros da Sociedade Agrícola de Santo Estevão que serão pegados pelo Grupo de Forcados Amadores do Ribatejo, capitaneados por Rui Barreiros.

No dia 13, a partir das 5 da tarde, terá lugar o espectáculo cómico-taurino com «Toronto»(...) Serão ainda lidadas reses (...) pelos cavaleiros Marta Manuela e (...) José Manuel Duarte. Os Forcados Juvenis Amadores da Chamusca estarão nas pegas.”

 

Em 1989 voltaram a realizar-se dois espectáculos tauromáquicos, mantendo-se as datas de segunda e terça-feira. Em Vida Ribatejana, edição de 1 de Setembro, vem destacado, de novo, a realização das festas e das corridas de toiros.

 

“Sobral de Monte Agraço: Festas e Feira com uma corrida

Uma corrida mista no dia 11 e uma tarde de variedades taurinas, no dia imediato, preenchem os cartéis das Festas e Feira do Sobral de Monte Agraço, naqueles dois dias (...)

José Júlio é o único artista a pé desta feira, fazendo a sua despedida da Praça de Toiros de Sobral de Monte Agraço com dois toiros da Sociedade Agrícola de Santo Estevão. A cavalo actuarão Joaquim Bastinhas, Rui Salvador e Frederico Carolino. Pegarão os Forcados do Grupo de Montemor, chefiados por Paulo Vacas de Carvalho.

No dia 12, dia da festa (...), os anões toureiros e Cantinflas de Madrid (...) preencherão com variedades taurinas a primeira parte do espectáculo. A segunda mostrar-nos-à os jovens cavaleiros Marco José, Rui Santos e Ana Batista na lide de cinco reses de Sociedade Agrícola de Santo Estevão, serão pegados pelos Forcados Juvenis Amadores da Chamusca.”

 

A 22 de Setembro, o crítico taurino João Antunes, escreveu que

 

“Sobral de Monte Agraço com Festa e Feira. Forcados estiveram á altura. Cavaleiros também corresponderam.

“Os forcados (Amadores de Montemor) estiveram á altura, os cavaleiros corresponderam, por ocasião da tradicional festa e feira de verão de Sobral de Monte Agraço. Os cavaleiros foram Bastinhas, Salvador e Carolino. Como único espada, e fazendo a sua despedida desta praça (...) actuou José Júlio. O espectáculo dos espectáculos foram Bastinhas, com as bandarilhas a duas mãos, e Rui Salvador pela qualidade que imprimiu ao seu segundo toiro(...).

José Júlio, o único matador de serviço, não teve a mesma sorte que os seus pares a cavalo, dos dois, difíceis e incertos, que lhe saíram para a lide a pé.(...)” – Vida Ribatejana, nº. 3518

 

Aqui vos deixo uma série de cartazes dos anos 80.

 

 

No primeiro ano da década de 70, as corridas integradas nas Festas e Feira de Verão revelaram-se, novamente, brilhantes. Contudo, os cartéis apresentados no número de Agosto/Setembro do jornal Sizandro viriam a ser diferentes conforme poderemos ver.

 

“Programa Geral das Festas e Feira de Verão de 1970

Domingo, 13, 17 horas, formidável corrida de toiros à portuguesa, com a actuação dos distintos cavaleiros Luis Miguel da Veiga, Gustavo Zenkl e Fernando Andrade Salgueiro; grupo de Forcados do Aposento do Barrete Verde de Alcochete, capitaneado por António Luis Penetra; serão lidados 6 bonitos toiros da Sra. D. Maria Manuela Andrade Salgueiro. (...)

Segunda-feira, 14: 17 horas, espectacular corrida de toiros com a participação dos consagrados cavaleiros: David Ribeiro Teles e Alfredo Conde; espadas: José Simões e Ricardo Chibanga, dois valores do toureio nacional; forcados do grupo Académico de Vila Franca de Xira, capitaneados por Miguel Palha. Serão lidados 8 valiosos toiros do Sr. Engº. Rui Gonçalves, de Almeirim.(...)

In Sizandro , Agosto/Setembro 1970

 

O relato das corridas é feito de uma forma aligeirada, não se detendo em pormenores de ordem técnica:

 

“Espectacular êxito das Festas e Feira de Verão no nosso Concelho na sua edição de 1970

(...) O ponto forte de domingo era a corrida de toiros à Portuguesa e logo após a hora de almoço começou a afluir ao Sobral uma autêntica multidão. (...)

Entretanto começou a tourada. Agradou sem reservas. As actuações de Mestre Baptista, Luis Miguel da Veiga e do amador Jorge de Carvalho foram magníficas, assim como o foram também as pegas do Grupo de Alcochete, apesar dos derrotes que sofreram numa ou noutra pega. (...)

Também segunda-feira nasceu brilhante e estival. (...) À tarde, nova corrida de toiros. Outra grande enchente e outro grande sucesso como espectáculo taurino.

David Ribeiro Teles e Gustavo Zenkl, tourearam em bom estilo. Os espadas Ricardo Chibanga e Manuel António estiveram em evidência. O grupo de Vila Franca de Xira, de Miguel Palha, houve-se em bom plano. O curro de toiros apresentado foi magnífico e esteve na base do êxito alcançado.(...)”

In Sizandro , nº 109, 22.Outubro.1970

 

No ano de 1977 têm lugar importantes obras de recuparação da praça e a  de Agosto realiza-se

uma imponente corrida mista para comemorar o facto. É a célebre corrida dos toiros de Varela Crujo, enormes de tamanho e que criaram enormes problemas nas recolhas. Tratou-se de uma corrida internacional pois actuaram os cavaleiros Gustav Zenkl (austríaco naturalizado português) e Luc Jalabert (francês), e os matadores de toiros Rayito de Venezuela (venezuelano) e António de Portugal, estando as pegas a cargo do Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, capitaneados por José Carlos de Matos. Como corrida mista que foi, lidaram-se 7 toiros, um deles e naturalmente, a duo entre Zenkl e Jalabert.

 

Como curiosidade, e em relação aos preços praticados nesta corrida organizada pela Santa Casa da Misericórdia, eles foram de 130 escudos para a bancada de sol, 180 escudos para a bancada de sombra e para as barreiras 180 e 250 escudos respectivamente para a de sol e a de sombra.

Em 1964, já no mês de Julho se trabalhava com alguma intensidade para que as Festas de Verão resultassem num grande êxito.

 

Festas e Feira de Verão

Já se trabalha com vista às Festas e Feira de Verão, que terão lugar nos dias 13 a 17 de Setembro próximo. (...)

Na Praça de Touros, como vem acontecendo, haverá corridas de touros, grande paixão dos habitantes desta região. Fala-se em grandes nomes da tauromaquia.(...)”

In SIZANDRO, nº 40, Julho de 1964

Um ano mais tarde, em 1965, Jotacêdois escreveu o seguinte artigo:

 

Festas e Feira de Verão de Sobral de Monte Agraço

A Praça de Touros, que o ano passado se apresentou já restaurada, será palco de duas magníficas touradas, cujo cartel está a cargo da Empresa Campo Pequeno, Lda. Segundo fontes fidedignas o cartel ombreará com o das primeiras praças do País.”

 

Em 1965 surge a primeira rubrica de Tauromaquia com espaço e grafismo próprios, a cargo de João da Silva Ferreira “El Marreco”. As crónicas dos espectáculos realizados nas Festas e Feira de Verão desse ano têm sabor e é importante deixá-las aqui na íntegra.

 

“Com a praça cheia realizou-se no passado dia 12 de Setembro a tradicional corrida de toiros das Festas e Feira de Verão deste concelho. Tomaram parte os cavaleiros José Mestre Baptista e Alfredo Conde. Na lide apeada estiveram o matador José Júlio e o jovem e prometedor novilheiro Júlio Gomes. Os forcados eram de Tomar, precisamente o Grupo Académico do Colégio Nuno Álvares.

Os toiros pertenciam aos srs. Irmãos Neto, de Benavente e dr. António Henriques da Silva, do Couço.

Nas bancadas, entre os inúmeros espectadores vislumbrámos: Manuel dos Santos, Armando Soares, David Ribeiro Teles, José Samuel Lupi, Manuel Conde e seu pai e ainda o nosso conterrâneo e esperança do toureio nacional, Manuel Rosalino.

Coube o primeiro touro a Mestre Baptista. De cor castanha e bem tratado e corneaberto apresentava ferro Neto. Baptista entrou a castigar e ao estribo cravou o ferro inaugural. Porém o touro sentiu o castigo e amarrou-se às tábuas.

Mestre Baptista ao fim de muito trabalho conseguiu prender mais dois compridos logo seguidos de um forte encontrão na sua montada. Nos curtos teve actuação de grande brilho e no final escutou grande ovação com volta e flores vindas do sector onde se encontravam as meninas «BEM».

Do dr. António Silva era o segundo touro lidado por Mestre Baptista. Tal como o outro indicava bom trato e era preto. Baptista esteve em grande evidência, sangrou o animal com ferros compridos e curtos de grande classe. Ao som de música o artista deu duas voltas acompanhado da sua quadrilha e recebeu prendas das suas admiradoras, que aqui em Sobral são muitas.

Alfredo Conde no seu primeiro touro, também com ferro Neto esteve dentro da sua bitola. Prendeu alguns ferros compridos e curtos de bom estilo, pecando nalguns deles, por toques na montada. Deu volta sob aplausos.

No segundo, Conde esteve melhor, mesmo muito melhor. Cravou dois curtos de valia, que o público sublinhou com fartos e merecedores aplausos. Deu volta à arena.

O terceiro touro da tarde coube ao matador José Júlio, com ferro do Dr. António Silva. José Júlio lanceou por parones e teve um quite por cichuelinas. A bandarilhar, como é seu hábito, José Júlio esteve em grande evidência. Cravou ferros a quarteio e a quiebro ao som de música. Na faina de muleta que brindou à assistência o matador de Vila Franca, esteve a grande altura com um novilho difícil. Toureou á base da mão direita com a qual tirou bons derechazos arrematados com passes de peito.

Tocou a música em honra de José Júlio que continuou a faena com manuletinas, mulinetes e desplante. No final deu voltas à arena com a sua quadrilha, sob aplausos muito quentes da assistência entusiasmada.

No seu segundo touro, pertença dos Irmãos Neto, castanho e com hastes muito largas é que José Júlio esteve enorme. Lanceou à verónica, seguidas de chicuelinas. Bandarilhou magistralmente. Na faina de muleta o diestro brindou à filha do dr. D. António Braamcamp Sobral. Entrou a castigar para depois tourear ao natural a fechar o círculo e bem rematados com o de peito. Tocou a música e José Júlio arrimou-se para uma faena em que tirou passes de todas as marcas acabando com um desplante de joelhos em terra. No final deu voltas, recebeu flores, sapatos e até orelhas.

O novilheiro Júlio Gomes, deu-nos magnífica impressão e segundo cremos será alguém na tauromaquia portuguesa. No primeiro touro não se portou à altura devido a recear em demasia o animal que era da ganaderia do sr. dr. António Silva. Com o capote pouco mostrou. Sacramento e Joaquim Gonçalves seus peões de brega, bandarilharam. Também na muleta o jovem novilheiro pouco toureou, apesar de sempre se ter mostrado valente e esforçado o que são, sem dúvida, bons indícios. Júlio Gomes no seu último touro, com ferro Irmãos Neto, houve-se a grande altura. Depois de bandarilhado pelos seus peões, lanceou-o à verónica. Gomes recebeu-o com três estatuários de excelente marca, que o público não soube aplaudir. Toureou de seguida ao natural, rematando com passe de peito.

Seguiu a sua faena com manuletinas e trincheiraços e fez o desplante logo seguido de simulação de estocada. Muito aplaudido deu volta no final. O grupo de Forcados, capitaneados pelo sr. Manuel Faia, fez magníficas pegas. Dirigiu com acerto o sr. Agostinho Coelho.”

 

No seu número correspondente ao mês de Outubro de 1968, e referindo-se aos espectáculos tauromáquicos, foi escrito o seguinte no Jornal

Sizandro, por João Campino:

 

“... Embora sejamos leigos sobre a festa brava, somos no entanto apreciadores da festa e lá estivemos em todos os espectáculos taurinos realizados. No domingo, gostamos francamente da tourada à Portuguesa. Os cavaleiros, D. José Ataíde, Luis Miguel da Veiga e Vítor Ribeiro evidenciaram os seus conhecimentos. Os forcados amadores de Montemor-o-Novo guindaram-se a bom plano executando rijas pegas. Pena foi que os touros não colaborassem. Mesmo assim pode afirmar-se que o espectáculo agradou. Na segunda-feira, com a casa cheia como um ovo e o sol brilhando intensamente, presenciamos as magníficas actuações de David Ribeiro Telles e do jovem Frederico Cunha. Ambos grandes valores da lide equestre, um já confirmado, outro que desponta, receberam do público grandes ovações. José Simões, mais toureiro, foi superior ao espanhol Espartaco que também esteve bem e demonstrou que a valentia não tem limites no seu corpo franzino. No seu último touro bem o demonstrou e de que maneira. Nós que estávamos na bancada vivemos intensamente a sua actuação calafriante. Os amadores de Vila Franca com uma actuação sensacional executaram formidáveis pegas que arrebataram os espectadores. Grande surpresa para nós a categoria dos moços de Vila Franca que agora começaram. Parabéns e votos de grandes êxitos são o que aproveitamos para formular. Na terça-feira, outra vez com a praça a abarrotar, assistimos à apresentação da jovem toureira azambujense, Ana Maria. Gostamos, dentro de certa medida, da jovem toureira que revelou, sem que ninguém possa contestar, muito jeito.

A lide equestre esteve a cargo de dois cavaleiros amadores. Apraz-nos realçar a forma como Jorge de Carvalho toureou. Tudo fez para que os touros que lhe couberam proporcionassem uma lide cheia de interesse. Conseguiu realmente tirar algum partido dos animais que lhe saíram mas depois de largo trabalho que o público sublinhou com fortes aplausos. Pena foi que o jovem cavaleiro não tivesse tido sorte com os touros. Se lhe houvesse saído animais dignos teria alcançado êxito grande.

De novo os forcados de Vila Franca estiveram em grande plano e executaram boas pegas. Tiveram uma cernelha digna de «Campo Pequeno». Sensacional. Não havíamos visto nada igual e exclamações idênticas tiveram-nas bons aficionados que estavam presentes.

A parte taurina foi um êxito. De destacar o excelente curro da corrida de segunda-feira, do Sr. João Coelho Capaz, Herd., de Coruche, que proporcionou ao ganadeiro volta ao redondel. (...)

As largadas de touros foram, como habitualmente, muito concorridas e encheram de júbilo os amantes destas manifestações tauromáquicas. (...)”

In Sizandro , Outubro 1968