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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

OS PESOS DOS TOIROS PARA HOJE NO MONTIJO

30.07.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra
Estes são os pesos dos toiros para a Corrida de hoje à noite no Montijo. Aproveitamos para informar que ao contrário do que se faz circular ainda há muitos bilhetes para esta grande Festa que começa pelas 22 horas. Grande ambiente e expectativa esta noite no Montijo.
 
Nº             Peso
 
11             570
36             510
 6              545
16             550
37             520
 7              570

"UMA FESTA ÚNICA PARA UM TOUREIRO DIFERENTE" - HOMENAGEM A JOSÉ JOÃO ZOIO A 25 SETEMBRO NO MONTIJO

30.07.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

A Monumental Praça de Touros Amadeu Augusto dos Santos no Montijo, será o palco para a
homenagem nacional que irá ser prestada a José João Zoio, falecido no ano de 2009.

Este grande acontecimento, terá lugar no dia 25 de Setembro, pelas 17 horas, e contará com 12 cavaleiros em praça, que a duo irão lidar seis touros de Ruy Gonçalves.

Desta forma, os seis touros serão lidados a duo pelos cavaleiros:
- Manuel Jorge de Oliveira / António Brito Paes
- Joaquim Bastinhas/ Marcos Tenório
- António Ribeiro Telles / Ribeiro Telles Bastos
- Rui Salvador / Duarte Pinto
- João Salgueiro / João Salgueiro da Costa
- Francisco Cortes / Manuel Lupi

Neste dia as pegas estarão a cargo dos Forcados Amadores de Santarém, Lisboa e Alcochete, num espectáculo abrilhantado pela Banda da Sociedade Filarmónica Progresso e Labor Samouquense.

Salientamos ainda que Cavaleiros, Bandarilheiros e Forcados irão actuar graciosamente,
visto que o lucro deste espectáculo reverterá a favor da Família de José João Zoio.

GRANDE AMBIENTE PARA HOJE NO MONTIJO - BILHETEIRAS JÁ ABRIRAM

30.07.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra
O ambiente é excelente para a Corrida de HOJE na Praça de Toiros do Montijo esperando-se uma grande noite de Festa com o ambiente que todos já conhecem das anteriores Corridas desta data. Ainda há muitos bilhetes nos locais de venda e as bilheteiras da Praça abriram às 9 horas. Quem tem reservas feitas pode levanta-las até às 20 horas impreterivelmente.
Pode ainda fazer as suas reservas através do numero 91 4094038 ou bilhetesaplaudir@gmail.com

APROVEITE O CALOR DO VERÃO E VÁ TAMBÉM AOS TOIROS

30.07.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

30 DE JULHO

MONTIJO - 22H - Paulo Caetano, Diego Ventura, Francisco Palha. Forcados de Santarém e Alcochete. Toiros Mª Guiomar Moura

 

31 DE JULHO

Cabeço de Vide - 18h30 - João Moura, Brito PAes e Miguel Moura. Forcados de Portalegre. 4 toiros e 1 novilho de João Moura

 

Vimieiro - 21h30 - Francisco Cortes, pedro Salavdor, Manuel Teles Bastos, Manuel Comba. Forcados de Coruche e Moura. 6 toiros e 1 novilho de Lopes da Costa

 

Niza - 22h - Rui salvador, João Cerejo, Filipe Vinhais e Marcelo Mendes. Forcados de Portalegre, Cascais e Alter do Chão. 6 toiros de Vila Galé

 

Setubal - 22h - Luis Rouxinol,  Sónia Matias, Moura Caetano. Forcados de Alcochete e Setubal. Toiros de Paulo Caetano

 

Salvaterra de Magos - 22h - Ana Batista, João Telles Jr e Tiago Carreiras. Forcados de Vila Franca e Salvaterra. Toiros Vinhas

 

4 DE AGOSTO

Albufeira - 22h15 - Luis Rouxinol, Ana Batista, Manuel Teles Bastos. Forcados de Évora e Alcochete. Toiros de Sesmarias Velhas

 

5 DE AGOSTO

Campo Pequeno - 22h15 - Joaquim Bastinhas, Ana Batista, Marcos Bastinhas, Isabel Ramos. Forcados de Moura, Académicos de Elvas e Redondo. Toiros de David R.Teles

 

Alvor - 22h30 - João Moura, Filipe Gonçalves, Brito Pais. Forcados do Aposento da Moita. Toiros Vinhas e Cunhal Patricio

 

 

LITERATURA TAURINA - DO LIVRO «PORTUGAL – O FADO E AS TOIRADAS» (2)

30.07.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

A TOURADA PORTUGUESA

 

QUEM assiste a uma corrida de toiros em Portugal depois de ter presenciado o espectáculo tauromáquico tal como se realiza em Espanha, em grande parte da América Latina, e no sul da Franca, facilmente se aperceberá das pro­fundas diferenças que o caracterizam e lhe conferem como que uma feição de jogo, em oposição aos aspectos de luta tão claramente visíveis nos restantes países. Questão de personalidade, ou de maneira de sentir? Nem uma nem outra coisa; apenas subordinação a uma continuidade que o tempo converteria em tradição, por tal forma que as diferenças fundamentais se mantém, apesar mesmo das muitas tentativas de uniformidade que se têm registado.

 

O espectáculo tauromáquico, retintamente ibérico, era um só e, como se referiu, rodeado de enorme aparato, essencialmente palaciano, já que eram fidalgos os toureadores e patrocinados pelas pessoas reais os festejos correspondentes.

 

No princípio do século xviii, começam a estabelecer-se diferenças funda­mentais nos dois espectáculos taurinos peninsulares em consequência da súbita modificação operada em Espanha quando Filipe V faz com que os fidalgos deixem ao povo as arenas e lhes permite o desenvolvimento de um toureio novo. E depressa essas diferenças tomam as maiores proporções porque para tal decisivamente concorreria o espírito dos soberanos portugueses de então, especialmente D. João V e D. José I, em cujas cortes tudo é faustoso e cavalheiresco. Em tal ambiente, a  figura principal da tourada portuguesa teria de ser o cavaleiro e essa hegemonia mais haveria de fortalecer-se quando em Portugal foi abolida a morte do toiro em praça e sobretudo, quando a presença do moço de forcado, com a sua feição nacionalíssima, vem dar carácter mais pronunciadamente português ao espectáculo taurino da nossa terra.

 

Apesar disso e durante largos anos, embora com carácter quase sempre excepcional, foram incluídos nos cartazes nacionais a lide de alguns toiros por matadores espanhóis que, agindo a pé, mantinham o público português ao corrente da evolução artística que nesse sector do toureio se ia registando. E foi, talvez, o apuro técnico e a excelência artística alcançadas que, tirando ao toureio a pé todos os aspectos da antiga feição popular, o tornou mais compreensivo para os portugueses, decidindo-os a praticá-lo tal como nos outros países, provocando um movimento que necessariamente, haveria de reflectir-se na própria estrutura do espectáculo, agora realizado em Portugal e que apresenta uma variedade que se não regista em qualquer outro lugar do mundo taurino.

 

No entanto e justamente por isso, convém realçar os aspectos verdadei­ramente portugueses que residem no toureio a cavalo, e na execução da pega, essa, como se referiu, de características absolutamente nacionais e ponto alto e fortemente típico do folclore lusíada, intimamente ligado à borda-d'água e às campinas verdejantes onde se criam os toiros e os cavalos de raça.

 

Principia o espectáculo taurino em Portugal, pelas cortesias, que consti­tuem a apresentação, ao público, da totalidade dos artistas, forcados, moços de praça e campinos, que intervêm na lide. Antigamente, e como noutro lugar se refere, revestiam-se as cortesias de grande aparato e nelas tomavam parte grande número de figurantes formando vistoso cortejo. Na actualidade estão as cortesias muito simplificadas e realizam-se como a seguir se descreve: Dado o toque de cornetim para o começo da tourada (que deve soar logo após a chegada da auto­ridade), saem para a arena os que têm intervenção na lide, dispondo-se à frente os bandarilheiros, depois os forcados, os moços da praça e campinos, todos eles formando filas simétricas de um e outro lado da arena por forma a deixarem um espaço livre para as evoluções dos cavaleiros que irão fazer a saudação em torno da praça. Quando os cavaleiros ultrapassam a linha formada pêlos bandarilheiros, devem estes descobrirem-se, conservando-se assim até final da cerimónia.

 

Terminadas as cortesias e a uma ordem do director da tourada, o bandarilheiro mais antigo ou o espada, se o houver, atravessará a arena para levar ao cavaleiro a primeira farpa, cerimónia que tem a intervenção de todos os outros cavaleiros, passando o ferro de mão em mão, por ordem de antiguidade.

 

Começa então a lide que é regulada por toques de cornetim, ordenados pelo director da tourada, também chamado «inteligente».

 

O primeiro toiro, como se vê, é sempre para o cavaleiro; não havendo espadas, o segundo é para bandarilheiros, o terceiro para novo cavaleiro e assim, alternadamente, até ao fim. Havendo espadas e para evitar a constante inter­venção dos moços de praça no arranjo do piso da arena, que os cavalos deixam impróprio para a prática do toureio a pé, saem primeiro os cavaleiros, por ordem de antiguidade e de seguida os espadas pela mesma ordem. Se houver um só espada, nas touradas normais de oito toiros, compete a este, lidar o quarto e o sexto. Nos toiros de lide portuguesa, quer farpeados, quer bandarilhados a pé. pode o director ordenar a execução da pega, desde que reconheça prestarem-se as reses para tal.

 

Os toques de clarim marcam a entrada do cavaleiro, saída e recolha do toiro, suspensão ou mudança de lide, execução da pega, ou chamam a atenção de qualquer toureiro, cuja acção mereça reparo. Neste último caso, o toque corres­pondente toma o nome de «aviso». Ao director da tourada compete ordenar esses toques e vigiar a disciplina no redondel.

 

PEGA" — A SORTE MAIS PORTUGUESA

MUITO embora se possa considerar remotíssima a origem do procedimento a que hoje chamamos pega — possivelmente realizada desde a altura em que o   homem   passou   a  contactar   mais   directamente   com   o   toiro   bravo como   acção   de   emergência   defensiva —   tendo   ainda   em   conta   que   alguns autores a dizem muito semelhante a um antigo exercício andaluz, assim mesmo a devemos considerar inteiramente portuguesa pois foi na nossa terra que ganhou feição desportiva, como recreio absolutamente capaz de corresponder às exigências do espírito moço da lusitana gente.

 

Há ainda quem ligue a pega a acções circenses da civilização cretense, depois que foram descobertos, no palácio de Knosos, uns curiosos «frescos» que, no entanto, nos dão mais a ideia de exercícios ginásticos do que de manifestação de interpidez que é, afinal, o que tão nitidamente se retrata no procedimento dos nossos moços de forcado. De resto outras circunstâncias concorrem para que a consideremos portuguesa, dado o espanto que, a povos de todas as latitudes, causa a pega tal como se realiza nas nossas arenas, integrada no nosso espectáculo taurino. E pode até ir-se mais longe considerando-a a mais portuguesa das acçoes tauromáquicas, uma vez que estando elas circunscritas a duas modalidades — a pega e o toureio equestre — tem este último muito maiores afinidades com o que se praticava na Península depois do advento do rojão do que a pega com os exer­cícios cretenses ou com o mancornar andaluz.

Sob o ponto de vista tradicional e embora só muito mais tarde entrasse na estrutura do espectáculo tauromáquico português, não deve esquecer-se que tendo o toureio equestre ganho expressão retintamente nacional a partir dos meados do século XVII,  foi nessa mesma altura que a pega começou a praticar-se, pois, segundo documentos históricos, ela surge como desporto de elites no segundo quartel desse século, realizada pelo Rei D. Afonso VI e pelo seu irmão, mais tarde Rei D. Pedro II. que a consideravam o mais dilecto dos divertimentos.

 

Mas quando terá a pega entrado, efectivamente, no espectáculo taurino de Portugal? Pensa-se que o facto só se deu quando foi determinada a embolação dos toiros, o que leva a considerar o princípio do século xix. A verdade é que ainda no século xvn são várias as crónicas que referem a presença dos «monteiros de choca» nas touradas, muito embora sem especificar a sua acção objectiva. No entanto, a sua indumentária de então. — o colete de coiro sobre calção de veludo — dá ideia de que a ausência de embolaçoes não teria impedido a sua prática. Na antiga praça lisboeta do Salitre, após um período de menor entusiasmo e. quando é aclamado o tão aficionado Rei D. Miguel, já os forcados aparecem com frequência e o próprio confessor do Soberano, o padre Joaquim Duarte, era considerado como um dos mais decididos e seguros pegadores de Salvaterra de Magos.

 

Por essa altura eram mistas as corridas, com lide de toiros em pontas, que deveriam morrer a golpes de rojão ou de estoque, e dos embolados que muito provavelmente seriam pegados. E como na praça do Campo de Santana, que sucede àquela, é que os aspectos nacionais da corrida de toiros ganham feição definitiva e profundidade artística, pode ainda afirmar-se que a pega acompanhou, desde início, toda a evolução verificada. É assim, na realidade, a feição mais legitimamente portuguesa da corrida de toiros; é, realmente, a expressão popular lusitaníssima que, embora possa representar a continuidade de antigas acçoes realizadas em lugares dis­tantes, nem por isso deixam de se apresentar com matizes tão fortemente nacio­nais que o espectáculo por ela constituído se considera, tanto em Portugal como no estrangeiro, inteiramente nosso e, mais que isso, perfeitamente dentro do espírito e características do nosso povo, cabendo unicamente no ambiente peculiar da tourada portuguesa. «Pegar toiros está», como escreveu um jornalista ribatejano, «no espírito dos portugueses»; «está-nos na massa do sangue», como diz o povo, «na índole e na raça», em termos supostamente mais eruditos.

 

O moço de forcado é, por definição, um homem valente, valente e com medo, por isso mesmo superiormente valente. Porque a superior valentia do forcado, reside exactamente no facto de ser capaz, no momento próprio, de dominar o medo, conservando a lucidez necessaria para ver, pensar e executar a pega dentro das regras estabelecidas. Pegar toiros é uma arte e uma técnica. Sem técnica, posta a questão no campo de jogo de forças, o homem sairia irremediavelmente derrotado do embate com o toiro. Por isso a técnica da pega é tão complexa como a técnica de qualquer outra modalidade de toureio. Do estudo atento do comportamento do toiro durante a lide, da escolha do forcado que há-de tentar a pega, por comparação de caracte­rísticas de um e de outro, da distância e dos terrenos do cite, do caminhar na arena, do esperar, do tourear, ao cair-lhe na cabeça, para se fechar, à barbela ou à córnea, dos múltiplos requisitos de ordem técnica a que o bom forcado deve obedecer, depende o bom êxito da sorte. E tudo isto deve associar-se à estética das atitudes e dos movimentos. Porque assim a pega será entendida como sorte de beleza toureira, e não como rudimentar, ainda que emocionante, acto de bravura humana.

 

De salientar ainda que, nesta época dos «milhoes», o forcado enfrenta o toiro por manifesto idealismo, contribuindo vezes sem fim para obras de bene­ficência. Os forcados são assim, os últimos românticos das Festas de Toiros.

LITERATURA TAURINA - DO LIVRO «PORTUGAL – O FADO E AS TOIRADAS»

30.07.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Na nossa literatura de cariz tauromáquico encontrei um livro que, pelo seu título, me despertou a máxima curiosidade. Quando o folheei na feira de antiguidades de Aveiro, não hesitei e decidi trazê-lo comigo. Sem pretenciosismos, o autor desdobra-se entre a tradição dos fados e das toiradas e, nestas, consegue dar uma imagem interessante ao leitor. Por isso não hesitei também em trazer-vos hoje estas páginas magníficas do livro bem como algumas fotos de inegável interesse, nomeadamente as que se referem ao toureio a cavalo. Atentem bem nas diferenças entre algumas dessas fotos (de figuras dos anos 50/60 do século passado) e no que vemos actualmente nas nossas arenas!...

 

O TOUREIO EM PORTUGAL

RESUMO HISTÓRICO

NOS princípios do século xvii, encontramos, na Peninsula Ibérica um toureio já perfeitamente estabelecido, embora apenas no que se refere à lide a cavalo, com rojão, consequência do aperfeiçoamento dos torneios do século xvi em que se alanceavam toiros, com bem menor sentido artístico mas obedecendo a regras e deveres, intimamente ligados às tradições gerais da cava­laria medieval.

 

Por então, existem já verdadeiros tratados desse toureio que, aper­feiçoando-se gradualmente, chega a atingir um período de verdadeira grandeza e brilhantismo. Para isso, muito contribuiu o facto de ter-se tornado diversão de fidalgos e ser a sua prática sintoma de virilidade e nobreza. Por esse motivo, quase todos os preceitos estabelecidos oebedeciam a preconceitos especiais de honra e cavalheirismo.

 

Só os nobres cavalgavam e assim iludiam as arremetidas dos touros, apenas com o auxílio dos chulos (a que hoje chamaríamos «peões de brega») que eram lacaios dos fidalgos toureiros e a quem se não permitia mais que servir o seu senhor durante as lides ou acorrer em seu auxílio, primeiro a corpo limpo, mais tarde usando enganos ou defesas — pequenos pedaços de pano, chapéus, etc.

 

Em 1669, Carlos II de Espanha morre sem descendência e o problema dinás­tico é resolvido pelo próprio testamento do monarca, que designa, para o trono de Espanha, o duque de Anjou, filho segundo do Delfim de França, que viria a ser Filipe V. De sensibilidade naturalmente diferente, logo mostrou o seu desacordo com os espectáculos tauromáquicos e tanto bastou para que os fidalgos, evitando desagradar ao soberano, deixassem de sair a terreiro para dominar e matar toiros.

 

O povo, a que os lacaios pertenciam, é que não sentiu a menor necessidade de agradar ao rei e dando largas ao seu entusiasmo pelo toureio, continuou prati­cando-o, tal corno vira aos grandes senhores. Surgem os primeiros profissionais e constroem-se, de madeira, as primeiras praças, que depressa se tornam insufi­cientes, dado o interesse com que o público acorre a elas. Por essa altura, principia a operar-se uma modificação profunda porque, faltando ao povo tempo e haveres para amestrar cavalos e sendo dada a maior liberdade de acção aos que a pé actuavam, essas circunstâncias acabaram por ir relegando para plano secundário o toureio equestre, à medida que se desenvolvia o que a pé já praticavam e tão do agrado público estava sendo que logo recebeu verdadeira legião de praticantes.

 

Ao voltar Filipe V ao trono, depois de uma abdicação a que teve de renunciar pela prematura morte do príncipe seu filho, regressaram os fidalgos às lides da arena, encontrando, porém, um ambiente francamente desfavorável, enraizadas como já estavam, no espírito popular, as novas formas do toureio e a modificação trazida à estrutura do espectáculo. Portugal os atraiu então e para cá vieram, seguindo o exemplo de outros, que se tinham estabelecido no nosso país, mal se definiu a animosidade do pouco aficcionado soberano. Com esses excelentes cultores estran­geiros a engrossar o número dos cavaleiros nacionais que, tão brilhantemente praticavam já a modalidade, cujos princípios estavam perfeitamente dentro dos moldes de bizarria e cavalheirismo dos fidalgos lusitanos — todos eles com um passado mais ou menos ligado a façanhas de cavalaria — estabeleceu-se, em Portugal, uma arte nova, perfeitamente independente e profundamente nacional: aquela que viria a chamar-se «Arte de Marialva».

 

Tornada desporto favorito de nobres, estes saíam para as lides, animados por uma afición de tal forma ligada e sujeita a preconceitos de honra que, sem olhar ao perigo que corriam, operavam prodígios de arte e verdadeiras loucuras de teme­ridade. Frequentes revezes furtaram ânimo a alguns que, amparados pêlos sobe­ranos, sempre lastimosos dos vassalos perdidos, foram diminuindo as probabili­dades de perigo, até quase totalmente as banirem das arenas, pois a abolição da morte do toiro em praça reduzia naturalmente os deveres dos lidadores. Abria-se desta forma caminho para o estabelecimento da embolação das hastes.

 

Os forcados vieram então até às praças, com a bizarra alegria dos seus trajes, dar a nota de valentia e emoção que as referidas modificações tinham diminuído.

 

Sem que os fidalgos totalmente abandonassem as arenas, em Portugal, tal como acontecera em Espanha, passou o toureio a constituir profissão, e de todas as classes sociais surgiram entusiastas, para. a troco de salários, envergar a casaca do cavaleiro, a jaqueta do moço de forcado ou o trajo bordado do bandarilheiro. De notar, porém, que, na actualidade, não se verifica em Portugal, entre cavaleiros e forcados, verdadeiro profissionalismo, os primeiros porque praticam o toureio por mero prazer e os segundos porque, na sua maior parte pegam toiros por simples tradição e sem qualquer pagamento.

 

A  GANADERIA - O  TOIRO   DESDE  QUE   NASCE   ATÉ SER LIDADO 

 

O    toiro de lide é um produto genuinamente ibérico. Os campos irrigados da Península, tão ricos em sais, constituem a zona, por excelência, para criação de toiro de lide, em manadas que tomam o nome genérico de ganaderias. A «ganaderia» é, pois,  um conjunto  de  gado bravo, necessário a conservação, reprodução, selecção e apuramento de reses destinadas ao toureio.

 

É esse conjunto constituído pela vacada, propriamente dita (formada pelas fêmeas), pêlos toiros sementais (cujo fim é padrear) e pêlos produtos de ambos. Tem cada grupo vida separada, o último deles com uma subdivisão constituída pêlos toiros feitos e que se acham aptos a ser lidados na praça. O seu tratamento obedece a quantos cuidados a experiência recomende.

 

Motivo de principal preocupação são as características, em tipo e bravura, das reses nascidas na ganaderia, o que constitui a melhor indicação do acerto ou erro com que se agiu anteriormente. E é esse o aspecto de maior importância para quem se dedica à tarefa de criar gado bravo, já por espírito de «afición», já por interesse comercial. Os sementais de uma ganaderia devem pois possuir, além do melhor sangue, excepcionais características de bravura e serem de formas belas, sãs e robustas. A vacada, por seu turno, deve ser constituída por fêmeas de exce­lente constituição orgânica, de bom sangue e bravura, divididas consoante a sua corpulência e em tantos lotes quantas as características físicas dos sementais, pois é de maior importância não existir demasiada desproporção entre toiros e vacas destinadas a procriar. Qualquer toiro pode padrear desde os dois anos, mas a idade mais recomendável é depois dos 3 anos.

 

As vacas podem também ser mães aos dois anos, mas a experiência indica que é preferível sê-lo só depois dos três. De então em diante, e até aos doze, pode pro­criar anualmente, muito embora haja criadores que as fazem descansar em anos alternados, o que constitui mais um luxo que propriamente uma utilidade.

 

Numa ganaderia, regularmente constituída, deve existir um semental para cada grupo de cinquenta vacas.

 

Os sementais são reunidos à vacada por espaço de noventa dias e geralmente na Primavera. Desta forma, o aparecimento dos novos seres verifica-se no Inverno, quando os campos, ricos em verde, podem assegurar às mães abundância de exce­lente leite. A nova cria mama até aos quatro meses, idade em que principia a alternar com o leite materno a apetitosa e tenra erva que sabe eleger entre a melhor. Cerca dos dois meses dá-se a desmama. Então o bezerrinho, senhor de si mesmo, vai para o campo, em plena liberdade, até que, ao completar o ano, é sujeito à ferra, que pode ser em campo aberto ou no tentadeiro ou pátio da pro­priedade. Consiste a «ferra» em marcar os bezerros com o sinal e número de ordem da ganaderia. Para isso sé pegam e derrubam os animais, sujeitando-os no solo, única forma de consentirem que o ferro em brasa com a marca do ganadeiro e número de ordem lhe queime a pele, indelevelmente, o primeiro na parte superior da "perna direita, o segunda sobre as costelas do mesmo lado.

 

Da maior importância é a tenta, que constitui a melhor forma de avaliar as qualidades de bravura das reses. Para isso toda a ganaderia tem o seu tentadeiro, que não é mais do que um amplo pátio, de forma redonda ou quadrangular, fechada por um muro suficientemente alto. tendo uma porta para o campo e outra de comunicação com os currais. Alguns têm acomodações para convidados, lem­brando pequenas praças de toiros. O pátio deve ter um arranjo como se fosse uma arena, mas em lugar de trincheira, terá apenas «burladeros» — espécie de tapumes fixos no solo e erguidos a uma distância do muro que permita aos homens refu­giarem-se atrás deles, sem contudo ser bastante afastado que consinta a entrada das reses. A tenta é realizada pelo «tentador» (cavaleiro armado de vara de castigo) com a presença do proprietário e pessoal superior da ganaderia. Colocado o tentador (geralmente um picador profissional de reconhecida competência) no extremo oposto à porta dos currais, aguarda a rês, que, ao sair, não deve ser distraída por qualquer ruído ou vulto. Todos os lidadores profissionais ou ama­dores que, armados do capote de brega estão no pátio, para acudir em caso de necessidade, devem esconder-se por detrás dos burladeros. É tão importante isto que em dias de vento ruidoso ou mesmo quando a brisa traga ao tentadeiro o perfume característico da campina, se devem evitar as tentas. É necessário que a rês, liberta de qualquer influência, forneça, de facto, a medida do seu valor. Para isso, apenas entra, se observam cuidadosamente todos os seus movimentos que repre­sentam a forma como reage perante a surpresa de um ambiente totalmente des­conhecido. Achando-se só, a rês procura investir e reparando no cavalo acaba por arrancar contra ele. Sofre então o castigo da vara, que o tentador deve dar com a 'maior perfeição. Assim se vê o comportamento do animal. Se recarga, isto é, se se manifesta enfurecido pelo castigo e insiste, indiferente à dor, pertendendo derrubar cavalo e cavaleiro, fornece excelente sintoma de bravura; se, pelo con­trário, mal sente o castigo, foge, denotando cobardia e não volta a atacar o picador, não há dúvida que é mansa a rês.

 

Do comportamento dos animais tentados, vão-se tirando notas e, finda a observação, tratando-se de vacas, convém toureá-las, para se apreciar como obe­decem ao engano, o estilo da investida, etc. Finda a prova, a rês é restituída à liberdade pela porta que comunica com o campo. Algumas, nesse momento, negam-se a abandonar o pátio, voltando-se para ele, ameaçadoras e altivas, como num desafio. É também excelente sintoma de bravura.

 

Nas tentas, o procedimento é o mesmo tanto para fêmeas como para machos — estes últimos, porém, não dever ser toureados e é até recomendável que nem sequer vejam um capote. Dotados de excelente memória, logo denotariam o facto quando saíssem às arenas. Porque o tentadeiro pode dar a conhecer um ambiente semelhante ao de uma praça de toiros, é preferível para os machos a tenta em campo aberto, mais bela, colorida e movimentada do que a realizada no pátio. Dois cavaleiros (collera) separam das outras a rês que querem tentar, servindo-se para Isso de longas varas com que, de seguida a perseguem (acosso) até a condu­zirem ao local onde se encontra o tentador — o mesmo que picou no pátio. Aí a rês perseguida, vendo que lhe tapam o caminho, num instinto de defesa, ataca o picador que, tal como no tentadeiro, a castiga. Quanto mais varas toma e mais ferozmente responde a elas, tanto melhor nota terá esse futuro toiro, que assim dá prova da sua bravura ou mansidão.

 

Após a tenta, o futuro toiro é restituído à liberdade, e aí, em pleno campo, acaba de formar-se no ambiente próprio, entre companheiros com os quais briga, por vezes, ante a impassibilidade dos assistentes, cuja intervenção só se dá para acossar o vencido que. abatido, busca um refúgio para sarar ferimentos e esquecer a derrota.

 

O toiro, em manada, comporta-se como um animal pachorrento e calmo, de olhar sereno, sem qualuqer aspecto de bravura. Isolado, é temível e, investe sem se impressionar com o tamanho ou forma dos objectos que lhe suscitam a fúria. O cheiro do sangue, excita-o extraordinariamente. Tem prodigiosa memória, o que o torna perigosamente vingativo. A inteligência é reduzida, sendo contudo nobilíssimo a atacar, de uma maneira bastante uniforme, quase comum a toda a espécie.

 

Aos três anos, deve o toiro possuir boa estampa —trapío— e embora não tenha atingido pleno desenvolvimento, o seu aspecto deve impressionar pela cor­pulência e beleza física, com perfeito equilíbrio de formas. Se tiver a pele fina; pêlo lustroso, espesso e liso; cabeça relativamente pequena; cornos bem colocados, fortes, ponteagudos, escuros, de regular tamanho e igualmente abertos e arquea­dos; orelhas pequenas e nervosas; cachaço —morrilho— grande, gordo e proe­minente; papada pequena; peito amplo; ventre deprimido: linha dorsal bem marcada; garupa larga e bem musculada; ancas ligeiramente elevadas; cauda comprida, grossa na parte superior, adelgaçando até terminar, em fartos cabelos; articulações bem pronunciadas e flexíveis; membros curtos, mas fortes, e patas pequenas, pode considerar-se um exemplar perfeito, digno de honrar o ferro que ostenta, quando um dia sair para a luta do redondel.

 

Para complemento desta breve descrição da vida das reses bravas no campo. basta acrescentar que as manadas são guardadas e cuidadas por criados (em Portugal, campinos; vaqueiros, em Espanha), uns a pé. outros a caavlo e com diversas categorias, auxiliados nesse trabalho e nas conduções pêlos cabrestos — bois mansos amestrados— que envolvendo os toiros e misturando-se com eles, os levam, inconscientemente, através dos campos, pelas estradas e povoações, ou entre as paliçadas que formam um corredor propositadamente armado e a. que se dá o nome de manga.

 

Apesar do que ficou referido quanto ao comportamento do toiro na ganaderia, nem por isso pode esquecer-se o perigo que representa a proximidade e o convívio com ele, posto que são muitas as circunstâncias que podem influir no espirito das reses bravas, a provocar, inesperadamente, alterações desse mesmo compor­tamento. Por outro lado, sendo necessário, com frequência, realizar conduções e apartados, durante os quais os toiros se mostram surpreendidos e desconfiados por aspectos que lhes não são habituais, nessas alturas, é vulgar manifestarem, de súbito, toda a bravura que os leva a acometer, furiosamente, seja contra quem for. Então, no clima normalmente sossegado da lezíria surgem momentos de exci­tação logo traduzidos em perigo, pairando no ar, com estranha presença, a ameaça de morte. Por isso a missão do guardador de gado bravo é cheia de dificuldades, até porque em tais emergências, não lhes é recomendável denunciar medo ou sequer fraqueza — o que faz do campino um verdadeiro herói da Lezíria, a quem se exige o maior sangue-frio e um espírito de sacrifício que talvez não exista em qualquer outra profissão.

 

Por tais motivos, esta referência à criação do toiro de lide ficaria incompleta sem a homenagem merecida por essa figura humilde que tantas vezes tem de agigantar-se para dominar o perigo ou mesmo salvar a própria vida.

REACÇÕES À PROBIÇÃO DE TOIROS NA CATALUNHA

29.07.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Nos mais diversos sítios podemos encontrar reacções à decisão do parlamento da Catalunha em proibir as corridas de toiros a partir de 2012, decisão muito contestada em todos os sectores. O resultado da votação no parlamento catalão foi o seguinte:

Sim à Proibição – 68 votos

Não à proibição – 55 votos

Abstenções – 9

O jornal ABC, edição electyrónica, publica um inquérito junto dos seus leitores permitindo a votação da mesma forma. Até ao momento os resultados são:

Sim à proibição – 47%

Não à proibição – 50.4%

NS/NR – 2.6%

Aqui deixamos alguns enlaces para aceder á informação.

http://www.abc.es/20100729/cultura-toros/gonzalez-sinde-toros-cultura-201007291235.html

http://www.abc.es/blogs/angel-exposito/public/post/cinismo-politico-con-los-toros-4468.asp

http://www.porlalibertaddeiralostoros.es/

http://www.mundotoro.com/noticia/los-presidentes-coinciden-separatismo-y-un-error/79695

http://www.mundotoro.com/noticia/la-ruptura-de-cataluna-con-espana-en-portada/79693

http://www.mundotoro.com/noticia/se-perdio-una-batalla-pero-no-la-guerra-queda-un-ano-para-luchar/79678

http://www.mundotoro.com/editorial-taurino/mundotorocom---28-de-julio-de-2010-espana-se-escribe-sin-ene/58

http://www.mundotoro.com/noticia/reacciones/79686

45º ANIVERSÁRIO DOS AMADADORES DO APOSENTO DO BARRETE VERDE DE ALCOCHETE

28.07.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

O grupo de forcados do Aposento Barrete Verde de Alcochete festeja no proximo dia 10 de Agosto 45 anos de existencia.
Sendo um  grupo onde o espirito de entreajuda e amizade se cultivou desde o primeiro momento durante estas 45 épocas de actividade consecutiva, a direcção do Aposento e o Departamento do Grupo achou por bem festejar esta data importante  com todos os elementos que passaram por esta casa, dignificando o nome do Aposento e de Alcochete.
Desta forma gostaríamos de contar com a vossa colaboração de forma a divulgar o evento, e também utilizar o vosso site como "veiculo "para fazer chegar este "convite" a todos os elementos retirados para voltarem a envergar a jaqueta de ramagens no dia 10 de Agosto em Alcochete.
 
Os contactos para o aniversário são os seguintes: Nuno Damiães -938139608   Miguel Caninhas -969832600   Aposento-212340148       João Salvação (Ninan) - 913062835
 
 
Antecipadamente grato
 
Miguel Caninhas

 

Foto retirada de http://www.cm-alcochete.pt/pt/conteudos/areas+interesse/turismo/tauromaquia/aposento/

AMBIENTE EXTRAORDINÁRIO PARA A CORRIDA RUEDO IBÉRICO EM ALBUFEIRA

28.07.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Está rodeada de grande ambiente e expectativa a 3ª Corrida Ruedo Ibérico Algarve, que HOJE quarta feira, 28 de Julho pelas 22h15, se realiza na praça de toiros de Albufeira e que pela primeira vez terá lugar na catedral do toureio do Algarve e que também pela primeira vez será com um cartel misto. A corrida terá a máxima competição, pois Luís Rouxinol vem de um grande triunfo na Corrida TV Norte na Póvoa de Varzim; Sónia Matias está a triunfar todas as tardes; o praticante Marcelo Mendes, vem de dois triunfos consecutivos em cartéis de figuras, precisamente em Rates e na Foz do Sizandro e o matador de toiros “Parrita” está na sua melhor forma de sempre, vindo também de um triunfo em Albufeira na passada semana. Para completar o cartel, os grupos de forcados Amadores de Cascais, onde o director da revista Pedro Pinto se fardou de forcado e os Amadores de Arronches, que foram o grupo revelação da temporada 2009. Mas para que a noite seja de êxito, temos de falar também nos toiros de Condessa de Sobral, uma ganadaria que lidou na passada semana em Albufeira e foi um êxito, sendo Torrestrella puro e estão bonitos e prometem investir.

Condimentos reunidos, amanhã Albufeira será certamente a capital do toureio algarvia e com o calor que faz, nada como uma bela praia e toiros pela noite! Não falte! Lá o esperamos!

ARTE & EMOÇÃO PROGRAMA 15 - 2010 - 20h30

28.07.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

No próximo Arte & Emoção falaremos sobre a Casta Vasqueña e a pelagem “Jabonera” tão característica neste encaste.

A este propósito visitámos as ganadarias de Fernando Palha e Pedro Canas de Vigouroux.

 

Teremos oportunidade de ficar a saber como muitos toureiros vivem os dias de corrida: como sofrem, os rituais, superstições e hábitos curiosos.

 

Iremos ainda falar sobre o ano ganadeiro, que difere do ano civil e assistir às reportagens de 2 espectáculos:

Na Figueira da Foz João Salgueiro reafirmou o grande momento que atravessa e no Campo Pequeno, o grupo de Montemor conseguiu um assinalável êxito, frente a um curro imponente da Ganadaria Grave.

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