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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BOA TARDE DE TOIROS EM ENCARNAÇÃO COM TRIUNFOS DE MOURA E MARCELO MENDES

03.06.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

A tarde apresentou-se fresca e sem sol e o público quis render homenagem póstuma a Nuno Raposo um jovem entusiasta da festa brava, e a uma bonita moldura humana corresponderam os toureiros e os forcados com exibições de muito bom nível, pautadas pela seriedade e peloa frontalidade do toureio praticado e com o praticante Marcelo Mendes a não se inibir perante o consagrado maestro João Moura, dando ambos uma boa tarde de toureio a cavalo.

 

João Moura, quando menos se espera destapa o frasco das essências. Entendeu na perfeição os dois novilhos-toiros de Cunhal Patrício que, como os restantes, cumpriram. Bons momentos na brega, cites vistosos e a encontrar toiro em todos os terrenos, permitiram ao maestro cravar uma série de curtos de muito boa nota, encurtando distâncias e provocando as investidas aos toiros. O primeiro comprido no segundo do seu lote é excelente pela viagem e pela forma como aborda o toiro e crava o ferro e dois curtos, em sortes frontais são também de muito boa nota em cada uma das lides. Rematou com os de palmo entre o forte entusiasmo popular.

 

Marcelo Mendes jogava cartada importante face ao alternante que tinha. E triunfou também mercê da sua entrega e da boa escolha dos terrenos para cravar a ferragem, o que fez com nível, rematando bem as sortes e deixando os oponentes colocados para o ferro seguinte. Deu distâncias para se deixar ver no cite e provocar a investida e soube encurtar as distâncias quando o andamento dos toiros diminuiu. Bons ferros curtos em ambos os toiros, culminando com um excelente par de bandarilhas a duas mãos sob fortes aplausos do público.

 

Os dois Grupos de moços de forcado não tiveram dificuldades de maior para pegarem os 4 exemplares de Cunhal Patrício. Assim, pelos Amadores do Ribatejo foi o cabo João Machacaz quem abriu praça com uma boa pega ao primeiro intento, secundado por Mário Gouveia também bem na cara do novilho-toiro e a consumar à primeira. Pelos Amadores de São Manços foram caras André Azeda numa boa intervenção ao primeiro intento e Nuno Leão consumou à segunda outra boa pega de caras.

 

Direcção de Pedro Reinhardt, muito preocupado com o cronómetro, assessorado pelo médico-veterinário José Manuel Lourenço. No início da corrida foi prestada homenagem, no centro da arena, a Nuno Raposo.

MIGUEL MOURA ENCANTA ENCARNACENSES

03.06.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

O amador Miguel Moura lidou um novilho de Cunhal Patrício que teve os seus problemas e mais uma vez mostrou uma desenvoltura natural e um sentido de lide que é estranho num miúdo desta idade. Procurou o toureio frontal, fez cites de largo, cravou bons ferros e encantou o público que estava nas bancadas da praça de toiros instalada na Encarnação (Mafra). É um caso sério de intuição este Miguel Moura.

 

Leonel Godinho, dos Amadores do Ribatejo, concretizou a pega de caras à segunda tentativa.

30 ANOS DE ALERNATIVA COMEMORADOS COM SENHORIO

03.06.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Quando há 30 anos recebeu a alternativa de cavaleiro tauromáquico, num momento em que as figuras apertavam forte em todas as corridas, Paulo Caetano procurava um rumo que descobriu, serenamente, voltando as costas ao mar (como no seu livro), se inspirou nas «tágides» (ninfas do Tejo cantadas por Camões), e rumou ao Alentejo profundo, encontrando aí o seu refúgio e base para uma carreira de altíssimo nível e que o guindou por mérito próprio ao estatuto de figura.

 

A corrida da comemoração dos 30 anos de alternativa de Paulo Caetano teve alguns bons momentos e a classe do toureiro de Almada  esteve presente e permitiu ver esses cites bonitos e as entradas ao pitón contrário e alguns pormenores de brega, quer na colocação quer nos remates das sortes. Uma lide muito ao seu estilo pessoal, com um cunho próprio e inimitável, sublinhada com imensos aplausos. 

 

Joaquim Bastinhas esteve com a garra e entrega habitual, apesar dos muitos anos de alternativa que também já carrega. Entrega na brega, nas sortes e nas cravagens, nos remates. E sempre com uma energia transbordante e contagiante. Rematou com o par de bandarilhas e deixou a praça de pé a bater-lhe palmas.

 

João Moura Caetano tem outra concepção do toureio, mais moderna e por vezes nem sempre com o acerto que se requer na colocação da ferragem. Mas desta vez esmerou-se em especial nos curtos com algumas reuniões ajustadas em ferros cambiados mas foi o seu terceiro em sorte frontal bem executada o melhor do seu labor.

 

Marcos Bastinhas esteve a contento no cômputo geral da sua actuação. Bem na brega, subiu de tom nos curtos, com um quarto de muito boa nota em sorte frontal, rematando a sua actuação com um de palmo.

 

Nas lides a duo estiveram melhor os Caetanos que os Bastinhas, sendo que os primeiros conseguiram mais e melhor ligação desde o início e os segundos só na fase final da lide conseguiram empolgar o público.

 

Os Forcados de Santarém estiveram em bom plano com intervenções seguras mas seria Gonçalo Veloso, esse pequeno gigante, a levantar o público das bancadas com uma enorme pega de caras suportando os derrotes e alguma ajuda menos boa, dando duas voltas á arena. Consumaram as pegas de caras pelos escalabitanos Diogo Sepulveda e António Grave de Jesus para além do já referido Gonçalo Veloso. Os Amadoresde Portalegre cumpriram nos seus primeiro e segundo toiro e sentiram bastas dificuldades para pegarem o último, tendo como forcados de cara Luis Real, Tico Peralta e Ricardo Almeida que dobrou Nelson Nabiça.

 

Numa corrida de toiros deveriam ter-se lidado toiros, mais ainda quando se trata da primeira praça do País. Sabemos que o regulamento não obriga a que tenham 4 anos cumpridos nem que tenham trapio. Mas os novilhos de Maria Guiomar Moura, que serviram para o espectáculo apesar da sua escassa emoção e transmissão, tinham 3 anos e escasso trapio na sua generalidade, retirando com isso importância à função.

 

Dirigiu a corrida José Tinoca com assessoria veterinária de Francisco Barata e com casa quase cheia.