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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

CAMPINOS E ESPERAS DE TOUROS - O CAMPINO

18.05.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Em características raciais o campino das lezírias do Tejo, onde constitui núcleo populacional aparte e oriundo, talvez, dos fenícios: morenos, até pela acção do sol, cabelo negro, ainda que abundem também os louros, fortes e ágeis de movimentos. Vestem jaqueta negra ou castanha, com colete encarnado, calção azul, meia branca, feita a agulha — obra de suas mulheres, noivas ou filhas — e sapato de bezerro.

Cobrem a cabeça com barrete verde e, nos dias de festa, adornam o fato com botões dourados, ou de prata, e o escudo da ganaderia ou o brazão do amo, se este é da nobreza, sobre o coração, orgu­lhosamente.

 

Vivem em cabanas armadas nos serra­dos onde pastam os touros à sua guarda e, uma vez por semana, visitam o «mon­te», ou a aldeia mais próxima, para levar o que hão-de comer no seu isolamento: azeite, grão ou feijão, farinha de trigo ou pão já amassado e cosido.

 

Metem tudo em alforjes, que colocam sobre os ombros ou na sela do cavalo, tal como a pele de bezerro que o cobre e como a manta que os defende do frio e da chuva. Seu baile é o fandango, jogo difícil dos pés ao ritmo do harmónium, fixos os braços pelas mãos metidas nos sovacos. E bailam em desafio, alternando em pro­dígios que dois exibem à compita até que os do conclave outorgam a vitória ao mais ágil e de maior fantasia nos passos.

 

Cavaleiros por instinto e hábito, «campinam» em recortes e comandam, e desa­fiam e castigam os touros com a vara que manejam habilmente. Quando cor­rem os touros, entusiasmam-se como os mouros «correndo a pólvora», excitam-se, eles e os cavalos e os touros, em tro­pel magnífico, constituindo cavalgada heróica em que se confundem os homens, os touros e os cavalos, cada qual mais rápido e mais bravo.

 

Nascem entre choupos e salgueiros, nas lezírias e nos mouchões, e aprendem de tenra idade a arte de atirar pedradas cer­teiras aos touros que se desmandam enquanto o maioral, seu avô ou seu pai, dormita no cabanão. Crescem ao sol, e ao vento e à chuva, a intempérie e na solidão, longe dos centros e afastados dos homens. Por isso são de poucas falas, e de poucos amigos, além dos touros, companheiros de todos os dias, de todas as horas. Conhecem-nos por seus nomes, e sabem os do pai e das mães, e estudam--Ihes o carácter, e avaliam-lhe a bravura. Apreciam as reações dos bezerros na apartação das mães, quando da desma­ma, depois quando o ferro em fogo os marca com as letras da ganaderia, e os números, e as ovelhas sofrem o corte par­ticular, o sinal, e quando a vara do pica-cador os castiga para a prova da tenta. Curam-nos e cuidam que se não inutilizem nas lutas que travam uns com outros, para disputa da fêmea ou da supremacia de man­dão.

 

Finalmente, um dia enjaulam os que hão-de ser lidados nas arenas, e acompanham-nos. Se saem bravos, grande alegria tem o campino; se mansos, à volta ao campo, metem-nos à charrua, na difícil «amansia na brocha» e o que não pôde ser touro fica sendo «boi da terra», e passa a ser olhado com desprezo, pelo menos com tristeza, porque o campino sofre com o fracasso, com a perda do amigo. Passa o «boi da terra» aos cuidados dos que a lavram, embora ofereça sempre a vantagem da educação que o campino lhe deu, trabalhando de sol a sol, sem descanso, e comendo de manadio, dormindo à intempérie. Mas já não se defende dos homens, como antes fazia, quando era bravo e se sabia forte para lutar. E o campino, aristocrata da lezíria, olha dos pontos mais altos os que trabalham nos baixos, os mansos. Os seus cuidados vão agora para os que ainda podem ser touros bravos. E quando a cheia impetuosa ameaça os gados, o campino trata de salvar antes os touros, os bravos, os seus amigos. E como ele procedem os seus, a sua gente, toda empenhada pela sorte da ganaderia brava, que é o orgulho do campino, a sua honra,

 

ROGÉRIO   PEREZ

 

Fotos de José Vanzeller Palha e Manfredo

In, Panorama, Toureio Português, número especial, 1945, Lisboa

CARTÉIS DE SANTARÉM: CORRIDAS NOS DIAS 6, 10 E 12 DE JUNHO

17.05.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

São já conhecidos os cartéis das 3 corridas de toiros que têm por cenário a Monumental Celestino Graça em Santarém e que decorrem nos dias da Feira Nacional de Agricultura/Feira do Ribatejo. A empresa Aplaudir montou 3 cartéis de figuras e mantém a política de baixos preços – desde 5 euros – que tem feito afluir muito público às bancadas da praça de toiros de Santarém. Este ano os cartéis são os seguintes:

 

  • 6 de Junho (domingo), 17h30 -  Rui Salvador, Luis Rouxinol, Tito Semedo, José Manuel Duarte, Sónia Matias, Tomás Pinto. Forcados de Santarém e Montemor. 6 toiros de António Silva
  • 10 de Junho, (quinta-feira) dia de Portugal, 17h30 – João Moura, Diego Ventura e João Moura Jr. Forcados de Santarém e Alcochete. 6 toiros de Fermin Bohórquez
  • 12 de Junho (sábado) – 17h30 – António Telles, João Salgueiro e João Moura Caetano. Forcados de Santarém. 6 toiros de Ernesto de Castro

LITERATURA TAURINA - TAUROMAQUIA PORTUGUESA - CAVALEIROS E FORCADOS

17.05.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

 A portuguesa tradição do toureio a cavalo se referem já crónicas de Strabao, citando os antigos lusitanos como amigos dos jogos hípicos, com touros, e outras que dão notícia de D. Sancho 11 alanceando touros ao estilo da época, e as de Fernão Lopes em relação a D. Fer­nando, e as de Garcia de Rezende que descrevem el-rei D. João II no gosto pelas touradas e fazendo frente e matando à espada um touro que em Alcochete lhe saiu ao caminho quando ia com a rainha. Outras crónicas descrevem façanhas do rei D. Sebastião como toureiro a cavalo, e dizem que o neto de Carlos V rojoneou em Cadiz, de abalada para o sonho de Alcácer. E muitos monarcas foram toureiros a cavalo, até D. Miguel que farpeou em Salvaterra, e na praça de Xabregas desta cidade de Lisboa, que teve redondéis no Rossio, no Terreiro do Paço, na Junqueira, no Largo da Anunciada, no local onde está o jardim da Estrela, no Salitre, no Campo de Santana e agora no Campo Pequeno. D. Carlos criou touros e D. Luís e D. Miguel entraram em tourinhas. E quantos fidalgos lanceando e rojo-neando nas festas dos nascimentos de príncipes e das suas bodas e nos torneios peninsulares com os continuadores del Cid e de Villame-diana, nas Praças Maiores de Espanha, em no­bre competência, por sua dama, em alardes de valentia e de pompa pela gente de cada bando, a cavalo e a pé, com as armas e as cores de cada qual!

 

Em Portugal manteve-se e aperfei­çoou-se a Arte de Marialva, tomando o nome do grande senhor e cavaleiro a quem mestre Andrade dedicou o seu famoso tratado de equitação. Desde aqueles tempos, e até aos nossos dias, tëem sido sucessivas as gerações de cavaleiros tauromáquicos. Estes e os forcados são os representantes do toureio português, uma vez que os bandarilheiros, e os antigos «capi­nhas», quási se limitam a imitar, até na indu­mentária, os seus iguais de Espanha.

 

Os cavaleiros tauromáquicos tëem indu­mentária própria: a casaca bordada e o tricórnio de plumas, e botas altas à Relvas — outro bom cavaleiro, do século xix, em que brilharam também Mourisca, Tinoco, Castelo Melhor e outros.

 

E os forcados, que, como os campinos, são do Ribatejo, terra dos touros, também ves­tem de forma característica, e também tëem sua arte, porque não é apenas função de força o pegar um touro de cara, de costas ou de cerne­lha. Há que saber cair na cabeça da fera, evi­tando a violência do choque quando, para colher, humilha, e depois agüentar-se, «embar-belando» bem, ou, na melhor ajuda, torcendo bem a «pombinha», vértebra da cauda. E para se julgar da arte que pode caber em sorte tão rude, basta ver os últimos grupos de forcados--amadores, como os de Santarém e de Monte-mor, tão elegantes e pundonorosos, e até alguns profissionais que sabem dar terreno, com ritmo, com graça, como Edmundo e Garrett e os seus valentes conterrâneos do Ribatejo.

 

E tem ritual a sua aparição com a azémola das farpas, estas em duas arcas cobertas com pano rico, de veludo, que eles desdobram cuidadosa­mente ante a presidência, que manda recolher as caixas com os ferros para o uso da lide. De­pois retiram-se os forcados para saltarem à arena quando o «inteligente» entende que o touro mete bem a cabeça e as hastes permitem a sorte. Os cavaleiros surgem, então, para as cortezias, outrora feitas ao som do hino real, caminhando passo a passo até sob o camarote da presidência, que saúdam em vénia de cabeça descoberta, depois recuando cerimoniosamente, voltando a avançar para se separarem nos cumprimentos às quatro partes da assistência, la­deando e cruzando-se no meio do redondel, e sempre no cuidado dos cavalos bem ensinados, e na praxe dos movimentos.

 

Assenta o toureio equestre em três princípios básicos: cravar de alto a baixo, ao estribo, e sem deixar tocar a montada. E, de uma maneira geral, além do mérito de equitador, necessita o cavaleiro de ser toureiro, isto é, de conhecer os touros e saber medir os terrenos. Carece o cavaleiro de firmeza de joelhos para as reac-coes do cavalo, que o deve temer mais a ele, que ao touro, boa mão esquerda para mandar rápido, e boa direita para cravar, com pulso para aguentar a resistência, e certeza para en­contrar o sítio próprio, com precisão. E o ca­valo deve estar ensinado para todo o toureio, especialmente para entrar e sair nas quatro sor­tes clássicas: de cara, à tira, à meia volta e à garupa. E quando tudo corre bem, em tarde quente de verão, e o público, entusiasmado, aplaude cavaleiros e forcados, estes agradecem juntos, abraçando-se num gesto simbólico do seu convívio nos campos de Portugal — que a ambos dá o pão, o azeite, o vinho, e a alegria de viver ao sol.

 

EL TERRIBLE PEREZ

 

Fotos de Carmelo Vives, C.Figueiredo, António Campelo e F.Sebastian

In, Panorama, Toureio Português, número especial, 1945, Lisboa

EDUARDO LEONARDO – 5 ANOS DE PROFUNDA SAUDADE

17.05.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Escrevi, a 16 de Maio de 2005 no site que haviamos criado, o toirosecavalos.com:

”Estou demasiado emocionado para que esta faena saia em condições. Mas, meu querido Eduardo, você merece, onde quer que esteja, que eu me arrime ainda mais para sacar adiante esta nossa lide. “O nosso amigo Eduardo morreu esta tarde”, disse-me o Paulo Pereira ao telefone. Partiu com um sorriso nos lábios, calmo e sereno, com aquela espantosa tranquilidade com que nos habituou a estar perante a vida e nesta nossa Festa Brava.

Partilhámos juntos muitas tardes e noites de toiros, muitos milhares de kilómetros por essa estrada fora. E o Eduardo a todos contagiava com a sua alegria de viver, com as suas histórias sempre na ponta da língua, aqui e além temperadas como só ele sabia, com sabor e algum sarcasmo, com alguma malícia própria dos que agarram a vida com toda a força e a souberam viver de forma intensa.

Aprendi muito com o Eduardo desde que iniciámos a nossa caminhada comum no ToiroseCavalos. Tive o privilégio de, com ele, corrigir muitos dos defeitos que alguém que não tem a formação do jornalismo pode ter. Aprendi a ver mais os toiros e a conhecer melhor terrenos e querenças. Mas aprendi, sobretudo, algo da sua lição de vida.

Não vale de nada sermos mais um. Temos de ser os melhores. Esta era a expressão que muitas vezes utilizava e que, cada vez mais, faz todo o sentido. Também na nossa missão de informar temos de ser sempre os melhores.

O Eduardo convidou-me para com ele, e uma equipa extraordinária, fazer parte e trabalhar na organização do III Congresso Nacional de Tauromaquia e aí apresentar uma comunicação. Distinguiu-me dessa forma ao permitir o contacto e conhecimento e um trabalho sério com gente do toiro, aficionados a sério. E enriqueceu, dessa forma, os meus conhecimentos e capacidades. Tal como quando me deu o privilégio da apresentação do cavaleiro Paulo Caetano e do seu livro «De costas voltadas para o mar» em pleno Equimagos em Salvaterra de Magos.

Convivi de perto com a sua doença, os seus temores e a sua enorme força de vontade para superar essa terrível cornada que o cancro lhe deu. Não é fácil, de forma alguma, ser colocado perante esta terrível realidade e a sua morte, aos 65 anos, quando ainda tanto tinha para dar á Festa, aos seus amigos, á sua esposa e, principalmente, ao seu filho Eduardo João.

Meu querido amigo, não há despedidas! Há sempre um até qualquer dia e a certeza da sua presença entre nós, em cada momento, em cada frase, em cada corrida! “

O nosso comum amigo e hoje responsável de Marketing e Relações Públicas do Campo Pequeno, Paulo Cordeiro Pereira, traçava uma breve biografia do Eduardo:

“Vítima de doença prolongada, faleceu ao início da tarde de hoje segunda feira, no Hospital Distrital de Santarém, o nosso companheiro de trabalho Eduardo Leonardo. Contava 65 anos.


Com a sua morte perde o jornalismo tauromáquico um dos seus mais destacados vultos e o espectáculo de toiros um dos seus mais acérrimos defensores.
Com notável espírito de iniciativa e sempre aberto à inovação, a ele se deve, na sua quase totalidade, o êxito que o site www.toirosecavalos.com desfruta hoje em dia no panorama tauromáquico português.


A Eduardo Leonardo se deve também a realização de dois Congressos Nacionais de Tauromaquia, em 2001 (Santarém) e em 2004 (Salvaterra de Magos), para além de várias iniciativas culturais ligadas à tauromaquia.


Natural de Santarém, subscreveu a página dedicada à Festa Brava, do Jornal do Ribatejo, foi apresentador de programas de tauromaquia e comentador de corridas de toiros na Radiotelevisão Portuguesa, tendo também deixado colaborações noutros órgãos de comunicação social, algumas delas assinadas com o pseudónimo de Bernardino Cesário.


Dessas colaborações destacam-se as que manteve no Diário do Ribatejo, Jornal do Oeste, Vida Ribatejana, Jornal de Notícias e TV-Top. Foi também colaborador de várias rádios locais ribatejanas.


De 1976 a 1979 integrou a Comissão da Praça de Toiros de Santarém, praça onde organizou, em 1990, a primeira corrida do jornal “O Ribatejo”, corrida que serviu também para a comemoração dos 75 anos de actividade do Grupo de

Forcados Amadores de Santarém.


No final dos anos cinquenta foi também toureiro amador.” (Paulo Cordeiro Pereira)

NO OESTE A AFICIÓN VIBRA... AGRADÁVEL FESTIVAL EM PONTE DE ROL

16.05.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

A afición da região Oeste da Estremadura vibra de forma intensa com a Festa Brava e não regateia aplausos aos toureiros quando lhes reconhecem entrega e vontade de triunfo. Foi o que aconteceu em Ponte de Rol, concelho de Torres Vedras, na tarde de sábado 15 de Maio, com boas actuações dos quatro cavaleiros, a entrega do veterano maestro José Júlio e a presença dos novilheiros Daniel Nunes e Júlio Antunes, este menos placeado, ante reses de diversas proveniências.

 

Joaquim Bastinhas abriu praça frente um toiro de Dias Coutinho com problemas de visão e manso, dificultando alide ao veterano cavaleiro alentejano que, com o saber da experiência e sentido toureiro lhe cravou uns ferros por dentro e com boa brega o procurou deixar colocado para as sortes e os últimos curtos foram de muito mérito, de frente um e a sesgo o último, bastante aplaudidos pelo público.

 

Sónia Matias, com um toiro de Rio Frio que foi mansote, assinou um bom triunfo neste festival mercê da sua garra e entrega, muito bem na brega e com a série de curtos em crescendo, onde o terceiro é de muito boa nota em sorte frontal bem executada, a deixar-se ver no cite e a encurtar as distâncias para cravar de alto a baixo e rematar esta sua boa exibição com dois de violino. Volta muito aplaudida no final.

 

Marcos Tenório também esteve em bom plano com um toureio frontal de viagens muito rectas e com bonitos e bem conseguidos remates das sortes frente a um toiro cumpridor de Santa Maria. Quatro curtos de muito bom nível, a partir para o toiro e a cravar como mandam as regras, rematando esta triunfal actuação com um de palmo de muito boa execução.

 

Marcelo Mendes, que lidou um novilho de Felicidade Dias que serviu, não esteve acertado com os compridos mas melhorou nos curtos, subindo de tom, muito bem na brega e nas preparações para as sortes e com dois curtos de muito boa execução, a sesgo o primeiro e de frente a deixar-se ver em cite bonito o outro, rematando com um de palmo.

 

O veterano maestro vilafranquense José Júlio não teve desta vez no toiro de Dias Coutinho o colaborador que lhe permitisse expressar a sua imensa afición. Com ganas recebeu de capote e sacou-lhe passes pelos dois pitons, tendo que percorrer a circunferência da arena procurando os terrenos em que o toiro pudesse investir com alguma franqueza, o que não aconteceu. Valeu pela sua imensa afición.

 

Daniel Nunes substituiu o anunciado Sanchez Vara. Desenhou alguns lances de capote ante um complicadote novilho de Ortigão Costa e com a muleta teve alguns passes meritórios por ambos os pitons em faena larga mas que no conjunto careceu de ligação.

 

Em último lugar e com um novilho de Jorge Carvalho que pedia meças, esteve Júlio Antunes que se mostrou verde e com poucas ganas para sacar partido do novilho.

 

Quanto aos moços de forcado, os alentejanos dos Académicos de Elvas pegaram por intermédio de Roberto Ameixa, à 1ª, e de Bernardo Dias à 2ª, enquanto que pelos do C.T. Alenquerense foram caras Carlos Miguel à 2ª e Diogo Oliveira à 1ª.

 

Direcção acertada de António Garçôa coadjuvado pelo veterinário José Manuel Lourenço.

 

ARTE & EMOÇÃO PROGRAMA 4 - 2010 - DOMINGO 16 DE MAIO 18.30 HORAS

14.05.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Excepcionalmente no próximo fim-de-semana o Arte & Emoção será transmitido no domingo por volta das 18.30h.

Vamos recordar a corrida de alternativa de Tiago Carreiras no Campo Pequeno e perceber porque razão o espectáculo não surpreendeu.

Isto apesar de Joaquim Bastinhas, Pablo Hermoso e os forcados de Évora e Vila Franca fazerem parte do cartel.

O cavaleiro Gilberto Filipe vai estar em destaque, para falar sobre a sua carreira, as aptidões que deverá ter um cavalo de toureio e quais são os cavalos estrela da actualidade.

Estaremos como é hábito no campo bravo, desta vez na ganadaria do Eng. Luis Rocha.

No passado sábado estivemos em Coruche e vamos dar-lhe conta de como decorreu mais uma edição dos “Sabores do toiro bravo”, iniciativa que anualmente concentra muita gente, na praça de toiros daquela terra ribatejana.

Aproveite ainda para ver uma nova rubrica intitulada “Sentido das Palavras” com o intuito de explicar muitos termos da gíria taurina.

 

 

DE 21 A 23 DE MAIO - FEIRA TRADICIONAL DE MAIO ANIMA VILA DA MOITA

14.05.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

A tradicional Feira de Maio na Moita vai decorrer, nos próximos dias 21, 22 e 23 de Maio, na vila da Moita. Mostra de artesanato local, espectáculos musicais, actividades desportivas, a Biofesta – 6ª Mostra de Projectos e Produtos Biológicos, desfile de carros antigos, largadas de toiros, na Avenida Dr. Teófilo Braga, e corridas de toiros, na Praça Daniel do Nascimento, são algumas das iniciativas que integram o programa desta Feira de Maio.

A abertura oficial da Feira de Maio vai ter lugar no dia 21 de Maio, pelas 21:00h, com salva de morteiros, na Praça da República. 

Programa da Feira de Maio

 

Sexta-Feira, 21 de Maio

21:00h Abertura Oficial da Feira com salva de morteiros.

21:30h Abertura da Mostra de Artesanato Local, na Rua Cinco de Outubro.

21:30h Apontamento de Fado no Posto Municipal de Turismo.

22:00h Espectáculo de Fados com os fadistas Filipa Cardoso e Diogo Rocha, acompanhados por Paulo Valentim, na Guitarra Portuguesa, e Bruno Costa, na viola de fado, nas escadarias da Câmara Municipal, Praça da República.

24:00h 1ª Largada de Toiros na Av. Dr. Teófilo de Braga.

Recolha dos toiros com cabrestos e vacas bravas.

 

Sábado, 22 de Maio

8:00h Alvorada com Salva de Morteiros.

10:00h 2ª Largada de Toiros na Av. Dr. Teófilo de Braga.

Recolha dos toiros com cabrestos e vacas bravas.

14:00h Abertura da Mostra de Artesanato Local, na Rua Cinco de Outubro.

15:00h Tarde Desportiva a cargo do Ginásio Geração Fitness. Aula aberta à população. Participe!

17:00h Corrida de Toiros na Praça Daniel do Nascimento.

21:00h Salva de Morteiros

22:00h Concerto pela Banda Musical do Rosário dedicado ao pasodoble acompanhado  pelo grupo de sevilhanas “Soledad” , nas escadarias da Câmara Municipal, Praça da República .

23:00h Espectáculo Musical com a Orquestra "6 Latinos",na Praça da República.

 

Domingo 23, de Maio

8:00h Alvorada com Salva de Morteiros.

10:00h 3ª Largada de Toiros na Av. Dr. Teófilo de Braga.

Recolha dos toiros com cabrestos e vacas bravas.

10:30h Abertura do Espaço Biofesta - 6º Mostra de Projectos e Produtos Biológicos (ver programa específico)

11:00h Exposição  de Carros Antigos e Clássicos , na Praça da República. (Org HACETS)

14:00h Abertura da Mostra de Artesanato Local, na Rua Cinco de Outubro

15:00h Desfile de Carros Antigos e Clássicos - Início na Praça da República. (Org HACETS)

17:00h Corrida de Toiros, na Praça Daniel do Nascimento

18:00h Encerramento do Espaço Biofesta 2010

21:00h Salva de Morteiros

22:00h Concerto com a Orquestra Ligeira de Cabanas, no palco da Praça da República.

Participação especial de Salomé Caldeira, ex-concorrente do Programa de TV “Ídolos”.

24:00h Encerramento da Feira de Maio de 2010.

DIVULGAÇÃO LITERÁRIA TAURINA - O TOIRO: EIXO CENTRAL E FUNDAMENTAL DA FESTA

13.05.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Sempre ouvimos falar do toiro como eixo central e fundamental da Festa Brava; sem ele não existiriam corridas  nem a arte que, ao longo dos últimos dois séculos tem influenciado costumes e tradições, artes plásticas, musicais, literárias, etc... É todo um manancial com muito ainda por explorar e potenciar.

 

As reportagens de campo servem para nos acercar aos toiros e aos nossos leitores e ouvintes explicar-lhes um pouco mais do labor que é a criação do toiro de raça brava de lide, produto criado e potenciado pelo Homem, milagre da zootecnia e cuja psicologia comportamental é ainda um campo muito vasto para a investigação e produção de teses.

 

Contudo, em muitas obras de referência, de autores como Cossío ou Juan Pedro e Álvaro Domecq y Díez, é analisado o toiro desde um ponto de vista de evolução histórica e seu enquadramento em face de cada época que viveu a Festa e até aos mais recentes estudos científicos e selecção científica actual.

 

Nas minhas viagens de defeso, e desta vez em plena cidade de Salamanca encontrei mais um livro, de grande formato, intitulado “LOS TOROS” – La Gran Enciclopedia del Espectaculo, da autoria de Antonio Abad Ojuel Don Antonio e Emilio L. Oliva Paíto, editado em 1966 em Barcelona por Libreria Editorial Argos. Dele retirei extractos do texto que vos apresento sobre o toiro de lide.

 

“El Toro en el Ruedo”

O toiro na arena

 

O primeiro sintoma de que o percurso final começou, sente-o o toiro quando lhe colocam a divisa. O picotazo excita o animal que ao mesmo tempo vê que se abre a porta que o separa da luz. Com ímpeto toma esse caminho, ao fundo do qual o torilero o provoca, e o toiro – quatro anos de cuidados – encontra-se perante os quinze minutos que decidem toda a sua história: começa a lide.

 

Os estados do toiro

 

Durante a lide – no fundo, agora e sempre uma luta até à morte – fala-se classicamente dos distintos estados pelos quais o toiro passa: melhor se poderá falar de uma sequência de paulatina diminuição do poder, de uma uniformemente acelerada fadiga sem solução de continuidade; mas os clássicos falaram do toiro levantado, parado e aplomado, e a rotina obriga a seguir a acostumada nomenclatura. Mas fique claro que o que se chama de distintos estados não são, nem mais nem menos, que a manifestação da crescente debilidade do toiro pela perda de sangue e o cansaço muscular e respiratório da duríssima peleja; estes são os motivos pelos quais o toiro, que por instinto de conservação trata de poupar forças e dar aos seus ataques a maior perigosidade, reaja de modo distinto face a estímulos análogos: é a isto que se foi chamando estado.

Levantado o encontram á saída... excepto no caso em que tenha uma saída de sonâmbulo, o que também abunda;(...) Mas o normal é que saia dos chiqueiros com a cabeça bem levantada, correndo com força, persiga tudo e todos, sem se fixar, e se é bravo e vai cego ao engando, remate em tábuas. Tem-se isso como sintoma de bravura. Assim corre pela arena e toma os primeiros capotes de peões ou os lances do matador de turno. Quando estes terminam – é a hora da meia verónica – o toiro recupera respirando com alívio por tantas correrias e observa com mais atenta fixação o que acontece à sua volta. Está parado.

 

O seu modo de investir é agora mais atento: acode ao cavalo, ao capote ou ao toureiro não como uma consequência da sua louca correria inicial, mas pela decisão voluntária da sua bravura; ou fugirá por falta desta para não investir senão como recurso contra os que o acossam. É então – e já o fazia observar Paquiro – quando descobre  o seu temperamento e as suas condições; quando pensa que todos os terrenos são seus , se o toiro é bravo, ou busca o lugar propício de recusa e refúgio, se é cobrade; quando luta ou se enquerença.

 

Mas a lide segue, e a luta em varas não tarda em produzir o seu extenuante efeito; o toiro compreende instintivamente que deve aproveitar cada um dos seus movimentos para deles sacar a máxima defesa, todo o possível poder de ataque. Não investe senão quando crê ter a presa segura, está aplomado, sente que as suas patas são de chumbo , todo ele é de chumbo; o toureiro sente o seu peso.

 

Por instinto, o toiro busca apoios para a sua defesa, procura os lugares da praça em que crê proteger-se melhor; a porta dos chiqueiros, por onde lhe chega o odor animal dos currais onde podia estar a sua momentânea libertação; as tábuas da trincheira, onde pode apoiar-se e ver vir de frente os seus opositores. Estes são lugares de querença normal; mas para o toiro de bravura ideal não há querenças, tal como para o toureiro dominador não há terrenos do toiro. Algumas colhidas poderiam ter sido evitadas se se tivesse em conta esta regra geral dos terrenos e das querenças.

 

O toiro ante a afición

 

Os aficionados actuais – salvo excepções que não fazem mais que confirmar a regra – gostam de um tipo de toiro que seja de bela presença, cumpra em varas, invista com nobreza e não coloque problemas aos toureiros, a fim de lhes permitir fazer uma larga faena, quanto mais adornada e variada melhor. Um toiro – como antes se disse – que seja mais colaborador que oponente; esta é a realidade. E apesar de ser certo que quando sai um animal com poder, que derriba com estrépito, existe um certo público nas bancadas que desencadeia ovações, também é certo que estas degeneram em assobios e aborrecimento se o matador de turno não pode fazer ao poderoso animal a faena de quinta-essência e plástica que cada dia se deseja ver.

 

Para satisfazer as exigências dos aficionados bastaria que se lidasse o toiro quatrenho que regulamentarmente está estipulado, mas não se pode fechar os olhos de que os tércios se mudam com uma só vara – por vezes com um só picotazo que «no há partido un pelo» -, o público, na maioria das vezes, não abronca o matador que pede a mudança de tércio, mas ao presidente que fazer fazer cumprir o disposto e fazer com que o toiro tome as varas que assinala o Regulamento.

 

Ou seja, os aficionados – talvez se lhes deva chamar público simplesmente? – o que os molesta é ficar sem faena; e quando detectam no toiro um defeito qualquer para uma lide de grande porte plástico, deixam de valorizar as boas qualidades que o animal pode ter e resignam-se com a passividade do toureiro.

 

Seria aconselhável que os aficionados se interessassem mais pelos toiros e aprendesse a valorizar as façanhas toureiras em função do astado com que foram realizadas. É certo que passaram os tempos do refrão «os toiros de cinco e os toureiros de vinte e cinco», que aludia à idade dos dois termos essenciais da tauromaquia, mas ainda em época dos toiros e toureiros jovens devia voltar a perfilar-se  mais a potência do toiro para a sua luta.

 

Os mesmos escritores taurinos sintetizam com uma breve frase o jogo de uma corrida; porém, anotaram com minuciosa exactidão varas, lances e quedas para chegar à conclusão de que «foram nobres e manejáveis«, por exemplo, ou noutro caso «broncos e difíceis»; mas raras vezes dizem a razão de uma ou outra frase sintética.

 

HONRAS AO TOIRO BRAVO

 

Apesar de parecer que o público guarda o seu juízo sobre o jogo da rês até ao momento da morte, por via excepcional pode expressar a sua opinião antes que o espada consume a sorte de matar. Estamos perante o facto pouco frequente (...) de que o público solicite o indulto da vida do toiro que teve um comportamento extraordinário.

 

Indulto do toiro bravo

 

É costume que tem tradição, de largos anos; em Espanha e no México surgiram em ocasiões movimentos sentimentais dos aficionados comovidos pela beleza da luta de um toiro extraordinário.

 

Na base da petição está a admiração pela bravura, e também um desejo de fazer justiça a quem lutou com todas as suas forças contra um destino inexorável. O desejo de não perder tanta semente de bravura coloca o toque definitivo a esta petição a que acede a autoridade quando a petição é clamorosa. Ou quando a pede um toureiro triunfador (...).

 

Tudo é bom para a corrida e para a Festa, quando é sincero; ao contrário, tudo é mau quando o móbil é o da propaganda. Ao reunir-se numa só mão as condições de ganadeiro, apoderado exclusivista e empresário, tudo está numa só mão; tudo menos a autoridade e o público. Bom será que ambos  repassem o conceito de bravura e apenas se salvem de morrer à espada – arma de cavalheiros – os toiros insuperáveis.

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A volta ao ruedo

 

Quando o toiro deu grande lide, mas não se solicita o seu indulto, o Regulamento autoriza que se lhe dê uma volta ao ruedo no seu arraste. Nesse caso, se há petição maioritária do público, a presidência ordená-lo-à mostrando um lenço azul.

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Epílogo do toiro

 

Em vez das petições extemporâneas e impopulares com que certos matadores solicitam e certas presidências acedem ao indulto ou à volta ao ruedo do toiro não porque tenha dado um jogo inesquecível mas «apenas porque assim convém», o que os bons aficionados devem desejar é o respeito ao toiro na praça; dar-lhe o trato que deve receber o digno rival do valor do toureiro.

 

Mas muitos destes esquecem o seu carácter nobre, o seu ilustre sangue, a sua pura raça; em contraste com Domingo Ortega, que diz que «ao torio não se deve burlar nem enganar com vantagens», inventaram-se os chamados passes do “desprezo”, e entre os desplantes – toureiros e galhardos quando feitos perante um toiro bem dominado – intercalaram modos e modas humilhantes. (...)

 

Domingo Ortega, em “El Arte Del Toreo”, afirma que quem com a sua faena «não submeteu o toiro, é porque não praticou o gosto do bem fazer, que é um prazer ao qual até as feras se entregam». Isso deve ser o toureio: o gosto do bem fazer!

 

E com ele perfecciona-se a corrida como obra de arte criada integralmente pelo homem: toda, incluida a bravura do toiro.

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In, pp 102 e ss, “Los Toros – La Gran Enciclopedia del Espectaculo”, 1966, Editorial Argos, Barcelona. Autores: Antonio Abad Ojuel Don Antonio e Emilio L. Oliva Paíto,