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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

CARTÉIS DE SANTARÉM: CORRIDAS NOS DIAS 6, 10 E 12 DE JUNHO

17.05.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

São já conhecidos os cartéis das 3 corridas de toiros que têm por cenário a Monumental Celestino Graça em Santarém e que decorrem nos dias da Feira Nacional de Agricultura/Feira do Ribatejo. A empresa Aplaudir montou 3 cartéis de figuras e mantém a política de baixos preços – desde 5 euros – que tem feito afluir muito público às bancadas da praça de toiros de Santarém. Este ano os cartéis são os seguintes:

 

  • 6 de Junho (domingo), 17h30 -  Rui Salvador, Luis Rouxinol, Tito Semedo, José Manuel Duarte, Sónia Matias, Tomás Pinto. Forcados de Santarém e Montemor. 6 toiros de António Silva
  • 10 de Junho, (quinta-feira) dia de Portugal, 17h30 – João Moura, Diego Ventura e João Moura Jr. Forcados de Santarém e Alcochete. 6 toiros de Fermin Bohórquez
  • 12 de Junho (sábado) – 17h30 – António Telles, João Salgueiro e João Moura Caetano. Forcados de Santarém. 6 toiros de Ernesto de Castro

LITERATURA TAURINA - TAUROMAQUIA PORTUGUESA - CAVALEIROS E FORCADOS

17.05.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

 A portuguesa tradição do toureio a cavalo se referem já crónicas de Strabao, citando os antigos lusitanos como amigos dos jogos hípicos, com touros, e outras que dão notícia de D. Sancho 11 alanceando touros ao estilo da época, e as de Fernão Lopes em relação a D. Fer­nando, e as de Garcia de Rezende que descrevem el-rei D. João II no gosto pelas touradas e fazendo frente e matando à espada um touro que em Alcochete lhe saiu ao caminho quando ia com a rainha. Outras crónicas descrevem façanhas do rei D. Sebastião como toureiro a cavalo, e dizem que o neto de Carlos V rojoneou em Cadiz, de abalada para o sonho de Alcácer. E muitos monarcas foram toureiros a cavalo, até D. Miguel que farpeou em Salvaterra, e na praça de Xabregas desta cidade de Lisboa, que teve redondéis no Rossio, no Terreiro do Paço, na Junqueira, no Largo da Anunciada, no local onde está o jardim da Estrela, no Salitre, no Campo de Santana e agora no Campo Pequeno. D. Carlos criou touros e D. Luís e D. Miguel entraram em tourinhas. E quantos fidalgos lanceando e rojo-neando nas festas dos nascimentos de príncipes e das suas bodas e nos torneios peninsulares com os continuadores del Cid e de Villame-diana, nas Praças Maiores de Espanha, em no­bre competência, por sua dama, em alardes de valentia e de pompa pela gente de cada bando, a cavalo e a pé, com as armas e as cores de cada qual!

 

Em Portugal manteve-se e aperfei­çoou-se a Arte de Marialva, tomando o nome do grande senhor e cavaleiro a quem mestre Andrade dedicou o seu famoso tratado de equitação. Desde aqueles tempos, e até aos nossos dias, tëem sido sucessivas as gerações de cavaleiros tauromáquicos. Estes e os forcados são os representantes do toureio português, uma vez que os bandarilheiros, e os antigos «capi­nhas», quási se limitam a imitar, até na indu­mentária, os seus iguais de Espanha.

 

Os cavaleiros tauromáquicos tëem indu­mentária própria: a casaca bordada e o tricórnio de plumas, e botas altas à Relvas — outro bom cavaleiro, do século xix, em que brilharam também Mourisca, Tinoco, Castelo Melhor e outros.

 

E os forcados, que, como os campinos, são do Ribatejo, terra dos touros, também ves­tem de forma característica, e também tëem sua arte, porque não é apenas função de força o pegar um touro de cara, de costas ou de cerne­lha. Há que saber cair na cabeça da fera, evi­tando a violência do choque quando, para colher, humilha, e depois agüentar-se, «embar-belando» bem, ou, na melhor ajuda, torcendo bem a «pombinha», vértebra da cauda. E para se julgar da arte que pode caber em sorte tão rude, basta ver os últimos grupos de forcados--amadores, como os de Santarém e de Monte-mor, tão elegantes e pundonorosos, e até alguns profissionais que sabem dar terreno, com ritmo, com graça, como Edmundo e Garrett e os seus valentes conterrâneos do Ribatejo.

 

E tem ritual a sua aparição com a azémola das farpas, estas em duas arcas cobertas com pano rico, de veludo, que eles desdobram cuidadosa­mente ante a presidência, que manda recolher as caixas com os ferros para o uso da lide. De­pois retiram-se os forcados para saltarem à arena quando o «inteligente» entende que o touro mete bem a cabeça e as hastes permitem a sorte. Os cavaleiros surgem, então, para as cortezias, outrora feitas ao som do hino real, caminhando passo a passo até sob o camarote da presidência, que saúdam em vénia de cabeça descoberta, depois recuando cerimoniosamente, voltando a avançar para se separarem nos cumprimentos às quatro partes da assistência, la­deando e cruzando-se no meio do redondel, e sempre no cuidado dos cavalos bem ensinados, e na praxe dos movimentos.

 

Assenta o toureio equestre em três princípios básicos: cravar de alto a baixo, ao estribo, e sem deixar tocar a montada. E, de uma maneira geral, além do mérito de equitador, necessita o cavaleiro de ser toureiro, isto é, de conhecer os touros e saber medir os terrenos. Carece o cavaleiro de firmeza de joelhos para as reac-coes do cavalo, que o deve temer mais a ele, que ao touro, boa mão esquerda para mandar rápido, e boa direita para cravar, com pulso para aguentar a resistência, e certeza para en­contrar o sítio próprio, com precisão. E o ca­valo deve estar ensinado para todo o toureio, especialmente para entrar e sair nas quatro sor­tes clássicas: de cara, à tira, à meia volta e à garupa. E quando tudo corre bem, em tarde quente de verão, e o público, entusiasmado, aplaude cavaleiros e forcados, estes agradecem juntos, abraçando-se num gesto simbólico do seu convívio nos campos de Portugal — que a ambos dá o pão, o azeite, o vinho, e a alegria de viver ao sol.

 

EL TERRIBLE PEREZ

 

Fotos de Carmelo Vives, C.Figueiredo, António Campelo e F.Sebastian

In, Panorama, Toureio Português, número especial, 1945, Lisboa

EDUARDO LEONARDO – 5 ANOS DE PROFUNDA SAUDADE

17.05.10 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Escrevi, a 16 de Maio de 2005 no site que haviamos criado, o toirosecavalos.com:

”Estou demasiado emocionado para que esta faena saia em condições. Mas, meu querido Eduardo, você merece, onde quer que esteja, que eu me arrime ainda mais para sacar adiante esta nossa lide. “O nosso amigo Eduardo morreu esta tarde”, disse-me o Paulo Pereira ao telefone. Partiu com um sorriso nos lábios, calmo e sereno, com aquela espantosa tranquilidade com que nos habituou a estar perante a vida e nesta nossa Festa Brava.

Partilhámos juntos muitas tardes e noites de toiros, muitos milhares de kilómetros por essa estrada fora. E o Eduardo a todos contagiava com a sua alegria de viver, com as suas histórias sempre na ponta da língua, aqui e além temperadas como só ele sabia, com sabor e algum sarcasmo, com alguma malícia própria dos que agarram a vida com toda a força e a souberam viver de forma intensa.

Aprendi muito com o Eduardo desde que iniciámos a nossa caminhada comum no ToiroseCavalos. Tive o privilégio de, com ele, corrigir muitos dos defeitos que alguém que não tem a formação do jornalismo pode ter. Aprendi a ver mais os toiros e a conhecer melhor terrenos e querenças. Mas aprendi, sobretudo, algo da sua lição de vida.

Não vale de nada sermos mais um. Temos de ser os melhores. Esta era a expressão que muitas vezes utilizava e que, cada vez mais, faz todo o sentido. Também na nossa missão de informar temos de ser sempre os melhores.

O Eduardo convidou-me para com ele, e uma equipa extraordinária, fazer parte e trabalhar na organização do III Congresso Nacional de Tauromaquia e aí apresentar uma comunicação. Distinguiu-me dessa forma ao permitir o contacto e conhecimento e um trabalho sério com gente do toiro, aficionados a sério. E enriqueceu, dessa forma, os meus conhecimentos e capacidades. Tal como quando me deu o privilégio da apresentação do cavaleiro Paulo Caetano e do seu livro «De costas voltadas para o mar» em pleno Equimagos em Salvaterra de Magos.

Convivi de perto com a sua doença, os seus temores e a sua enorme força de vontade para superar essa terrível cornada que o cancro lhe deu. Não é fácil, de forma alguma, ser colocado perante esta terrível realidade e a sua morte, aos 65 anos, quando ainda tanto tinha para dar á Festa, aos seus amigos, á sua esposa e, principalmente, ao seu filho Eduardo João.

Meu querido amigo, não há despedidas! Há sempre um até qualquer dia e a certeza da sua presença entre nós, em cada momento, em cada frase, em cada corrida! “

O nosso comum amigo e hoje responsável de Marketing e Relações Públicas do Campo Pequeno, Paulo Cordeiro Pereira, traçava uma breve biografia do Eduardo:

“Vítima de doença prolongada, faleceu ao início da tarde de hoje segunda feira, no Hospital Distrital de Santarém, o nosso companheiro de trabalho Eduardo Leonardo. Contava 65 anos.


Com a sua morte perde o jornalismo tauromáquico um dos seus mais destacados vultos e o espectáculo de toiros um dos seus mais acérrimos defensores.
Com notável espírito de iniciativa e sempre aberto à inovação, a ele se deve, na sua quase totalidade, o êxito que o site www.toirosecavalos.com desfruta hoje em dia no panorama tauromáquico português.


A Eduardo Leonardo se deve também a realização de dois Congressos Nacionais de Tauromaquia, em 2001 (Santarém) e em 2004 (Salvaterra de Magos), para além de várias iniciativas culturais ligadas à tauromaquia.


Natural de Santarém, subscreveu a página dedicada à Festa Brava, do Jornal do Ribatejo, foi apresentador de programas de tauromaquia e comentador de corridas de toiros na Radiotelevisão Portuguesa, tendo também deixado colaborações noutros órgãos de comunicação social, algumas delas assinadas com o pseudónimo de Bernardino Cesário.


Dessas colaborações destacam-se as que manteve no Diário do Ribatejo, Jornal do Oeste, Vida Ribatejana, Jornal de Notícias e TV-Top. Foi também colaborador de várias rádios locais ribatejanas.


De 1976 a 1979 integrou a Comissão da Praça de Toiros de Santarém, praça onde organizou, em 1990, a primeira corrida do jornal “O Ribatejo”, corrida que serviu também para a comemoração dos 75 anos de actividade do Grupo de

Forcados Amadores de Santarém.


No final dos anos cinquenta foi também toureiro amador.” (Paulo Cordeiro Pereira)