Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BOM PORTUGUÊS E ANÁLISE CUIDADA E CRITERIOSA DO ESPECTÁCULO

03.08.11 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Uma das minhas preocupações, desde que me iniciei na escrita de tema tauromáquico, foi a de tentar escrever em bom português, mantendo-se fiel aos ensinamentos escolares e às boas notas que conseguia. Com o passar dos anos, sempre incuti em mim a necessidade de ler bons autores da língua pátria e, em especial, aqueles que também nos deixaram obras onde a vertente tauromáquica era abordada. Não vou referir muitos nomes mas não deixarei de vos recordar Vitorino Nemésio, Álvaro Guerra, Manuel Alegre, Eça de Queiróz, Jayme Duarte de Almeida, Solilóquio, Miguel Torga, Rogério Pérez, e muitos outros.

 

É essencial redigir bons textos e em bom português, tendo o máximo cuidado com as concordâncias verbais, com os termos utilizados. Léxico e gramática são, pois, fundamentais para quem escreve.

 

Depois, na análise ao que se passa na arena, é essencial ter conhecimentos técnicos, teóricos e, se possível, práticos. E não devemos pensar que estamos num pedestal e que somos infalíveis. Bem pelo contrário. Todos falhamos, por falta de conhecimentos, por alguma distracção num determinado momento, por não nos termos apercebido de alguma reacção de algum dos intervenientes no espectáculo.

 

Mas as falhas, desculpáveis em muitos casos, acontecem muito por falta de conhecimentos e de humildade daqueles que escrevem, falam, opinam sobre toiros. Aprende-se a ver, aprende-se nos livros, mas aprende-se sobretudo a escutar as opiniões dos mais sábios e na busca incessante de informação sobre determinados comportamentos dos toiros, dos cavalos, dos toureiros e forcados, em face de uma situação concreta. Ganadeiros, artistas (de todos os tipos ou categorias), coudeleiros, devem ser um ponto de apoio para a aprendizagem que devemos ir procurando e acumulando conhecimentos que nos permitam opinar melhor e falhar menos.

 

Incomodam-me os textos cheios de erros de português, que não as gralhas, e incomodam-me ainda mais a falta de critérios uniformes de apreciação das actuações dos artistas. Não podemos ter critérios que aplicamos apenas a um determinado artista em que tudo se permite e aplaude e aos restantes se aplica uma bitola que vai ao limite extremo de tudo condenar.

 

Como aficionado tenho os meus gostos pessoais e não tenho, nem nunca tive, qualquer problema em aplaudir, até de pé, uma actuação de um toureiro, uma pega ou um toiro pelo que de extraordinário realizaram na arena. Nunca deixei que os meus gostos pessoais toldassem o meu raciocínio enquanto crítico tauromáquico.

 

Por isso, caros amigos, procurem em primeiro lugar escrever em bom português, depois em adquirir bons conhecimentos sobre aquilo que criticam. E como dizia o grande artista que foi Raúl Solnado, «façam o favor de ser felizes».