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BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

LITERATURA TAURINA - "TOUROS EM PORTUGAL - UM PATRIMÓNIO HISTÓRICO, ARTÍSTICO E CULTURAL"

17.07.11 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Um touro no meio da cidade é pelo menos tão estranho e absurdo como um gentleman de casaca e chapéu alto a ceifar um campo de trigo. Mesmo no tempo em que possantes bois arrasta­vam carrões atulhados de hortaliça pela Almirante Reis abaixo a caminho da velha Praça da Figueira, já então as esperas de gado na Calçada de Carriche eram uma recordação saudosa dos nossos avós algo que se teria passado num espaço insólito e distante, designado por «fora de portas».
Pois apesar de tudo isso, a Praça de Touros do Campo Pequeno subsiste como verdadeiro ex-líbris da cidade de Lisboa, integrando nas linhas ordenadas e geométricas do seu urbanismo tão racional esse factor caótico e rural, camufladamente possesso e obsceno, o velhíssimo BOS TAURUS IBERICUS.

Cumpre-se este ano o centésimo aniversário do ilustre tauródromo. Gostaria de lhe chamar taurobolium, pois assim se designa­vam os templos onde outrora nas lusitanas terras se sacrificava ritual­mente o Touro Mitraico. Os Deuses vencidos por vezes abdicam nos mortais o poder de legislar, mas sem nunca perderem, contudo, o privilégio da sua imortalidade. E quando lhes dá na gana até se implantam com desfaçatez atrevida e anacrónica nas capitais da CIVILIZAÇAO.
Foi esse um caminho histórico, cultural e artístico tão longo que deixou para sempre impresso no nosso imaginário já nem se sabe, como diz Sanchez Drago, se um arcano ou um arquétipo. Por onde passou foi gravando marcas profundas, resistentes à erosão do tempo e dos homens. A Praça do Campo Pequeno talvez seja o padrão que assinala a sua definitiva vitória.
Vou tentar contar-vos a história muito resumida desse mágico percurso. 

 

Fernando Teixeira in, “Touros em Portugal -  um patrimonio historico, artistico e cultural”, ediçao Clube do Coleccionador dos Correios, Setembro de 1992