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BARREIRA DE SOMBRA 30 ANOS (1987/2017)

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA 30 ANOS (1987/2017)

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

LITERATURA TAURINA - “DO RESPEITO PELOS QUE ESCREVEM"

14.07.11 | António Lúcio / Barreira de Sombra

«La frecuente amistad de los toreros con los escritores, y los artistas, tiene una sencilla explicación: saben que ellos, los creadores de otro arte, son los unicos que pueden comprenderles, de manera casi completa, en la Plaza y fuera de los ruedos.»
                                                                                  Julio Estefania

«Las tauromaquias fundamentales son consecuencia del trato de grandes maestros del toreo con escritores competentes.»
                                                                                  Gregório Corrochano

A foma dispar, para não dizer antagónica, como se orientam as relações entre os que escrevem e os que toureiam, em Portugal e em Espanha, representa, claramente, a distinção existente entre a tourada à portuguesa e a corrida a sério.
            Em Espanha existe – por parte dos que toureiam – talvez porque toureiam e não fingem tourear – o maior respeito pelos que escrevem.
E se alguma dúvida existisse no espírito de quem sente a Festa, como ela deve ser compreendida, bastariam as afirmações categóricas daqueles dois escritores que invoco.
Julio Estefania explica essa atitude de mútua compreensão pelo sentido artístico que inspira todos os criadores de uma obra de espírito – já que tourear a sério é produto da inteligência e não do músculo.
Este fica para as pegas!...
Por sua evz, Gregório Corrochano inicia com as palavras transcritas o seu estupendo tratado intitulado «Que és torear», e tem como subtítulo incisivo «Introducción a la Tauromaquia de Joselito».
Quer isto dizer que, em Espanha, se reconhece o papel decisivo dos que escrevem para que se possa saber hoje o que foram as interpretações da Arte dos Touros devidas aos grandes matadores, já que o toureio, pela simples razão de ser fugaz – os melhores lances mal duram uns instantes – só pode recordar-se á face do que dele opinam os escritores competentes, de que fala Corrochano.
Que teria ficado dos grandes artistas se não fosse a descrição das suas faenas?
O próprio maior de todos, o insigne D.José Maria de Cossío, confessa, no prefácio que escreveu para um dos livros de Enrique Vila, ao ser-lhe notado por este que a parte crítica da sua enciclopédia «Los Toros» estava inspirada na Arte de Gallito, com a mior nobreza.
«Eso es exacto e inevitable y quien no estuviera de acuerdo con lo que alli se decia tenia perfecto derecho a escribir otro libro, en el que la critica se enfocara desde otro plano.»
É de tal profundidade a compenetração que se verifica, em Espanha, entre escritores e artistas do toureio, que um Cossío pode, orgulhosamente, afirmar que a sua concepção da Arte dos Touros teve um modelo – Joselito El Gallo.
E, em Portugal?
Em Portugal recuso-me a esmiuçar o que se passa.
Tomo por norma a frase do grande romancista inglês Julien Green.
«Há sempre uma frase feita, pronta a cair do bico da pena, e que precisamos evitar a todo o custo.
Recear que a tinta se entorne «sózinha»!!!»
Por isso, e por agora, fico-me por aqui!...”

Saraiva Lima, in, Temas de toiros, páginas 123 e 124