Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

No seguimento do meu artigo da passada semana (da banalidade à genialidade), e com o reconhecimento expresso de que por vezes me falta capacidade para escrever sobre coisas tão vulgares e tão mal executadas que a vontade é não escerever, decidi hoje avançar com outra opinião que, valha o que valer, é aquela que tenho como causa de muito do mau toureio que vemos hoje nas arenas e que leva a que os ferros sejam cravados mais que à garupa, muitas das vezes a toiro passado... Mas é verdade que às vezes apetece mandar a educação às urtigas tão mau foi o espectáculo!

Se repararem em muitas das fotografias que enchem os sites e os blogs, e até nos jornais e revistas, não se vê o momento do ferro (cuidado colocado pelos editores de fotografia para não prejudicarem a imagem dos toureiros) mas vê-se, claramente, o desequilibrio em que as montadas saem para as sortes e, consequentemente, para os ferros. Vejam quantas fotos existem publicadas em que se vê, logo no início da viagem, o cavaleiro todo pendurado para o lado esquerdo e o cavalo em igual movimento, apoiado nos membros do lado esquerdo e com dificuldades extremas para se equilibrarem de forma a mudar de mão e vencer o piton no momento da reunião. Esforço tremendo e inglório de muitas das montadas...

 Aprendi, nas poucas lições que tive de equitação, e sobretudo no que li, que é essencial equilibrio e sensibilidade para uma boa equitação e para que se estabeleça a relação cavalo/cavaleiro que permita que se tornem uma peça única. Já aqui vos dei a conhecer – no artigo “Sobre Toureio a Cavalo e Suas Regras” - alguns excertos do excelente trabalho do engº Fernando Sommer d’Andrade intitulado “Advertências e Regras para o Ensino do Cavalo de Toureio no Séc.XX – Estudo sobre o paralelismo entre a equitação de obstáculos e de toureio”,  e que 40 anos volvidos sobre a sua publicação      se encontra, mais do que nunca actual.

E como tudo isto me preocupa, fui ao site da Associação do Puro Sangue Lusitano para aquilatar dos critérios de avaliação do concurso que anualmente efectuam sobre o melhor cavalo lusitano de toureio. Passamos a transcrever:

Critério de avaliação – regulamento da APSL – melhor cavalo de toureio

 

1 – Aptidão Física

Coeficiente: 1

Notas: 0 a 10

- Aptidão física adaptada à função;

- Força que proporcione facilidade e eficiência nas rápidas mudanças de velocidade e trajectória;

- Capacidade de deslocação lateral, com facilidade e harmonia, tanto no quarteio das sortes frontais como nos movimentos a duas pistas;

- Bom equilíbrio;

- Segurança nas passadas;

- Elasticidade;

- Tipo.

Nota máxima: 10

 

2 – Aptidão Psicológica

Coeficiente: 1

Notas: 0 a 10

- Submissão, boa aceitação do ensino (grau de ensino), das ajudas e da vontade do cavaleiro;

- Capacidade de concentração, atenção e calma (sobretudo nos lances mais exigentes de coragem e esforço físico). Concentração e atenção durante o cite;

- Sujeição e segurança no remate das sortes;

- Aceitação das trajectórias impostas pelo cavaleiro.

Nota máxima: 10

 

3 – Aptidão Artística

Coeficiente: 1

Notas: 0 a 10

- Habilidade- Encurvação natural no sentido do toiro

- Recolhimento instintivo dos posteriores

- Percepção e controlo da investida

- Domínio da investida através da curvatura do dorso

- Variação da amplitude das passadas de galope

- Facilidade na conquista de terrenos de dentro

Nota máxima: 10

 

4 – Verdade no Toureio

Coeficiente: 2

Notas: 0 a 10

- A verdade no toureio assenta na abordagem dos terrenos de maior risco e na profundidade como é interpretado o toureio fundamental;

- No toureio a cavalo o toureio fundamental, baseia-se na sorte de frente;

- Deverá valorizar-se – tal como no toureio a pé – a capacidade de carregar a sorte (no sentido do oponente ou ao piton contrário);

- Deverá valorizar-se a reunião ao estribo – com o cavalo rodando sobre as espáduas.

- Deverá ser penalizado qualquer desvio exagerado da trajectória, que prejudique a reunião;

- Deverá ser penalizada a reunião com o cavalo atravessado – garupa na direcção do toiro.

Nota máxima: 20

 

5 – Criatividade – Comunicabilidade

Coeficiente: 2

Notas: 0 a 10

- Valorização dos lances de maior criatividade do cavalo;

- Valorização da criatividade, beleza e harmonia dos lances que permitem uma corrente de comunicação entre a concepção artística do toureio, a intuição do cavalo e o público;

- Valorização da capacidade que o cavalo tem, por si só, de chegar ao triunfo – Cavalo craque.

Nota máxima: 20

 

Pontuação máxima: 70 pontos (10+10+10+20+20)

 

E se tomássemos a liberdade de, um dia destes, adaptar estes critérios às actuações dos cavaleiros? Que resultados obteriamos? Quem seriam os grandes triunfadores da temporada? Responda quem saiba!