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BARREIRA DE SOMBRA 30 ANOS (1987/2017)

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA 30 ANOS (1987/2017)

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

POR ONDE SE FORJAM OS TOUREIROS...NUNO CASQUINHA A CAMINHO DA ALTERNATIVA

19.04.11 | barreiradesombra

 

Esta é uma das abordagens que raramente se fazem sobre o percurso que seguem os jovens candidatos a matadores de toiros. Onde se iniciaram, que trilhos percorreram em busca do sonho, quantas lágrimas e desilusões, quanto sofrimento, ao mesmo tempo que, fora do seu País, da sua família, abandonando os prazeres dos jovens da sua idade, para se converterem em matadores de toiros? Mérito maior, pois, para todos aqueles jovens portugueses que, um dia, decidiram colocar o sonho por diante e buscaram alcançá-lo com a alternativa de matadores de toiros.

 

O percurso de Nuno Miguel Vicente Casquinha não é diferente do de muitos jovens que um dia sonharam com essa magnífica profissão de matador de toiros. Arte efémera, drama real porque a morte não é simulada como numa peça de teatro, momentos de extâse e de glória, a par dos momentos de fraqueza, de desânimo, da ausência de corridas e de triunfos. Nasceu em Lisboa a 5 de Fevereiro de 1986, no seio de uma família de grandes tradições taurinas e equestres, algo que viria a marcar a sua infância e juventude, vivida em Vila Franca de Xira. Como não sonhar com ser toureiro, com os exemplos de maestros como José Júlio, Mário Coelho, Vítor Mendes, etc.?

 

Montemor-o-Novo foi palco da sua apresentação em público em 1998 e a escola de toureio da Moita, dirigida pelo maestro Armando Soares, é a sua primeira base, seguindo-se a Escola José Falcão e a importante Escola de Toureio de Madrid, cidade onde se radica aos 15 anos de idade, depois de ter debutado de luces em Vila Franca de Xira a 1 de Julho de 2001 e em Espanha na localidade de Torrejoncillo (Cáceres) a 14 de Agosto desse mesmo ano.

 

Passo a passo, vai evoluindo nos conhecimentos e na técnica e no ano de 2004 soma 20 festejos e corta 21 orelhas, obtendo vários prémios em Espanha, França e Portugal, reconhecendo o mérito das suas actuações, o que lhe permite, de algma forma, o debute com picadores na praça francesa de Captieux a 5 de junho de 2005 com novilhos de Sanchez Arjona e ao lado de Sérgio Serrano e Medhi Savalli, tendo cortado uma orelha no que encerrou praça.

 

 

Actua em 12 festejos nesse ano de 2005 e corta 10 orelhas, sendo premiado como aluno destacado da Escola de Madrid, vencedor do Bolsin de La Rioja, Melhor estocada em Captieux e “Cochinillo de Oro” em Arévalo, e ainda a melhor faena em Alenquer.

 

Em 2006 actuou em 11 tardes e cortou 11 orelhas e 1 rabo, vencendo vários prémios em Portugal e Espanha, tendo neste País aumentado o número de actuações em 2007 (12 com o corte de 18 orelhas e 1 rabo) enquanto por cá actuou em 2 ocasiões. Em 2008 passa por momentos mais difíceis da sua carreira em em 2009 apresenta-se em Madrid nas novilhadas da Feira da Comunidad, e actua um total de 15 tardes/noites entre Espanha, França e Portugal.

 

No ano de 2010 toureia no Campo Pequeno na novilhada de Murteira e a 12 de Setembro apresenta-se na Real Maestranza de Sevilla.

 

Dos campos de Vila Franca à mítica arena da Real Maestranza de Sevilla passaram-se 12 anos, quase metade da vida deste jovem que sonhou

ser toureiro. E que nos confessou, que entre tantas e tantas provações, esta é a sua vida, o sonho que quer transformar em realidade. Amadureceu como homem e como toureiro, sente que só poderá ser alguém neste Mundo do toiro, se realizar o toureio profundo, de pés atarrachados na arema, imóvel, jogando com a cintura e as «muñecas» para provocar os olés mais profundos dos admiradores do toureio de cante grande. Deixou de bandarilhar por não se sentir a gosto como nos disse, há dias, na Oásis FM. Voltou a provar-se nesse tércio, no campo, onde mais desfruta do toureio e onde não há a pressão de resolver o triunfo em 10 minutos.

 

Dez minutos. Essa medida exacta de tempo que marca a vida do toureiro e do toro que tem por diante.Esse tempo exacto para construir a cumplicidade entre os dois protagonistas e convencer o respeitável público, quanto à obra que ali se planeia, se constrói e, de tão efémera que é, no mesmo tempo desaparece após a estocada final. Mas esse é o sortilégio da Festa Brava.

 

Por isso, quando se abrirem as portas e se der início ao «paseíllo», apenas podemos desejar que “Deus reparta sorte!”