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BARREIRA DE SOMBRA 30 ANOS (1987/2017)

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

BARREIRA DE SOMBRA 30 ANOS (1987/2017)

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

MUITO FOLCLORE E POUCO TOUREIO DE VERDADE. PÉSSIMO PISO CONDICIONA TOIROS E FORCADOS

15.04.11 | barreiradesombra

Praça de Toiros do Campo Pequeno – 14.04.11

Director: António dos Santos – Veterinário: Jorge Moreira da Silva – Lotação: cheia

Cavaleiros: Rui Fernandes, Diego Ventura, Marcos Bastinhas

Forcados: Lisboa, Alcochete

Ganadaria: Murteira Grave

 

A corrida de inauguração da temporada lisboeta, realizada na passada noite de quinta-feira, 14 abril, fica marcada de forma negativa pelo péssimo piso da arena, a abrir autênticas crateras, condicionando a mobilidade dos toiros (quase todos a perderem as mãos em zonas centrais da arena) e a forma de recuar dos forcados no momento da pega, com alguns deles a desequilibrarem-se de forma perigosa no momento da reunião. Mas também o pouco toureio de verdade que exisitiu e o muito folclore com vista ao aplauso fácil de um público ás vezes demasiado condescendente e exultante com o acessório e muito menos premiador do que de bom acontece e que nesta noite inaugural não foi grande coisa. E a música concedida a rodos pelos delegados técnicosn tauromáquicos, sem exigência de maior quanto ao que é executado pelos artistas, também não favorece na pedagogia que tem de haver.

 

Os toiros de Murteira Grave desiludiram. Não na presença e trapio mas nas condições de lide, prejudicadas pelo mau piso da arena e por quase nunca os toureiros de terem preocupado em dar-lhes algumas vantagens. Se o toiro perde as mãos pela falta de forças, que foi notória, e pelo piso solto, dar-lhes capotazos uns atrás dos outros ou recortar-se em curto atirando os toiros para fora da trajectória de forma brusca, ainda vai penalizar mais as suas já escassas condições. Não se respeita assim o toiro de lide.

 

Analisando as actuações dos cavaleiros em praça, podemos afirmar que Rui Fernandes esteve aquém do expectável. Alguns bons remates á mistura com alguns toques desnecessários, uns quantos ferros em sortes cambiadas e atacando em curto que agradaram a uma parte do público mas sem redondear qualquer das suas duas actuações.

 

Também abaixo do expectável esteve Diego Ventura. Não se pode abordar o toureio em Lisboa como se estivesse a tourear em Alguidares de Baixo. Escandalosa a forma aliviada como deixou os compridos, a ladear e sem verdade alguma. Nos curtos, e tirando dois ou três momentos, foram mais os falhanços e toques que os momentos de empolgamento e de galvanização do público. Não gostei de nenhuma das duas actuações, muito abaixo do que pode e sabe fazer.

 

Marcos Bastinhas começou bem com a forma como recebeu os toiros e cravou um comprido em cada um deles. Mas depois deixou-se vencer pelo facilitismo quando tinha condições para, de verdade, entrar de frente e dar vantagens aos toiros. Preferiu os violinos, os de palmo em sorte de violino e os pares de bandarilhas, onde apenas o que deixou no que encerrou praça foi de mérito maior pela viagem de largo e recta, o melhor momento das suas actuações.

 

A forcadagem teve a vida dificultada no momento de recuar e reunir por causa das crateras que estavam abertas na arena. Mesmo assim todas as pegas de caras foram concretizadas ao primeiro intento. Pelos Amadores de Lisboa, Pedro Maria Gomes, Gonçalo Gomes e Francisco Mira foram os solistas e pelos Amadores de Alcochete foram caras Ruben Duarte, Fernando Quintela e Vasco Pinto, todos a cotarem-se com boas intervenções.