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BARREIRA DE SOMBRA 30 ANOS (1987/2017)

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

Hei-de ir a Viana... por José Andrade

Ze Andrade.jpgHei-de ir a Viana, com a mesma alegria que sempre ali foi em muitos anos seguidos. Mas era nas Festas da Agonia, ou da Senhora d’Agonia, que mais gosto me dava, e dá. Tem sido assim durante muitos anos, tantos que algumas dessas estadias, já só em situações muito especiais a memória cognitiva me oferece inesperadas recordações, quase todas elas, para não dizer todas, boas.

Mesmo depois daquela insensata bravata de parolo deslumbrado, que contra a tradição e os costumes, os novos ‘ordenadores de consciência’ impuseram como ‘bom costume’ proibir, ‘não às touradas’. E pensava eu que entrados na era dos anos dois mil, consolidada e franqueada estava a Liberdade, sem censores de gosto estético, opinião ou decisão. Quarenta anos de Poder Local autárquico, em Liberdade, afinal, serviram para constatar que a Liberdade porque batalhei, tenho batalhado, com gente como aquela que Viana do Castelo elegeu, apenas foi tempo necessário para demonstrar, que a canga é o seu estado e modo de viver. Com ela ficam mais satisfeitos, uma questão de gosto, que com desgosto, a gosto, querem impor aos outros.

Mas hei-de ir a Viana, como na canção que Amália, a diva, consagrou, ‘meu amor algum dia’, hei-de ir a Viana, ver e viver os gigantones, os cabeçudos, e as moçoilas com seus trajes e oiros. Ajoelhar na passagem da Procissão… e ver uma corrida de toiros. Uma questão de gosto pela tradição, cultura, arte, e liberdade de escolha.

Narram os testemunhos da história das Festas d’Agonia, em Viana do Castelo, desde tempos imemoriais, que no dia mais importante da celebração em honra da Senhora Padroeira, pelo cair da tarde, eram um mar de gente que rumava até ao redondel que servia a cidade. Narram, e eu sou testemunha. A praça cheia, até à bandeira, apenas confirmava o interesse e a aficcion que distintos vianenses cultivavam, exigindo para essa tarde de toiros, a presença de toureiros, cavaleiros e forcados, afamados. O Clube taurino que ainda ali pela Praça da Republica existe, era, e foi o garante de classe e cartéis condignos. Ir a Viana, e não ir à corrida, era um sacrilégio. E como sabiam receber os vianenses!

Distantes do epicentro onde as touradas são parte integrante e integral do modo de viver dos autóctones ligados ao campo, à lezíria, os vianenses, os aficionados das margens do Rio Lima, eram sabedores e conhecedores respeitados na arte de lidar toiros, a cavalo ou a pé.

Foi preciso a instauração da Liberdade para acabar com a Liberdade de poder gostar do que se gosta, tapear a tradição, impor comportamentos. Tradição, Cultura e Costumes, passaram a ser sinónimo de lindinho, pandeireta, charro e muita cerveja. A valentia é agora medida em encontrões, saltos de capoeira… e cócó de cachorro.

Hei-de ir a Viana… e hei-de impedir que não incomodem os que agora incomodam.

José Andrade

joseandrade@minhodigital.com

Edição nº115 de 11 de Agosto de 2017

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