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BARREIRA DE SOMBRA 30 ANOS (1987/2017)

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

HÁ 30 ANOS… DO “DA BARREIRA… AO REDONDEL” A “BARREIRA DE SOMBRA”: RÁDIO EUROPA, OÁSIS FM, FEEL FM

foto 3.jpgHá 30 anos atrás nasceu o “Da Barreira ao Redondel” e, cinco anos mais tarde, o “Barreira de Sombra”, ambos com um estatuto editorial único, o da promoção e defesa da Festa Brava e um único responsável: António Luís Lúcio, este vosso servidor.

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Há 30 anos atrás tinha 22 anos e vivia, quiçá, alguns dos melhores momentos da minha vida. Aceitei o convite de Justino de Moura Guedes para, na Rádio Europa (93.8fm) em Torres Vedras, avançar com um programa de tauromaquia. Na terra do grande Joaquim Agostinho, nascia, a 13 de Junho de 1987, o “Da Barreira… ao Redondel”, nome inspirado nas crónicas do Dr. Saraiva Lima. E não deixa de ter a sua graça que, cinco anos depois, em 1992, tenha sido recebido na rádio da minha terra, a Oásis FM (106.4fm), para dar seguimento a esse projecto que já se havia consolidado e ganho o respeito de empresários e profissionais do toureio pela seriedade e verticalidade de posições com que fomos abordando toda a temática taurina, nunca me negando á crítica das corridas (algo que considero essencial) ou ás entrevistas em directo no estúdio ou via telefone, ou ainda gravadas com antecedência, para que aficionados e público em geral ficassem a saber um pouco mais sobre a nossa tauromaquia em todas as vertentes. Tauromaquia, essa grande paixão que se reacende em cada início de temporada, e, caros amigos, já lá vão 30!!!

 

DSC01247.JPGeu + bacatum na jokey.jpgDSC01820.JPG 

Não pensem que o percurso foi fácil. Não o foi, não o é, nem o será, porque a verdade, a frontalidade, a verticalidade de posições, a independência, têm o seu preço. Se, no início, 30 anos atrás, eram os críticos instalados que se “achavam atacados” no seu status, nos seus domínios jornalísticos e radiofónicos, por verem alguns jovens aficionados, como eu, que estavam em cursos superiores ou haviam concluído o secundário, a saberem escrever bom português e que, acima de tudo eram aficionados com vontade verdadeira de aprender mais e mais, de beber inspiração e conhecimentos junto de boas fontes, vendo actuar muitos toureiros que foram, são e continuarão a ser referências do bom toureio. Não refiro nomes de toureiros porque basta que os interessados procurem os grandes cartéis de 1978 a 1987…

 

Muitas portas estavam fechadas; haviam quem dissesse que as rádios locais não passavam de rádios de vão de escada, querendo com isso retirar importância a um fenómeno que cresceu imenso a partir das legalizações após Dezembro de 1987 e que fizeram com que o boom acontecesse com o processo de legalização, voltando a emitir após Abril de 1988. Aumentavam as responsabilidades de quem pretendia fazer mais e melhor e a aceitação social foi brutal.

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 Da rádio passámos aos jornais. Estive algum tempo no jornal “Nova Verdade” de Alenquer partilhando página de tauromaquia com o grande aficionado e amigo Joaquim Tapada; passei uma temporada pelo “Correio da Manhã” com Maurício Vale, Joaquim Tapada e João Aranha, e há dez anos a esta parte, na equipa que lançou o jornal OLÉ!

 

foto 30.jpgEm 2005 veio a televisão, com a estreia na Póvoa do Varzim na corrida da RTP/Norte (Casa do Pessoal), no dia 24 de Julho. Foram alguns anos, poucos, mas muita experiência adquirida a par da vivência única que só a televisão permite. Agradeço, reconhecidamente, ao saudoso empresário Manuel Gonçalves (que descanse em paz) e à Drª. Ana Freixo essa vivência e esses momentos únicos que jamais esquecerei.

 

A tecnologia desenvolveu-se a um ritmo vertiginoso. Impensável há 30 anos atrás quando as notícias nos chegavam por fax e telex; quando os discos de vinil precisavam de umas gotas de alcool nas faixas para evitar o efeito “fritar” e se gravava em fita magnética, em bobines, depois em cassetes cujas fitas às vezes enrolavam… Uma autêntica odisseia. Perdia-se imenso trabalho quando isso acontecia. O aparecimento do CD foi uma revolução, e poder gravar nesse material… ou noutros formatos que o próprio Windows permite, foi um salto qualitativo enorme.

 

foto 25.jpgInternet… World Wide Web… Outra coisa que há 30 anos atrás era, pelo menos para nós, impensável. Mas a verdade é que apareceu e revolucionou completamente o mundo da comunicação. E como sempre, lá estivemos no primeiro projecto nacional de tauromaquia on-line, o “Tauromaquia Portuguesa On-line” cujo local era www.gabicontoria.pt, com o Fernando Dias e o Eugénio Eiroa Franco (na Galiza). Anos mais tarde, com o Eduardo Leonardo (grande mestre infelizmente também já desaparecido, com a Cibercultura do Grupo Joaquim Pinto, em Santarém, lançámos o “Toiros&Cavalos”, pontando com colaborações da Catarina Bexiga (saíu depois para a revista Novo Burladero), o Joaquim Mesquita (Voz do Sorraia), o Paulo Pereira, Joaquim Trancas Lucas… Um projecto que terminou depois de ter alcançado boas cotas de audiência/leitores e ganho o respeito do toureiros, empresários e aficionados, simplesmente porque o Eduardo faleceu e não tivemos suporte para o manter.

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Este vosso blogue, o “Barreira de Sombra”, nasceu para acompanhar o programa do mesmo nome que esteve no ar na Oásis FM, 106.4 fm, durante mais de 20 anos e até a estação ter encerrado as suas portas. Daí saímos para um outro projecto, a Feel FM com o Miguel Dias e cujas emissões eram apenas na web. Ao longo destes anos temos tido sempre a colaboração amiga do José Andrade com a sua rubrica “Tauromaquia Norte/Sul”.

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Passámos por muitas vicissitudes, por muitas alegrias, por outras tantas dificuldades…. Por vezes com vontade de desistri. Mas a verdade é que esta paixão se reacende a cada início de temporada, a cada grande lide ou faena, a cada grande pega, a cada toiro bravo que vemos voltar para o campo.

 

IMG_8629.JPGPor isso, contem com o “Barreira de Sombra”. Não sei se serão mais 5 ou mais 30 anos mas serão, seguramente, aqueles que os nossos amigos, leitores e seguidores, os profissionais do mundo do toiro e a minha capacidade venham a permitir. Queremos sempre fazer melhor. Vá por vocês!

 

António Lúcio, 13 de Junho de 2017