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BARREIRA DE SOMBRA 30 ANOS (1987/2017)

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

A FESTA BRAVA EM SOBRAL DE MONTE AGRAÇO (IV)

Em 1964, já no mês de Julho se trabalhava com alguma intensidade para que as Festas de Verão resultassem num grande êxito.

 

Festas e Feira de Verão

Já se trabalha com vista às Festas e Feira de Verão, que terão lugar nos dias 13 a 17 de Setembro próximo. (...)

Na Praça de Touros, como vem acontecendo, haverá corridas de touros, grande paixão dos habitantes desta região. Fala-se em grandes nomes da tauromaquia.(...)”

In SIZANDRO, nº 40, Julho de 1964

Um ano mais tarde, em 1965, Jotacêdois escreveu o seguinte artigo:

 

Festas e Feira de Verão de Sobral de Monte Agraço

A Praça de Touros, que o ano passado se apresentou já restaurada, será palco de duas magníficas touradas, cujo cartel está a cargo da Empresa Campo Pequeno, Lda. Segundo fontes fidedignas o cartel ombreará com o das primeiras praças do País.”

 

Em 1965 surge a primeira rubrica de Tauromaquia com espaço e grafismo próprios, a cargo de João da Silva Ferreira “El Marreco”. As crónicas dos espectáculos realizados nas Festas e Feira de Verão desse ano têm sabor e é importante deixá-las aqui na íntegra.

 

“Com a praça cheia realizou-se no passado dia 12 de Setembro a tradicional corrida de toiros das Festas e Feira de Verão deste concelho. Tomaram parte os cavaleiros José Mestre Baptista e Alfredo Conde. Na lide apeada estiveram o matador José Júlio e o jovem e prometedor novilheiro Júlio Gomes. Os forcados eram de Tomar, precisamente o Grupo Académico do Colégio Nuno Álvares.

Os toiros pertenciam aos srs. Irmãos Neto, de Benavente e dr. António Henriques da Silva, do Couço.

Nas bancadas, entre os inúmeros espectadores vislumbrámos: Manuel dos Santos, Armando Soares, David Ribeiro Teles, José Samuel Lupi, Manuel Conde e seu pai e ainda o nosso conterrâneo e esperança do toureio nacional, Manuel Rosalino.

Coube o primeiro touro a Mestre Baptista. De cor castanha e bem tratado e corneaberto apresentava ferro Neto. Baptista entrou a castigar e ao estribo cravou o ferro inaugural. Porém o touro sentiu o castigo e amarrou-se às tábuas.

Mestre Baptista ao fim de muito trabalho conseguiu prender mais dois compridos logo seguidos de um forte encontrão na sua montada. Nos curtos teve actuação de grande brilho e no final escutou grande ovação com volta e flores vindas do sector onde se encontravam as meninas «BEM».

Do dr. António Silva era o segundo touro lidado por Mestre Baptista. Tal como o outro indicava bom trato e era preto. Baptista esteve em grande evidência, sangrou o animal com ferros compridos e curtos de grande classe. Ao som de música o artista deu duas voltas acompanhado da sua quadrilha e recebeu prendas das suas admiradoras, que aqui em Sobral são muitas.

Alfredo Conde no seu primeiro touro, também com ferro Neto esteve dentro da sua bitola. Prendeu alguns ferros compridos e curtos de bom estilo, pecando nalguns deles, por toques na montada. Deu volta sob aplausos.

No segundo, Conde esteve melhor, mesmo muito melhor. Cravou dois curtos de valia, que o público sublinhou com fartos e merecedores aplausos. Deu volta à arena.

O terceiro touro da tarde coube ao matador José Júlio, com ferro do Dr. António Silva. José Júlio lanceou por parones e teve um quite por cichuelinas. A bandarilhar, como é seu hábito, José Júlio esteve em grande evidência. Cravou ferros a quarteio e a quiebro ao som de música. Na faina de muleta que brindou à assistência o matador de Vila Franca, esteve a grande altura com um novilho difícil. Toureou á base da mão direita com a qual tirou bons derechazos arrematados com passes de peito.

Tocou a música em honra de José Júlio que continuou a faena com manuletinas, mulinetes e desplante. No final deu voltas à arena com a sua quadrilha, sob aplausos muito quentes da assistência entusiasmada.

No seu segundo touro, pertença dos Irmãos Neto, castanho e com hastes muito largas é que José Júlio esteve enorme. Lanceou à verónica, seguidas de chicuelinas. Bandarilhou magistralmente. Na faina de muleta o diestro brindou à filha do dr. D. António Braamcamp Sobral. Entrou a castigar para depois tourear ao natural a fechar o círculo e bem rematados com o de peito. Tocou a música e José Júlio arrimou-se para uma faena em que tirou passes de todas as marcas acabando com um desplante de joelhos em terra. No final deu voltas, recebeu flores, sapatos e até orelhas.

O novilheiro Júlio Gomes, deu-nos magnífica impressão e segundo cremos será alguém na tauromaquia portuguesa. No primeiro touro não se portou à altura devido a recear em demasia o animal que era da ganaderia do sr. dr. António Silva. Com o capote pouco mostrou. Sacramento e Joaquim Gonçalves seus peões de brega, bandarilharam. Também na muleta o jovem novilheiro pouco toureou, apesar de sempre se ter mostrado valente e esforçado o que são, sem dúvida, bons indícios. Júlio Gomes no seu último touro, com ferro Irmãos Neto, houve-se a grande altura. Depois de bandarilhado pelos seus peões, lanceou-o à verónica. Gomes recebeu-o com três estatuários de excelente marca, que o público não soube aplaudir. Toureou de seguida ao natural, rematando com passe de peito.

Seguiu a sua faena com manuletinas e trincheiraços e fez o desplante logo seguido de simulação de estocada. Muito aplaudido deu volta no final. O grupo de Forcados, capitaneados pelo sr. Manuel Faia, fez magníficas pegas. Dirigiu com acerto o sr. Agostinho Coelho.”

 

No seu número correspondente ao mês de Outubro de 1968, e referindo-se aos espectáculos tauromáquicos, foi escrito o seguinte no Jornal

Sizandro, por João Campino:

 

“... Embora sejamos leigos sobre a festa brava, somos no entanto apreciadores da festa e lá estivemos em todos os espectáculos taurinos realizados. No domingo, gostamos francamente da tourada à Portuguesa. Os cavaleiros, D. José Ataíde, Luis Miguel da Veiga e Vítor Ribeiro evidenciaram os seus conhecimentos. Os forcados amadores de Montemor-o-Novo guindaram-se a bom plano executando rijas pegas. Pena foi que os touros não colaborassem. Mesmo assim pode afirmar-se que o espectáculo agradou. Na segunda-feira, com a casa cheia como um ovo e o sol brilhando intensamente, presenciamos as magníficas actuações de David Ribeiro Telles e do jovem Frederico Cunha. Ambos grandes valores da lide equestre, um já confirmado, outro que desponta, receberam do público grandes ovações. José Simões, mais toureiro, foi superior ao espanhol Espartaco que também esteve bem e demonstrou que a valentia não tem limites no seu corpo franzino. No seu último touro bem o demonstrou e de que maneira. Nós que estávamos na bancada vivemos intensamente a sua actuação calafriante. Os amadores de Vila Franca com uma actuação sensacional executaram formidáveis pegas que arrebataram os espectadores. Grande surpresa para nós a categoria dos moços de Vila Franca que agora começaram. Parabéns e votos de grandes êxitos são o que aproveitamos para formular. Na terça-feira, outra vez com a praça a abarrotar, assistimos à apresentação da jovem toureira azambujense, Ana Maria. Gostamos, dentro de certa medida, da jovem toureira que revelou, sem que ninguém possa contestar, muito jeito.

A lide equestre esteve a cargo de dois cavaleiros amadores. Apraz-nos realçar a forma como Jorge de Carvalho toureou. Tudo fez para que os touros que lhe couberam proporcionassem uma lide cheia de interesse. Conseguiu realmente tirar algum partido dos animais que lhe saíram mas depois de largo trabalho que o público sublinhou com fortes aplausos. Pena foi que o jovem cavaleiro não tivesse tido sorte com os touros. Se lhe houvesse saído animais dignos teria alcançado êxito grande.

De novo os forcados de Vila Franca estiveram em grande plano e executaram boas pegas. Tiveram uma cernelha digna de «Campo Pequeno». Sensacional. Não havíamos visto nada igual e exclamações idênticas tiveram-nas bons aficionados que estavam presentes.

A parte taurina foi um êxito. De destacar o excelente curro da corrida de segunda-feira, do Sr. João Coelho Capaz, Herd., de Coruche, que proporcionou ao ganadeiro volta ao redondel. (...)

As largadas de touros foram, como habitualmente, muito concorridas e encheram de júbilo os amantes destas manifestações tauromáquicas. (...)”

In Sizandro , Outubro 1968

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