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BARREIRA DE SOMBRA 30 ANOS (1987/2017)

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

E O TOUREIO DE VERDADE NÃO CONTA? SÓ VALE O NÚMERO DO “CABALLITO”?

O público paga o seu bilhete (esgotou novamente o Campo Pequeno), aplaude o que quer, transforma em êxitos aquilo que os mais conhecedores verificam pouco ter a ver com o toureio a cavalo na sua máxima expressão e antes mais não é que a reencarnação do velho espírito do rejoneio campero e do número do “caballito” que tantas e tantas vezes se reprovou. Vir à dita Catedral Mundial do Toureio a Cavalo implica tourear de frente, dar distâncias, deixar o toiro colocado em sorte e para ele partir em linha recta, e isso, caros amigos, foi feito apenas por António Ribeiro Telles. Quem saíu em ombros foi Ventura mas quem TOUREOU DE VERDADE foi o cavaleiro da Torrinha.

 

A verdade do toureio a cavalo esteve a cargo de António Ribeiro Telles, queiram ou não entender aqueles que apenas foram a Lisboa para ver Ventura. Receber os toiros com poder mas sem os recortar em demasia pois as investidas boiantes e insonsas rapidamente se acabam; colocar-se de largo e provocar a investida; sair a passo para o toiro e marcar bem as reuniões, cravar de alto a baixo e ao estribo. Tudo isso fez António Telles em duas actuações de muito nível, superior quiçá a segunda, pelas sortes frontais e entradas apertadas nos terrenos do toiro, reunindo e cravando como mandam as regras. A brega foi de muita qualidade assim como alguns dos remates frente ao segundo do seu lote, fazendo com que a lide ao quarto da noite fosse de imenso valor e por isso mesmo mais que merecedora das duas voltas à arena e chamada especial aos médios.

 

Diego Ventura, na sua primeira lide, teve nos remates dos compridos os seus melhores momentos, o que, convenhamos, é muito pouco para quem é figura. No terceiro curto deixou-se ficar em tábuas, aguentando a viagem do toiro a descair para tábuas para lhe marcar um câmbio e deixar um ferro que foi o seu melhor. Na verdade, nesta lide, nunca se colocou de frente para o toiro, aproveitando sempre que este descaía para tábuas para lhe cravar os ferros. E depois, o número do cavalo que faz o balanceiro e o público de pé e as 2 voltas á arena... No que foi quinto, andou melhor na cravagem mas só voltou a empolgar o público com as mordidelas do “Morante” ou o balanceiro do outro cavalo... Números, não é????? E voltou a dar 2 voltas e a sair em ombros!...

 

Confirmou a alternativa o jovem Francisco Palha, frente ao toiro nº 25, “Camillero” de nome e com 568kg. O seu toureio apresenta uma mescla algo incaratcerística e isso foi patente nas suas duas lides. Tem maneiras toureiras e classe. Alterna momentos de classe com outros de claro número que, se bem interessam ao grande público não atingem relevância maior em termos de qualidade do toureio executado. Cravar ferros com as rédeas atadas á cintura pode ser um alarde de doma e destreza mas não pode ser a base da actuação. Dois bons curtos, compridos correctos e bons momentos de brega.

 

Os dois Grupos de Forcados, Vila Franca e Coruche, concretizaram as pegas de caras aos seis toiros da corrida, se bem que na terceira pega dos Amadores de Vila Franca o forcado tenha ficado completamente fora da cara do toiro e os seus colegas o tenham «composto».

 

Os novilhos de Maria Guiomar Moura, todos com o 7 na mão direita e nascidos entre Out.06 e Mar.07, serviram no geral dentro da linha, mansotes e sonsos na generalidade.

 

Na direcção de corrida esteve César Marinho (sem controle nos tempos de actuação) assessorado pelo veterinário Salter Cid.

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