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BARREIRA DE SOMBRA 30 ANOS (1987/2017)

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

NOVILHADA/FESTIVAL «DE LUCES» COM OS NOVILHEIROS EM BOM PLANO

A noite de quinta-feira estava mais fresca e o espectáculo realizado na arena do Campo Pequeno teve bons momentos por parte dos novilheiros que actuaram frente aos pesados novilhos de Murteira Grave, vendo-se bons momentos de capote e de muleta, enquanto que os cavaleiros marcaram passo e o director de corrida não acertou com a concessão de música...

 

Os quatro novilheiros mostraram alguns pormenores e sendo certo que os toiros precisam de sangrar e a sorte de varas é essencial para que se toureie de forma repousada e mais artística com a muleta, quase todos os exemplares da divisa da Galeana serviram, com excepção do que tocou a Daniel Nunes.

 

Nuno Casquinha mostrou-se com a muleta mais que com o capote, tércio que cumpriu com verónicas e chicuelinas. A faena de muleta foi bem medida e com interesse por ambos os pitóns entendendo bem as distâncias e  as investidas suaves para se recrear em séries de algum nível, numa boa actuação de conjunto.

 

Entregado e com enormes ganas de agradar, mas sem novilho que lhe possibilitasse o êxito sonhado, Daniel Nunes foi o que deve ser um novilheiro: excelente no quite por gaoneras no novilho de Casquinha, lanceou o seu com algumas verónicas. Com o novilho a recusar a luta, foi o novilheiro a colocar a «carne no assador» e a procurar roubar-lhe os passes, um após outro, e metendo-se em terrenos de peso e compromisso junto a tábuas em gesto de pundonor toureiro, arriscando a voltareta.

 

João Augusto Moura não se confiou muito de início nas enraçadas e encastadas, com algumas brusquidão por vezes, do novilho de Grave. Teve alguns bons muletazos pelo lado direito, construindo algumas séries de razoável categoria mas não se impondo completamente ao oponente senão na fase final.

 

A Manuel Dias Gomes pertenceram as melhores verónicas da noite, com classe e impacto. Com a muleta desenhou uma faena interessante, levando o novilho bem toureado pelo lado direito, com alguns muletazos bem largos e profundos, dos mais artistícos da noite. Consolidada a faena, recreou-se nos mueltazos finais com circulares e de trincheira muito aplaudidos.

 

No que toca aos dois cavaleiros, Tiago Martins cumpriu a papeleta com uma actuação razoável apesar do forte encontrão em tábuas logo no início da lide, e Mateus Prieto, com um novilho que deveria ter sido devolvido pois saíu congestionado e a perder as mãos, teve uma actuação digna mas sem se poder mostrar.

 

Os Forcados de Alenquer, que cumpriram frente ao primeiro com uma boa pega de caras ao primeiro intento por intermédio de André Mata, sentiram dificuldades acrescidas no segundo (que entrava com a cara pelo chão) e só à 3ª Ricardo Silva consumou a pega de caras.

 

Direcção sem critério nos tempos de lide e na concessão de música por parte de António José Martins, assessorado pelo veterinário José Manuel Lourenço que deveria ter mandado devolver o segundo da noite.

 

Uma nota sobre a classificação do espectáculo: na publicidade estava anunciada como «novilhada popular» e nas licenças da IGAC afixadas nas bilheteiras como «festival taurino» e os artistas actuaram todos de «luces» quando o deveriam ter feito de curto como manda o Regulamento. Mas a IGAC que não permite uma novilhada com novilheiros que já actuaram com picadores (em Espanha) com cavaleiros praticantes e obriga à inclusão de pelo menos um cavaleiro de alternativa, permitiu que o festival se realizasse com os toureiros a utilizarem os trajes tradicionais de «luces». Pior a emenda que o soneto pois utiliza pesos e medidas diferentes consoante as empresas!...

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