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BARREIRA DE SOMBRA 30 ANOS (1987/2017)

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

SOBRE TRANSMISSÕES DE CORRIDAS NA TELEVISÃO

Ninguém duvida da importância que tem a presença das câmaras de televisão em eventos como as corridas  de toiros e do quanto podem potenciar o espectáculo junto das grandes massas. As audiências, medidas em termos de share, mostram a adesão dos telespectadores em escalas interessantes mas que, por vezes, atingem valores bem abaixo dos que seriam expectáveis.

 

Em Portugal, e nos últimos anos, exceptuando uma corrida transmitida pela SIC, as corridas são transmitidas pela RTP e pela TVI e, na maioria dos casos as da TVI suplantam os shares de audiência das da RTP, apostando num estilo de transmissão mais dinâmico e de menor acompanhamento técnico das questões essenciais do toureio, ao passon que a RTP vinha dando mais importância a questões fulcrais da lide. Conceitos, visões, formas diferentes de estar perante o fenómeno.

 

A escolha das imagens cabe ao realizador, bem como assim a distribuição das câmaras e do que devem acompanhar em cada momento. Mas a transmissão vive muito da sensibilidade do realizador e da inspiração e conhecimentos técnicos daqueles que têm a obrigação de comentar e entrevistar.

 

Têm dúvidas? Vejam as transmissões do Canal Plus Digital e as da Andalucia TV. Confrontem a qualidade das imagens, dos planos apresentados, das repetições, do nível dos comentários de Manuel Molés, Manuel Caballero, Antoñete e Emilio Muñoz e os de Enrique Romero e Sónia Gonzalez. Nada têm a ver a não ser o denominador comum que é a corrida de toiros. E todos eles sabem de toiros e de toureio.

 

Se atentarem na quantidade e na qualidade dos entrevistadores e na abordagem que fazem a cada um e em cada entrevista, então não restam dúvidas de que estamos perante pessoas que se preparam afincadamente e de forma profissional para cada uma das corridas que têm de acompanhar. Comparações com Portugal? Desnecessárias tamanha a distância que separa cada uma das situações.

 

A imagem vale mais que mil palavras... sempre o ouvi dizer e sempre me convenci disso. E se a imagem nos mostra um ferro completamente à garupa como é que se pode dizer que foi um excelente ferro? E mais ainda quando a repetição mostra mais duas ou três vezes o ferro deixado à garupa... Ou, no caso do toureio a pé, todos a vermos o toureiro demasiado inclinado para diante e a tourear com o «pico» da muleta e a levar o toiro demasiado por fora e aliviado e os comentaristas a dizerem que o «muletazo» é de grande qualidade... Ou quando o forcado reune mal, ou como seja!

 

E se falarmos na produção de conteúdos para acompanhar os momentos mortos, o antes e o depois das corridas, então a diferença é abissal. Em Portugal é zero, simplesmente. E penso que já seria tempo de os responsáveis pelas transmissões buscarem nos conteúdos que possuem, imagens antigas ou mais recentes que possam servir para introduzir o telespectador neste mundo, procurando dar-lhe a conhecer a vida do toiro desde o seu nascimento, ao cavalo e seu ensino, ao trabalho do toureiro, aos rituais dos forcados e de toda a corrida em si. Só assim se podem criar novos aficionados e mostrar as razões que fazem da tauromaquia uma festa de sentimentos e de emoções, de valores e convicções.

Depois veremos se os shares de audiência e o número de telespectadores cresce  ou não. Basta ver a adesão aos canais pagos da ZON e do MEO!!!

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