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BARREIRA DE SOMBRA 30 ANOS (1987/2017)

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

AS BANDARILHAS DE PROCUNA E A PEGA DE INJAY, O MAIS DESTACADO DA NOITE LISBOETA

Com direito a transmissão televisiva, a corrida da passada quinta-feira em Lisboa não foi além dos ¾ de casa (bastante boa entrada apesar disso) e o matador Luis Vital “Procuna” teve o mérito de pôr de pé o público num segundo tércio de bandarilhas de muita entrega e valor, com um segundo par a quarteio de enorme valia e mérito, num conjunto bastante bom dos seis pares que colcou aos dois toiros de Herds. Varela Crujo, numa noite em que cavaleiros e forcados deram fraca imagem da mais portuguesa das tradições. Também o forcado Emanuel Injay, autor de uma grande pega de caras, com enorme decisão e suportando larga viagem sózinho na cara do toiro, merece destaque, e o público obrigou-o a duas merecidas voltas e saída aos médios.

 

Luis Procuna caminha com outra segurança. Entregou-se em ambos os toiros nos lances de capote, variados os quites, e cravou pares de bandarilhas que fizeram saltar o público das bancadas, nomeadamente o 2º par ao sexto toiro da noite quente. Com a muleta desenhou duas faenas de interesse antes toiros de Herds. De Varela Crujo que serviram. Alguns muletazos de boa nota, em especial uns quantos naturais no seu primeiro e derechazos no segundo que tiveram impacto.

 

Miguel Angel Perera teve de cuidar muito do seu primeiro, nobre e sem força. Faena de «enfermeiro» e a cumprir. No seu segundo, mansote e que exigia, ensinou-o a investir a logrou conseguir algumas tandas pelos dois pitóns que tiveram eco entre os aficionados, poucos, que estavam nas bancadas. Uma série ao natural, bem ligada, foi de muito bom nível e o toureiro esteve entregado desde o princípio, sacando o máximo possível a cada astado.

 

Abriram praça os dois cavaleiros num farpear aliviado e nem sempre convicente até para os que batem palmas a esmo. Luis Rouxinol e Rui Fernandes não estabeleceram sinergias, não se apoiaram na brega e na cravagem, estando contudo Rouxinol melhor que Fernandes, sentindo dificuldades ante um toiro que saíu a coxear e era muito tardo nas investidas, esperando por vezes o cavaleiro.

 

Luis Rouxinol desenvolveu lide agradável frente ao quarto da noite, um toiro que andava a chouto e que pouco se empregou como os restantes de Ortigão Costa destinados ao toureio a cavalo. Dois compridos à tira e três curtos em quarteios bem marcados, com Rouxinol a deixar a sua marca nos habituais de violino, palmo e par a duas mãos e ainda outro de palmo a rematar a lide.

 

Rui Fernandes esteve algo irregular na cravagem. Deixou também dois compridos e nos curtos, em que se registaram demasiadas passagens em falso, teve no primeiro o seu melhor ferro, num quarteio bem desenhado e de reunião ajustada. Sofreu um toque mais forte após o terceiro, felizmente sem consequências e rematou com outro quarteio mais em curto.

 

Complemento do toureio a cavalo, as pegas foram complicadas no geral mais por ineficácia dos forcados de cara e das ajudas que pelas dificuldades dos toiros. Os moços de forcado dos Amadores da Chamusca sentiram na pele essa falta de eficácia, com Rui Pedro a consumar apenas à 4ª tentativa, Emanuel Injay à 1ª na pega da noite com muita decisão e a passar pelo grupo; e finalmente Diogo Cruz que concretizou à 2ª tentativa.

 

Na direcção de corrida esteve o antigo matador de toiros António dos Santos assessorado pelo veterinário Salter Cid. A corrida, ainda que com burladeros colocados durante as lides a cavalo arrastou-se durante mais de 3 horas...

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