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BARREIRA DE SOMBRA 30 ANOS (1987/2017)

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

TOIROS ESPANHÓIS, BANDARILHAS ESPANHOLAS... PARA QUANDO A CORRIDA INTEGRAL?

 

Nos últimos tempos, e por força das condições do mercado espanhol que não conseguiu esgotar os produtos que já vinha produzindo em excesso face à sua procura interna, temos assistido a uma invasão de toiros espanhóis nas corridas á portuguesa e que poderão funcionar como «chamariz» nas primeiras corridas mas que, num curto espaço de tempo (espero), farão enjoar a maioria dos adeptos da tourada á portuguesa pois os toiros não investem, não correm atrás dos cavalos e fartam-se de «malhar» nos moços de forcado. É que a maioria dos toiros que têm sido lidados em Portugal, destas ganadarias espanholas, têm 5 para 6 anos, sentido apurado dada a idade e as constantes mexidas a que são sujeitos, e não são castigados como em Espanha com os rojões ou com as puyas, no caso do toureio a pé para o qual foram genericamente seleccionados.

 

O valor pago pelos empresários por estes toiros, desconheço-o. Mas será, seguramente, bastante mais barato que o dos ganadeiros portugueses pois ao preço dos toiros há que somar as despesas de deslocação dos camiões a Espanha e que são muito superiores às distâncias que percorrem em Portugal. Os ganadeiros portugueses têm de estar atentos a este fenómeno se não quiserem ficar com os toiros em casa.

 

Mas também já nesta temporada e ainda antes da decisão da IGAC de autorizar as chamadas «bandarilhas de segurança» ou espanholas, já estas haviam sido usadas em alguns espectáculos a que assisti. Na verdade, que castigo proporcionam estes ferros aos toiros em que são utilizados? Em Espanha compreende-se o seu uso como «avivadores» após o castigo das varas ou dos rojões no toureio a cavalo. E em Portugal em que os toiros não sangram, não descongestionam como deviam? Os compridos, que deixam cerca de 30 centímetros de pau, não castigam o que castigavam e os curtos menos ainda pois rapidamente o pau cai para o chão como vimos na corrida do Cartaxo, o ferro penetra pouco e o castigo é quase nulo. Depois vemos toiros chegarem inteiros aos forcados e as consequências não se fazem esperar...

 

E já que andamos nesta espanholice toda, com toiros e bandarilhas à espanhola, será justo perguntar quando é que os aficionados portugueses à corrida integral vão poder assistir ao seu espectáculo preferido em Portugal? Sim, porque já só falta a sorte de varas e a morte do toiro na arena. Na verdade, quando é que os que somos aficionados ao toureio a pé na sua plenitude nos unimos e lançamos uma petição pública para que o assunto seja discutido na Assembleia da República pelos deputados que elegemos e que têm a obrigação de nos defender?