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BARREIRA DE SOMBRA 30 ANOS (1987/2017)

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

Desde 13.06.1987 ao serviço da Festa Brava

A FESTA BRAVA EM SOBRAL DE MONTE AGRAÇO (2)

É um facto que a Festa Brava era uma tradição arreigada no espírito dos nossos antepassados e que sempre fizeram todos os esforços por viverem por dentro essa tradição. E sempre se esforçaram por manter essa tradição bem viva, seja nas esperas e largadas de toiros, seja nas garraiadas e vacadas com amadores da região que enchiam por completo a velhinha praça de toiros.


Os factos curiosos também são muitos, desde o tresmalhar das reses, de forma propositada, às madeiras esburacadas da praça, suportando as bancadas com prumos de eucalipto e os focos de incêndio que tantas vezes se verificaram.

 

Mas pela praça de toiros de Sobral passaram figuras como:

ü      Mestre João Branco Núncio

ü      Simão da Veiga

ü      Manuel Casimiro de Almeida

ü      Mestre David Ribeiro Telles

ü      Manuel Conde

ü      José Maldonado Cortes

ü      José João Zoio

ü      José Mestre Baptista

ü      João Moura (como amador e profissional)

ü      Manuel Jorge de Oliveira

ü      Gustavo Zenkl

ü      Emídio Pinto

ü      Rui Salvador,

entre muitos outros cavaleiros, dos quais é justo destacar Sommer d’Andrade , José Varela Crujo e Paulo Brazuna, e todos os demais cuja enumeração seria fastidiosa.

 

Mas também matadores de toiros como:

ü      Diamantino Vizeu

ü      Manuel dos Santos

ü      Mário Coelho

      António dos Santos

ü

ü      José Trincheira

ü      José Simões

ü      José Júlio

ü      Ricardo Chibanga

ü      António de Portugal

E , na derradeira temporada do século, Vítor Mendes e Rui Bento Vasques.

 

Em 1985 inaugurou-se a luz eléctrica com uma novilhada mista em que actuaram os cavaleiros Paulo Brazuna e João Carlos Pamplona, os Forcados de Agualva-Cacém, e os novilheiros Celso Ortega e José Luis Gonçalves frente a novilhos de Herds. De Manuel César Rodrigues. Foi o último espectáculo em que se lidaram reses desta ganadaria e o autor destas linhas teve o privilégio de ter pegado o segundo e último toiro lidado a cavalo, por Paulo Brazuna, premiado com volta à arena após uma pega à barbela ao primeiro intento. Foi na noite de 8 de Setembro.

 

Mas algumas cenas caricatas aconteceram na nossa praça e permito-me recordar aqui duas delas.

 

Talvez há vinte anos atrás, lidou-se um curro de uma afamada ganadaria. Muita gente na trincheira e as forças da autoridade nada faziam para retirar essas pessoas da trincheira. Ironia do destino, foi um elemento da GNR o primeiro a ser «afagado pelas hastes» do toiro que saltou várias vezes a trincheira!

 

Mas também por essa altura lidou-se um imponente curro de toiros de Varela Crujo que levantavam em peso os pesados estrados de madeira que tapavam os curros. Imagine o solo a fugir-lhe debaixo dos pés e ver aqueles toiros... Pois bem, após as lides e como se recusassem a regressar aos curros, foram puxados, à corda, por um tractor!!!

 

Um dos Grupos de Forcados que passaram um mau bocado na nossa praça foi o de Montemor, a 10 de Setembro de 1973, frente a toiros de Couto de Fornilhos. A descrição de António Vacas de Carvalho no seu livro «Forcados Amadores de Montemor» é elucidativa:

 

“... cabe aqui narrar o que se passou na corrida de Sobral de Monte Agraço, em 10 de Setembro de 1973:

Os dois pilares do Grupo desse período, Zuzarte e João Cortes, estavam em férias no Algarve. Como tinham informações que indicavam estarem os toiros pequenos, julgaram que não seriam necessários nessa corrida. E não foram só eles a pensar assim. Muitos dos forcados seniores do grupo também não compareceram. Entre estes, Chaveiro, Letras, José Silva, Félix, etc.. O grupo foi chefiado de novo por Capinha Alves.

Afinal, as informações sobre os toiros não estavam correctas, e estes saíram grandes e mansos, e causaram grande embaraço aos forcados presentes. O que deveria ter sido uma corrida «de pouca importância», acabou por ficar na história do grupo.

Embora três toiros tenham sido pegados à primeira tentativa, por Caixinha, José Rodrigues e João Zita Cortes, o quarto toiro colheu uma série de forcados em tentativas de caras e de cernelha (cernelha esta tentada de novo por José Cabral), e novamente de caras.

Pedro Vacas de Carvalho partiu costelas; igualmente foi para a enfermaria João Zita Cortes. Como se disse, José Cabral não conseguiu a cernelha, com Vítor Vacas a rabejar e, finalmente, o director de corrida proibiu mais tentativas, mandando abrir as portas dos curros para recolha do toiro. Perante a desobediência do grupo, as autoridades deram ordem de prisão aos jovens, impedindo-os, efectivamente, de tentarem a pega ao toiro que o director de corrida apelidava de «toiro assassino». Isto é, as autoridades só conseguiram prender os forcados que estavam dentro da trincheira, porque os que estavam na arena se encontravam a salvo – pelo menos, da polícia. E voltaram a realizar uma última tentativa. Foi Baltazar Abelha, com o júnior António Capoulas e poucos mais a ajudar, quem a tentou. O toiro manos arrancou, atropelou os forcados e entrou em corrida para o curro, cujas portas estavam em aberto.”

 

E como esta situação atrás descrita, existiram muitas outras, pois quase sempre os curros de toiros que vinham a Sobral de Monte Agraço eram corpulentos e de ganadarias duras. Desde os tempos dos Norbertos e de outros toiros de meia-casta e casta portuguesa, nunca houve corridas com ganadarias ditas «comerciais» em Sobral.

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